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10 Razões pelas quais estou indo embora

Ao longo dos últimos anos, milhões de pessoas imigraram para os EUA, pelas mais diversas razões. Algumas delas são Einstein, Schwarzenegger, Freud, Pelé, Elon Musk, Rodrigo Santoro, Anthony Hopkins, Max Tegmark, Edir Macedo, Steve Pinker, Daniel Dennett, Aubrey de Grey, Bob Marley, John Lehnnon, Ang Lee, Isabel Allende, Ironicamente Levi-Strauss, Chaplin,  Yao Ming,  e Yo-Yo Ma.

Tomemos o exemplo de Elon Musk, o verdadeiro homem de ferro, gênio, bilionário, playboy, filântropo, pai de 5.  Originalmente Sul-Africano.  Because when children like Elon Musk attain the kind of self-awareness that leads to questions about environment—Where in the world can I go for the license and the room to do what I must do? Where in the world are my peers?—they always, and still, come to the same conclusion.

Elon Musk knew when he was a child. A remarkable conviction for a child to have, and all the more so because there was no specific dream attached to it. There was no “to build rocket ships” or “to make millions” or “to design computer software.” Instead, Elon (pronounced ee-lon) had this thought, consciously, literally, and at the age of 10: America is where people like me need to go. That is where people like me have always gone. A place that was the photographic negative of apartheid South Africa, a place less encumbered than any in the world, ever, by fear.

“It is as true now as it has always been,” says Elon Musk, the man who is endeavoring—as preposterously as he is credibly—to give the human race its biggest upgrade since the advent of consciousness. “Funny how people seem to have forgotten that. But almost all innovation in the world takes place in the United States.”

Não sou nem de longe inteligente como o Elon, e por isso, o que ele percebeu aos 10, eu percebi aos 26. Mas em verdade, minhas razões positivas para ir para os EUA são fáceis de encontrar. Qualquer imigrante pode dizê-las. Vou concentrar-me aqui em lhe contar as 10 razões negativas pelas quais vou-me embora. As razões pelas quais preciso, e quase todos precisamos sair daqui.

Digo quase todos porque creio que essa afirmação seja mais válida para quem tem score alto no big 5 personality traits em Conscientiousness, Openness to experience e Extroversion.   Para vocês, minhas razões pelas quais “Nessa terra a dor é grande a ambição pequena, Carnaval e Futebol”, cada uma divida em 5 partes; O que é? ; Exemplo Prático; Porque é Importante? ; Como tranformar sua vida nessa direção; O que você ganha com isso?

1) Dever Ser e a Falácia Naturalista

O que é?

Dever não é Ser, Bom não é Verdadeiro. (E a Falácia Naturalista)

 O raciocínio, ao ser utilizado para pensar a maneira que o mundo funciona deveria funcionar de uma maneira não enviesada, e isso significa basicamente uma das coisas mais difíceis de se aceitar para algumas pessoas, que é que o mundo não tem maior probabilidade de se comportar da maneira que você deseja somente porque você assim deseja, o mundo funciona como funciona, e ele não leva em consideração nem o que você considera moralmente bom, nem como você crê que ele deveria ser. Suponha que astrônomos descubram que não haverá um eclipse na terra pelos próximos oitenta anos, e que por alguma razão a mídia mundial divulgasse a notícia como chocante, com o seguinte título: “Toda Uma Geração Humana Ficará Sem Poder Ver Eclipses.” Bem, se as notícias fossem suficientemente convictas, provavelmente haveria uma grande quantidade de pessoas que fortemente desejariam que houvesse um eclipse em suas vidas, do fundo do coração. Mas não é bem provável que alguém começasse a realmente acreditar que haveria um, independentemente de quantas pessoas concordassem que o mundo seria um lugar melhor se houvesse. Isso é facilmente compreensível para qualquer um, mas o mesmo raciocínio não se aplica, por exemplo, à maneira que as pessoas tendem a pensar sobre a natureza humana. Se mostramos a alguém um estudo que diz que algumas pessoas são mais inteligentes que outras biologicamente, ou que homens têm maior probabilidade de estuprar porque nossa espécie é neotênica, a maioria das pessoas diria: “Blasfêmia! Você está tentando justificar terríveis comportamentos baseado na natureza e portanto sua concepção de natureza não pode ser verdadeira. ” “Justificar” é uma palavra bastante ambígua e traquinas, já que pode significar tanto justificar eticamente como logicamente, o que são significados bastante distintos. Nos dois casos considerados, a pessoa que mostra o artigo está de fato tentando justificar logicamente uma razão pela qual algumas pessoas são mais inteligentes e também a razão pela qual algumas pessoas tem tendência a estuprar. Esse tipo de justificativa significa que ele está tentando dar uma explicação, uma maneira de ver, de porque as coisas são como são, de quais fatos do mundo, juntos, geram alguns fenômenos como inteligência diferencial e estupro. Dizer que esses fenômenos são altamente determinados por predisposições biológicas para uma arquitetura cerebral escrita no código genético não é em nenhum sentido possível concordar que essas coisas sejam boas, não é senão concordar que elas são reais, ou muito provavelmente reais.

Por outro lado, a pessoa mostrando os estudos não está tentando mostrar que o mundo deveria ser assim, a maneira como o mundo deveria ser não é o estudo da ciência, nem da filosofia analítica, é o estudo da política, filosofia moral e ética, religião, tecnologia etc…

A compreensão do fato de que a natureza não justifica eticamente nada, ela apenas justifica logicamente, é um importante aprendizado para qualquer um que queira discutir a respeito das coisas do mundo sem um viés ético. O viés ético vem da falácia naturalista, como G. E. Moore chamou esse tipo de desentendimento, ou da confusão entre dever ser. A falácia naturalista e o problema da confusão do que é com o que deveria ser, são, na minha opinião, os fatores dirigentes por trás do relativismo que estupidifica e massacra a possibilidade de aprendizado. São a principal força que opera contra a possibilidade de aprender em nível individual, grupal e institucional. São a desculpa perfeita para manter seus preconceitos e seu nível de conhecimento atual, e fingir para si mesmo que se está justificado.

Exemplo Prático.

Disse um sábio chinês: A morte dá sentido a vida.
Respondeu Ivain: Qualquer idiota pode lhe dizer porque a morte é horrível, mas é necessário um tipo muito particular de idiota para acreditar que a morte seja boa.     

Porque é Importante.

Fiz meu melhor ao longo de anos para convencer as mais inteligentes mentes dessa ideia simples, obviamente verdadeira, mas a falácia foi mais forte. É necessário partir para onde ela já foi eliminada. Um lugar onde não confundimos “Coisas totalmente absurdas proferidas por figuras de autoridade de maneira misteriosa e sem explicação” com “sabedoria”.

Como transformar sua vida nessa direção

Nunca deixe um argumento pronto que ouviu há anos dominar sua capacidade de raciocinar sozinho, e procure investigar se sua crença não foi causada por um fator ambiental tal, que se você tivesse nascido na situação oposta, teria  a opinião oposta. Se vivesse num universo em que todos os seres humanos tem vidas parecidas com as nossas, salvo que são imortais, você inventaria a morte? Você defenderia a morte? Você lutaria não só pelo direito, mas pela obrigação de morrer, de maneira lenta, angustiante e imprevisível?

O que você ganha com isso?

A capacidade de pensar fora da caixa dos preconceitos que a sociedade lhe impôs. A chance de viver uma vida melhor do que a que o sistema programou para você.

2) Não se importe com o que os outros pensam. Eles não pensam.

O que é?

Não há uma maneira agradável de dizer isso. Mas ninguém ao seu redor faz ideia de absolutamente nada. Somos uma espécie jovem que apenas agora atingiu um estado mínimo de globalização e compartilhamento de conhecimento. Peter Thiel, o primeiro investidor do Facebook, filósofo bilionário e criador do Paypal sumariza bem ao falar de como ninguém sabe o que fazer com dinheiro:
Acho que isso realmente é o que acontece em grande medida: Você começa um  negócio bem sucedido, você vende a compania ou ações. Você ganha algum dinheiro. Questão: O que você faz com o dinheiro? Você não tem ideia, porque… ninguém sabe o que fazer com nada. Então você dá o dinheiro para um grande banco lhe ajudar a fazer algo. O que o banco faz? Ele não tem ideia, então ele dá o dinheiro a um portfolio de investidores institucionais, e o que eles fazem? Eles não tem ideia. Então colocam o dinehiro num portfolio de ações. Não numa ação específica, porque isso sugere que você tem opiniões, ou ideias, e isso é perigoso porque sugere que você não participa [da ideia prevalente de um futuro indeterminado mas otimista]. E então o que as companias fazem com o dinheiro? Disseram para eles que eles devem gerar free cash flows (fluxos de caixa livres) porque se eles fossem investir o dinheiro em coisas específicas, o que é um problema porque sugere que você tem ideias, e essa é uma das piores coisas nessa visão de mundo de um futuro indeterminado, aleatório mas otimista que domina a sociedade atualmente.

Exemplo Prático.

