10 Livros para uma boa formação, por Diego

10 Happiness – Lessons From a New Science – Richard Layard

 

O que quer que estejamos fazendo, estamos fazendo com alguns porques. Sempre que uma criança pergunta porque fazemos alguma coisa, temos que pensar nela em termos de outras, e por sua vez de outras e etc… Mas afinal, porque queremos ser felizes? Ser felizes é um fim, e não um meio como tudo o mais, e por isso é importante por nessa lista um livro que fale sobre os fatores que influenciam isso, e que defende que sim, podemos pensar a felicidade, podemos medir a felicidade, e principalmente podemos modificar a quantidade de felicidade. Ou, como eu costumava dizer, mudar o coeficiente de felicidade geral.

À quem discorde, faço uma citação de Russell, em seu “A conquista da felicidade” “Men who are unhappy, like men who sleep badly, are always proud of the fact.”

9 On Intelligence – Jeff Hawkins

Esse livro tem que ser lido depois dos demais livros de ciência. Ele descreve uma nova forma de pensar o que a inteligência, de uma perspectiva neurológica. E cria finalmente uma teoria a respeito de neurociência, algo que ela carecia a muitos e muitos anos. Sua teoria é muito boa, bem articulada, condizente com a realidade etc… A Memory Prediction Framework deve dominar a neurologia em breve, permitindo que ela ultrapasse a descrição e se torne teoria. Esse cara revolucionou o campo do século 21, e ler isso é o mínimo necessário para saber como pensamos afinal.

8 O senhor das Moscas – William Golding

Me emocionou profundamente nos meus 13 anos. Mostra o carater podre do ser humano em algumas circunstâncias particulares, é um ótimo livro, e uma delícia frenética que prende os órgãos durante a leitura.

7 O Universo Numa Casca de Noz – Stephen Hawking

O que? O Diego? Que gosta de física, falando bem de um populista como Stephen Hawking? Pois é exatamente isso. Fiquei pensando qual seria o melhor livro de física para colocar, pensei nos grandes tomos, no ABC da relatividade do Russell, em livros de autores menos populistas, e em temas mais caóticos como teoria das cordas e quântica. Mas na realidade, o objetivo de ler um livro de física, para a formação, não é a física em si. Mas o tesão pela física. E o Stephen Hawking é uma maquina de tesão pela física. Qualquer um que leia o que ele escreve fica obcecado e achando que física é a coisa mais legal do mundo todo, e que todo mundo devia ser físico. E isso é um grande objetivo. Além do que, o livro dá um bom panorama sobre várias partes da física, fala sobre a exponencialidade da tecnologia e é de uma clareza estonteante.

6 Como a Mente Funciona – Steven Pinker

Se alguém dissesse para uma máquina que ela é uma máquina, qual ia ser a principal curiosidade dela? Saber como ela foi programada, por quem, com que objetivos. Esse livro responde essas perguntas para a máquina humana. E é o mínimo que se espera de uma pessoa normal curiosidade sobre sua própria natureza.

5 Ensaio sobre a cegueira – Ensaio sobre a lucidez – Saramago

Considero esses dois livros como só 1, daí que estejam juntos. A parábola, método consagrado por Saramago no qual uma coisa acontece que modifica profundamente apenas um aspecto do mundo, e todo o resto se mantém, é uma forma genial de compreender e olhar para as coisas do mundo. E esses dois livros parecem absolutamente geniais nesse respeito. Ele escreve tão bem, que as vezes da vontade de parar de entender só para ficar lendo.

4 Humano, Demasiado Humano – Nietzsche

Nietzsche me parece a pessoa mais inteligente da qual já tive notícia. E o que melhor de um ser inteligente que seus sparkles? O que melhor do que aquilo que ele tem a dizer em 4 linhas? Sem qualquer compromisso com a extensão do pensamento? Uma lição de que pensar é algo que pode ocorrer em 5 10 ou 100 palavras, as vezes de maneira muito mais bela do que as centenas de milhares que compõe os grandes livros.

3 Minha concepção do mundo – Ou obras completas – Bertrand Russell

Esse livro não tem nada de especial. O que mais interessa do Russell são os ensaios dele, alguns são simplesmente geniais. Mas o que esse livro tem de bom é que ele mostra como pensa um ser humano que viveu as duas guerras mundias, ele mostra a importância de considerar o ser humano, de ter algum tipo de afecção social. Ele é uma forma de pensar ética muito importante, que se perde muito nos dias de hoje, se perde basicamente porque não temos mais guerras, porque não temos capitalismo e comunismo, e não sabemos dos graus de ameaça que outrora pairaram sobre nosso planeta, e que de forma velada ainda estão aí. Por ser uma entrevista também é extremamente fácil de ler. E o ponto principal é que pode suscitar um desejo de conhecer o autor, que, não escondo o favoritismo, é o maior genio de todos os tempos.

