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10 Razões pelas quais estou indo embora

Ao longo dos últimos anos, milhões de pessoas imigraram para os EUA, pelas mais diversas razões. Algumas delas são Einstein, Schwarzenegger, Freud, Pelé, Elon Musk, Rodrigo Santoro, Anthony Hopkins, Max Tegmark, Edir Macedo, Steve Pinker, Daniel Dennett, Aubrey de Grey, Bob Marley, John Lehnnon, Ang Lee, Isabel Allende, Ironicamente Levi-Strauss, Chaplin,  Yao Ming,  e Yo-Yo Ma.

Tomemos o exemplo de Elon Musk, o verdadeiro homem de ferro, gênio, bilionário, playboy, filântropo, pai de 5.  Originalmente Sul-Africano.  Because when children like Elon Musk attain the kind of self-awareness that leads to questions about environment—Where in the world can I go for the license and the room to do what I must do? Where in the world are my peers?—they always, and still, come to the same conclusion.

Elon Musk knew when he was a child. A remarkable conviction for a child to have, and all the more so because there was no specific dream attached to it. There was no “to build rocket ships” or “to make millions” or “to design computer software.” Instead, Elon (pronounced ee-lon) had this thought, consciously, literally, and at the age of 10: America is where people like me need to go. That is where people like me have always gone. A place that was the photographic negative of apartheid South Africa, a place less encumbered than any in the world, ever, by fear.

“It is as true now as it has always been,” says Elon Musk, the man who is endeavoring—as preposterously as he is credibly—to give the human race its biggest upgrade since the advent of consciousness. “Funny how people seem to have forgotten that. But almost all innovation in the world takes place in the United States.”

Não sou nem de longe inteligente como o Elon, e por isso, o que ele percebeu aos 10, eu percebi aos 26. Mas em verdade, minhas razões positivas para ir para os EUA são fáceis de encontrar. Qualquer imigrante pode dizê-las. Vou concentrar-me aqui em lhe contar as 10 razões negativas pelas quais vou-me embora. As razões pelas quais preciso, e quase todos precisamos sair daqui.

Digo quase todos porque creio que essa afirmação seja mais válida para quem tem score alto no big 5 personality traits em Conscientiousness, Openness to experience e Extroversion.   Para vocês, minhas razões pelas quais “Nessa terra a dor é grande a ambição pequena, Carnaval e Futebol”, cada uma divida em 5 partes; O que é? ; Exemplo Prático; Porque é Importante? ; Como tranformar sua vida nessa direção; O que você ganha com isso?

1) Dever Ser e a Falácia Naturalista

O que é?

Dever não é Ser, Bom não é Verdadeiro. (E a Falácia Naturalista)

 O raciocínio, ao ser utilizado para pensar a maneira que o mundo funciona deveria funcionar de uma maneira não enviesada, e isso significa basicamente uma das coisas mais difíceis de se aceitar para algumas pessoas, que é que o mundo não tem maior probabilidade de se comportar da maneira que você deseja somente porque você assim deseja, o mundo funciona como funciona, e ele não leva em consideração nem o que você considera moralmente bom, nem como você crê que ele deveria ser. Suponha que astrônomos descubram que não haverá um eclipse na terra pelos próximos oitenta anos, e que por alguma razão a mídia mundial divulgasse a notícia como chocante, com o seguinte título: “Toda Uma Geração Humana Ficará Sem Poder Ver Eclipses.” Bem, se as notícias fossem suficientemente convictas, provavelmente haveria uma grande quantidade de pessoas que fortemente desejariam que houvesse um eclipse em suas vidas, do fundo do coração. Mas não é bem provável que alguém começasse a realmente acreditar que haveria um, independentemente de quantas pessoas concordassem que o mundo seria um lugar melhor se houvesse. Isso é facilmente compreensível para qualquer um, mas o mesmo raciocínio não se aplica, por exemplo, à maneira que as pessoas tendem a pensar sobre a natureza humana. Se mostramos a alguém um estudo que diz que algumas pessoas são mais inteligentes que outras biologicamente, ou que homens têm maior probabilidade de estuprar porque nossa espécie é neotênica, a maioria das pessoas diria: “Blasfêmia! Você está tentando justificar terríveis comportamentos baseado na natureza e portanto sua concepção de natureza não pode ser verdadeira. ” “Justificar” é uma palavra bastante ambígua e traquinas, já que pode significar tanto justificar eticamente como logicamente, o que são significados bastante distintos. Nos dois casos considerados, a pessoa que mostra o artigo está de fato tentando justificar logicamente uma razão pela qual algumas pessoas são mais inteligentes e também a razão pela qual algumas pessoas tem tendência a estuprar. Esse tipo de justificativa significa que ele está tentando dar uma explicação, uma maneira de ver, de porque as coisas são como são, de quais fatos do mundo, juntos, geram alguns fenômenos como inteligência diferencial e estupro. Dizer que esses fenômenos são altamente determinados por predisposições biológicas para uma arquitetura cerebral escrita no código genético não é em nenhum sentido possível concordar que essas coisas sejam boas, não é senão concordar que elas são reais, ou muito provavelmente reais.

Por outro lado, a pessoa mostrando os estudos não está tentando mostrar que o mundo deveria ser assim, a maneira como o mundo deveria ser não é o estudo da ciência, nem da filosofia analítica, é o estudo da política, filosofia moral e ética, religião, tecnologia etc…

A compreensão do fato de que a natureza não justifica eticamente nada, ela apenas justifica logicamente, é um importante aprendizado para qualquer um que queira discutir a respeito das coisas do mundo sem um viés ético. O viés ético vem da falácia naturalista, como G. E. Moore chamou esse tipo de desentendimento, ou da confusão entre dever ser. A falácia naturalista e o problema da confusão do que é com o que deveria ser, são, na minha opinião, os fatores dirigentes por trás do relativismo que estupidifica e massacra a possibilidade de aprendizado. São a principal força que opera contra a possibilidade de aprender em nível individual, grupal e institucional. São a desculpa perfeita para manter seus preconceitos e seu nível de conhecimento atual, e fingir para si mesmo que se está justificado.

Exemplo Prático.

Disse um sábio chinês: A morte dá sentido a vida.
Respondeu Ivain: Qualquer idiota pode lhe dizer porque a morte é horrível, mas é necessário um tipo muito particular de idiota para acreditar que a morte seja boa.     

Porque é Importante.

Fiz meu melhor ao longo de anos para convencer as mais inteligentes mentes dessa ideia simples, obviamente verdadeira, mas a falácia foi mais forte. É necessário partir para onde ela já foi eliminada. Um lugar onde não confundimos “Coisas totalmente absurdas proferidas por figuras de autoridade de maneira misteriosa e sem explicação” com “sabedoria”.

Como transformar sua vida nessa direção

Nunca deixe um argumento pronto que ouviu há anos dominar sua capacidade de raciocinar sozinho, e procure investigar se sua crença não foi causada por um fator ambiental tal, que se você tivesse nascido na situação oposta, teria  a opinião oposta. Se vivesse num universo em que todos os seres humanos tem vidas parecidas com as nossas, salvo que são imortais, você inventaria a morte? Você defenderia a morte? Você lutaria não só pelo direito, mas pela obrigação de morrer, de maneira lenta, angustiante e imprevisível?

O que você ganha com isso?

A capacidade de pensar fora da caixa dos preconceitos que a sociedade lhe impôs. A chance de viver uma vida melhor do que a que o sistema programou para você.