É muito comum as pessoas fazerem as principais escolhas de suas vidas confundindo razões instrumentais (como o dinheiro) com razões finais (como “nadar numa piscina morna 2 vezes por semana com amigos comendo churrasco). O exemplo mais comum é fazer um curso de graduação. A pergunta que fazemos as crianças e adolescentes sempre é “o que você quer fazer de faculdade?” quando evidentemente deveria ser “Que problemas você gostaria de resolver?” “Como você pretende ajudar os outros?” ou algo similar. Não é de se admirar que todos se sintam perdidos na faculdade, afinal, até chegar nela, lhes foi dito que a faculdade era o objetivo. O mesmo vale para empregos.

Porque é Importante.

Absolutamente nada do que você faz deveria ser sem propósito. E a cadeia de “Por que?”, a qual qualquer criança é capaz de proferir para seus pais tem necessariamente que se encerrar em um de seus objetivos finais. Se ela não está fazendo isso, você não deveria estar tomando essa ação. 

Como transformar sua vida nessa direção

Para cada ação que leve mais de 10 minutos, imagine uma criança adorável lhe perguntando por que você vai fazer aquilo. Assim que você chega numa razão final, ela sorri, lhe dá um chocolate e lhe abraça. ex:

  •  Procurando imagens para o TCC -> Ter um bom TCC -> Ser aprovado na universidade -> ter um curriculo interessante a empresas  no Rio de Janeiro -> Viver no Rio de Janeiro -> adoraria poder ver o mar pela manhã e caminhar na lagoa aos sábados.
  •  Dançar forró -> Dançar forró
  • Fuçar o facebook de fulano -> fulano tem ideias interessantes -> ler ideias interessantes
  • Ser promovido -> ganhar mais dinheiro -> enriquecer -> ser rico -> XXXXX

No último caso a cadeia de raciocínio não se encerra num valor final, e a criança esperneia e chora até você abandonar aquela ação.

A parte mais fundamental é descobrir o que de fato são seus objetivos finais, sobre o que falarei mais a frente.

O que você ganha com isso?

Não passar pelo problema apontado lindamente por Lehnnon: Life is what happens while you are planning the future. Isto é, não viver uma vida em busca de objetivos instrumentais.

What we are doing is we are bringing up children and educating them to live the same sort of lives we are living… in order that, er, that they would-may justify themselves and find satisfaction in life by bringing up their children to bring up their children to do the same things so it’s all retch and no vomit — it never gets there. (Alan Watts)

3) Seu recurso mais valioso é o que você ignora consistentemente

O que é

Você sente isso  na aceleração da internet, nas maneiras cada vez mais viciantes de se manter um usuário conectado a um site, nos balões vermelhos lhe avisando de cada nova atualização do Facebook. Você sente isso quando vê que cada dia mais tem menos tempo para os amigos, para as leituras, para meditar, para estar só. Mas não é imediato perceber o que é o problema. O problema é que o mundo está acelerando a capacidade de invadir seu espaço psicológico e dominar sua mente. Sua atenção está sendo sequestrada por gangues cada vez mais eficientes. E se você não lidar com esse problema de maneira atenta e tomando a perspectiva de terceira pessoa, vai se tornar um marionete de um sistema que evoluiu exponencialmente rápido para extrair seu tempo, recurso, motivação e dinheiro, e está cada vez lhe arrancando mais, até que sua alma se dissolva completamente num autômato desajeitado.

Exemplo Prático.

Existem pessoas que não usam ADblock, pessoas que pagam pelo farmville, pessoas que pagam por cartas cada vez mais caras e raras de Magic (como eu), carreiras cada vez mais concentradas de pasta base de cocaína, músicas cada vez mais proeminentes em seu apelo aos instintos básicos, como o funk carioca. Existem pessoas que se perderam para sempre dissolvidas em séries americanas cada vez mais incrivelmente cativantes. Milhões de brasileiros assistem novela. E se você se sente superior por assistir Breaking Bed, Lost, Friends, How I met your mother, ou jogar GTA V, Civilization IV ou passar horas por dia checando sua caixa de Email e Facebook, pense de novo. Obrigado por fumar:

Porque é Importante.

Quando ligam na sua casa para vender um seguro de bla bla blá as oito da noite, você se revolta. O mesmo deveria acontecer quando a Folha, o Estado, a Veja, a Men’s health, ou qualquer informação sobre os afazeres da Jennifer Anniston ou a Miley Cyrus penetram sua retina e se alojam confortavelmente em seu cérebro. É absolutamente evidente que é a seguradora quem lucra com aquela ligação e não você, se não eles não ligariam. Você sabe disso. O que você esquece é do contrário. As grandes coisas da vida. Aquilo que mais lhe interessa, seus objetivos mais caros, profundos e finais nunca vão ligar em sua casa para perguntar se você os deseja. Raramente uma pessoa se dá ao trabalho de contar grandes experiências e com o advento da internet, isso ajudou-nos a descobrir coisas interessantes. Mas todas as coisas da vida que estão na intersecção “se você soubesse que é uma possibilidade, ia ser espetacular, incrível, uma grande oportunidade, e divertidíssima para você” e “não é lucrativo nem particularmente desejado por outras pessoas” estão no lado escuro da lua.  Ninguém virá falar sobre elas, e encontrá-las deveria ser um esforço seu, afinal, são as coisas que você mais valoriza, por definição.

Como transformar sua vida nessa direção

Elimine a informação que é arremessada contra seu crânio pela mídia, destrua seu Newsfeed do Face com o app Newsfeed Eradicator. Instale o ADblock, pare de fumar e se pergunte, toda vez que você clicar num hiperlink “esse seria um bom momento para desconectar o cabo da internet por 20 minutos, para ter certeza que eu não entre numa cadeia interminável de hiperlinks?
Precisamos sair daqui porque da mesma maneira que aqui se confunde misticismo misterioso arcaico com sabedoria, aqui se confunde “dieta de pouca informação” com “neurose”. É um estado de calamidade pública e privada.

O que você ganha com isso?

A oportunidade de descobrir quem você é e o que você quer. Tempo para pensar, criar, dançar e sentir. E um estado mais relaxado e menos taquicárdico diante da vida.

4) Tome a perspectiva de terceira pessoa sobre si mesmo semanalmente

O que é

Lembrar-se de pensar tanto na desimportância global da sua ação e suas preocupações, como da importância que você espera que essas coisas tenham em diferentes fases da vida. O que realmente interessa quando você olhar para trás no futuro, ou  quando você olhou para frente no passado.

Exemplo Prático.

Conjectura de Caleiro: Ao olhar a vida na direção inversa, partindo do dia em que morremos, a incerteza sobre quantos anos temos nos faz muito mais tranquilos e menos competitivos com relação a pessoas que, na contagem normal, tem nossa idade, mas parecem estar mais “avançadas” em alguma coisa do que nós. Se você não sabe se tem 25, 35 ou 50 anos, faz muito menos diferença ser o CEO ou não da companhia, estar dando aulas de inglês ou morar com seus pais.

Porque é Importante.

Acredito que 80% das pessoas parariam de se preocupar com 80% de suas preocupações cotidianas se pensassem assim. E provavelmente deixariam de fazer muita coisa desnecessária, e finalmente teriam coragem de tomar aquela iniciativa que a tanto vem postergando.

Como transformar sua vida nessa direção

Passe cinco minutos perguntando a si mesmo se ao olhar para trás, em 20 anos, ou aos mais românticos, em seu leito de morte, você se arrependeria mais de tomar essa ação ou de não tomá-la. Aja para satisfazer aquele sujeito que não está tão mesquinha, egoista e pequenamente imbuído no seu contexto específico e suas circunstâncias atuais. Pense no que você recomendaria a outra pessoa nessa situação.

O que você ganha com isso?

A garantia de poder olhar para trás e cantar My Way ao fim de sua vida. Esse sim é um objetivo final que vale a pena ter.

5) O triângulo das 3 vidas possíveis (Experiencial, Otimizadora e Altruista) e descobrindo onde você se encontra nele.

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O que é

Até onde compreendi, existem apenas três direções para guiar nossas ações e vida que fazem sentido. Todos os pontos do plano contidos nesse triangulo são logicamente sustentáveis, e possivelmente defensáveis como forma de vida, como distribuição de alocação de recursos psicológicos. Qualquer ponto fora do triângulo, dentro ou fora de seu plano, é um erro e deve ser corrigido. A descrição das extremidades dá o limite máximo de uma característica. o baricentro portanto seria alguém que age igualmente nas três direções possíveis. Isso pode ser feito tanto mesclando numa só ação dois tipos de objetivos, como também distribuindo seu tempo entre ações distintas na proporção em que o seu ponto dista de cada extremidade (quanto mais próximo, mais tempo dedicado aqula atividade).