Talvez, melhor do que ler esse livros seja ler tudo que ele escreveu, pulando os capítulos de psicologia, pela única exclusiva razão de que a psicologia não estava suficientemente desenvolvida na época. Russell nos dá a clareza, a precisão, a humildade e a bondade com a humanidade, tudo no cérebro de um matemático que criou uma corrente filosófica e ganhou um nobel de literatura. Um must.

2 Armas Germes e Aço – Jared Diamond

Completude. Esse livro tem como objetivo explicar porque os europeus dominaram o mundo, e não os australianos, ou os africanos, ou os sul americanos etc…. Para isso, ele se utiliza de ecologia, antropologia, biologia, geografia física, filologia e parasitologia. Uma explicação de um fenômeno extremamente complexo, muito bem escrita e articulada, vencedor de um prêmio pulitzer. Tudo obviamente dentro de um viés irrevogavelmente evolucionário, afinal, o que esperar de um cientista que passou 20 anos estudando pássaros.

1 Darwin Dangerous Idea – Daniel Dennett

Esse é o top, não tem como não ser. A idéa mais importante e revolucionária da história do pensamento é a evolução. Ela é foda porque ela transformou tudo. Antes pensavamos que a explicação vinha de cima, e agora de repente ela vem de baixo. Essa inversão muda completamente a forma de pensar tudo, do design a ética, da adaptação à linguagem. Da mais simples cor azul ao sentido da vida, tudo encontra novas formas de se pensar na evolução darwiniana. E nenhum livro explica a evolução em todas as suas facetas e consequências tão bem quanto esse, por isso, ele merece o primeiro lugar.

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Visões de mundo opostas em Nietzsche

Me deparei em Nietzsche com duas visões de mundo bastante diferentes.

A primeira é a que vou chamar aqui, talvez com pouco direito, de fisiologismo. Consiste num curto circuito do plano das idéias ao plano fisiológico, como se as idéias não tivessem autônomia mas fossem epifenômenos de movimentos esses sim mais substânciais nas visceras do mundo. As idéias nada são além de ilhas; montanhas subterrâneas que nos aparecem superficialmente como delimitadas e substanciais, mas que se sustentam e devem todo sua existência a movimentos tectônicos mais profundos e sua interação mútua a esses mesmos movimentos, que em nada reflete o que as ilhas são mas sim os humores vulcânicos.

É procedendo assim que Nietzsche faz sua análise do Asceta. O Bem, Deus, as Formas Puras, nada disso é nada além do resultado de gases e outros desconfortos físicos de alguns ascetas ressentidos. Ironia especial pra esse caso onde as mais “sublimes” idéias tem origem vergonhosa. O homem tenta justamente se consolar desse mundo se desnaturalizando, criando outras realidades (transcendentes) e ideais. É claro que os que o farão serão aqueles descontentes com a realidade dada: os doentes, os excluídos, os fracos.

A avaliação do Asceta está na genealogia da moral, e é além de fisiológica, genealógica. Entra em outras questões e pormenores que não nos interessam aqui. Mas no puro fisiologismo a questão que importa é a da saúde e da doença. A avaliação das éticas, um dos pontos nucleares desse autor, será feita a partir desse ponto de vista: quão saudável ou doentio ele é? . Nietzsche adere a uma teoria médica que em grossos termos é como a dos humores: doenças não são fatores exógenos ou mudanças qualitativas, mas sim desbalanços e desequilibrios nos próprios fluídos ou constituintes do corpo (Claude Bernard).É assim também que Nietzsche dirá que os impulsos humanos não tem nenhum valor moral (e fisiológico, portanto) em si, mas sim em relação a uma proporção, além da qual se entra em um estado doentio.

Outra visão de Nietzsche parece nos dizer o contrário. Vou chamá-la, de novo por falta de designação adequada, de Transcendental. Ali onde ele diz que nossas visões são já condicionadas, que todo olhar já é um julgamento moral (e não um dado a ser julgado, como diria o senso comum). A maneira como vemos as coisas, como experimentamos a realidade em geral, depende já de uma constituição mental construída, especialmente se focarmos o sentido moral. Essa visão sem dúvida é tributária a Kant, em cujo sistema o Sujeito ao perceber já da a forma do mundo, é o próprio Demiurgo que carimba a massa amorfa do mundo com selos das mais variadas formas (zebras e zeppelins e dodecaedros agudos) e cria sua própria caverna autista de fenômenos, se aproveitando no máximo dos poucos raios de sol que atravessam o teto para fazer seus próprios animaizinhos de sombra . De qualquer maneira, essa visão de que o próprio sujeito é criador ao menos parcial de seu próprio mundo se encontra muito em Nietzsche, por exemplo ali onde ele comenta sobre os povos europeus e a experiência (seu feeling, seu “tato”) particular de cada país em relação à arte por exemplo. Ou então quando ele diz que os alemães tem olhos mais perspicazes para o vir-a-ser; que são de temperamento mais heraclitiano que pamediniano (e aqui justificado por, entre outros, um fator lingüistico). É aqui que cessa o Nietzsche biólogo disposto a julgar desde o budismo zen até o protestantismo calvinista com seu termômetro saúde-doença e começa o Nietzsche que parece agir de um ponto de vista injustificadamente (pelo seu próprio meio de ação) neutro; capaz de penetrar na maneira de experimentar a realidade (na lente da distorção da visão, se quiserem; e puderem guardar a lembrança que não existe percepção livre de distorção, não como ruído mas como essência própria da percepção) dos outros para entender uma obra, um povo, uma época. Algo similar com aquilo que desenvolve Foucault quando diz que a forma de se experimentar o fenomeno da verdade muda através das eras.