2) Não se importe com o que os outros pensam. Eles não pensam.

O que é?

Não há uma maneira agradável de dizer isso. Mas ninguém ao seu redor faz ideia de absolutamente nada. Somos uma espécie jovem que apenas agora atingiu um estado mínimo de globalização e compartilhamento de conhecimento. Peter Thiel, o primeiro investidor do Facebook, filósofo bilionário e criador do Paypal sumariza bem ao falar de como ninguém sabe o que fazer com dinheiro:
Acho que isso realmente é o que acontece em grande medida: Você começa um  negócio bem sucedido, você vende a compania ou ações. Você ganha algum dinheiro. Questão: O que você faz com o dinheiro? Você não tem ideia, porque… ninguém sabe o que fazer com nada. Então você dá o dinheiro para um grande banco lhe ajudar a fazer algo. O que o banco faz? Ele não tem ideia, então ele dá o dinheiro a um portfolio de investidores institucionais, e o que eles fazem? Eles não tem ideia. Então colocam o dinehiro num portfolio de ações. Não numa ação específica, porque isso sugere que você tem opiniões, ou ideias, e isso é perigoso porque sugere que você não participa [da ideia prevalente de um futuro indeterminado mas otimista]. E então o que as companias fazem com o dinheiro? Disseram para eles que eles devem gerar free cash flows (fluxos de caixa livres) porque se eles fossem investir o dinheiro em coisas específicas, o que é um problema porque sugere que você tem ideias, e essa é uma das piores coisas nessa visão de mundo de um futuro indeterminado, aleatório mas otimista que domina a sociedade atualmente.

Exemplo Prático.

É muito comum as pessoas fazerem as principais escolhas de suas vidas confundindo razões instrumentais (como o dinheiro) com razões finais (como “nadar numa piscina morna 2 vezes por semana com amigos comendo churrasco). O exemplo mais comum é fazer um curso de graduação. A pergunta que fazemos as crianças e adolescentes sempre é “o que você quer fazer de faculdade?” quando evidentemente deveria ser “Que problemas você gostaria de resolver?” “Como você pretende ajudar os outros?” ou algo similar. Não é de se admirar que todos se sintam perdidos na faculdade, afinal, até chegar nela, lhes foi dito que a faculdade era o objetivo. O mesmo vale para empregos.

Porque é Importante.

Absolutamente nada do que você faz deveria ser sem propósito. E a cadeia de “Por que?”, a qual qualquer criança é capaz de proferir para seus pais tem necessariamente que se encerrar em um de seus objetivos finais. Se ela não está fazendo isso, você não deveria estar tomando essa ação. 

Como transformar sua vida nessa direção

Para cada ação que leve mais de 10 minutos, imagine uma criança adorável lhe perguntando por que você vai fazer aquilo. Assim que você chega numa razão final, ela sorri, lhe dá um chocolate e lhe abraça. ex:

  •  Procurando imagens para o TCC -> Ter um bom TCC -> Ser aprovado na universidade -> ter um curriculo interessante a empresas  no Rio de Janeiro -> Viver no Rio de Janeiro -> adoraria poder ver o mar pela manhã e caminhar na lagoa aos sábados.
  •  Dançar forró -> Dançar forró
  • Fuçar o facebook de fulano -> fulano tem ideias interessantes -> ler ideias interessantes
  • Ser promovido -> ganhar mais dinheiro -> enriquecer -> ser rico -> XXXXX

No último caso a cadeia de raciocínio não se encerra num valor final, e a criança esperneia e chora até você abandonar aquela ação.

A parte mais fundamental é descobrir o que de fato são seus objetivos finais, sobre o que falarei mais a frente.

O que você ganha com isso?

Não passar pelo problema apontado lindamente por Lehnnon: Life is what happens while you are planning the future. Isto é, não viver uma vida em busca de objetivos instrumentais.

What we are doing is we are bringing up children and educating them to live the same sort of lives we are living… in order that, er, that they would-may justify themselves and find satisfaction in life by bringing up their children to bring up their children to do the same things so it’s all retch and no vomit — it never gets there. (Alan Watts)

3) Seu recurso mais valioso é o que você ignora consistentemente

O que é

Você sente isso  na aceleração da internet, nas maneiras cada vez mais viciantes de se manter um usuário conectado a um site, nos balões vermelhos lhe avisando de cada nova atualização do Facebook. Você sente isso quando vê que cada dia mais tem menos tempo para os amigos, para as leituras, para meditar, para estar só. Mas não é imediato perceber o que é o problema. O problema é que o mundo está acelerando a capacidade de invadir seu espaço psicológico e dominar sua mente. Sua atenção está sendo sequestrada por gangues cada vez mais eficientes. E se você não lidar com esse problema de maneira atenta e tomando a perspectiva de terceira pessoa, vai se tornar um marionete de um sistema que evoluiu exponencialmente rápido para extrair seu tempo, recurso, motivação e dinheiro, e está cada vez lhe arrancando mais, até que sua alma se dissolva completamente num autômato desajeitado.

Exemplo Prático.

Existem pessoas que não usam ADblock, pessoas que pagam pelo farmville, pessoas que pagam por cartas cada vez mais caras e raras de Magic (como eu), carreiras cada vez mais concentradas de pasta base de cocaína, músicas cada vez mais proeminentes em seu apelo aos instintos básicos, como o funk carioca. Existem pessoas que se perderam para sempre dissolvidas em séries americanas cada vez mais incrivelmente cativantes. Milhões de brasileiros assistem novela. E se você se sente superior por assistir Breaking Bed, Lost, Friends, How I met your mother, ou jogar GTA V, Civilization IV ou passar horas por dia checando sua caixa de Email e Facebook, pense de novo. Obrigado por fumar:

Porque é Importante.

Quando ligam na sua casa para vender um seguro de bla bla blá as oito da noite, você se revolta. O mesmo deveria acontecer quando a Folha, o Estado, a Veja, a Men’s health, ou qualquer informação sobre os afazeres da Jennifer Anniston ou a Miley Cyrus penetram sua retina e se alojam confortavelmente em seu cérebro. É absolutamente evidente que é a seguradora quem lucra com aquela ligação e não você, se não eles não ligariam. Você sabe disso. O que você esquece é do contrário. As grandes coisas da vida. Aquilo que mais lhe interessa, seus objetivos mais caros, profundos e finais nunca vão ligar em sua casa para perguntar se você os deseja. Raramente uma pessoa se dá ao trabalho de contar grandes experiências e com o advento da internet, isso ajudou-nos a descobrir coisas interessantes. Mas todas as coisas da vida que estão na intersecção “se você soubesse que é uma possibilidade, ia ser espetacular, incrível, uma grande oportunidade, e divertidíssima para você” e “não é lucrativo nem particularmente desejado por outras pessoas” estão no lado escuro da lua.  Ninguém virá falar sobre elas, e encontrá-las deveria ser um esforço seu, afinal, são as coisas que você mais valoriza, por definição.

Como transformar sua vida nessa direção

Elimine a informação que é arremessada contra seu crânio pela mídia, destrua seu Newsfeed do Face com o app Newsfeed Eradicator. Instale o ADblock, pare de fumar e se pergunte, toda vez que você clicar num hiperlink “esse seria um bom momento para desconectar o cabo da internet por 20 minutos, para ter certeza que eu não entre numa cadeia interminável de hiperlinks?
Precisamos sair daqui porque da mesma maneira que aqui se confunde misticismo misterioso arcaico com sabedoria, aqui se confunde “dieta de pouca informação” com “neurose”. É um estado de calamidade pública e privada.