  • Uma pessoa vermelha deseja mudar um aspecto do mundo de uma maneira específica: Gaudí construiu estruturas específicas com um determinado design, e optimizou o mundo para que ele tivesse mais dessas estruturas. A palavra chave é otimizar, é o pensamento cibernético, é maximizar a probabilidade de que algum elemento do mundo seja de uma determinada maneira, é Rockfeller, estabelecendo como Nova York será, é uma criança construindo um barco de lego. É definir um conjunto de objetivos e encontrar o conjunto mínimo de ações que garante que aquelas modificação serão feitas. É o que liga o engenheiro e o artista.
  • Uma pessoa verde é um altruísta. Não existe altruísmo ineficaz exceto como falha cognitiva. O altruísmo é querer maximizar o benefício aos outros independente de quem eles sejam (um altruismo puramente intra-familiar por contraste seria uma pessoa vermelha, ela deseja um mundo com uma propriedade específica para um grupo específico). Um altruísta eficaz tem seu modelo de vida em Peter Singer e Paul Cristiano, e no momento, dado nosso nível de desconhecimento dos problemas do mundo, se ocupa de compreender melhor quais são as tarefas mais importantes fora a única que sabemos até o momento, evitar riscos existenciais, que cortem permanentemente o potencial futuro humano. Bostrom pode ter encontrado a única certeza ética que temos até o momento, e Elon Musk pode estar tentando alucinadamente resolver esse problema. Mas qualquer outro altruísta só poderia estar procurando novas certezas, ajudando Musk a nos colocar em Marte, ou financiando uma dessas duas tarefas. Qualquer outra atividade, de visitar centros espíritas à distribuir o sopão, de promover o software livre a melhorar a educação brasileira, de doar tempo para o movimento muda mundo, é ou um erro epistêmico (um desconhecimento a respeito de algum aspecto do mundo) ou uma forma atravessada de misturar uma sensação quentinha no peito (causada ou por aspectos vermelhos os azuis) com imaginar a si mesmo como um altruísta. É um auto-engano ou um equivoco. E as únicas pessoas que sabem isso e vivem isso estão lá e não aqui.
  • Uma pessoa azul é um experiencialista, o foco de seus desejos e objetivos não está num objeto descritível fisicamente, mas num conjunto de experiências, ou tipos de experiências. Ao invés de querer mudar a cidade de São Paulo, ele deseja saborear as melhores lasanhas de São Paulo. Ao invés de querer aumentar uma quantidade objetiva de vidas de infindável diversão que alguém viverá no futuro distante caso a terra não seja destruida e atinjámos a maturidade tecnológica, ele quer sentir o prazer de resolver uma determinada equação que, por acaso, levará a humanidade a conquistar o espaço. Ou até mesmo ele quer a experiência de ter feito um ato genuinamente altruista, de ter visitado a extremidade verde por um dia. Mas na sua cadeia de porquês, o ato de altruísmo não está sublinhado, a sensação de executar o ato de altruismo é o último elemento da cadeia. O mesmo vale para um grande projeto vermelho, como escrever um livro. Um experiencialista que escreve um livro almeja não um mundo que contenha aquele livro, mas a sensação de escrevê-lo, a sensação de ser lido, a sensação de ser reconhecido como um autor e assim por diante. Um verde ou um vermelho poucas razões têm para usar drogas que comprometam sua habilidade de mobilizar a matéria, um azul não padece do mesmo tipo de desconforto. Não há problema em viver numa tribo por meses, passar um dia no parque, ou até assitir uma série viciante, porque a própria experiência tem valor.

Exemplo Prático.

Você doa seu tempo num sábado para a campanha do agasalho, mas acha que está fazendo uma ação verde. No entanto, sua ação é claramente vermelha. Você acha que quer escrever um livro para que ele exista (vermelho) mas na verdade, o que você deseja é tornar-se atraente (azul). Você acha que fuma maconha porque isso lhe dá boas ideias (vermelho), mas fuma pela experiência (azul) ou por vício (fora do triângulo, já que não é justificado).

Porque é Importante.

É fundamental se situar nesse triângulo. Na medida em que houver qualquer verde em você, é fundamental saber que há pouquíssimas ações legitimamente verdes. A cada ação, é interessante saber se sua razão é azul, vermelha ou verde. E ao longo do processo, compreender onde se está na escala do roxo (que liga o azul e o vermelho) serve para orientar e reformar seus objetivos de curto médio e longo prazo. E para distribuir seu tempo.
Precisamos sair daqui porque menos de 100 pessoas dentre as 7 bilhões vivas e as 70 bilhões que já existiram compreendem plenamente a extremidade verde. E por isso mesmo ela é de extrema importância. Todos os atos verdes feitos no passado foram feitos, por assim dizer, por acaso. Mas agora isso não é mais necessário. Lá há mais vermelho que aqui. Lá, existe verde. Eu gostaria de dizer que aqui somos azul-arroxeados, como provavelmente sua intuição está lhe fazendo pensar agora. Mas na verdade, aqui somos apenas confusos. Ninguém sabe o que fazer como nada, lembrando as palavras de Thiel, um dos 100.

Como transformar sua vida nessa direção

Localize seu ponto no triangulo. Toque-o, pense nele consistentemente. Verifique até que ponto suas ações estão deixando uma extremidade valiosa de lado. Você é um azul, mas achava que era vermelho? Corrija isso.

O que você ganha com isso?

Para cada ação, você saberá que deve tentar encontrar sua “projeção” mais próxima no triângulo, já que nenhuma ação fora do triângulo é justificada (se eu estiver correto). Essa simples heurística irá regular muito melhor seu tempo e pensamento sobre como viver.

6) O diagrama de Venn que decide o próximo projeto.

O que é

Diagrama Venn Ações  vida

Exemplo Prático de um erro:

As poucas pessoas que procuraram um pensamento diagrâmico chegaram a uma péssima conclusão, de diagrama de venn para a vida.   Eles acreditam que a vitória está na intersecção de

O que você amaO que você pode ser pago para fazer, Coisas nas quais você é bom. 

Um problema desse diagrama é que ele confunde dinheiro com valor. O que é valioso para você não necessariamente, mas possivelmente envolve dinheiro. A bolha correta diria “o que produz valor para você”.   Outro problema é que ele mistura valor (vermelho) com amor/tesão (azul) sem deixar isso claro, e muitas vezes, dividir o tempo é melhor do que tentar fazer um multitasking colorido interatividades, misturar todas as corres leva a um marrom opaco e feio, dividi-las em sua pintura pode gerar uma linda composição. Um outro problema, muito mais grave, é que ele não leva em conta contrafactuais, o que aconteceria se você não fizesse aquilo. Para objetivos azuis, experienciais, todo o valor é perdido quando você não faz aquilo, mas no caso dos objetivos verdes ou vermelhos, a situação é muito diferente. Nesse caso é necessário se perguntar o que aconteceria, exatamente, se eu não executasse aquela ação. Alguma outra pessoa ou agente faria a mesma coisa? Se sim, o valor verde ou vermelho gerado seria o mesmo. E vale a pena partir para outra atividade.

Porque é Importante.

O diagrama que decide os projetos que valem a pena executar (a intersecção amarela, entre o verde e o vermelho) só tem valor para o verde e o vermelho, que tem objetivos no mundo. Mas para objetivos fora do campo da experiencia, fora do azul, só as ações e projetos amarelos são justificados. Não faz sentido, em objetivos finais vermelhos ou verdes executar qualquer ação fora do amarelo.  Apenas objetivos azuis ou objetivos instrumentais devem permitir-nos sair do campo do amarelo.

Como transformar sua vida nessa direção

Use o diagrama, nunca faça nada vermelho ou verde que não esteja na intersecção amarela.

O que você ganha com isso?

Seus objetivos de fato vão acontecer, e você não precisará se resignar a fingir o feng-shui da sua casa está ampliando a harmonia cósmica, que rezar é eficaz, que astrologia diz algo fundamental sobre a realidade. Você estará de fato agindo no mundo, e não se enganando a respeito. Suas ações terão consequências de verdade. Ao invés de inventar desculpas para porque você falhou, você estará sempre em busca de como conseguir de verdade. Dá medo né? Esse medo impediu muita gente de ir pra lá, então por um efeito de seleção, é lá que estão aqueles que ultrapassaram o medo.

7) Esvaziamento da mente e libertação da criatividade

O que é

Usar um sistema Getting Things Done para liberar espaço psicológico e motivacional. Um sistema Getting Things Done é um esquema desenvolvido por David Allen, que uma vez implementado, faz com que cada pensamento só tenha que passar por sua cabeça uma vez. A mente é para ter ideias, não para retê-las, ou re-têlas.

Exemplo Prático.

Não faz a menor diferença quanto você pensa hoje sobre a conta que só pode pagar amanhã, quanto pensa no ônibus sobre  a proposta que só pode escrever no computador, e quanto lembra que precisa de leite quando não está no supermercado. Se seu sistema para lembras as coisas é o cérebro, ele não foi feito para isso, e está sobrecarregado. É necessário externalizar as ações que tem que ser feitas por seu eu futuro. E estar sempre com a mente livre para criar. A única coisa que você precisará se lembrar é checar seu GTD diariamente. Melhor do que todas as perturbações que estão na sua cabeça sobre o que tem que fazer na próxima semana, não?

Porque é Importante.

Tempo, stress, habilidade de manejo.

Como transformar sua vida nessa direção

https://thepiratebay.se/search/getting%20things%20done/0/7/0

O que você ganha com isso?

Paz mental interior.

8) Você é resultado do ambiente ao seu redor. Modifique-o de acordo.