Nagase uma vez, citarei tortamente de memória, me disse que pretendia investigar como em Nietzsche a genealogia é a continuação de uma espécie de jogo de máscaras, ou seja, que buscar os inumeros significados amontoados em cada idéia e fenômeno não levaria ao conhecimento dele (conhecer é conhecer pela causa), e que seria o fisiologismo, o estudo das relações orgânicas subterrâneas o estudo que realmente poderia tirar essas máscaras e expor a fratura do real exposta.

E embora tenha de admitir que talvez a ordem temporal da obra de Nietzsche o fisiologismo vá ganhando peso enquanto o “”transcendentalismo”” vá perdendo, de modo que “O nascimento da tragédia” é admitidamente hegeliano e o “Ecce Homo”, último livro, é onde não só o fisiologismo aparece com mais força em toda obra, mas onde a Alemanha é mais  debochada pelo autor; sugiro que os dois são desenvolvimentos de uma antinomia Schoppenhaueriana:

No parágrafo 7 do primeiro livro Schoppenhauer se debruça sobre o materialismo e o idealismo (de Fichte). O mundo que independe do sujeito, e o tratamento desse como mero objeto enquanto simples agregado de matéria, e o mundo inteiro como criação autônoma do sujeito. Diz as duas serem falsas por se embasarem em suas próprias conclusões, e declara que sendo o mundo representação, não há objeto abstraído do sujeito nem sujeito isolado sem objetos (dada que a representação envolve por definição aquilo que é representado e alguém que pegue a apresentação e a reapresente): “Assim, necessariamente, vemos de um lado a existência de um mundo todo dependente do primeiro ser que conhece, por mais imperfeito que seja; de outro, vemos esse primeiro animal cognoscente dependente de uma longa cadeia de causas e efeitos que o precede na qual aparece como um membro diminuto. Essas duas visões contraditórias, pelas quais somos, de fato, conduzidos com igual necessidade, poderiam decerto ser denominadas uma ANTINOMIA da nossa faculdade de conhecimento”.  O mundo enquanto não é visto por ninguém não tem significação alguma, mas para que surja uma forma complexa capaz de vê-lo, é necessário que ele passe de um estado “simples” (big bang? suit yourself here) à formação dessa estrutura representativa que obviamente não existe, mas confere mesmo o significado retroativo a toda essa atividade passada.

A transição conceitual para Nietzsche ficará mais clara se pensarmos ainda que foi a forma de pensar em antinomias e contradições, típica da época anterior a sua, que abriu espaço para seu perspectivismo. Com a diferença que o perspectivismo permite um crescimento de cada um dos elementos, o proto-fisiologismo (materialismo-objetivismo) e o proto-“”transcendentalismo”” (idealismo-subjetivismo) não enquanto amarrados um ao outro mas enquanto autônomos. Cada um deles fundamenta inquéritos da obra de Nietzsche sem que eles se anulem, e que podem trabalhar muito bem juntos (na Genealogia da Moral por exemplo).

Aguardo no mínimo um post de resposta do Daniel

Complexidade irredutível

Destoando um pouco dos tópicos usuais daqui, estou postando o meu primeiro post no blog. Que por sinal, publiquei também no meu blog particular.

Muitas pessoas tomam a complexidade e a beleza da natureza como evidências da existência de Deus ou de alguma outra entidade inteligente ou superior. Primeiramente, quero mostrar que existe aí um claro viés de observação: O universo é basicamente uma vasta imensidão de vácuo com umas bolinhas de gás lá e cá e nele a Terra parece ser uma incrível exceção; nosso planeta é um lugar muito especial no universo, não conhecemos nenhum outro tão diversificado em formas e estruturas complexas, assim, precisamos tomar cuidado ao tomar a Terra como referência. Nós vemos tanta complexidade porque o surgimento da vida (e nosso) requer tal complexidade; não poderíamos ter aparecido num lugar típico qualquer para observar a não-complexidade do universo. Já o viés da beleza deve-se simplesmente ao fato de vivermos melhor se admirarmos a natureza do que se não o fizermos; isto é útil a nossa sobrevivência e provavelmente foi selecionado por causa disso. Talvez daqui a milhares de anos as pessoas vejam mais beleza nas paisagens artificias porque isto as tornará mais adaptadas. Não é tanto a beleza da natureza que nos impressiona, quanto nós que impressionamos beleza na natureza.