O que você ganha com isso?

A oportunidade de descobrir quem você é e o que você quer. Tempo para pensar, criar, dançar e sentir. E um estado mais relaxado e menos taquicárdico diante da vida.

4) Tome a perspectiva de terceira pessoa sobre si mesmo semanalmente

O que é

Lembrar-se de pensar tanto na desimportância global da sua ação e suas preocupações, como da importância que você espera que essas coisas tenham em diferentes fases da vida. O que realmente interessa quando você olhar para trás no futuro, ou  quando você olhou para frente no passado.

Exemplo Prático.

Conjectura de Caleiro: Ao olhar a vida na direção inversa, partindo do dia em que morremos, a incerteza sobre quantos anos temos nos faz muito mais tranquilos e menos competitivos com relação a pessoas que, na contagem normal, tem nossa idade, mas parecem estar mais “avançadas” em alguma coisa do que nós. Se você não sabe se tem 25, 35 ou 50 anos, faz muito menos diferença ser o CEO ou não da companhia, estar dando aulas de inglês ou morar com seus pais.

Porque é Importante.

Acredito que 80% das pessoas parariam de se preocupar com 80% de suas preocupações cotidianas se pensassem assim. E provavelmente deixariam de fazer muita coisa desnecessária, e finalmente teriam coragem de tomar aquela iniciativa que a tanto vem postergando.

Como transformar sua vida nessa direção

Passe cinco minutos perguntando a si mesmo se ao olhar para trás, em 20 anos, ou aos mais românticos, em seu leito de morte, você se arrependeria mais de tomar essa ação ou de não tomá-la. Aja para satisfazer aquele sujeito que não está tão mesquinha, egoista e pequenamente imbuído no seu contexto específico e suas circunstâncias atuais. Pense no que você recomendaria a outra pessoa nessa situação.

O que você ganha com isso?

A garantia de poder olhar para trás e cantar My Way ao fim de sua vida. Esse sim é um objetivo final que vale a pena ter.

5) O triângulo das 3 vidas possíveis (Experiencial, Otimizadora e Altruista) e descobrindo onde você se encontra nele.

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O que é

Até onde compreendi, existem apenas três direções para guiar nossas ações e vida que fazem sentido. Todos os pontos do plano contidos nesse triangulo são logicamente sustentáveis, e possivelmente defensáveis como forma de vida, como distribuição de alocação de recursos psicológicos. Qualquer ponto fora do triângulo, dentro ou fora de seu plano, é um erro e deve ser corrigido. A descrição das extremidades dá o limite máximo de uma característica. o baricentro portanto seria alguém que age igualmente nas três direções possíveis. Isso pode ser feito tanto mesclando numa só ação dois tipos de objetivos, como também distribuindo seu tempo entre ações distintas na proporção em que o seu ponto dista de cada extremidade (quanto mais próximo, mais tempo dedicado aqula atividade).

  • Uma pessoa vermelha deseja mudar um aspecto do mundo de uma maneira específica: Gaudí construiu estruturas específicas com um determinado design, e optimizou o mundo para que ele tivesse mais dessas estruturas. A palavra chave é otimizar, é o pensamento cibernético, é maximizar a probabilidade de que algum elemento do mundo seja de uma determinada maneira, é Rockfeller, estabelecendo como Nova York será, é uma criança construindo um barco de lego. É definir um conjunto de objetivos e encontrar o conjunto mínimo de ações que garante que aquelas modificação serão feitas. É o que liga o engenheiro e o artista.
  • Uma pessoa verde é um altruísta. Não existe altruísmo ineficaz exceto como falha cognitiva. O altruísmo é querer maximizar o benefício aos outros independente de quem eles sejam (um altruismo puramente intra-familiar por contraste seria uma pessoa vermelha, ela deseja um mundo com uma propriedade específica para um grupo específico). Um altruísta eficaz tem seu modelo de vida em Peter Singer e Paul Cristiano, e no momento, dado nosso nível de desconhecimento dos problemas do mundo, se ocupa de compreender melhor quais são as tarefas mais importantes fora a única que sabemos até o momento, evitar riscos existenciais, que cortem permanentemente o potencial futuro humano. Bostrom pode ter encontrado a única certeza ética que temos até o momento, e Elon Musk pode estar tentando alucinadamente resolver esse problema. Mas qualquer outro altruísta só poderia estar procurando novas certezas, ajudando Musk a nos colocar em Marte, ou financiando uma dessas duas tarefas. Qualquer outra atividade, de visitar centros espíritas à distribuir o sopão, de promover o software livre a melhorar a educação brasileira, de doar tempo para o movimento muda mundo, é ou um erro epistêmico (um desconhecimento a respeito de algum aspecto do mundo) ou uma forma atravessada de misturar uma sensação quentinha no peito (causada ou por aspectos vermelhos os azuis) com imaginar a si mesmo como um altruísta. É um auto-engano ou um equivoco. E as únicas pessoas que sabem isso e vivem isso estão lá e não aqui.
  • Uma pessoa azul é um experiencialista, o foco de seus desejos e objetivos não está num objeto descritível fisicamente, mas num conjunto de experiências, ou tipos de experiências. Ao invés de querer mudar a cidade de São Paulo, ele deseja saborear as melhores lasanhas de São Paulo. Ao invés de querer aumentar uma quantidade objetiva de vidas de infindável diversão que alguém viverá no futuro distante caso a terra não seja destruida e atinjámos a maturidade tecnológica, ele quer sentir o prazer de resolver uma determinada equação que, por acaso, levará a humanidade a conquistar o espaço. Ou até mesmo ele quer a experiência de ter feito um ato genuinamente altruista, de ter visitado a extremidade verde por um dia. Mas na sua cadeia de porquês, o ato de altruísmo não está sublinhado, a sensação de executar o ato de altruismo é o último elemento da cadeia. O mesmo vale para um grande projeto vermelho, como escrever um livro. Um experiencialista que escreve um livro almeja não um mundo que contenha aquele livro, mas a sensação de escrevê-lo, a sensação de ser lido, a sensação de ser reconhecido como um autor e assim por diante. Um verde ou um vermelho poucas razões têm para usar drogas que comprometam sua habilidade de mobilizar a matéria, um azul não padece do mesmo tipo de desconforto. Não há problema em viver numa tribo por meses, passar um dia no parque, ou até assitir uma série viciante, porque a própria experiência tem valor.

Exemplo Prático.

Você doa seu tempo num sábado para a campanha do agasalho, mas acha que está fazendo uma ação verde. No entanto, sua ação é claramente vermelha. Você acha que quer escrever um livro para que ele exista (vermelho) mas na verdade, o que você deseja é tornar-se atraente (azul). Você acha que fuma maconha porque isso lhe dá boas ideias (vermelho), mas fuma pela experiência (azul) ou por vício (fora do triângulo, já que não é justificado).

Porque é Importante.