O que é

Você é a média das cinco pessoas com quem passa mais tempo. – Jim Rohn.
Elon Musk decidiu onde estar aos 10 anos. Eu aprendi aos 26. Tim Ferriss considera esse o melhor conselho que ele já recebeu. Cito Milton Friendman: I do not believe that the solution to our problem is simply to elect the right people. The important thing is to establish a political climate of opinion which will make it politically profitable for the wrong people to do the right thing. Unless it is politically profitable for the wrong people to do the right thing, the right people will not do the right thing either, or if they try, they will shortly be out of office.

Eu estou indo embora para mudar a mecânica de incentivos que me circunda. Para ser parabenizado por pensar e não ter de ouvir a pergunta: “Você não cansa de pensar?” Para odiar a morte e não ser recebido com desdém e desaprovação, para poder querer mudar o mundo e não precisar explicar porque não estou ocupando minha vida com valores familiares, para falar sobre equações e gerar sorrisos, para escrever longos textos e não ser considerado entediante. Estou indo cercar-me de “5 pessoas” muito melhores do que eu, às quais eu admirarei e com as quais aprenderei, e como um primata social que sou, serei paulatinamente adestrado a ser awesome, sem conflitos internos causados por incentivos externos.

Exemplo Prático.

Como a criogenia é mais tabu do que a bondade, quando passei a falar mais de altruismo eficaz, eu esperava receber mais aprovação e menos olhares e comentários normativos – isto é, olhares cuja função é que um terceiro, que veja o olhador e o olhado, considere que o padrão de um grupo é a opinião do olhador – Menos repreensão social. Infelizmente não é o caso. Querer ser congelado para talvez viver centenas de milhares de anos incomoda a moral das pessoas exatamente o mesmo tanto que tentar ser quantitativamente bondoso, tentar, de fato, fazer o bem, e não ter a experiência azul fingindo que ela seja verde. O verde incomoda tanto quanto o desejo de viver.  Como é possível que essas coisas incomodem é algo que só tomando a perpectiva de terceira pessoa, bem distante, eu consigo aceitar sobre as pessoas. Que alguém realmente se sinta na necessidade de justificar o não altruismo, e também de defender a morte, é algo que só pode ser aceito depois de muito respirar fundo e aceitar a medíocre condição de espécie levemente mais inteligente que as lesmas. Me deixa confuso, me dá asco como um pedaço de carne esburacado repleto de baratas, e me lembra que para onde vou não há baratas, ou melhor dizendo, é possível ignorar baratas com uma dieta de informação adequada e factível.

Porque é Importante.

First, they ignore you, then they ridicule you, then they fight you, and then, you win – Mahatma Ghandi
É importante porque pula as fases dois e três.

Como transformar sua vida nessa direção

Responda 100 perguntas sobre você no ok cupid, vá no algorítmo de busca de  Friend Match, e Love Match, e anote as cidades onde mais tem gente que pensa como você. Mude-se para lá.

O que você ganha com isso?

Nunca mais ter de ouvir sua tia explicando como o papa é uma pessoa pura e importante cujas opiniões são particularmente sábias logo após voltar do Future of Humanity Institute em Oxford.

9) Tome a perspectiva Meta sobre si mesmo

O que é

Quando estiver numa conversa, não pense apenas no discurso que está de fato sendo falado, mas nos discursos subliminares. Primeiramente, é claro, nas intenções que aquela pessoa tem com aquela conversa, e naquilo que você quer extrair daquela conversa. Depois em quais instintos podem estar causando seu padrão de fala e gesto. E ainda no que consciente ou insconcientemente está sendo sinalizado ali.

Exemplo Prático.

Frequentemente eu me encontro em conversas sobre relacionamentos pessoais de outras pessoas. Em particular relacionamentos românticos. No entanto eu efusivamente prefiro os universos em que é impossível conversar sobre relacionamentos amorosos, presentes passados ou futuros, com terceiros. Eu só lembro disso quando tomo a perspectiva Meta e percebo que de alguma maneira ou o meu instinto, ou a vontade da outra pessoa dominou o curso da conversa, e estamos fazendo fofoca como um chimpanzé faria catação de piolhos. Isso abre a possibilidade de dizer que não gosto de falar sobre isso e sugerir outra conversa, de transformar a conversa numa intersecção desejável (por exemplo falar sobre relacionamentos em geral, o que me diverte muito), ou de dar o máximo do que suponho que a outra pessoa queira extrarir da conversa o mais rápido possível e sumir dali para falar com alguém que queira salvar o mundo, discutir o cortex visual, ou dançar contato improvisação.

Outro bom exemplo é fazer atividades de cortejo na web. Cortejar alguém de outra cidade por exemplo é extremamente ineficaz, e só no nível Meta é possível perceber que a razão (instinto + vontade de estabelecer um relacionamento pessoal envolvendo toque) pela qual você está subconcientemente fazendo aquela atividade não é justificada, e mudar de ação.

Porque é Importante.

Principalmente para combater nossos vieses instintivos. A tendencia humana é fazer fofoca, falar sobre autoridades e celebridades, falar sobre a vida sexual e moral de amigos em comum, e falar sobre os eventos recentes (por exemplo o último episódio de uma série ou um terremoto no japão, ou a nova ministra da educação). Todos esses assuntos são 90% dos casos irrelevantes (não se encontram na intersecção amarela, e não são azuis). Assim sendo 90% do tempo fofocado deveria ser gasto em outras coisas.

Como transformar sua vida nessa direção

Não tenho certeza. Como o instinto está em você como está em mim, é difícil contê-lo. É bom estar atento. Com pessoas mais abertas, estabelecer explicitamente a regra de não fofocar – e não falar sobre como seu porre foi homérico etc…   Uma ideia boa que nunca consegui testar é imprimir numa camiseta uma lista de coisas que você não quer conversar a respeito e de coisas que quer, de modo que você pode apenas culpar a camiseta por não querer fofocar, e ao mesmo tempo fornecer de pronto uma lista de tópicos para que seu interlocutor escolha aquele que mais interessa.

O que você ganha com isso?

Não saber o nome da mulher que casou com o príncipe inglês. Falar frequentemente do que realmente lhe interessa. Ser considerado um bom ouvidor por procurar saber o que realmente o outro quer da conversa. Manter uma conversa por mais tempo trocando de tópico toda vez que a outra pessoa pareça menos interessada. Não ser um chato que só fala de si mesmo.

10) Leve a vida a sério

O que é?

Levar a vida a sério é pensar, sentir, viver e ondular da maneira como pensa esse texto. Não é escrever textos, não é analisar tudo minuciosamente, é levar as coisas a sério. Você só tem essa vida, eu também. Viva cada dia da sua vida como se daqui a quatro anos você fosse morrer. Se vai jogar, Jogue. “If it is worth doing, it is worth doing well” – Dennett.  Levar a vida a sério não é cuidar bem dos móveis da sua casa. É poder cantar my Way no seu leito de morte. É poder ser o autor do livro “My Wicked, Wicked Ways”, é ser um jogador da NBA, se aposentar e escrever um livro de costura para homens. É jogar volei com um gatorade e chamar 40 pessoas por telefone para um piquenique (nos tempos pré Facebook). É criar uma copia perfeita do falcão negro. É usar drogas como Timothy Leary. É deixar de ser CEO da Mycrosoft para acabar com a doença que mais mata pobres no mundo. É roubar um selinho na quarta série. É só começar projetos que você realmente levará a cabo. É abraçar homens sem dar tapinhas nas costas. É penetrar e ser penetrada no melhor sexo da sua vida. É levantar 150 kg do chão. É correr um triatlon. É escapar do “its all retched and no vomit”.

Exemplo Prático.

Eu costumava brincar de dividir alguns amigos da classe alta paulistana em aristocracia decadente e aristocracia triunfante. A aristocracia triunfante é o processo bem sucedido da geração dos pais de vender seus medos e suas morais aos filhos, impedindo que eles vivam de maneira autêntica e própria e tornando-os, portanto, cidadãos de bem. A aristocracia decadente, evidentemente superior, é a geração de filhos que foi por caminhos alternativos àqueles oferecidos por seus pais e pela família Marinho e acabaram-se tornando, em alguma medida, anomalias da estrutura social da alta sociedade. E Paul Graham explica bem esse problema em Why Nerds Are Unpopular. Basicamente o custo de sinalização de se tornar aquilo que a sociedade espera de você é tão alto, que não sobre tempo para ser obcecado com alguma coisa (nerd). E também em How to do what you love:  “The advice of parents will tend to err on the side of money. It seems safe to say there are more undergrads who want to be novelists and whose parents want them to be doctors than who want to be doctors and whose parents want them to be novelists. The kids think their parents are “materialistic.” Not necessarily. All parents tend to be more conservative for their kids than they would for themselves, simply because, as parents, they share risks more than rewards. If your eight year old son decides to climb a tall tree, or your teenage daughter decides to date the local bad boy, you won’t get a share in the excitement, but if your son falls, or your daughter gets pregnant, you’ll have to deal with the consequences.”

Porque é Importante.

Porque leu na veja, azar o seu. Assim como o papa, Nietzche e tantas outras figuras célebres, lembrem-se que as pessoas que construiram a sociedade são apenas macacos. E seus pais também. Seu pai. Sua mãe.