Descontando-se os viéses, é muito interessante que existam tais formas na natureza e conceber o seu aparecimento espontâneo me pareceu completamente implausível até que conheci sistemas muito simples capazes de gerar grande complexidade. Vou dar alguns exemplos:

Os números primos

Os números naturais são os números que usamos para contar: 0, 1, 2, 3, 4, …
É um teorema bem conhecido que todo número natural maior que um pode ser expresso como a multiplicação de alguns dentre estes números, chamados por isto números primos (primeiros). Na verdade os primos são infinitos, mas são poucos comparados aos naturais. Ou seja, alguns dos naturais (os primos) são suficientes para gerar todos os outros por multiplicação. Veja:
2 é primo
3 é primo
4 = 2*2
5 é primo
6 = 2*3
7 é primo
8 = 2*2*2
9 = 3*3
10 = 2*5

No entanto, embora definir os naturais (zero e sucessor) e os primos (números que têm exatamente dois divisores distintos) seja relativamente simples, a estrutura da seqüência dos números primos é extremamente complicada. É muito difícil de se prever a sequência dos primos sem ter de testar a primalidade de uma montanha de números, e os matemáticos têm tentado compreender as propriedades desta seqüência há mais de 2000 anos. É um grande mistério de onde vem tal complexidade:

Descubra o padrão, entre para a história e tenha o mundo aos seus pés.Riemann menos Pi. Obtido em: http://www.secamlocal.ex.ac.uk/people/staff/mrwatkin/zeta/ss-a.htm

A regra 110

Stephen Wolfram inventou um sistema muito interessante de codificar certas regras de gerar padrões em fileiras de quadradinhos (autômatos celulares):

A regra 110A regra é a seguinte: começa-se de uma linha de quadradinhos brancos, com exceção de alguns pretos; para cada quadradinho da linha, compara-se ele com seus vizinhos, e pinta-se o quadradinho abaixo de acordo com a regra. Repete-se para cada nova linha formada. Curiosamente, aparecem padrões como estes:

A regra 110

Regra 126Regra 126: Fractal de Sierpinski
Novamente, não me é claro de onde vem esta complexidade, não me parece estar especificada na definição.

O Fractal de Mandelbrot

Benoit Mandelbrot descobriu que se pegarmos um número complexo c=a+bi, elevarmos ao quadrado, somarmos c, elevarmos ao quadrado, somarmos c, e repetirmos isto infinitamente, alguns destes números c vão para infinito (em pelo menos uma de suas partes), e outros não. Se pintarmos de preto num plano de Argand-Gauss, os números que não vão para infinito, encontramos uma estrutura muito interessante, o conjunto de Mandelbrot:

O conjunto de Mandelbrot
Olhar esta estrutura mais de perto só a revela mais e mais complexa. Acho que este é um caso gritante da complexidade surpreendente que quero mostrar.

Enfim, minha intenção era mostrar que sistemas de definição formal simples podem expressar uma complexidade muito maior do que a intuitivamente esperada, e que não devemos ser céticos em relação a isto. Não é tão surpreendente que a mera dinâmica casual possa ter provocado o aparecimento de estruturas tão complexas quando as vistas na Terra, o surpreendente é que dinâmicas simples possam gerar estruturas tão complexas. Qual é a origem desta complexidade?

Desprovando Hume, num e-mail para Bolzani

Como não sei se articulei as idéias corretamente, nem se entendi direito o que você disse. Resolvi formalizar o que estava pensando. Para deixar claro o meu ponto e evitar mal-entendidos.

Na quinta sessão Hume diz que não há razão para se supor a partir de uma conjunção que algo seja causa e algo seja efeito.
” He would not, at first, by any reasoning, be able to reach the idea of cause and effect; since the particular powers, by which all natural operations are perfomed, never appear to the senses; nor is it reasonable to conclude, merely because of one event, in one instance, precedes another, that therefore the one is the cause the other the effect. Their conjunction may be arbitrary and casual. There may be no reason to infer the existence of one from the appearance of the other.”

Além disso, ele diz que o poder explicativo de dizer que se faz isso pelo hábito se deve ao fato de que fazemos esse tipo de inferência causal quando algo ocorre muitas vezes, mas não fazemos quando ocorrem poucas instâncias de um evento.
” This hypothesis seems even the only one, which explains the difficulty, why we draw, from a thousand instances, an inference, which we are not able to draw form one instance, that is, in no respect, different from them.”

Ou seja, o que ele está dizendo aí é que sua explicação é boa porque ela é capaz de explicar um fenômeno particular. Isso é uma teoria que pode ser testada. Basicamente, ele propõe que fazemos a associação sempre que ocorrem muitas instâncias de um caso, e que essa é a única teoria capaz de dar conta disso.

