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De Onde Viemos

Somos um cérebro. O jogo da vida é um jogo de habilidades, mas não é necessário ter nenhuma habilidade particular para que ele comece: disponha algumas estruturas que podem se replicar no espaço de design, e faça-as jogar algumas rodadas. Alguns designs têm maior probabilidade de emergir no espaço de design a partir de um início randômico, ¿quais são esses? São aqueles com maior aptidão, mas não em qualquer sentido não-trivial, somente no sentido tautológico de ser muito semelhante ou idêntico aos “vencedores” anteriores, que por sua vez são idênticos ou quase a seus antecessores e assim por diante. Gerações e gerações de replicadores repetem-se continuamente, por vezes fazendo cópias perfeitas, por vezes melhorias (quase cópias que se replicam ainda mais rápido), e por vezes cópias definitivamente menos autocopiadoras. Conforme os ricos se tornam mais ricos no espaço de design, algumas formas coalescem, formando coacervados, bactérias, algas azuis e eventualmente protozoários, vegetais, fungos e professores de aritmética. Nesse eônico processo de reproduzir-se os replicadores foram se tornando mais e mais complexos. A suspeita atual é que viemos do barro, como já antecipava, quem diria, a bíblia! Viemos do barro que gerou estruturas autocopiadoras que gerou RNA que gerou DNA que gerou Memes* que junto ao DNA de uma espécie particular de macaco falante nos trouxe até este ponto, em que você lê essas palavras. Devemos contemplar aqui, no uso da palavra ‘aptidão’ a possibilidade de uma definição sintática e não semântica de aptidão, isto é, uma aptidão totalmente mecânica, em oposição a uma aptidão baseada numa noção de sentido ou objetivo. Uma definição totalmente física/estrutural/sintática de aptidão, que independe de uma função particular, um sentido, uma teleologia. Durante as batalhas travadas por RNA, DNA, seus possíveis antecessores, e mais recentemente memes e memeplexos, os vencedores são aqueles que, mecanicamente, em virtude da interação entre suas estruturas, e as estruturas do ambiente ao seu redor – inclusive seus co-replicadores – conseguiram reproduzir-se melhor que variedades distintas.

A natureza não é exatamente boazinha, como diria Bertrand Russell: “O Universo pode ter um propósito, mas não há nada no nosso conhecimento que indique que esse propósito tenha qualquer semelhança com os nossos”. Nossos propósitos, nossos objetivos últimos, foram arquitetados pela seleção natural agindo sobre nossos ancestrais em dois níveis, o nível dos cromossomos, e, muito distante desse, o nível dos pensamentos. Em ambos esses níveis surgem as mais importantes estruturas replicadoras. A união do processo evo-devo biológico e da reprodução verbal ou escrita marcam a coevolução gene memética que organizou todo o design que vemos ao nosso redor nas cidades atuais e nas sociedades humanas.

Não gostamos dos memes, ou melhor, a maioria de nós não gosta do meme “meme”. A indigestão não é apenas um produto do senso comum, é sentida também pelos sociólogos, antropólogos, intelectuais de escola francesa e pós-modernistas também, e não é sem razão, a principal característica do conceito de meme é ser definidos como algo que está agindo em benefício próprio. Ora, se age em benefício próprio, se ele tem autonomia, ¿onde fica a minha autonomia, a minha individualidade? O incômodo gerado pela ideia do meme é semelhante ao gerado pela ideia do gene egoísta, é um golpe no nosso antropocentrismo. ¿Quem está disposto de bom grado a aceitar que é apenas um veículo de genes? A ideia é estranha, e não parece fazer sentido. Da mesma maneira, quando concedemos autonomia aos memes, estamos lhe dando o estatuto de entidades autônomas, os donos da bola, e isso significa que estamos tirando a autonomia de nós, pessoas. É famosa a descrição das feridas narcísicas de Freud. Copérnico nos tirou do centro do universo, Darwin nos deu primos peludos, e ele Freud, nos tirou a responsabilidade pela totalidade da nossa mente, ao postular a existência de um inconsciente. A memética pode ser pensada como a quarta ferida narcísica, pois ela nos tira do controle até mesmo de alguns processos mentais conscientes. As ideias estão se replicando em benefício próprio, e nós somos apenas os veículos de transmissão no processo, os fios condutores que garantem a reprodução e evolução delas.