Como transformar sua vida nessa direção

Vale o mesmo que no caso da falácia naturalista. Se imagine na situação inversa. Você é uma outra pessoa muito diferente. Você alternativa se modificaria para tornar-se mais parecida consigo? Se não, então você deveria se modificar naquela direção alternativa. Elimine o Status Quo bias.

O que você ganha com isso?

Em uma palavra?  Tudo.

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How I Think About My Life at 24

How I Think About My Life at 24:

A brainstorm attempt of getting myself in a generally desirable path

Choosing is complicated.

I remember a long time ago when I decided that life was to be lived in praise of past generations, while enjoying what they have given us. It was our duty, I believed then and I believe now, to fulfill past generation’s desires, and the freedoms they fought for.

This can be though of as a justification for enjoying the pleasures of being among the richest of the world without being socially concerned. Maybe it was. My actual reasoning was more like: There is no privilege for this moment in time, we live in here by chance, given future generations will live in a better world, I ought to enjoy what I can from mine, and instead of considering me one of the lucky ones because I am the happiest out of every 500 current humans, I should consider my-self way below threshold and average for the whole of civilization, which, so I hope, will mostly be composed of awesome transhumans, posthumans, and machines that will experience gradients of bliss while composing a world that Walt Disney’s wildest dreams wouldn’t dare to dream themselves.

The Hardest Choice of All: Should I Stay or Should I Go

If you are born after 1930 and you are a very smart ape, you realize that awesomeness happens mostly in the United States. From “The Best American Science Writings 2010”:

[Elon Musk is founder of Space X, came from South Africa, has memorized and read facts for hours a day since birth, and successfully founded many start-ups, owning millions of dollars which he intends to use to colonize space, to extend Life’s Lifespan. He’s been ignoring “you can’t do that” for 37 years now. Once, though, he was a 10 year old in apartheid’s South Africa]

“Because when children like Elon Musk attain the kind of self-awareness that leads to questions about environment – where in the world can I go for the license and room to do what I must do? Where in the world are my peers? – They always, and Still, come to the same conclusion.

Elon Musk knew when he was a child. […] Elon has had this thought, consciously, literally, at the age of ten: America is where people like me need to go. That is where people like me have always gone. “

During last year, I’ve met a fair share of geniuses in my time at the Singulrity Insitute, another place trying to extend Life’s Lifespan by a few million awesome years. I myself realized that stuff happens in the USA when I was about sixteen. The first of this autobiographical series is my first attempt at writing in English, and I was right. Been a transhumanist before everyone around me, and I was right. Mostly, choose my own paths, and I was right.

But then came along the hardest choice of all, ¿should I trust globalization and my standard of living in Brazil? , ¿ should I trust the Latino fever for social life despite the huge red sign saying “AWESOMENESS IS IN THE USA, IT HAS ALWAYS BEEN”? ¿should I trust the promise of a flat world?

Life was too great, attachments were too strong, friends were well chosen, and so I stayed.

Every day, I see a smile in the mirror. It is Happiness thanking me for having chosen to stay. Oh goodness how much better is it to live here than there, specially when you were born here.

Every day, Knowledge punches me in the face and yells at me: “What Have you done! ¿Do you have any idea of what we could have achieved together? We could be Nanotech immortals with a sapphire castle on the Moon by now.

He has a point.

The choice between happiness and knowledge maps in my model of stuff very well as a choice between the mindsets of the two founders of the transhumanist movement. Knowledge is Bostrom, Happiness is David Pearce. Bostrom’s work is of far more impact, Pearce’s life is of far less Stress.

I have decided to Pearce, I decided to Brazil, I decided to Stay.

It will be long before I fathom the consequences of that choice, but it is my choice, and I’ll only rethink it when I’m thirty five.

The Most Important Things

Social life remains awesome, happiness remains striking, reading remains vicious, magic still plays perfect, girlfriend still is (good) madness and passion, the park still shines on, the smiles and friends are still the engulfing hugs of that which ought to be preserved, what is worth fighting for, and what give meaning to all the rest.

¿Has globalization worked? ¿It is possible to Stay and Do?

To some extent, yes. Networking made easier, been to one o the most important places on earth, the Singularity Institute, will work for them from time to time. Met my peers. Many and great they are. Joined a great team for making the world a better place.

For some reason ended up involved with efficient charity, not only efficient future-improvement, will try to understand this next year (¿greater likelihood of visualizing effects? Hardly what makes me tickle).

Am setting a group of efficient doers in Brazil. High impact on important issues, with both future oriented efficiency, and present oriented efficiency, are the most salient emerging goals. Have grown from 2, to 3, to five, to six without even being official yet. High hopes in the horizon.

So what has been keeping me low profile lately is…

Having made my choice of not only staying, but staying and living into happiness even if this costs the goals that younger me’s wanted to achieve, goal-achieving starts to slow down a bit. Or so it seems, only next semester will tell.

Money, money, money
Must be funny
In the rich man’s world
Money, money, money
Always sunny
In the rich man’s world
Aha-ahaaa
All the things I could do
If I had a little money
It’s a rich man’s world

When I was in Syria last year this song would play (yes, in Syria) while I rejoiced the comfort of my friend’s very fancy car in the company of smart, young beautiful western ladies that only the wealthiest Arabs can ever think of interacting with. Syria, as well as Saudi, are rich man’s countries.

All my projects will require money, so has reminded me my girlfriend recently. All the money will require effort not necessarily worth it, has reminded my great friend and favorite psychologist recently. All the food, shelter, trips, health, my parents remind me. It’s a lottery to try, so say many successful start-up people, as well as sociologists of the economy.

If you can postpone getting the money, or making research while working to create institutions for the greater good of all future generations, it is worth it to give it at least one year, has convinced me a brilliant, well intended, motivated PHD and university teacher. So has said my best friend, who happens to be in France, working her way through medicine and tolerating minuscule apartment-hood in a rainy cold university city.

But oh, how hard it is to believe. Oh the lack of assurance. Oh the testosterone hitting, the male-ish desire to hold control of one’s income, of one’s life, of everything. And the obvious impossibility of controlling the uncontrollable as my psychologist friend reminds me.

Walking through the streets of San Francisco, I was convinced that to give it one year without worrying about money that much was the way to go. It seems impossible. 8 hours a week at least will go into that, or madness will interfere into the core of institution creation. After the promised Year’s end, that is when next considerations will take part again.

The Most Important Things, a Repetition in Service of Proportionality

Social life remains awesome, happiness remains striking, reading remains vicious, magic still plays perfect, girlfriend still is (good) madness and passion, the park still shines on, the smiles and friends are still the engulfing hugs of that which ought to be preserved, what is worth fighting for, and what give meaning to all the rest.

Altruistic Awesomeness, Your Challenge

So you woke up in this universe, containing not only yourself, but a planet in which you live, a few billion galaxies, religious grandmothers, cookies, weekends and downloadable series which you can watch any time. Eventually you noticed people are way more intentional than cookies, people always want something. Everyone told you, also, that you happen to be a person.

Then you asked the obvious question:  ¿What do I want?

Let us assume you are a very intelligent person (we know you are ¿right?)

Not just that, you have a deep grasp on biological evolution, and what life is.

You understand intelligence better than average, and you know the difference between a soul and an evolutionarily designed gadget whose function is tangential to being an optimization program which optimizes for some rough guidelines brought forth by genes and memes in a silent purposeless universe.

You know human thinking works mainly through analogies, and that the best way to explain how the mind works involves some way of dividing what it does into simpler steps that can be accomplished by less intelligent systems. That is, you realize the explanation of intelligence amounts to explaining it without using “intelligence” as part of your explanation.

You know that only a fool would think emotions are opposite to reason, and that our emotions are engineered by evolution to work in a fluid and peaceful coalition with reason, not only as best friends, but as a symbiotic system.

You have perused through the underlying laws of physics, and not only you found out schröedinger’s equation, but you understood that it implies a counter-intuitive series of things, such as: There are many-worlds splitting all the time into even more worlds, and I am splitting just like everything within this model. In fact, there is a tree of greater and greater amounts of branches, so I can always trace my self back, but there are too many selves forward. You wonder if you are all of them, or just one, and which.

Everett branches of a person, splitting into the future

You basically have intelligence enough (which probably would correlate with some nice IQ measurement, on the 125+ range…. but NEVER worry about IQ, that number is just a symbol to remind you that you are smarter than most of your teachers, your village elders, etc… and give you motivation to actually DO the stuff you’ve been considering doing all this time, IQ is, basically, a symbolic statement that you can disrespect authority)

Then you thought: Wow, it turns out I feel very good being Nice to other people. I am a natural altruist.

How can I put my intelligence to work for a better world, without being sucked into the void of EVIL-DARKNESS [your choiche of master-evil here, be it capitalism, common sense, politics, religion, stupidity, non-utilitarian charity etc…]

Since you grasp evolution, you do know that there is no ultimate-morality. There is no one great principle, just in the same way as there is no one great god.

On the other hand, it seems that happiness is great, and the best parts of life, both for you, and for your friends, are those parts which are Awesome, amazing, fantastic, delicious, unbearably happy, unimaginably joyful. This of course, opposed to those parts which are miserable, unfortunate, sad, ennui, so awful you want to cry.

So you decided you want to have a life that is 1) Awesome 2) Altruistic.