Essa teoria pode ser desprovada de algumas maneiras. Se por exemplo não fosse o caso que existissem eventos contíguos no tempo. Ela estaria desprovada. Se surgisse outra teoria que abarcasse o mesmo fenômeno e também explicasse uma série de outras coisas, ela seria substituída etc…
Então examinemos o que aconteceria no caso que eu citei em sala de aula.

Suponhamos que alguém fugiu da vela após tão somente uma vez ter se aproximado dela.

O que eu disse foi ” Isso retira o poder explicativo que Hume pretende atribuir ao costume.”

O que você disse foi ” Se não fosse a existência de um princípio do hábito, ou do costume, seria impossível que essa pessoa criasse o hábito de fugir da vela. ”

O que estou defendendo é completamente compatível com o que você está defendendo, mas não consegui me explicar na hora. E faço agora.

Vejamos que o que você estava defendendo é basicamente que existe uma condição necessária para que alguém crie o hábito de desviar de uma vela em chamas. Essa condição necessária é a existência da possibilidade de se ter um hábito. Ou costume.

Isso é um fato, e não há razão para contestá-lo. Mas isso tem algum poder explicativo? Isso demonstra porque o hábito ou o costume são aquilo que nos guia a desviar de uma vela? Não necessariamente. Isso é apenas (para plagiar o franklin e o kant) uma condição de possibilidade para o costume. Não é uma descrição de porque o costume é a perspectiva certa para se pensar o assunto. E não outro princípio da naturezal.
Ou seja, é condição necessária que exista a possibilidade de se ter costumes (por exemplo uma tendência natural). Mas não é condição suficiente para se explicar nada.

O que seria condição suficiente, segundo Hume é o que ele diz, e repito aqui. ” This hypothesis seems even the only one, which explains the difficulty, why we draw, from a thousand instances, an inference, which we are not able to draw form one instance, that is, in no respect, different from them.”

Ou seja. Ele está evocando que a razão pela qual devemos acreditar num princípio do costume, a razão pela qual existe o hábito é exatamente a de que não há outra explicação que seja capaz de diferenciar nosso comportamento em relação a contiguidades particulares e contiguidades repetidas. Suponhamos então que ele esteja certo. Isso implicaria necessariamente que fazemos inferências causais de contiguidades que sempre se repetem. E implicaria necessariamente que não fazemos inferências causais para casos particulares; mas esse parece não ser o caso.

O exemplo da vela extensamente discutido demonstra que não é necessário, em certos casos, mais do que uma experiência para criar o hábito. Outros exemplos também poderiam ser citados (quase-afogamento, envenenamento alimentar). Ora, se existem casos que desviam da hipótese de Hume, ou, mais do que isso, se existem casos que desviam daquilo que Hume usa como sustentáculo de sua hipótese, sua teoria tem de ser considerada uma má generalização. Ou seja, ou ela só é válida para algum subgrupo particular de casos. Ou ela simplesmente está errada e deve ser abandonada.

Minha defesa é de que ela é válida apenas para associações que não dizem respeito a fatores que são extremamente evolutivamente importantes no curto prazo. Pois o princípio de fazer inferências ou associações existe em nós proporcionalmente a razão evolutiva que haja para crer que algo vai interagir causalmente. Ou seja, temos uma tendência maior para acreditar em causa e efeito tanto mais quanto essas causas e efeitos afetarem nossa evolução biológica.

É possível evidenciar claramente o porque a teoria dele há de estar errada com um exemplo mais complexo.

Tomemos os 4 eventos contiguos.

1 Vela acesa
2 Lampada acesa
3 Emissão de um som desconhecido
4 Dor na mão.

Suponhamos que esses quatro eventos se dessem ao mesmo tempo com uma pessoa.

Ela vai até um local, no qual uma vela acence, uma lampada acende ao mesmo tempo, emite-se um som desconhecido, e ela sente dor.
Ela retira sua mão de perto da vela. E o som para e a luz apaga.

No dia seguinte, em um certo horário, uma lampada acende numa sala em que ela está. Ela não prevê dor. (ou seja, Hume está certo. Apenas uma instância, logo nenhum hábito)
Da mesma maneira, a mesma música começa a tocar duas horas mais tarde, noutra ocasião (Mais uma vez, apenas uma instância, nenhum hábito. )
Meia hora mais tarde, ela está passando por um estreito corredor com uma vela, e sua mão, se deixada a esmo, passaria diretamente na chama. A pessoa levanta o braço, incluna o corpo e desvia da vela.

O que temos nesse caso? A prova inelutável de que a tese de Hume está errada, não é válida universalmente. Apenas uma instância, e mesmo assim a criação de hábito.
Mais do que isso, apenas uma instância de uma série de eventos que não são associáveis de nenhuma maneira na razão, no intelecto, e no entanto a criação de um hábito com relação a apenas um deles, e particularmente justo aquele que de fato resguarda uma realação de causa e efeito. Peculiar.