Conforme nossa dupla herança se manifestava em fenótipo extendido, isso é, em nossas casas, instrumentos, instituições, móveis, ímoveis, invenções etc… fomos nos tornando algo raramente visto na natureza, organismos consumidores de energia cuja quantidade de energia disponível supera em muito a energia demandada para a sobrevivência biológica. Em qualquer cenário com iterações de um jogo evolucionário, a tendência dos indivíduos sobreviventes é o limiar mínimo para o sustento, talvez algo que conectemos com o nível de vida da África subsaariana, e não com a abundância de bens do início do séc XXI. Malthus percebeu isso na esfera econômica, e suas predições foram sistematicamente invalidadas ao longo dos dois séculos que se seguiram. O que se passa é que estamos em um período de transição, um período em que o custo de invenção é baixo e o custo de reprodução dos seres pensantes é alto. Nossos memeplexos estão evoluido mais rápido que nossos genes, e por isso vivemos em um tempo de abundância de alimento, de sustento, saúde, ornamentos e moradia. Entretanto, uma análise minuciosa da possibilidade de emulações de cérebros como os nossos numa interface de computadores no futuro, feita pelo economista e físico Robin Hanson, sugere que nossa época é a exceção e não a regra malthusiana, isto porque em breve, reproduzir uma pessoa se tonrará quase tão fácil quanto reproduzir alguns gigabites de vídeo hoje em dia através de sistes de compartilhamento. Com isso, o custo de vida desses novos indivíduos será mais baixo, eles aceitarão empregos por preços menores, e voltaremos a um estado que deixamos quando da invenção da agricultura, isto é, o estado de abundância em que a evolução não esta numa perseguição milimétrica das mudanças que provém mais energia aos indivíduos. Em outras palavras, desde o período neolítico, os humanos estão numa fase transicional de seu desenvolvimento em que é possível haver afluência material em quantidade, em particular depois da revolução industrial. Essa fase é apenas transacional porque será seguida de um período em que voltaremos a poder nos reproduzir na mesma velocidade em que inventamos maneiras de reordenar e utilizar energia. Somos cérebros ricos.

Nietzsche foi um dos primeiros a compreender de uma maneira mais naturalista o todo da natureza. Em sua época, não havia companhia para seus pensamentos, sua visão de mundo estava solitária, tamanhamente solitária que ele cria a ideia de espíritos-livres, que servem para ele como companhias intelectuais, amigos, com os quais podemos sentar, tagarelar, e rir. Os tempos de Nietzsche eram demasiado áridos intelectualmente, e sua mente estava situada no topo, onde o ar é rarefeito. Graças a Nietzsche, Russell, Darwin, Mendel, Sagan, Dawkins, Dennett, Drescher e centenas de outros, não vivemos mais num tempo onde compreender os mistérios do universo é algo que leva a solidão intelectual, e a uma angústia intempestiva diante da surdez do cosmos à nossas ansiedades. O cosmos pode não responder a nossa angústias, mas parte dele pode compartilhá-las conosco, conversar sobre elas, por vezes resolvê-las. Nós seres humanos, parte do cosmos, como seres sociais, somos capazes de compartilhar nossas angústias, de interconectar nosso mundo mental com o de outra pessoa, de empatizar, e de, ao gerar uma fundação comum, tornarmo-nos parte um do outro, em certo nível. Essa possibilidade de compartilhar e fundir, não só em pensamento, mas em emoção, no choque diante da maravilha de existir é algo de fascinante, e o poder expressivo da linguagem tem dificuldade de fazer jus a uma cena como essa (leia como se fosse o narrador):

Depois de tantas eras, dias e noites no escuro, sob camadas e camadas de lençóis e névoas, posso agora me levantar, e olhar além. Em pouco mais de vinte anos, refiz a jornada mental de toda a minha espécie, compreendi milhares de vezes mais do que um ser humano jamais poderia compreender sozinho. A herança escrita me permitiu entender o mundo que me circunda. Posso ver com uma clareza que nunca se imaginou atingir entender o que são essas mãos, esses pés, dedos. Dedos!

Convido meus amigos para sentarmos no parque, tomando nossas bebidas favoritas, num fim de tarde ensolarado. Ali, juntos, observamos ainda outra vez a queda da bola de fogo. Se a visão é mesmerizante por ela mesma, ¿o que dizer do fato de podermos nos olhar nos olhos e sentir que compartilhamos o conhecimento de que lá, distante, existe de fato uma bola gigantesca, queimando e se deixando entender por nós?