Now, you ask the second question:

¿What should I do?

Then all your intelligence was put to work on that, and you started finding out what the other Awesome Altruists were doing lately. You stopped reading Vogue and Newspapers, and read about people who loved mankind and tried to do stuff. Ghandi, Mandela, Russell, Bill Gates, Angelina Jolie, Frederic II, Nick Bostrom, Bono, Bentham, Eliezer Yudkowsky, Bakunin, Ettinger, Mother Theresa, Marx, among a  few others.

“Let us understand, once and for all, that the ethical progress of society depends, not on imitating the cosmic process, still less in running away from it, but in combating it.”
— T. H. Huxley (“Darwin’s bulldog”, early advocate of evolutionary theory)

You have started to analyse their actions counterfactually. You learned that the right question, to figure out what really matters is: ¿What is the difference between our world in which X did what he did, and our world in case X had not done that?

You noticed people have a blind spot relating to this question, and they always forget to ask “¿Would someone else have done that, had X not done that?” and you have stored a special cozy place in your brain that cintilates a huge neon sign saying “If YES, then X work does not make a difference” every time you ponder the issue.

So you noticed how the most important altruistic acts are not just those that have greater impact, and stronger effect. You realized that the fewer people are working on something of impact and effect, the more difference each one makes. There is no point in doing what will be done by others anyway, so what should be done is that which, if you did not do it, would not get done at all.

Applying this reasoning, you have excluded most of your awesome altruists of people it would be great to be like.

Some remain. You notice that from those, it turns out they are all either very powerful (moneywise) or tranhumanists. You begin to think about that…..

¿Why is it, you ask, that everyone who stands a chance of creating a much much better universe is concerned with these topics?

1) Promoting the enhancement and improvement of the human condition through use of technology

2) Reducing the odds of catastrophic events that could destroy the lives of, say, more than 50 million people at once.

3) Creating a world through extended use of technology in which some of our big unsolved problems do not exist anymore. (Ageing, unhappiness, depression, akrasia, ennui, suffering, idiocy, starvation, disease, impossibility of creating a back up of one self in case of car crash, not having a very, very delicious life, bureocracy and Death, to name a few problems)

It is now that you begin to realize that just like science is common sense, applied over and over again at itself, Just like science is iterated common sense, transhumanism is iterated altruistic awesomeness.

Sometimes, something that comes from science seems absurd for our savannah minds (splitting quantum worlds, remote controllable beetles, mindless algorithms that create mindful creatures). But then you realize that if you take everything you grasp as common sense, and apply common sense once again to it, you will get a few thing that look a little bit less commonsensical than the first ones. Then you do it again, a little more. And another time. All the steps take you only a little bit further away from what your savannah mind takes as obvious. But 100 steps later, we are talking about all the light coming from a huge exploding ball of helium very far away which disturbs space in predictable ways and that we perceive as sunlight. We call this iterated common sense Science, for short.

Now ¿what if you are a nice person, and you enjoy knowing that your action made a difference? Then you start measuring it. It seems intuitive at first that some actions will be good, saying the truth, for instance. But in further iterations, when you apply the same principles again, you find exceptions like “you are fat”. As you go through a few iterations, you notice the same emotional reaction you felt when common sense was slipping away while you learned science. You start noticing that giving for beggars is worse than for organized institutions, and that your voting does not change who is elected, you notice education pays off in long term, and you understand why states are banishing tobacco everywhere. You realize the classic “prevention is the best remedy”. Here is the point where you became a humanist. Congratulations! Very Few have gotten through here.

It turns out, though, that you happen to know science. So there are more steps to take. You notice that we are in one of the most important centuries of evolution’s course, because memes are overtaking genes, and we just found out about computers, and the size of the universe. We are aware of how diseases are transmitted, and we can take people’s bodies to the moon, and minds throughout most of the earth surface, and some other planets and galaxies. So you figure once we merge with technology, the outcome will be huge. You notice it will probably be in the time of your life, wheter you like it or not.

It will be so huge in fact, that there is probably nothing that you can do, in any other area whatsoever, that stands an awesome altruistic chance against increasing the probability that we will end up in a Nice Place to Live, and will not end up in “Terrible Distopian Scenario Number 33983783, the one in which we fail to realize that curing cancer was only worth it if it was not necessary to destroy the earth to calculate the necessary computations to perform the cure”.

Dawkins points out that there are many more ways of being dead than alive. There are more designs of unsustainable animals. Yudkwosky points out there are many more ways of failing in our quest to find a Nice Place to Live. Design space is huge, and the Distopian space is much greater than the Utopian Space. Also, they are not complementary.

So you kept your Altruistic Awesomeness reasoning with your great intelligence. Guess what, you found out that other people who do that call themselves “transhumanists”, and that they are working to either avoid global catastrophic risks, or to create a world of cognition, pleasure, and sublime amazement beyond what is currently conceivable to any earthling form.

You also found out there are so few of these people. This gave you a mixed feeling.

On the one hand, you felt a little bit worried, because no one in your tribe of friends, acquaintances, and authorities respects this kind of thinking. They want to preserve tradition, their salaries, one or another political view, the welfare state, teen-tribal values,  status quo, ecology, their grades, socialist ideals, or something to that effect. So you were worried because you identified yourself as something that is different from most who you know, and that not necessarily holds the promise of gaining status among your peers because of your ideals, which relate to the greater good of all humans and sentient life, present and future, including themselves, who simply have no clue what the hell are you talking about, and are beggining to find you a bit odd.

On the other hand, when you found out that there are few, you felt like the second shoes salesman, who went to an underdeveloped land and sent a message for the king after his friend, the first salesman, had sent another, from the northern areas of the land.

First Salesman: Situation Hopeless, they don’t wear any shoes…

Second Salesman: Glorious Opportunity, they don’t have any shoes yet!

It took you a long time, to learn all this science, and to deeply grasp morality. You have crossed through dark abysses of the human mind under which many of our greatest have failed. Yet, you made through, and your Altruistic Awesomeness was iterated, again and again, unappalled by the daunting tasks required of those who want to truly do good, as opposed to just pretending. The mere memory of all the process makes you chill. Now, with hindsight, you can look back and realize it was worth it, and that the path that lies ahead is paved, unlike hell, not with good intentions, but with good actions. It is now time to realize that if you have made it through this step, if all your memes cohered into a transhumanist self, then congratulations once again, for you are effectively part of the people on whom the fate of everything which we value lies. ¿Glorious opportunity, isn’t it?

Now take a deep breath. Insuflate the air. Think about how much all this matters, how serious it is. How awesome it it. Feel how altruistic you truly are, from the bottom of your heart. How lucky of you to be at one time so smart, so genuinely nice, and lucky to be born at a time where people who are like you are so few, but so few, that what you personally choose to do will make a huge difference. It is not only glorious opportunity, it is worth remarking as one of life’s most precious gifts. This feeling is disorienting and incandescent at the same time, but for now it must be put in a safe haven. Get back to the ground, watch your steps, breathe normally again and let us take a look at what is ahead of you.

From this day on, what matters is where you direct your efforts. ¿How are you going to guarantee a safer and plentier future for everyone? ¿Have you checked out what other people are doing? ¿Have you considered which human values do you want to preserve? ¿Are you aware of Nick Bostrom who is guiding the Future of Humanity institute at Oxford towards a deep awareness of our path ahead, and who has co-edited a book on global catastrophic risks? ¿Do you know that Eliezer Yudkowsky figured it all out at age 16 after abandoning high-school, and has been developing a friendly form of artificial intelligence, and trying to stop anyone from making the classic mistakes of assuming that a machine would behave or think as a human being would? ¿Did you already find out that Aubrey de Grey is dedicating his life to create an institution whose main goal is to end the madness of ageing, and has collected millions for a prize in case someone stops a mouse from ageing?

The issues that face us are not trivial. It is very dangerous to think that just because you know this stuff, you are already doing something useful. Beware of things that are too much fun to argue. There is actual work that needs to be done, and on this work may lie the avoidance of cataclysm, the stymie of nanotechnological destruction. The same line of work holds the promise of a world so bright that it is as conceivable to us as ours is to shrimp. A pleasure so high that the deepest shining emotions a known drug can induce are to deppressed orfan loneliness as one second of this future mental state is to a month of known drugs paradisiac peaks. To think about it won’t cut it. To talk about it won’t cut it. There is only one thing that will cut it. Work. Loads of careful, conscious, extremely intelligent, precise, awesomely altruistic, and deeply rewarding work.

There are two responsible things to be done. One, which this post is all about, is divulgating, showing the smart altruistic awesome people around that there are actual things that can be done, should be done, are decisive on a massive level, and are not overdetermined by someone else’s actions with the same effects.

The other is actually devising utopia. This has many sides to it. No skilled smart person is below threshold. No desiring altruistic awesome fellow is not required. Everyone should be trying. Coordination is crucial. To increase probability of utopia, either you decrease probability of distopia, cleaning the future space available of terrible places to live, or you accelerate and increase odds of getting to a Nice Place to Live. Even if you know everything I’ve been talking about until here, to give you a good description of what devising utopia amounts to, feels like, and intends, would take about two books, a couple dozen equations, some graphs, and at least some algorithms… (here are some links which you can take a look at after finishing this reading)

This post is centralizing. If you have arrived to this spot, and you tend to see yourself as someone who agrees with one third of what is here, you may be an awesome intelligence floating around alone, which, if connected to a system, would become an altruistic engine of powers beyond your current imagination.