Evidente que se não tivessemos um princípio de hábito, como você disse, isso seria impossível em absoluto. Mas a questão é que a tese que Hume defende não é essa. O que ele defende é que evocar o hábito é a forma correta de se explicar o fenômeno . E isso, considerando os exemplos que pensamos em sala de aula, não é fato. É um equívoco.

Top 10

1. Metafísica, Aristóteles.

2. Critica da Razão Pura, Kant.

3. Fenomenologia do Espírito, Hegel.

4. Teoria Estética, Adorno.

Esses quatro dispensam apresentações. Bem óbvios por sinal, talvez menos a Teoria Estética.

5. Mecânica Quântica, Edusp.
Sinopse da livraria cultura: ‘Mecânica Quântica’ destina-se a estudantes universitários, professores e pesquisadores envolvidos com a física. Os primeiros seis capítulos desenvolvem as principais idéias e a estrutura geral da mecânica quântica. Os capítulos seguintes apresentam tópicos mais específicos, de uso corrente em diversas áreas da física atual. O final de cada capítulo traz uma lista de exercícios e referências bibliográficas.

6. Introdução a Cosmologia, Edusp.
Sinopse da livraria cultura: Baseado no curso de Introdução à Cosmologia, oferecido pelo IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP, este livro utiliza conceitos da física moderna no estudo da cosmologia. ‘Introdução à Cosmologia’ aborda assuntos como – as relações do pensamento científico/filosófico com a cosmologia atual, a expansão e a evolução dinâmica do Universo, a Teoria da Relatividade como instrumento para o entendimento da geometria do Universo, a radiação cósmica, a teoria da Inflação e teorias sobre a formação das galáxias.

7. Feynman lectutes on Physics
Wikipedia: The Feynman Lectures on Physics, by Richard Feynman, Robert Leighton, and Matthew Sands is perhaps Feynman’s most accessible technical work, and is considered a classic introduction to modern physics, including lectures on mathematics, electromagnetism, Newtonian physics, quantum physics, and even the relation of physics to other sciences.

8. Calculus, Apostol
Calculo é a base essencial para grande parte das ciências exatas. Esse é um bom livro de calculo que conheço, acessível e com algumas demonstrações (na verdade perto dos outros livros de calculo que conheço é o que mais demonstra)..

9. Édipo Rei, Sófocles.
Uma das maiores e sem duvida mais clássica tragédia da Grécia antiga.

10. Os Buddenbrooks, Thomas Mann
Narração irônica e detalhista da decadência burguesa na virada do século.

Aproveitando (não queria criar um post só para isso) vou colocar algumas partes interessantes de alguns desse livros e de outros. Talvez elas não fiquem tão boas fora de contexto, mas quem sabe não instiguem a leitura:

“Se não existisse nada de eterno também não poderia existir o devir” Aristóteles, Metafísica Livro terceiro

“E em geral, se só existe o que é perceptível pelos sentidos, caso não existissem seres animados nada poderia existir: de fato, nesse caso, não poderia haver sensações (…), mas é impossível que os objetos que produzem as sensações não existam também independentemente da sensação”.Aristóteles, Metafísica Livro quarto

“Em contrapartida, a forma pura da intuição no tempo, simplesmente como intuição geral, que contém um diverso dado, esta submetido à unidade original da consciência, apenas através da relação necessária do diverso da intuição a um: eu penso; ou seja, pela síntese pura do entendimento, que serve a priori de fundamento à síntese empírica.” Kant, Critica da Razão Pura

“Pois o contentamento com toda a sua existência não é obra de uma posse originária (…), mas um problema imposto a ele por sua própria natureza finita porque ele è carente esta carência concerne à matéria de sua faculdade de apetição…” Kant Critica da Razão Pratica

“O objeto é, antes, sob o mesmo e único ponto de vista, o oposto de si mesmo: para si, enquanto é para Outro; e para outro, enquanto é para si.” GWF Hegel Fenomenologia do Espirito

“O verdadeiro é o vir-a-ser de si mesmo, o círculo que pressupõe seu fim como sua meta, que o tem como princípio, e que só é efetivo mediante sua atualização e seu fim.” GWF Hegel. Fenomenologia do Espírito

“A exterioridade em sua imediatez não tem valor para nós, mas admitimos que por trás dela haja algo de interior, um significado, por meio do qual a aparição exterior é espiritualizada. A exterioridade aponta para o que é sua alma. E isso porque um fenômeno que significa algo não se representa a si mesmo e o que é na sua exterioridade, mas representa outra coisa.” Hegel. Cursos de Estética

“Quase tudo que chamamos de ‘cultura superior’ é baseado na espiritualização e no aprofundamento da crueldade – eis minha tese; esse ‘animal selvagem’ não foi abatido absolutamente, ele vive e prospera, ele apenas – se divinizou” Nietzsche, Além do bem e do mal

“A filosofia, que outrora se tornara obsoleta, permanece atual, pois perdeu o momento de sua realização” Theodor W. Adorno Dialética Negativa