No Que Consiste Ser o Produto de Uma Dupla Herança Gene Meme

Genes e memes são parecidos em serem replicadores, em ter uma existência puramente mecanica que explicam partes complementares do design do mundo, em serem transmissíveis na vertical, isto é, de pais para filhos, e em formarem coalizões entre si que se reproduzem melhor juntas do que separadas, pense por exemplo em cromossomos e religiões, geneplexos e memeplexos que se reproduzem com um cerne comum composto de vários genes e memes respectivamente.

Genes e memes são bastante distintos no entanto, os segundos se replicando mais rápido, com menos fidelidade, na transversal bem como na vertical e constituídos por muito menos acurácia e precisão do que os genes. Essas diferenças se somam quando falamos dos intermediários entre a expressão gênica e a expressão memética, como por exemplo os traços de personalidade, ideologias, sexualidades, cortejos, seduções e demais processos psicológicos que envolvem a um só tempo uma influência da evolução biológica e da evolução cultural.

A maioria das coisas que apreciamos sobre a vida se encontram nesse lugar, que podemos chamar genomemético; O amor, a música, as artes, a beleza, o conhecimento, a contemplação, o ócio criativo, e até mesmo o trabalho se encontram nessa enorme esfera coordenada pelos genes e memes, de forma sintática e mecânica, mas ainda assim produzindo coisas impressionantes e valorosas, que por vezes em dias exaltados acabamos por identificar com os sentidos da vida.

O que nos diferencia por sermos produto de dupla herança em relação aos animais não culturais é o quanto nossas intenções estão desprendidas das intenções originais das quais são resultado. Enquanto é relativamente fácil traçar a rota entre um gene de castor, o castor, o cérebro dele, e o comando interno que o faz construir uma represa, é difícil traçar o caminho entre nossas intenções (explícitas ou implícitas) e as intenções auto-replicativas dos genes e memes que nos formaram. O caminho é sinuoso e indefinido, definido pela a coevolução de dois tipos de replicadores, e milhões de interações disponíveis no espaço de design. Os racionais por trás do comportamento de assoprar velas de um bolo são difíceis de traçar, envolvendo fatos desde ritualização biológica, até a composição e modificação da melodia da música. Nossas intenções são muito mais nossas , porque os caminhos que as conectam aos replicadores dos quais são de fato intenções é de tal maneira tortuoso que por muitas vezes, em disciplinas como a sociologia e a psicologia, é melhor tratrar de nossas intenções no nível intencional mesmo, a perspectiva intencional paga mais dividendos que qualquer outra maneira de prover um inventário da natureza humana. A análise de pessoas em termos de crenças, desejos, sonhos, vontades, ânsias, se paga com muito mais eficiência do que em termos puramente biológicos. É razoável dizer que essas categorias mentais só evoluíram enquanto algo sobre o que falamos porque eram contrações computacionalmente tratáveis de análises de comportamentos que seriam demasiado complexas e portanto intratáveis. A razão pela qual temos estados mentais tais quais são os estados intencionais, isto é; desejar, querer, supor, crer, é em parte que os mecanismos que subsidem sob esses estados tornaram-se complexos demais, e era facilitador comprimí-los em um só conceito, isento de toda a complexidade que permanece nos níveis inferiores (biológico,bio-químico, físico).

Chamemos grau de originalidade a medida de distância entre os racionais para o comportamento de um indivíduo e o comportamento dos replicadores que o geraram. Se antes estavamos nos retratando como cérebros ricos, agora podemos começar a entender que nossa riqueza nos permite desvios, delírios, contemplações do inexistente, astrologia entre outros, isto é, estamos em um momento de abundância tal que é possível aos memes de insanidades dominarem parte da memosfera, e dos genes para o delírio de dominar a biosfera, isso porque aquele que crê e age de acordo com ideologias falsas, hoje, não é punido com a morte. Não caçamos mais bruxas. O contato entre a realidade bio-física da vida, e o aproveitamento e compreensão da vida tornou-se menor do que nunca com a explosão cultural humana. Seitas, cleros, danças, ideologias políticas, são todos em parte delírios da evolução, que nos permitem dizer que existe algo que foi sim originado no nível mental, são nossos luxos e nossos delírios, e em parte são também o que nos faz humanos. Nossa humanidade pode ser identificada por várias coisas, mas talvez a mais marcante de um ponto de vista reducionista seja a distância entre os sistemas de pensamento nos quais nos envolvemos, e a motivação originária que mantém os genes e memes dos quais esses sistemas são compostos (a replicação dos traços que determinam). Somos cérebros ricos e delirantes.

