Minha crise de valores

Este texto saiu aquém do que eu gostaria, mas acho que propor o tópico é mais importante do que meu contentamento em expressá-lo otimamente. Também o publiquei no meu blog.

Tenho pensado sobre valores.

Entendo por valores, quaisquer coisas que se valorize, que se ache importantes, que respondam as perguntas: O que você gosta/não gosta? O que você acha certo/errado? O que você acredita/não acredita?

São objetos, pessoas, crenças, atitudes, idéias, sentimentos, sensações e posturas em relação ao mundo. Não estou tratando aqui de valores como números, grandezas, conceitos ou outros valores abstratos.

Os valores determinam o que vou preferir comer, as pessoas com quem gosto de estar, o que farei amanhã, como vou interpretar tal fato, o quanto vou gostar de tal acontecimento, por quais parceiros sexuais irei optar, o que farei da minha vida, que música irei baixar.

Eu estou em crise, porque resolvi questionar meus valores, e agora não sei mais quais e como escolhê-los.

Refletindo um pouco, notei que muitos dos valores adotados pelas pessoas tem um fundo em nossa constituição biológica; nós sentimos fome, sede, excitação sexual, sono, raiva, medo, ciúmes, tristeza, felicidade, prazer e dor, nós nos machucamos, adoecemos e morremos, nós nos acasalamos e temos filhos. Temos instintos de sobrevivência, um aparelho cognitivo e um corpo físico que nos impõem uma série de necessidades e motivações. Por esta razão, durante nossa vida, desenvolvemos gostos, crenças e tendências, que de alguma forma tentam satisfazer e conciliar estes tantos impulsos com o meio onde vivemos.

E nós ocorremos de viver em sociedade, em meio a outros indivíduos, e comunicamos estes valores, convencionamos regras e acumulamos cultura. A existência dessa sociedade, por sua vez, traz mais um monte de relações como cooperação, rivalidade, poder, propriedade, família, amizade, amor, inveja, etc. que por sua vez geram muitos outros valores.

Desta forma, concluí que nossos valores devem advir da confusa dinâmica da sociedade misturada à complicada natureza humana, resultando em uma grande coleção de leis, costumes, princípios e convenções que de alguma forma tentam racionalizar nossos valores de maneira a organizar a convivência social.

Isso me surpreendeu, pois sempre imaginei os princípios éticos e do direito como grandes leis bem fundamentadas racionalmente, e de repente me pareceram muito mais um modo meio arbitrário de separar os espaços individuais requeridos por nossos organismos, que por sua vez devem ter desenvolvido estes impulsos e necessidades pois estes favoreceram suas sobrevivências nas suas trajetórias evolutivas, que pouco tem a ver com suas vidas atuais. Ou seja, os valores que eu considerava tão bons se esfacelaram em racionalizações sociais desajeitadas de resquícios evolutivos desadaptados à realidade em que vivemos.

Foi uma desilusão. Entretanto, pensei que a ausência de valores tampouco é interessante. Um mundo sem valores é um mundo indiferente, sem valores não teríamos por que fazer nada em particular, não teríamos por que gostar de nada, nossa existência não seria mais interessante, importante, feliz ou desesperadora do que a de uma pedra. De modo que ter valores parece algo bom. E, de qualquer maneira, já que nós temos um corpo que nos traz todas essas necessidades, porque não optar por achar um jeito legal de satisfazê-las do que desprezá-las e preferir o regime da matéria inerte?

Isso me põe na posição em que estou agora, um meio termo bastante indeterminado, no qual considero que é melhor ter valores do que ser matéria inerte e por outro lado, vendo que os valores convencionais são bastante arbitrários. A questão da arbitrariedade não seria um problema tão grande se eu não fosse me deparar e conviver com tantas outras pessoas que discordam das minhas opções caprichosas.

Ultimamente tenho percebido que nem todos os valores são realmente tão adequados assim, certamente não parece bom viver num mundo onde as pessoas se matam o tempo todo, extinguem as demais espécies vivas desertificando o planeta, exercem um domínio egoísta e individualista sobre todas as outras, propagam doenças irresponsavelmente, incitam medo e geram miséria. De forma que temos algumas condições de contorno aí (que embora se baseiem numa impressão intuitiva, me parecem boas e fundamentadas o suficiente). Ademais, parece-me bom escolher valores que me permitam conviver bem comigo e com as pessoas do meu meio, por uma simples conveniência, afinal é preciso sobreviver.