É fundamental se situar nesse triângulo. Na medida em que houver qualquer verde em você, é fundamental saber que há pouquíssimas ações legitimamente verdes. A cada ação, é interessante saber se sua razão é azul, vermelha ou verde. E ao longo do processo, compreender onde se está na escala do roxo (que liga o azul e o vermelho) serve para orientar e reformar seus objetivos de curto médio e longo prazo. E para distribuir seu tempo.
Precisamos sair daqui porque menos de 100 pessoas dentre as 7 bilhões vivas e as 70 bilhões que já existiram compreendem plenamente a extremidade verde. E por isso mesmo ela é de extrema importância. Todos os atos verdes feitos no passado foram feitos, por assim dizer, por acaso. Mas agora isso não é mais necessário. Lá há mais vermelho que aqui. Lá, existe verde. Eu gostaria de dizer que aqui somos azul-arroxeados, como provavelmente sua intuição está lhe fazendo pensar agora. Mas na verdade, aqui somos apenas confusos. Ninguém sabe o que fazer como nada, lembrando as palavras de Thiel, um dos 100.

Como transformar sua vida nessa direção

Localize seu ponto no triangulo. Toque-o, pense nele consistentemente. Verifique até que ponto suas ações estão deixando uma extremidade valiosa de lado. Você é um azul, mas achava que era vermelho? Corrija isso.

O que você ganha com isso?

Para cada ação, você saberá que deve tentar encontrar sua “projeção” mais próxima no triângulo, já que nenhuma ação fora do triângulo é justificada (se eu estiver correto). Essa simples heurística irá regular muito melhor seu tempo e pensamento sobre como viver.

6) O diagrama de Venn que decide o próximo projeto.

O que é

Diagrama Venn Ações  vida

Exemplo Prático de um erro:

As poucas pessoas que procuraram um pensamento diagrâmico chegaram a uma péssima conclusão, de diagrama de venn para a vida.   Eles acreditam que a vitória está na intersecção de

O que você amaO que você pode ser pago para fazer, Coisas nas quais você é bom. 

Um problema desse diagrama é que ele confunde dinheiro com valor. O que é valioso para você não necessariamente, mas possivelmente envolve dinheiro. A bolha correta diria “o que produz valor para você”.   Outro problema é que ele mistura valor (vermelho) com amor/tesão (azul) sem deixar isso claro, e muitas vezes, dividir o tempo é melhor do que tentar fazer um multitasking colorido interatividades, misturar todas as corres leva a um marrom opaco e feio, dividi-las em sua pintura pode gerar uma linda composição. Um outro problema, muito mais grave, é que ele não leva em conta contrafactuais, o que aconteceria se você não fizesse aquilo. Para objetivos azuis, experienciais, todo o valor é perdido quando você não faz aquilo, mas no caso dos objetivos verdes ou vermelhos, a situação é muito diferente. Nesse caso é necessário se perguntar o que aconteceria, exatamente, se eu não executasse aquela ação. Alguma outra pessoa ou agente faria a mesma coisa? Se sim, o valor verde ou vermelho gerado seria o mesmo. E vale a pena partir para outra atividade.

Porque é Importante.

O diagrama que decide os projetos que valem a pena executar (a intersecção amarela, entre o verde e o vermelho) só tem valor para o verde e o vermelho, que tem objetivos no mundo. Mas para objetivos fora do campo da experiencia, fora do azul, só as ações e projetos amarelos são justificados. Não faz sentido, em objetivos finais vermelhos ou verdes executar qualquer ação fora do amarelo.  Apenas objetivos azuis ou objetivos instrumentais devem permitir-nos sair do campo do amarelo.

Como transformar sua vida nessa direção

Use o diagrama, nunca faça nada vermelho ou verde que não esteja na intersecção amarela.

O que você ganha com isso?

Seus objetivos de fato vão acontecer, e você não precisará se resignar a fingir o feng-shui da sua casa está ampliando a harmonia cósmica, que rezar é eficaz, que astrologia diz algo fundamental sobre a realidade. Você estará de fato agindo no mundo, e não se enganando a respeito. Suas ações terão consequências de verdade. Ao invés de inventar desculpas para porque você falhou, você estará sempre em busca de como conseguir de verdade. Dá medo né? Esse medo impediu muita gente de ir pra lá, então por um efeito de seleção, é lá que estão aqueles que ultrapassaram o medo.

7) Esvaziamento da mente e libertação da criatividade

O que é

Usar um sistema Getting Things Done para liberar espaço psicológico e motivacional. Um sistema Getting Things Done é um esquema desenvolvido por David Allen, que uma vez implementado, faz com que cada pensamento só tenha que passar por sua cabeça uma vez. A mente é para ter ideias, não para retê-las, ou re-têlas.

Exemplo Prático.

Não faz a menor diferença quanto você pensa hoje sobre a conta que só pode pagar amanhã, quanto pensa no ônibus sobre  a proposta que só pode escrever no computador, e quanto lembra que precisa de leite quando não está no supermercado. Se seu sistema para lembras as coisas é o cérebro, ele não foi feito para isso, e está sobrecarregado. É necessário externalizar as ações que tem que ser feitas por seu eu futuro. E estar sempre com a mente livre para criar. A única coisa que você precisará se lembrar é checar seu GTD diariamente. Melhor do que todas as perturbações que estão na sua cabeça sobre o que tem que fazer na próxima semana, não?

Porque é Importante.

Tempo, stress, habilidade de manejo.

Como transformar sua vida nessa direção

https://thepiratebay.se/search/getting%20things%20done/0/7/0

O que você ganha com isso?

Paz mental interior.

8) Você é resultado do ambiente ao seu redor. Modifique-o de acordo.

O que é

Você é a média das cinco pessoas com quem passa mais tempo. – Jim Rohn.
Elon Musk decidiu onde estar aos 10 anos. Eu aprendi aos 26. Tim Ferriss considera esse o melhor conselho que ele já recebeu. Cito Milton Friendman: I do not believe that the solution to our problem is simply to elect the right people. The important thing is to establish a political climate of opinion which will make it politically profitable for the wrong people to do the right thing. Unless it is politically profitable for the wrong people to do the right thing, the right people will not do the right thing either, or if they try, they will shortly be out of office.

Eu estou indo embora para mudar a mecânica de incentivos que me circunda. Para ser parabenizado por pensar e não ter de ouvir a pergunta: “Você não cansa de pensar?” Para odiar a morte e não ser recebido com desdém e desaprovação, para poder querer mudar o mundo e não precisar explicar porque não estou ocupando minha vida com valores familiares, para falar sobre equações e gerar sorrisos, para escrever longos textos e não ser considerado entediante. Estou indo cercar-me de “5 pessoas” muito melhores do que eu, às quais eu admirarei e com as quais aprenderei, e como um primata social que sou, serei paulatinamente adestrado a ser awesome, sem conflitos internos causados por incentivos externos.

Exemplo Prático.

Como a criogenia é mais tabu do que a bondade, quando passei a falar mais de altruismo eficaz, eu esperava receber mais aprovação e menos olhares e comentários normativos – isto é, olhares cuja função é que um terceiro, que veja o olhador e o olhado, considere que o padrão de um grupo é a opinião do olhador – Menos repreensão social. Infelizmente não é o caso. Querer ser congelado para talvez viver centenas de milhares de anos incomoda a moral das pessoas exatamente o mesmo tanto que tentar ser quantitativamente bondoso, tentar, de fato, fazer o bem, e não ter a experiência azul fingindo que ela seja verde. O verde incomoda tanto quanto o desejo de viver.  Como é possível que essas coisas incomodem é algo que só tomando a perpectiva de terceira pessoa, bem distante, eu consigo aceitar sobre as pessoas. Que alguém realmente se sinta na necessidade de justificar o não altruismo, e também de defender a morte, é algo que só pode ser aceito depois de muito respirar fundo e aceitar a medíocre condição de espécie levemente mais inteligente que as lesmas. Me deixa confuso, me dá asco como um pedaço de carne esburacado repleto de baratas, e me lembra que para onde vou não há baratas, ou melhor dizendo, é possível ignorar baratas com uma dieta de informação adequada e factível.