Sistemas Intencionais Meméticos

Esses somos nós, primatas, visuais, emocionais, sociais, separados em várias dimensões tanto de nossas origens genéticas quanto de nossas origens meméticas. Nossa dupla herança configura um novo princípio de design nunca antes testado na natureza, que nos permite tamanha variação intercultural, e tamanha capacidade de detectar essa variação, que alguns antropólogos antigos até conseguiram esquecer nossas origens e tentaram montar uma teoria pura do Homem, uma teoria que encompassasse toda a variação potencial do humano sob um registro só seu. Evidentemente eles estavam errados, e a psicologia evolucionária e a memética estão aí para mostrar que muitos de nossos comportamentos podem sim ser conectados a seus alicerces, aos princípios fundacionais que em boa parte os regem, em suma, a racionais replicativos, cujos replicadores são, em última instância, geneplexos e memeplexos. Não apenas mitos delirantes ocupam o resto de nosso espaço mental. Nossa cognição não se divide entre “aquilo que tem valor evolutivo claro para meus replicadores internos” e “aquilo que pode ser considerado mito, delírio, ou ilusão”. É fato que simbologias místicas, religiões, e seitas se encontram na linha tenue entre Cila e Caribdis, no entanto também a ética, a estética, a arte, a apreciação do belo e o senso de justiça se encontram nessas entrelinhas. Nossa tecnologia e as razões pelas quais foi criada são, em grande parte, produtos desse “limbo” evolutivo, esse espaço escuro, por que mal explorado, que se separa dos dois mundos de explicação clara e distinta que são a genética e a sociologia memética.

Alguns sistemas saíram das rédeas de seus controladores a tal ponto que tornaram-se organizações independentes, como grandes empresas, times de futebol, a igreja, institutos de ética e companhias de teatro. Pólos estes em que cada indivíduo, em seu gênio e criatividade, é substituível, sistemas cujas intenções são o fim de si próprias, e sobrevivem a saída de qualquer de seus membros. Se o artilheiro desiste da bola, se o Papa torna-se ateu, se o ator falta, outro artilheiro é encontrado, outro papa é eleito, outro ator o substitui, o sistema, em sua organicidade, se molda ao redor daquela falta, porque o sistema, ele mesmo, tem suas vontades, desejos, razões de ser, que sobrevivem a seus originadores. São sistemas intencionais culturais, ou Sistemas Intencionais Meméticos. Eles possuem a maioria das características dos sistemas intencionais que conhecemos, animais e pessoas. A forma de recortá-los para encontrar o que é um “desejo” uma “crença” ou uma “intenção” é distinto da maneira como recortamos as pessoas para apreendê-las enquanto sistemas intencionais, mas isso se dá, principalmente porque já somos naturalmente equipados com a empatia para lidar com pessoas, utilizando nossa teoria da mente – nossa capacidade de abstrair outras mentes – para analisá-las. Os Sistemas Intencionais Meméticos constituem boa parte daquilo com que interagimos, quando vemos alguém na qualidade de representante de empresa, enquanto padre, ou representando um grupo de cientistas. Somos cérebros ricos, delirantes e que frequentemente interagem com Sistemas Intencionais Meméticos e com outras pessoas, outros cérebros ricos e delirantes.

* O conceito de “memes”, unidades replicativas de elementos da cultura nomeadas por Dawkins, vale-se das seguintes perguntas ¿Quais estruturas possíveis poderiam provocar o surgimento e manutenção da cultura, sem serem elas mesmas estruturas culturais? ¿Como fugir da circularidade de explicar o surgimento e complexificação da cultura a partir de uma entidade não essencialmente cultural? Exemplos de memes: Celibato, Vontade de se matar por sua religião, Comer a carne dos mortos , E=MC²,“A união faz a força”, “Bond, James Bond”, Facebook.