I’m developing transhumanism in Latin America. No, I’m not the only one. And no, transhumanism has no borders.

Regardless, I’ll be getting any work offerings (¿got time? ¿got money? ¿Got enthusiasm? send it along) in case someone feels like it. I’ll also advise (as opposed to co-work) any newcomers who are lone riders. Lone wolfs, and people who do not like working along with others in any case.

Here, have my e-mail: diegocaleiro atsymbol gmail dotsymbol com

There is a final qualification that must be done to the “¿got time?” question. Seriously, if you are an altruist, and you are smart as we both know you are. ¿What could possibly be more worth your time than the one thing that will make you counterfactually more likely to be part of those who ended up the misery of darwinian psychological tyranny, and helped inaugurate the era of everlasting quasi-immortal happiness and vast fast aghasting intelligence which defies any conception of paradise?

If you do have a proper, more than five-lined intelligent response to the above question, please, do send it to my e-mail. After all, there is no point at which I’ll be completely convinced I arrived at the best answer. I’ve only researched for 8 years on the “¿what to do?” question. To think I did arrive at the best possible answer would be to commit the Best Impossible Fallacy, and I’m past this trivial kind of mistake.

Otherwise, in case you still agree with us two hundred that transhumanism is the most moral answer to the “¿What Should I do?” question….Then —> Please send me your wishes, profile, expertise, curriculum, or just how much time do you have to dedicate to it. This post is a centralizer. I’m trying to bring the effort together, for now you know. There are others like yourself out there. We have thought up a lot about how to make a better world, and we are now working hard towards it. We need your help. The worst that could happen to you is losing a few hours with us and then figuring out that in your conception, there are actually other things which compose a better meta-level iteration of your Altruistic Awesomeness. But don’t worry, it will not happen.

Here, have my e-mail: diegocaleiro atsymbol gmail dotsymbol com

Two others have joined already. (EDIT: After Writing this text there are already six of us already) The only required skill is intelligence (and I’m not talking about the thing IQ tests measure), being a fourteen year old is a plus, not an onus. As is having published dozens of articles on artifical intelligence. Dear Altruistic Awesome, the future is yours.

But it is only yours if you actually go there and do it.

How to study?

Paul Halmos, I want to be a mathematician, pp.69

Eu poderia dizer que faço destas minhas palavras sobre como estudar. Ficam aí possíveis dicas (?), pelo menos pra divertir as idéias. Eu transcrevi do livro.

Here you sit, an undergraduate with a calculus book open before you, or a pre-thesis graduate student with one of those books whose first ten pages, at least, you would like to master, or a research mathematician (research or would-be) with an article fresh off the press – what do you do now? How do you study, how do you penetrate the darkness, how do you learn something? All I can tell you for sure is what I do, but do suspect that the same sort of thing works for everyone. It’s been said before and often, but it cannot be overemphasized: study actively. Don’t just read it; fight it! Ask your own questions, look for your own examples, discover your own proofs. Is the hypothesis necessary? Is the converse true? What happens in the classical special case? What about the degenerate cases? Where does the proof use the hypothesis? Another way I keep active as I read is by changing the notation; if there is nothing else I can do, I can at least change (improve?) the choice of letters. Some of my friends think that’s silly, but it works for me. When I reported on Chapter VII of Stone’s book (the chapter on multiplicity theory, a complicated subject) to a small seminar containing Ambrose and Doob, my listeners poked fun at me for having changed the letters, but I felt it help me to keep my eye on the ball as I was trying to organize and systematize the material. I feel that subtleties are less likely to escape me if I must concentrate on the bricks and mortar as well as gape admiringly at the architecture. I choose letters (and other symbols) that I prefer to the ones the author chose, and, more importantly, I choose the same ones throughout the subject, unifying the notations of the part of the literature that I am studying. Changing the notation is an attention-focusing device, like taking notes during lectures, but it’s something else too. It tends to show up the differences in the approaches of different authors, and it can therefore serve to point to something of mathematical depth that the more complacent reader would just nod at – yes, yes, this must be the same theorem I read in another book yesterday. I believe that changing the notation of every thing I read, to make it harmonious with my own, saves me time in the long run. If I can do it well, I don’t have to waste time fitting each new paper on the subject into the notational scheme of things; I have already thought that through and I can now go on to more important matters. Finally, a small point, but one with some psychological validity: as I keep changing the notation to my own, I get a feeling of being creative, tiny but non-zero – even before I understand what’s going on, and long before I can generalize it, improve it, or apply it, I am already active, I am doing something. Learning a language is different from learning a mathematical subject; in one the problem is to acquire a habit, in the other to understand a structure. The difference has some important implications. In learning a language from a textbook, you might as well go through the book as it stands and work all the exercises in it; what matters is to keep practicing the use of the language. If, however, you want to learn group theory, it is not a good idea to open a book on page 1 and read it, working all the problems in order, till you come to the last page. It’s a bad idea. The material is arranged in the book so that its linear reading is logically defensible, to be sure, but we readers are human, all different from one another and from the author, and each of us is likely to find something difficult that is easy for someone else. My advice is to read till you come to a definition new to you, and then stop and try to think of examples and non-examples, or till you come to a theorem new to you, and then stop and try to understand it and prove it for yourself – and, most important, when you come to an obstacle, a mysterious passage, an unsolvable problem, just skip it. Jump ahead, try the next problem, turn the page, go to the next chapter, or even abandon the book and start another one. Books may be linearly ordered, but our minds are not. Does your spouse believe everything you say? Mine doesn’t always accept my expert opinion. Once when my wife wanted to read some mathematics, I gave her the advice (about skipping) that I just expressed, and she looked skeptical. The next day, however, she showed me, pleased and excited, the preface of a pertinent book: “look, you were right, they say just what you said”. Sure enough, the preface said that a reader must not “expect to understand all parts of the book on first reading. He should feel free to skip complicated parts and return to them later; often and argument will be clarified by a subsequent remark”. What my wife didn’t notice was that “they” were not exactly a source of independent confirmation. “They” were and editorial panel, with their names listed on the title page; I was a member of the panel, and the words “they” said were in fact written by me. As long as I am musing on how I learn mathematics through the eye, I might muse a moment on learning through the ear. Lecture courses are a standard way of learning something – one of the worst ways. Too passive, that’s the trouble. Standard recommendation: take notes. Counter argument: yes, to be sure, taking notes is an activity, and if you do it, you have something solid to refer back afterward, but you are likely to miss the delicate details of the presentation as well as the pig picture, the Gestalt – you are too busy scribbling to pay attention. Counter counter-argument: if you don’t take notes, you won’t remember what happened, in what order it came, and chances are, your attention will flag part of the time, you’ll day dream, and, who knows, you might even nod off. It’s all true, the arguments both for and against taking notes. My own solution is a compromise: I take very skimpy notes, and then, whenever possible, I transcribe them, in much greater detail, as soon afterward as possible. By very skimpy notes I mean something like one or two words a minute, plus possibly a crucial formula or two and a crucial picture or two – just enough to fix the order of events, and incidentally, to keep me awake and on my toes. By transcribe I mean in enough detail to show a friend who wasn’t there, with some hope that he’ll understand what he missed. One-shot lectures, such as colloquium talks, sometimes have a bad name, probably because they are often bad. Are they useful to a student, or, for that matter, to a grown-up who wants to learn something? The something might be specific (I need to know more about the relation between the topological and the holomorphic structures of Riemann surfaces) or only a vague but chronic pain in the conscience (my mathematical education is too narrow, I should know what other people are doing and why). My own answer is that colloquium talks, even some of the very bad ones, are of use to the would-be-learner (specific or vague), and I urge my students and colleagues to support them, to go to them. Why? Partly because mathematics is a unit, with all parts interlocking and influencing each other. Everything we learn changes everything we know and will help us later to learn more. A good colloquium talk, well motivated, with a sharp central topic, well organized, and clearly explained is obviously helpful – but even a bad one can be helpful. My favorite case in point is a bad talk I heard once on topology. I didn’t understand the definitions, the theorems, or the proofs – but I heard “stable homotopy groups” mentioned and, a few minutes later, “Bernoulli numbers”. I had only the dimmest idea of what stable homotopy groups were, and an equally dim one of Bernoulli numbers – but my knowledge grew and my ability to understand mathematics (and, in particular, future colloquium talks) became greater just by listening to that odd, surprising, shocking juxtaposition. (It has become commonplace to the experts since then). It’s worth 55 wasted minutes to learn, in 5 minutes, that the theory of the zeroes of meromorphic functions has a lot to do with the distribution of prime numbers. Seminars talks are thought to be different, but they are not really. The usual notion is that the audience in a seminar consists of experts who know everything that has been proved in the subject up to the day before yesterday and are just there to see the last filigree. That notion is false; a good seminar talk is good and a bad one is bad, the same as a colloquium talk. The idea that the speaker’s technical incomprehensibilities become conceptual insights if the occasion is called a seminar instead of a colloquium is just not realistic, just not true. The “experts” present, be they colleagues working on problems similar to the speaker’s (but remember: “similar” is almost never “identical”), or graduate students trying to work their way into the arcane technicalities, get lost and impatient and bored only 30 seconds than the so-called “general” audience at a colloquium. In my opinion good seminar talks and good colloquium talks are interchangeable – and even the bad ones are worth going to. The best kind of seminar has two members. It can last five minutes – a question, followed by a partial answer and a reference – or it can be a strong collaborative bond that lasts for decades, and it can be many things in between. I am very strongly in favor of personal exchanges in mathematics, and that’s one reason I am in favor of colloquia and seminars. The best seminar I ever belonged to consisted of Allen shields and me. We met one afternoon a week, for about two hours. We did not prepare for our meetings, and we certainly did not lecture at each other. We were interested in similar tings, we got along well, and each of us liked to explain his thoughts and found the other a sympathetic and intelligent listener. We would exchange the elementary puzzles we had heard during the week, the crazy questions we were asked in class, the half-baked problems that popped into our heads, the vague ideas for solving last week’s problems that occurred to us, the illuminating comments we heard at other seminars – we would shout excitedly, or stare together at the blackboard in bewildered silence – and, whatever we did, we both learned a lot from each other during the year the seminar lasted, and we both enjoyed it. We didn’t end up collaborating in the sense of publishing a joint paper as a result of our talks – but we didn’t care about that. Through our sessions we grew… wise? … well, wiser, perhaps.