Porque é Importante.

First, they ignore you, then they ridicule you, then they fight you, and then, you win – Mahatma Ghandi
É importante porque pula as fases dois e três.

Como transformar sua vida nessa direção

Responda 100 perguntas sobre você no ok cupid, vá no algorítmo de busca de  Friend Match, e Love Match, e anote as cidades onde mais tem gente que pensa como você. Mude-se para lá.

O que você ganha com isso?

Nunca mais ter de ouvir sua tia explicando como o papa é uma pessoa pura e importante cujas opiniões são particularmente sábias logo após voltar do Future of Humanity Institute em Oxford.

9) Tome a perspectiva Meta sobre si mesmo

O que é

Quando estiver numa conversa, não pense apenas no discurso que está de fato sendo falado, mas nos discursos subliminares. Primeiramente, é claro, nas intenções que aquela pessoa tem com aquela conversa, e naquilo que você quer extrair daquela conversa. Depois em quais instintos podem estar causando seu padrão de fala e gesto. E ainda no que consciente ou insconcientemente está sendo sinalizado ali.

Exemplo Prático.

Frequentemente eu me encontro em conversas sobre relacionamentos pessoais de outras pessoas. Em particular relacionamentos românticos. No entanto eu efusivamente prefiro os universos em que é impossível conversar sobre relacionamentos amorosos, presentes passados ou futuros, com terceiros. Eu só lembro disso quando tomo a perspectiva Meta e percebo que de alguma maneira ou o meu instinto, ou a vontade da outra pessoa dominou o curso da conversa, e estamos fazendo fofoca como um chimpanzé faria catação de piolhos. Isso abre a possibilidade de dizer que não gosto de falar sobre isso e sugerir outra conversa, de transformar a conversa numa intersecção desejável (por exemplo falar sobre relacionamentos em geral, o que me diverte muito), ou de dar o máximo do que suponho que a outra pessoa queira extrarir da conversa o mais rápido possível e sumir dali para falar com alguém que queira salvar o mundo, discutir o cortex visual, ou dançar contato improvisação.

Outro bom exemplo é fazer atividades de cortejo na web. Cortejar alguém de outra cidade por exemplo é extremamente ineficaz, e só no nível Meta é possível perceber que a razão (instinto + vontade de estabelecer um relacionamento pessoal envolvendo toque) pela qual você está subconcientemente fazendo aquela atividade não é justificada, e mudar de ação.

Porque é Importante.

Principalmente para combater nossos vieses instintivos. A tendencia humana é fazer fofoca, falar sobre autoridades e celebridades, falar sobre a vida sexual e moral de amigos em comum, e falar sobre os eventos recentes (por exemplo o último episódio de uma série ou um terremoto no japão, ou a nova ministra da educação). Todos esses assuntos são 90% dos casos irrelevantes (não se encontram na intersecção amarela, e não são azuis). Assim sendo 90% do tempo fofocado deveria ser gasto em outras coisas.

Como transformar sua vida nessa direção

Não tenho certeza. Como o instinto está em você como está em mim, é difícil contê-lo. É bom estar atento. Com pessoas mais abertas, estabelecer explicitamente a regra de não fofocar – e não falar sobre como seu porre foi homérico etc…   Uma ideia boa que nunca consegui testar é imprimir numa camiseta uma lista de coisas que você não quer conversar a respeito e de coisas que quer, de modo que você pode apenas culpar a camiseta por não querer fofocar, e ao mesmo tempo fornecer de pronto uma lista de tópicos para que seu interlocutor escolha aquele que mais interessa.

O que você ganha com isso?

Não saber o nome da mulher que casou com o príncipe inglês. Falar frequentemente do que realmente lhe interessa. Ser considerado um bom ouvidor por procurar saber o que realmente o outro quer da conversa. Manter uma conversa por mais tempo trocando de tópico toda vez que a outra pessoa pareça menos interessada. Não ser um chato que só fala de si mesmo.

10) Leve a vida a sério

O que é?

Levar a vida a sério é pensar, sentir, viver e ondular da maneira como pensa esse texto. Não é escrever textos, não é analisar tudo minuciosamente, é levar as coisas a sério. Você só tem essa vida, eu também. Viva cada dia da sua vida como se daqui a quatro anos você fosse morrer. Se vai jogar, Jogue. “If it is worth doing, it is worth doing well” – Dennett.  Levar a vida a sério não é cuidar bem dos móveis da sua casa. É poder cantar my Way no seu leito de morte. É poder ser o autor do livro “My Wicked, Wicked Ways”, é ser um jogador da NBA, se aposentar e escrever um livro de costura para homens. É jogar volei com um gatorade e chamar 40 pessoas por telefone para um piquenique (nos tempos pré Facebook). É criar uma copia perfeita do falcão negro. É usar drogas como Timothy Leary. É deixar de ser CEO da Mycrosoft para acabar com a doença que mais mata pobres no mundo. É roubar um selinho na quarta série. É só começar projetos que você realmente levará a cabo. É abraçar homens sem dar tapinhas nas costas. É penetrar e ser penetrada no melhor sexo da sua vida. É levantar 150 kg do chão. É correr um triatlon. É escapar do “its all retched and no vomit”.

Exemplo Prático.

Eu costumava brincar de dividir alguns amigos da classe alta paulistana em aristocracia decadente e aristocracia triunfante. A aristocracia triunfante é o processo bem sucedido da geração dos pais de vender seus medos e suas morais aos filhos, impedindo que eles vivam de maneira autêntica e própria e tornando-os, portanto, cidadãos de bem. A aristocracia decadente, evidentemente superior, é a geração de filhos que foi por caminhos alternativos àqueles oferecidos por seus pais e pela família Marinho e acabaram-se tornando, em alguma medida, anomalias da estrutura social da alta sociedade. E Paul Graham explica bem esse problema em Why Nerds Are Unpopular. Basicamente o custo de sinalização de se tornar aquilo que a sociedade espera de você é tão alto, que não sobre tempo para ser obcecado com alguma coisa (nerd). E também em How to do what you love:  “The advice of parents will tend to err on the side of money. It seems safe to say there are more undergrads who want to be novelists and whose parents want them to be doctors than who want to be doctors and whose parents want them to be novelists. The kids think their parents are “materialistic.” Not necessarily. All parents tend to be more conservative for their kids than they would for themselves, simply because, as parents, they share risks more than rewards. If your eight year old son decides to climb a tall tree, or your teenage daughter decides to date the local bad boy, you won’t get a share in the excitement, but if your son falls, or your daughter gets pregnant, you’ll have to deal with the consequences.”

Porque é Importante.

Porque leu na veja, azar o seu. Assim como o papa, Nietzche e tantas outras figuras célebres, lembrem-se que as pessoas que construiram a sociedade são apenas macacos. E seus pais também. Seu pai. Sua mãe.

Como transformar sua vida nessa direção

Vale o mesmo que no caso da falácia naturalista. Se imagine na situação inversa. Você é uma outra pessoa muito diferente. Você alternativa se modificaria para tornar-se mais parecida consigo? Se não, então você deveria se modificar naquela direção alternativa. Elimine o Status Quo bias.