Nootrópicos: rompendo o status quo bias

Nootrópicos: rompendo o status quo bias

Nootrópicos são definidos como substâncias que aumentam a nossa capacidade cognitiva, seja por um aumento na memória, motivação, atenção ou concentração. Eles são usados pela humanidade há milhares de anos, no entanto, recentemente inúmeros novos compostos mais eficientes têm sido descobertos. A pesquisa desta classe de substâncias tende a ser orientada aos indivíduos com deficiências mentais. Só muito recentemente têm surgido pesquisas em indivíduos saudáveis. É um campo com potencial ainda pouco explorado. A razão pela qual esse tema deve entrar no pool memético geral da sociedade é muito simples: os benefícios em potencial deste grupo de substancias são enormes. A idéia de aumentar nossa capacidade cognitiva vem do reconhecimento de uma antiga falácia: a do “melhor impossível”. Aquela que diz que a evolução fez o melhor serviço possível e não devemos interferir no seu trabalho. Essa falácia tem inúmeros aspectos e está ligada a um dos bias cognitivos que temos: o status quo bias. Verificou-se em vários experimentos que os indivíduos têm uma tendência a não modificar a situação atual, mesmo quando essa modificação é benéfica. Mas existem inúmeras razões para querer melhorar o trabalho da evolução: os interesses da evolução são diferentes dos nossos (i.e: para e evolução funcionar temos que morrer, mas não queremos morrer), o ambiente em que vivemos é diferente do da evolução (i.e.: nossa cognição foi moldada para viver em grupos de centenas de pessoas na savana africana e nossa capacidade de planejamento cai exponencialmente com o tempo, no entanto vivemos numa sociedade moderna e populosa em que temos que prever como o mundo será no longo prazo) e a evolução pode ficar presa num ótimo local (i.e.: o apêndice poderia não existir e então não inflamar, mas para isso teria de diminuir gradualmente e passar por um tamanho que inflama mais).

Alguns exemplos de nootrópicos antigos são: café, chocolate e cigarro. Entre os mais recentes temos: Ritalina, Anfetaminas, Modafinil, Piracetam, etc. A seguir listarei alguns nootrópicos conhecidos e falarei um pouco sobre o seu funcionamento. Eles estão separados em 3 seções: Concentração, Memória e Outros

Concentração

Modafinil/Stavigile

Está ligado à histamina (neurotransmissor que regula o sono) faz aumentar todos os outros neurotransmissores, em ordem decrescente de aumento: dopamina, noerpinefrina, acetilcolina e serotonina. Histamina é um dos neurotransmissores do sistema ativador reticular ascendente, que vai do tálamo e tem projeções difusas excitatórias para todo o córtex. Produz mais uma calm-wakefullness do que um sentimento de concentração tensa mais característica dos outros nootrópicos para concentração. Acredita-se que existem dois sistema diferentes de ativação no cérebro, um ligado ao estado de vigilância estimulada que é ativada quando temos de lidar com algum perigo externo ou lidar com alguma preocupação;  outro esta ligado a uma vigilância mais calma, um estado desperto que envolve o pensamento criativo e a capacidade de resolver problemas. O primeiro sistema está correlacionado as catecolaminas – dopamina e norepinefrina – enquanto que o segundo está ligado a histamina.

Vigilância EstimuladaVigilância Calma

Vigilância Calma
Vigilância Estimulada

Existem ao menos 4 estudos em indivíduos saudáveis. Um deles é um grande estudo com mais de 300 pessoas. Todos os estudos obtiveram resultados positivos com pouquíssimos efeitos colaterais como insônia numa incidência de 2% maior que no placebo. Todos os estudos obtiveram resultados positivos com pouquíssimos efeitos colaterais como um pequeno aumento da pressão arterial. Em todos os estudos se comprovou o aumento da memória de trabalho verbal e numérica. Houve um aumento do tempo de resposta nos testes, mas também um aumento significativo na taxa de acertos. Ele parece diminuir a impulsividade. Outros dois estudos do exército em pilotos que mostram um aumento considerável do desempenho em simulações de 40 e 36h com indivíduos sem dormir. Nesses estudos, após 24h sem dormir, foi ministrado 100mg de Modafinil a cada 4h para os pilotos. Atinge-se o pico de concentração plasmática em 2-3h e tem meia vida de 12h (mas o efeito diminui antes).

Imagem PET-SCAN mostrando o uso do sistema dopaminergico.
Imagem PET-SCAN mostrando o uso do sistema dopaminergico no Striatum. Com Modafinil a esquerda e sem a direita.

Ritalina

Inibibe fortemente a recaptação de dopamina e levemente a de noerpinefrina. Age principalmente no dorso-ventro lateral, região ligada primordialmente à memória de trabalho e à recuperação de memória de longo prazo.

A dopamina é o neurotransmissor ligado a concentração e as funções executivas do cérebro a age primordialmente no cortex prefrontal. Aqui temos uma imagem das projeções dos neurônios dopaminergicos:

Projeções dopaminergicas
Projeções dopaminergicas

Esses neurônios parte das regiões mais profundas do cerebro como striatum – região ligada ao controle mortor – e se projetam para o córtex prefrontal.