Enfim, não consegui ir muito além disso. Será que não existem princípios realmente fundamentais, intrínsecos a nós capaz de determinar um pacote de valores razoável? Será que todas essas coisas que cremos e queremos são assim tão irracionais, casuais e involuntárias quanto parecem? Parece-me que, uma vez que “ter valores” é melhor do que a “inexistência de valores”, a existência humana, e possivelmente de outros seres vivos, tem algum valor também. Mas o que é que torna esta existência tão interessante? Os fenômenos subjetivos? A nossa complexidade? A nossa imprevisibilidade? A nossa cultura? Os nossos valores? Nada disto está claro para mim.

E mais, provavelmente, num futuro não muito distante, nós sejamos capazes de manipular nossa própria constituição biológica a ponto de poder eliminar, alterar ou acrescentar os impulsos que nos motivam. Poderemos então ser o que quisermos. O que escolheremos?

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The Revenge of the Nerds, Humanities Saviors

 

 

I write this text as a happy citizen of human civilization. The reason why I am doing it is because I am glad. And I am glad because Nerds are taking over the world. And I have just realized that. And the consequences. I am so happy that it does not bother me to begin phrases with And. And, as Forrest Gump wisely remarked, that’s all I have to say about that.

Ever since the dawn of Man, power has been on the hands of people whose inner desires were, at best, random, and in most cases, dark, sinister, evil, and dogmatically biased. After force gave way for the domination of superstition, superstition armed brainless strong people as defense armies. And so a self sustaining system has been assembled to keep the stupid amidst the diabolic in command of the human race. For a very very long period this continued, until, in the ending of the middle ages, the power realm shifted. The power finally left those who were brainless, and their protectees, the wicked, but it was no particular time of rejoice, for the new power holders were moved upwards by a sentiment as perverted as their predecessors, greed. Of course no long has passed until the wicked men realized that greed should empower them, so the wicked got greedy, and invented protestantism. Then along came the power of machines, and men with machines could no longer listen to the wicked men, no matter how greedy they were, for the machine owners were themselves greedier. Then along came democracy taking over everywere, and power was equally assembled between the greedy, and those who managed to do favors for othe powerfull people, let’s call them the nepotists. Not long has passed since, but we do now live on the beggining of a new age, for the first time ever, power is now being thrown upon men whose greatest joy is… is…. is… playing World or Warcraft? Designing new features for linux? Helping wikipedia? Creating self aware robots? Damn, what happened to the old way of getting rich, through darkness and connection to the underground powers? Well, it lives, but it no longer prevails among the media, it is no longer morally respected, and soon enough, it will loose most of its powers. And we only have to thank that. Nerds are going to save us. The greediest nerds like Bill Gates are themselves unable to avoid being a nice guy. It is just a part of the Nerdy nature, just like being clumsy.

There is overwhelming evidence that points toward the nerds revenge, Series like The It Crowd and The Big Bang Theory never would have make it in the early nineties, just imagine the eighties. Who dominates the academy? He who watches Star Wars, Who develops the technology? He who cries after finishing an RPG quest. Who dominates the internet ? He Who broadcasts interviews with great minds for free ….

What is the fancy use for a lot of money these days? No boat, No 100 million dollar house, but defeating malaria, promoting the 100 dollar computer project, bringing internet to china, financing worldly renown universities. Not buying anti-enviroment companies, no. Making campaigns agains Bush. That is what is all about.

The paradigm shift from industrial products to information products is greater than we think, and we should be everyday thanking the nerds for that. The hope that power may lay in good hands, in old times, was dependend of kings who might have had a glimpse of courage to confront their education, but in most times, this hope was faint delusion. We now live in a world where this hope is to be regained, defended, and more than anything, celebrated. Thank you Nerds of the world, you may be the ridicularized boy in school today, but tomorrow you are supermen, or spidermen, and differently from everyone in charge so far, you have seen the movie, and you do know that “ With great power, comes great responsibility”.

The Big Picture, por Martin Rees

Pessoas tem suas características peculiares. A minha é a capacidade (se não a necessidade) de olhar para tudo de uma perspectiva de imensidão. Quando penso o espaço, penso ele do tamanho dos átomos ao tamanho das bolhas das quais se supõe ser composto o multiverso. Quando penso minha vida, insiro-a num grande gráfico N dimensional com a vida de todos os homens que já viveram, e comparo-a. Quando penso no tempo, penso nos últimos e nos próximos bilhões de anos, o que aconteceu e o que pode acontecer.

Sendo um ser finito e efêmero (até que se prove o contrário) sou um estrangeiro no mundo em que vivo. E é isso que tenho em comum com o senhor Martin Rees, que falará por mim de agora em diante. E mostrará, mesmo em avançada idade, como funciona meu encantamento com o mundo.

http://www.ted.com/index.php/talks/view/id/42