O que você ganha com isso?

Em uma palavra?  Tudo.

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Três comentários sobre filosofia

Cada vez mais tenho percebido uma tendência de ter opiniões injustificáveis frente as atuais posições filosóficas mais correntes, penso que estou ficando cada vez mais excêntrico filosoficamente. Resolvi tratar de algumas posições minhas que considero um pouco polemicas, de uma forma sucinta apenas as descrevendo. Talvez algumas das polemicas necessitem de um contexto de explicação, mas como não queria fazer um texto longo e corrido preferi deixar esse contexto ausente e se necessário explicar qualquer duvida nos comentários.

A profissão filosófica – Em todas as outras áreas, exceto a filosofia, tem-se a opção de não se ser genial. Um medico tem como caminho aberto não fazer nenhuma descoberta de um método cirúrgico revolucionário e só cuidando bem de seus pacientes fazer bem ao mundo e ser útil. Na filosofia a distinção entre competente e genial não existe. Pior, a distinção entre ausência de genialidade e a ausência de préstimo também se esvanece. Não ser genial em filosofia é prejudicial. Por isso aqueles que fazem a opção por essa nobre profissão devem pensar bem antes dessa escolha, se o seu objetivo é fazer bem a humanidade. Hoje em dia o que se deve esperar de um filosofo é justamente que tenha idéias geniais ou é isso ou ele é um completo desperdício de recursos.

Da desrevolução kantiana – Iniciar-se pelas questões epistemológicas em detrimento das ontológicas, em outras palavras apreender a nadar sem nunca entrar na piscina, é uma idéia que, apesar de ridícula ainda podia ser sustentada pelos filósofos no tempo em que o dualismo cartesiano ainda era uma via em aberta. No entanto, um real compromisso com o monismo me leva a crer que não só a idéia é ridícula como é impossível, estamos fadados a chafurdar no lamaçal das questões ontológicas. O que as investidas filosóficas godelianas, denominadas por alguns de pré-kantianas, revelam não é, como querem os filósofos adeptos da filosofia da moda, o quanto é prejudicial quando um lógico se adentra em questões filosóficas. O que elas revelam é o quanto em filosofia, ao contrario da matemática, o zeitgeist demora a reconhecer que esta no caminho errado.

Uma estranha desproporção“Philosophy must be of some use and we must take it seriously. If the chief proposition of philosophy is that is nonsense then we must take this seriously and not pretend, as Wittgenstein does, that is important nonsense (..) What we can’t say we can’t say and we can’t whistle it either” (Ramsey) Entre o quanto boa parte do que era a outrora tarefa filosófica por excelência tem-se revelado impossível e o tanto de desapego que se tem devotado a essas tarefas existe uma radical e prejudicial desproporção. Caso fossem de fato responsáveis o que Wittgenstein e o Circulo de Viena deveriam ter feito frente as suas conclusões sobre a invalidade de boa parte dos problemas filosóficos era ter feito ciência. A filosofia, se existe, é uma reflexão sobre a ciência, talvez uma ante-câmera pelas quais certas questões tem de passar antes que se tornem plenamente cientificas, e nada mais que isso. Ela não deve ter de modo alguma pretensão de validar essa ciência ou tratar de outros temas, supostamente acessíveis somente a filosofia – esses temas provavelmente, se existem, são inacessíveis de qualquer modo satisfatório. O ar de soberba com o qual muitos filósofos ridicularizam as investidas filosóficas de cientistas e matemáticos deveria, antes de tudo, verificar se ele mesmo não é uma das coisas mais ridículas e injustificáveis dos nossos tempos.

Principio Antrópico e Determinismo

Olá, gostaria mais uma vez de trazer outro tópico de discussão de fora do blog para o blog: A distinção entre o principio antrópico forte e fraco é necessária?

Eu defendo que não, pois nós podemos enunciar um único principio antrópico como aquilo que diz que nossas teorias sobre o universo devem dar conta de explicar o dado empírico facilmente acessível para nós, nós. Eu defendo que a distinção entre fraco e forte: “o fraco diz apenas que, se estamos aqui, é claro que o Universo, o sistema solar e a Terra são o tipo de lugar que propicia estarmos aqui, seja o que for necessário pra isso. O forte diz que, se estamos aqui, então o Universo e tudo o mais DEVEM ser o tipo de lugar que propicia estarmos aqui, como se fosse impossível ter sido de outro modo” (Paralelo) é apenas uma discussão sobre o determinismo estrito e não estrito e, portanto só mistura discussões que deveriam ser mantidas separadas. O Paralelo defende que a distinção não tem a ver com determinismo e sim com contingência e necessidade. Eu argumento que contingência e necessidade é outra maneira de enunciar se algo é estritamente determinado ou não. Por exemplo, num terreno mais exato onde as coisas são mais determinadas como a física do modelo padrão nós podemos dizer que leis como a da mecânica quântica e da relatividade tem que prever um universo que se desenvolva a tal ponto que existam seres humanos. Na biologia as leis da evolução não precisam determinar necessariamente no sentido estrito que ocorram seres humanos, mas sim que isso seja uma possibilidade provável dado o surgimento de unidades replicadoras (de vida). Na verdade então a discussão se torna sobre o quanto sabemos ou não das condições iniciais e das leis e como elas são mais ou menos estritamente determinadas. Ou se aceita como auto-evidente que o enunciado de que necessidade e contingência não tem nada a ver com determinismo é falso ou essa discussão só terá valor se movermos o campo dela para discutir outros tópicos imanentes a ela.

O Outro Pensar

 

É em certas tardes de agitação discreta que nos vêm os impulsos mais fulgorosos. Não se trata, pois, de morrer — afinal, vivemos todos os dias, aproveitamos intensmente cada crepúsculo de nossas vidas. Trata-se, simplesmente, de pensar. Não só um pensar leve, solene, como aquele que nos acompanha nas horas de sombra mais curta. A reflexão que daí advém é, se não benigna, ao menos engraçada mas pode-se sempre afasta-la com um gesto de mão, com o riso seguro de quem não tem nada a perder. Aqui, ao contrário, cada pensar é um nascimento, um nascimento trágico cujos pais são os nossas proprias memórias cristalizadas. A introspecção é acompanhada, a cada passo, de uma auto-iluminação. Tudo se passa como num estranho ritual de invocação, onde para cada pensamento parido modifica-se e a uma parcela de si. Poder-se-ia mesmo rastrear cada pensamento em suas marcas visíveis no corpo do sujeito, ver em cada sorriso inscrito o pensamento que lhe deu origem. Pensar é, de fato, alegrar-se, como quem sente de uma amizade, como quem sente o amor de uma afecção — como quem aproveita a vida.