Breve autobiografia intelectual de um jovem de vinte anos.

Desde que era criança nas minhas leituras da Dialética do Esclarecimento e nas de revistas de divulgação cientifica sentia um dispare entre os dois. Quando mais tarde no colegial fui informado que teria durante minha carreira escolher entre as duas áreas, ciências humanas e naturais, aquele desconforto inocente inicial cresceu e tomou forma num desejo de unificar ambos, para não ter que escolher nenhuma das duas áreas, perdendo assim a outra. Ademais naquela época minhas leituras da Metafísica aristotélica já semeariam um desejo de universais que dêem conta de explicar vários particulares – também quanto não foram essas leituras um ponto marcante na genealogia do meu desapego ao mundo pratico. Alguns anos mais tarde, nas leituras de Hegel e eternas revisitações de Adorno percebi que um universal vazio e abstrato não se sustenta, coisa que o velho Aristóteles concordaria. Mas para alem de Aristóteles, para que este universal realmente abarque uma totalidade ele precisa estar se desenvolvendo numa negação constante que passa pelo particular, era a tensão dialética. Esta que em grande parte das ciências humanas parece ser útil para ser usada como método de analise do real. Um todo diferente se dá nas ciências exatas, um pensamento racional linear que segue uma lógica clássica e matemática, pensamento que se desvelava para mim nas leituras obcecadas e incessantes de um livro introdutório à Física Quântica.

 

Pelos pais que tive, que seguiram a carreira intelectual, quando chegou o momento da escolha do curso para a graduação havia uma certa expectativa, de minha parte principalmente, que aquilo iria afetar dramaticamente todo o resto da minha vida. Como a balança não pendia para nenhum lado em termos estritamente epistemológicos acabei escolhendo com base no grupo de pessoas que queria estar e com base em qual área recebia mais incentivo da sociedade (e de capital), talvez por essa ultima financiar mais as exatas – concedendo que capital atrai pessoas e que uma maior concorrência seleciona os melhores – as pessoas com as quais queria conviver estavam nas exatas. Disto resultou que fiz um ano do curso de Química para o meu total desapontamento com as pessoas que ali estavam, pois pareciam procurar mais o capital e a aceitação social do que o conhecimento e para piorar a própria estrutura do curso refletia isso em parte, com sua racionalidade técnica extremada que Adorno tanto critica por sua alienação extremada. Mudei para a Filosofia no outro ano.

É difícil dizer precisamente que caminhos teria percorrido na filosofia caso uma parte da minha vida não fosse dedicada ao estudo de ciências exatas. Confesso que minha habilidade natural com ciências exatas não é muito elevada, talvez sendo esse um dos motivos pelo qual mudei de rota, mas apesar disso guardo grande admiração pelo modo que essa área do conhecimento é construída. Lembro-me de um dia em que estávamos discutindo habito em David Hume, havia uma tendência a cair em discussões conceituais infindáveis quando o Diego resolveu soltar sua carta na manga e deu a explicação neurológica de porque temos hábitos. Incrível como toda aquela nevoa metafísica se desanuviou e – algo difícil no meio filosófico – se revelou algo claro, coerente e compatível com a experiência. Ao meu ver a discussão tinha se encerrado ali. De algum modo me senti numa situação análoga àquela de quando a ciência vem explicar o que os mitos tentavam dar um leve esboço tosco de explanação racional. Russell dizia que a religião trata daquilo que imaginamos, a filosofia do que não sabemos ao certo e a ciência do que sabemos com certeza. Essa visão parece diminuir a filosofia em certos aspectos, mas em outros creio que a coloca num local privilegiado de produção de conhecimento, ou seja, tornar aquilo que não sabemos em conhecimento certo. Só guardo certas ressalvas, pois a religião – aquilo que não sabemos e imaginamos – é justamente aquele tipo de conhecimento que sentimos como absolutamente certo, logo como bem lembra inúmeras vezes Adorno, é necessário o cuidado para que a ciência não recaia no mito.

 

De algum modo me causa mal estar saber que no campo do conhecimento existem duas respostas diferentes a pergunta “Como proceder diante do real?”. As ciências humanas e parte da filosofia parecem responder de um modo e as ciências exatas de outro. Essa divergência se da, ao meu ver, pois nas ciências naturais sujeito e objeto são separados e nas ciências humanas não. Segundo Adorno, esse ultimo fato justificaria o método dialético nas ciências humanas. Tentei esboçar uma unificação entre ambas as áreas em um texto meu chamado “Da unidade a contradição” mas confesso que minha saída para o problema tenha sido mais uma fuga, pois o artifício que usei foi considerar as ciências naturais enquanto produção humana, cabe considerar também em que medida as ciências humanas são produções naturais. Recentemente elaborei um texto tratando desses e outros assuntos pertinentes a uma tentativa de unificação que logo digitarei e postarei aqui no blog.

 

Se no campo da teoria objetiva ainda não encontrei satisfatoriamente uma relação entre ambas essas áreas, na minha pratica subjetiva tenho claro que as ciências naturais me fornecem parâmetros formais e de conteúdo na filosofia. Formais, pois quando os pensamentos lógicos, racionais e empiristas são passíveis de serem aplicados temos a obrigação moral de o fazer e onde eu aprendi a pensar assim foi nas ciências exatas. De conteúdo, pois existem certas áreas do conhecimento que já são conhecidas ao certo e não podem mais serem debatidas como se fossem conhecidas com duvida, como certas partes da psicologia e a existência de princípios metafísicos ocultos (Deus entre eles),  assim a contribuição é de mostrar que conteúdos simplesmente não são mais território da filosofia. Nas palavras de Adorno: “A filosofia não se transformará em ciência, mas sob a pressão dos ataques empiristas banira todos os posicionamentos que, por serem especificamente científicos, são devidos às ciências particulares e obscurecem os posicionamentos filosóficos”

 

Desta experiência de vida penso que aprendi duas coisas: (1) dedicar toda a sua existência a unificar o conhecimento humano na adolescência te faz ter crises existenciais desnecessárias para essa idade e virgem ao final do colegial. (2) Ter namoradas, vida social (por comparação) e diversões banais te faz ligeiramente mais feliz, mas burro e com saudades do tempo que lia Kant o dia todo. Dessas duas considerações concluo uma terceira: (3) tenho que achar um meio termo.

 

Retornando ao meu dilema epistêmico: cada vez que cedia a um lado sentia que traia o outro, como se fosse para a Filosofia para nunca mais voltar a Álgebra Linear e a Física. O velho Aristóteles havia, no entanto, graciosamente plantado suas sementes em mim ao definir a filosofia como “a ciência das ciências”, “a arte da sapiência”, que lida com os universais e com a causa primeira. Mesmo o nosso dicionário aponta a filosofia em primeiro lugar como “O estudo do real.” (atenção para o ponto final). Por que então hoje em dia tão freqüentemente identificamos esta nobre ciência das ciências com as ciências humanas? Por que, na USP em grau máximo, nas universidades os departamentos de filosofia parecem mais agrupados com as ciências humanas do que com as naturais? Quanta inveja da Grécia Antiga em que a physis era também tarefa de obrigação de qualquer filosofo, conjuntamente com escrever textos sobre moral e poética.

 

Recentemente, talvez um pouco a margem dessa minha busca obsessiva por unificação, retornei Nietzsche após 11 anos. Devo dizer que minha plena concordância com esse pensador me faz pensar se lá nos começos de minha infância a leitura do Zaratustra não plantou profundas raízes em minha personalidade. Sempre acreditei como Aristóteles que: “De fato, o sábio não deve ser comandado, mas comandar, nem deve obedecer a outros, mas a ele deve obedecer quem é menos sábio” ou seja, que a filosofia é a tarefa dos senhores.