“As obras de arte são copias do vivente empírico, na medida em que a este fornecem o que lhes é recusado no exterior e assim libertam daquilo para que as orienta a experiência externa coisificante” Adorno, Teoria Estética

“Toda burrice parcial de uma pessoa designa um lugar em que o jogo dos músculos foi, em vez de favorecido, inibido no momento do despertar.” Adorno, Dialética do Esclarecimento

“O homem é fundamentalmente desejo de ser e a existência deste desejo não deve ser estabelecida por uma indução empírica; ela resulta de uma descrição a priori do ser do para-si, já que o desejo é falta e que o para-si é o ser que é para si mesmo sua própria falta de ser” Sartre, O Ser e o Nada

Germe da negação do sujeito em Kant

Não é necessário recorrer a Adorno e Horkheimer para observar a importância que a experiência tem na formação do sujeito na medida em que ela o nega e o reconstitui. A necessidade destes autores está na crítica dessa experiência na atualidade. Ela é falsa ou verdadeira? Cabe sem duvida recuperar este conceito de experiência para entender o que se quer dizer em Kant e Hegel para entender a experiência. O conceito de dialética fica ai inerente.

O germe da dialética do sujeito, que se consolidou em Hegel: “… tudo decorre de entender e exprimir o verdadeiro [do objeto] não como substancia, mas também, precisamente, como sujeito”, já estava instaurado em Kant. O “eu penso” de Kant deve em sua trajetória da apercepção do objeto ir de passivo de volta a ativo à consolidação como eu penso. Trajetória descrita na seguinte citação: “A unidade sintética da consciência, (…) tem de estar submetida toda a intuição, para se tornar objeto para mim, porque de outra maneira e sem esta síntese o diverso não se uniria numa consciência”. A síntese do diverso, no entanto pressupõe, na constituição do eu penso, um sujeito objeto (passivo): “… me conheço a mim próprio como objeto pensado…”. Este sujeito passivo quando fez a percepção da realidade e se torna objeto, na verdade percebe a si próprio, como posteriormente discorre mais demoradamente Kant, e, portanto se constitui[i]. De fato a citação próxima é um dos poucos momentos em que se fala desse sujeito-objeto até o final do Livro Primeiro da primeira divisão da Lógica Transcendental. Em Hegel esta negação do sujeito será constituinte essencial do esquema do processo dialético. Posteriormente esta negação se torna a própria essência da Dialética Negativa.

O conceito, resultado do abandono da vaidade libertaria do pensamento abstrato frente a materialidade na qual está imersa e é custoso para ela se elevar, só pode ser efetivado no processo dialético sincronicamente a reversão do sujeito enquanto sujeito, que se toma objeto e do retomo deste objeto a si mesmo como sujeito. Processo descrito por Hegel na seguinte passagem: “No seu comportamento negativo, que acabamos de ver, o próprio pensar raciocinante é o Si ao qual o conteúdo retorna; porém, no seu conhecer positivo, o Si é um sujeito representado, com o qual o conteúdo se relaciona como acidente e predicado. Esse sujeito constitui a base à qual o predicado está preso, e sobre a qual o movimento vai e vem. No pensamento conceituai o sujeito comporta-se de outra maneira. Enquanto o conceito é o próprio Si do objeto, que se apresenta como o seu vir-a-ser, não é um sujeito inerte que sustenha imóvel os acidentes; mas é o conceito que se move, e que retoma em si suas determinações.” Neste desenvolver ocorre também o processo em que: “… o sujeito passou para o predicado, e por isso foi suprassumido; e enquanto o que parece ser predicado se tornou um massa inteira e independente, o pensamento já não pode vaguear livremente por ai, mas fica retido por esse lastro.” A experiência foi resumida na conhecida passagem: “Experiência é justamente o nome desse movimento em que o imediato, o não-experimentado, ou seja, o abstrato – quer do ser sensível, quer Simples apenas pensado – se aliena e depois retoma a si mesmo.”

O tema Dialética do Esclarecimento e Dialética Negativa já não são mais o objetivo desse texto. É conhecida a frase “Verdadeiro é o todo” em Hegel e sua reformulação por Adorno “O todo é o não verdadeiro”. A segunda é desenvolvimento da primeira. No próprio pensamento hegeliano da Fenomenologia do Espírito; em que o todo deve ser negado constantemente – pois só no fim é que verdade, fim este igual ao fim do circulo, – negação esta contígua ao cume da totalidade do Saber Absoluto onde o saber a verdade coincidem; há quase uma ambivalência entre o Saber Absoluto e o processo que o constitui: a dialética semovente.