O pensar pode vir a ser, como muitos o crêem, a expressão de uma alma imortal, que guardaria assim a promessa sempre consoladora de uma origem cantada ou um futuro radiante, música que brilha numa harmonia celeste e eternamente apaziguadora. O pensar está sempre atrelado ao corpo. Um corpo que, ao contrário dos músculos atléticos exibidos pelas bestas louras da primeira manhã, traz consigo os sinais de sua história, de sua origem, do sussurro secreto do sentimento que ressoa com cada batida desse coração prestes a ser consumado pelo último dos prazeres. O corpo que abriga o pensar é sempre autônomo, erigido do peso de um passado infinito, de uma totalidade simbólica erigida sobre ombros de gigantes. É um volume pulverizante, fruto desse processo de perpétua pulverização que é o pensar. Se a genealogia é a exibição pública das marcas indeléveis da história sobre os corpos, a fisiologia, por sua vez, deve ser o rastreamento desse movimento duplo que caracteriza o pensar. A genealogia pode até ser um retorno às máscaras, uma história concebida como um “carnaval organizado”. Mas a fisiologia vem para arrancar todas as máscaras e revelar, sob a superfície fina do possível envelhecimento aparente, não os rostos dos indivíduos, mas as cabeças jovens de nossos corpos. Parodiando Foucault, a fisiologia deve mostrar o pensamento orientando o corpo e o corpo inteiramente marcado de pensar.

Posto esses termos, o que pode então ser a filosofia, esse estranho amor a uma arte de desenhar, sobre as nuances de nossos corpos, figuras que nos marcam tanto mais profundamente, dado que nos atingem de modo mais insidioso e sutil? O filósofo é, sem dúvida, um ser mágico — o senso comum de todas as eras o atesta. Mas de que magia ele é capaz? Devemos, antes de mais nada, afastar a sombra do moralismo. O moralismo, entidade complexa sobre muitos aspectos, está sempre preso a pelo menos duas chaves: a instância contratual, enquanto elemento de ênfase da severidade da lei social, e a instância psicológica, enquanto elemento que permite, pela própria severidade da biologia, torcê-la ao mesmo tempo em que a obedece. O moralista realmente sofre sob o peso de uma lei cada vez mais absoluta, mas apenas porque há, no horizonte, a promessa de um prazer inicialmente ensinado. E, de fato, é justamente essa bem humorada porem doentia inversão — aplicação prazerosa de uma lei que deveria causar sofrimento — que melhor caracteriza as fantasias moralistas. O filósofo, por sua vez, rejeita toda a promessa hedonista desses contratos, afasta-se, e para sempre, do sopro gélido da lei que nos deixa insensíveis a todo ardor e sofrer. À frieza contratual do moralista, o filósofo contrapõe a exaltação de suas paixões, de seu ethos. O moralismo é a arte de se extrair prazer de nosso sofrimento; a filosofia é a arte de se extrair mais prazer de nosso conhecimento. Ela se instala na dobra do pensamento sobre si mesmo. Muito já foi dito sobre a filosofia ser sempre um pensar crítico. A crítica é sempre um pensar sobre o pensar, meta-pensar que eleva o controle sobre nossas vidas e escolhas. A filosofia, enquanto amor ao pensar, é, pois, o processo de redobrar-se o conhecimento.

Já se afirmou, certa vez, que nós somos hábitos, nada mais que hábitos, simplesmente o hábito de dizer Eu. Alguns, talvez, prefeririam afirmar que tais hábitos são, na realidade, vícios. Seríamos, assim, o simples vício de ser nós mesmos. É uma correção injusta. Todo vício, porém, nos lembra que há um problema para o qual ele é uma resposta. Existem vícios inatos, pouco transcendentais. Adquire-se sempre um vício como uma resposta a uma circunstância dada em nossa história de vida ou de desenvolvimento biológico. E, se o pensar pode ser um tesão, a filosofia deve ser a exploração desse tesão, a tentativa sempre renovada de esgotá-lo, de levá-lo a cabo. O vício arruína o corpo; a exploração do vício é um processo de dilaceração potencializado. Dissolução do eu, esfacelamento do corpo. Em oposição a isso é Dionísio, deus da alegria e do vinho, o deus patrono de toda filosofia. Dionísio, lembremos, é a alegria encarnada, produto da carne satisfeita. Todo filosofar é, assim, sacrifício a Dionísio, adoração perpétua da parte de si que não se rende a nenhuma falsa promessa e a nenhum desencanto. O filósofo é também um ser privilegiado.

O Pensar

É em certas tardes de agitação discreta que nos vêm os impulsos mais temerosos. Não se trata, pois, de morrer — afinal, morremos todos os dias, definhamos belamente com cada crepúsculo de nossas vidas. Trata-se, simplesmente, de pensar. Não um pensar leve, solene, como aquele que nos acompanha nas horas de sombra mais curta. A reflexão que daí advém é, se não benigna, ao menos irrisória — pode-se sempre afasta-la com um gesto de mão, com o riso seguro de quem não tem nada a perder. Aqui, ao contrário, cada pensar é um parto, um nascimento trágico cujos pais são os nossos próprios restos calcinados. A introspecção é acompanhada, a cada passo, de uma auto-imolação. Tudo se passa como num estranho ritual de invocação, onde para cada demônio-pensamento parido sacrifica-se uma parcela de si. Poder-se-ia mesmo rastrear cada pensamento em suas marcas visíveis no corpo do sujeito, ver em cada cicatriz inscrita o pensamento que lhe deu origem. Pensar é, de fato, sofrer, como quem sofre de uma doença, como quem sofre de uma aflição — como quem sofre de vida.

O pensar não é, como muitos o crêem, a expressão de uma alma imortal, que guardaria assim a promessa sempre consoladora de uma origem cantada ou um futuro radiante, música que brilha numa harmonia celeste e eternamente apaziguadora. O pensar está sempre atrelado ao corpo. Um corpo que, ao contrário dos músculos atléticos exibidos pelas bestas louras da primeira manhã, traz consigo os sinais de sua decadência, de sua origem baixa, do murmurinho secreto do ressentimento que ressoa com cada batida desse coração prestes a ser consumido pelo último dos crepúsculos. O corpo que abriga o pensar é sempre raquítico, curvado ao peso de um retorno infinito, de uma totalidade simbólica erigida sobre ombros disformes. É um volume pulverizado, fruto desse processo de perpétua pulverização que é o pensar. Se a genealogia é a exibição pública das marcas indeléveis da história sobre os corpos, a fisiologia, por sua vez, deve ser o rastreamento desse movimento duplo que caracteriza o pensar. A genealogia pode até ser um retorno às máscaras, uma história concebida como um “carnaval organizado”. Mas a fisiologia vem para arrancar todas as máscaras e revelar, sob a superfície fina do ouropel, não os rostos dos indivíduos, mas as cabeças de nossos corpos. Parafraseando Foucault, a fisiologia deve mostrar o pensamento arruinando o corpo e o corpo inteiramente marcado de pensar.

Posto esses termos, o que pode então ser a filosofia, esse estranho amor a uma arte de desenhar, sobre as cinzas de nossos corpos, figuras que nos marcam tanto mais profundamente, dado que nos atingem de modo mais insidioso e sutil? O filósofo é, sem dúvida, um ser patológico — o senso comum de todas as eras o atesta. Mas de que patologia ele sofre? Devemos, antes de mais nada, afastar a sombra do masoquismo. O masoquismo, entidade complexa sobre muitos aspectos, está sempre preso a pelo menos duas chaves: a instância contratual, enquanto elemento de ênfase da severidade da lei, e a instância humorística, enquanto elemento que permite, pela própria severidade da lei, torcê-la ao mesmo tempo em que a obedece. O masoquista realmente sofre sob o peso de uma lei cada vez mais absoluta, mas apenas porque há, no horizonte, a promessa de um prazer inicialmente diferido. E, de fato, é justamente essa bem humorada inversão — aplicação prazerosa de uma lei que deveria causar sofrimento — que melhor caracteriza as fantasias masoquistas. O filósofo, por sua vez, rejeita toda a promessa hedonista desses contratos, afasta-se, e para sempre, do sopro gélido da lei que nos deixa insensíveis a todo ardor e sofrer. À frieza contratual do masoquista, o filósofo contrapõe a imolação de suas paixões, de seu pathos. O masoquismo é a arte de se extrair prazer de nosso sofrimento; a filosofia é a arte de se extrair mais sofrimento de nosso sofrimento. Ela se instala na dobra do pensamento sobre si mesmo. Muito já foi dito sobre a filosofia ser sempre um pensar crítico. A crítica é sempre um pensar sobre o pensar, meta-pensar que eleva o sofrimento à condição de princípio. A filosofia, enquanto amor ao pensar, é, pois, a patologia de redobrar-se o sofrimento.