[i] “Ora, como para o conhecimento de nós próprios, além do acto do pensamento que leva à unidade da apercepção o diverso de toda a intuição possível, se requer uma espécie determinada de intuição, pela qual é dado esse diverso, a minha própria existência não é, sem duvida, um fenómeno (e muito menos simples aparência), mas a determinação da minha existência [omitiu-se um asterisco com correspondente nota de rodapé] só pode fázer-se, de acordo com a forma do sentido interno, pela maneira peculiar em que me é dado, na intuição interna, o diverso que eu ligo; sendo assim, não tenho conhecimento de mim tal como sou, mas apenas tal como apareço a mim mesmo. A consciência própria está, pois, ainda bem longe de ser um conhecimento de si próprio, não obstante todas as categorias que constituem o pensamento de um objeto em geral pela ligação do diverso numa apercepção”

PS1: Há uma ligação muito mais obvia e usual entre a dialética hegeliana e as categorias kantianas que é expressa no Prefacio da Fenomenologia: “O conceito da ciência surgiu depois que se elevou à sua significação absoluta aquela forma triádica que em Kant era ainda carente de conceito, morta, e descoberta por instinto” (p. 55). Penso que Hegel faz ai uma referencia a como as categorias kantianas já revelam um processo dialético na medida em que em sua organização a categoria terceira sempre parece dar conta da primeira e da segunda ao mesmo tempo, e.g.: as três categorias de modalidade: (1) possibilidade – condição formal -, (2) realidade – concordância das condições formais com o conteúdo – e (3) necessidade – interconexão entre as condições formais e de conteúdo -; ou seja, ai tem-se que a necessidade é quase um momento de síntese dialética entre a universalidade abstrata da possibilidade e a materialidade da concordância com o conteúdo da realidade.

PS2: acho que fica faltando uma continuação sobre esse tema na Dialética Negativa. Quando estiver animado prometo uma continuação.

Hegel, Hegel, sim, Hegel!

Conforme o pedido do Diego, eu pretendia publicar uma lista de dez livros que considero importantes para nossa formação como intelectuais. Já tinha elaborado um bom número, discutido uma série de razões para cada livro… até que me dei conta: só há um filósofo que merece ser lido — Hegel. Publico abaixo um post de um moderador Philosophy Forums que explica perfeitamente as razões pelas quais Hegel é o maior de todos os filósofos (nay, maior de todos os humanos!); nem o Diego poderá discordar disso depois de lê-lo.

By Tobias:

The person you are all looking for, but have overlooked somehow, is of course Hegel. Yes, Hegel. Hegel is the greatest Hegel is the man. It is true, the greatest philosopher ever lived was Hegel. No other than Hegel. It is Hegel all the way down. Philosophy has never been the same since Hegel. Sometimes I think that philosophy and Hegel are synonimous and only Kant needs an honorable mention for having prepared thought for the coming of Hegel. After Hegel? Nothing, nihilist void. No wonder also after philosophy climed that mountain that is Hegel it found itself on a precipice. Shame that you didn’t camp somewhat longer on this lovely Plateau up in the sky that is Hegels thought.

Lets take it a branch at the time: Following Lodestone
Most inflluential: Hegel. Every philosophy practiced today is a reaction against Hegel. Both analytic and existentialist or phenomenology, all up against Hegel. Picknicking in the shadow of the mountain as it were….

practical Hegel. What do we want, we want women. First thing you have to know about approaching women is the Heglian formula that you are what you are not and are not what you are. Go to the dame of your choice and conspiciously not flirt with her, talk about all kinds of dry matters and laugh shyly when she steers the conversation towards sex (she will). She will think you are charming. Don’t tell her you are a philosopher — she will think you are a geek—, but pretend that you don’t know anything and she will think your philosophical, worked for Socrates too. Now agree, you cannot have philosophy more practical than helping you get laid…

innovative Hegel. Although here he will have to share honours with Kant, fair is far. Kant showed the way to a new metaphysics and Hegel created it, yes that is teamwork, or should I say Team Spirit?

ethics Has to be hegel. Who else could explain so precisely the tension between being a particular person in a universal political sphere? Who else did so clearly recognize that you are only insofar as you are for others? Ethics and Hegel, two hands on the same belly as we say in Holland.

metaphysics There can be only one…. it is…. Hegel!!! All articulations of being schematized. You will not only get boring old being, but also being as itself, being in itself, being for itself, dasein, essence (Wesen in german, that is another kind of being) and of course the Absolute. Now if that is not metaphysical value for money, I don’t know what is.

epistemology Well, my bet would be Hegel. Not only do you get the Absolute, you also get a way and a roadmap to it. If you just heed the dialectic you will eventually end up where you want to be. Now there is epistemology for you, practical and concrete from here to there.

Political philosophy Atually I think Hegel is a strong contender for this
one. Read his Grundlinien and you knwo exactly what the relation is between politics, law and the individual. Now that is all you want from decent political philosophy no?

All in all, all taken together and weight with the absolutely objective eye, I think hegel is the best philopher. Now throw away all this analytical rubish, free yourself from Heidegger, Sartre and Husserl and run to the nearest bookstore, because a nicely published cassette with Hegels main works has just hit the shelves. And after you have spend your life reading them (yes they are long) you will finally be able to die in peace, knowing that Hegel has said all you need to know and all there is to know….

I propose a toast to Hegel!