Já se afirmou, certa vez, que nós somos hábitos, nada mais que hábitos, simplesmente o hábito de dizer Eu. Alguns, talvez, prefeririam afirmar que tais hábitos são, na realidade, vícios. Seríamos, assim, o simples vício de ser nós mesmos. É uma correção justa. Todo vício, porém, pressupõe um problema ao qual ele é uma resposta. Não existem vícios inatos, tampouco transcendentais. Adquiri-se sempre um vício como uma resposta a uma circunstância dada. E, se o pensar é um vício, a filosofia deve ser a exploração desse vício, a tentativa sempre renovada de esgotá-lo, de levá-lo a cabo. O vício arruína o corpo; a exploração do vício é esse processo de dilaceração potencializado. Dissolução do eu, esfacelamento do corpo. Daí porque é Dionísio o deus patrono de toda filosofia. Dionísio, lembremos, é a dissolução encarnada, a carne desmembrada. Todo filosofar é, assim, sacrifício a Dionísio, imolação perpétua de si que não se rende a nenhuma promessa e a nenhum descanso. O filósofo é sempre um ser trágico.

Hegel, Hegel, sim, Hegel!

Conforme o pedido do Diego, eu pretendia publicar uma lista de dez livros que considero importantes para nossa formação como intelectuais. Já tinha elaborado um bom número, discutido uma série de razões para cada livro… até que me dei conta: só há um filósofo que merece ser lido — Hegel. Publico abaixo um post de um moderador Philosophy Forums que explica perfeitamente as razões pelas quais Hegel é o maior de todos os filósofos (nay, maior de todos os humanos!); nem o Diego poderá discordar disso depois de lê-lo.

By Tobias:

The person you are all looking for, but have overlooked somehow, is of course Hegel. Yes, Hegel. Hegel is the greatest Hegel is the man. It is true, the greatest philosopher ever lived was Hegel. No other than Hegel. It is Hegel all the way down. Philosophy has never been the same since Hegel. Sometimes I think that philosophy and Hegel are synonimous and only Kant needs an honorable mention for having prepared thought for the coming of Hegel. After Hegel? Nothing, nihilist void. No wonder also after philosophy climed that mountain that is Hegel it found itself on a precipice. Shame that you didn’t camp somewhat longer on this lovely Plateau up in the sky that is Hegels thought.

Lets take it a branch at the time: Following Lodestone
Most inflluential: Hegel. Every philosophy practiced today is a reaction against Hegel. Both analytic and existentialist or phenomenology, all up against Hegel. Picknicking in the shadow of the mountain as it were….

practical Hegel. What do we want, we want women. First thing you have to know about approaching women is the Heglian formula that you are what you are not and are not what you are. Go to the dame of your choice and conspiciously not flirt with her, talk about all kinds of dry matters and laugh shyly when she steers the conversation towards sex (she will). She will think you are charming. Don’t tell her you are a philosopher — she will think you are a geek—, but pretend that you don’t know anything and she will think your philosophical, worked for Socrates too. Now agree, you cannot have philosophy more practical than helping you get laid…

innovative Hegel. Although here he will have to share honours with Kant, fair is far. Kant showed the way to a new metaphysics and Hegel created it, yes that is teamwork, or should I say Team Spirit?

ethics Has to be hegel. Who else could explain so precisely the tension between being a particular person in a universal political sphere? Who else did so clearly recognize that you are only insofar as you are for others? Ethics and Hegel, two hands on the same belly as we say in Holland.

metaphysics There can be only one…. it is…. Hegel!!! All articulations of being schematized. You will not only get boring old being, but also being as itself, being in itself, being for itself, dasein, essence (Wesen in german, that is another kind of being) and of course the Absolute. Now if that is not metaphysical value for money, I don’t know what is.

epistemology Well, my bet would be Hegel. Not only do you get the Absolute, you also get a way and a roadmap to it. If you just heed the dialectic you will eventually end up where you want to be. Now there is epistemology for you, practical and concrete from here to there.

Political philosophy Atually I think Hegel is a strong contender for this
one. Read his Grundlinien and you knwo exactly what the relation is between politics, law and the individual. Now that is all you want from decent political philosophy no?

All in all, all taken together and weight with the absolutely objective eye, I think hegel is the best philopher. Now throw away all this analytical rubish, free yourself from Heidegger, Sartre and Husserl and run to the nearest bookstore, because a nicely published cassette with Hegels main works has just hit the shelves. And after you have spend your life reading them (yes they are long) you will finally be able to die in peace, knowing that Hegel has said all you need to know and all there is to know….

I propose a toast to Hegel!

About Being A Philosopher

This was written a while ago, far enough to be forgotten, yet near enough to be still true.

 

As far as things go, I’m getting used to the idea of being a philosopher. I see good company on the books, only scarcely worse than humans, but overwhelmingly more intelligent, complex and well articulated. Almost Everything a philosopher does seems to me as very interesting, complex, recompensating job. Giving classes about other philosophers, stating about the class of all philosophers. Reading, writing, giving council to the general population, writing good books for the elites, everything seems so much like me. People do not need to be a scientist or a mathematician to become humans, as I intend to learn during the coming years. (my Gosh, aint it hard!)

I do not see life in a mercadologic way, I take a look at life and I want to view it from that part of the outside where you can stand above it and judge it, try to comprehend it, the universe, and everything else. I want to be in front of the computer, blank screen waiting for me and let the infomation flux pass through, and present it to the world without ever regreting this choce. I would not die for my ideas, for they could all be wrong, but definately I would die without them being constantly scrambled in my mind. I do not require the ultimate god like universe tranhumanists pursue to make a philosopher life happy. The nature of the world is already enough fantastic without it, although maybe life isn’t.

I can look at things the way a philosopher does, I am a philosopher. I cannot, for a single second, sing better than I can think about the process of becoming a great singer. I do not want to sell a value that people want to buy. Making everything sellable was a very good thing for technology, but selling people like me is sacrificing civilization in the name of one of its ideals. It just doesn’t happen.

If am I going to earn money from it or not is a consequence that is not predictable in any sense. There is no way of tracing the life of a special person further since no specific group can be used as the pattern in which he will follow.

So, what do I do? I write, I think, I study philosophy for serious until I can’t take it anymore, and then I will se what happens, not before. I did not come to the world to give my body to the omnivorous starving market, I came to be happy, and happiness and knowledge seem to have become intrinsically entangled for me, oposing happiness and money which are intrinsically entangled for everyone else (or at least they think). Be within the sistem, but be out of its engine, that is what I feel. The whole sistem is constructed according to the simple principle of maintaining people like me in the top, so, let us test the sistem, and see what happens.