Quando um neurônio transmite um impulso nervoso para outro ele não pode transmitir a despolarização elétrica diretamente, pois existe um espaço entre os neurônios chamados sinapse. Para que a transmissão ocorra o neurônio pré-snaptico secreta na fenda sináptica os neurotransmissores que ficam guardados em vesículas que são expelidas na membrana celular. Uma vez lançada na sinapse pelo neuronio pré-sinaptico o neurotransmissor entre em contato com os receptores dos neurônios pós sinapsticos e influencia diretamente (no caso de receptores inotropicos – ou indiretamente – no caso de GPCR – o fluxo de cátions para o interior do neurônio o que inicia a condução do impulso nervoso no neurônio pós-sinaptico. Para que o impulso não seja transmitido ad infinitum  existem inúmeros modos para que o neurotransmissor seja retirado da sinapse como difusão e a recaptação do neurotransmissor, que consistente no seu retorno ao neurônio pré-sinaptico para uso futuro.

Transmissão do impulso na sinapse e recapação.
Transmissão do impulso na sinapse e recapação.

A ritalina inibe essa receptação e mantem a dopamina na fenda sináptica por mais tempo, proporcionando uma ativação do sistema executivo do cérebro:

Bloqueio da recaptação da dopamina pea Ritalina - ignorar anfetaminas
Bloqueio da recaptação da dopamina pea Ritalina - ignorar anfetaminas

Existem diversos estudos, alguns apontando um ganho de até 6 pontos de QI em indivíduos com DDA. Em indivíduos saudáveis há um aumento das memórias de trabalho numérica, verbal e espacial. Pico de concentração plasmática em 1h e meia vida de 3h.

É um dos nootrópicos mais conhecidos e utilizados. Estima-se que 10% da população americana com menos de 20 anos faz uso da droga. O uso continuado por mais de 10 anos pode acarretar problemas cardíacos em pessoas com predisposição. Tem potencial de abuso.

PET-SCAN mostrando a ocupancia dos recaptadores de dopamina. Azul indica ocupado e vermelho livre.
PET-SCAN mostrando a ocupancia dos recaptadores de dopamina. Azul indica ocupado e vermelho livre.

Selegiline

Inibe irreversivelmente um catalisador da oxidação de dopamina e norepinefrina (MAO-B), o que significa que o corpo tem que fabricar de novo o catalisador para que o efeito da droga passe.  Age sinergicamente com drogas que aumentam o nível de dopamina (como a maioria das drogas ativadoras) e pode dar overdose. A MAO-B não está presente na fenda sináptica, é intracelular e ligada ao lado externo das mitocôndrias.

Não existe nenhum estudo com indivíduos saudáveis comprovando a eficácia. Apesar disso têm-se mostrado inúmeras propriedades neuroprotetoras desta substancia, pois diminui a concentração de inúmeros compostos neurotoxicos encontrados naturalmente no cérebro. Alem disso a queda de produção de uma enzima responsável por degradar a MAO-B após o 40 anos é responsável por uma diminuição da concentração de dopamina na Substantia Nigra o que leva a uma redução da massa cerebral nessa área e a uma queda da saúde do individuo. A Selegiline, ao inibir a MAO-B, pode diminuir essa taxa de redução.

MAOI - funcionamento
MAOI - funcionamento

Aderall

Coctel de anfetaminas. Aumenta a produção e inibe a degradação de: dopamina, norepinefrina e um pouco serotonina. Aumenta concentração de dopamina, noradrenalina e serotonina na fenda sináptica, inibindo a recaptação e causando o efluxo desses neurotransmissores revertendo os transportadores dos mesmos.

São sais de anfetamina, cada um dos quatro sais com uma liberação em tempo diferente do outro, pra manter níveis sanguíneos constantes ao longo do dia. Tem potencial de abuso.

Cafeína

Um dos mais antigos, mais usados e piores nootrópicos. Mimetisa o neutransmissor adenosina e se liga ao seu receptor o inabilitando. A adenosina tem um papel inibitório no cérebro, ela é um dos metabólitos da quebra do ATP e sinaliza uma baixa disponibilidade deste no cérebro. Alem disso a cafeína e seus metabólitos aumentam as concentrações plasmáticas de adrenalina, com isso aumentando os batimentos cardíacos, pressão sanguínea e stress. Como resultado, a longo prazo ela aumenta a incidência de infartos. Após longo período de uso se desenvolve tolerância e a interrupção causa depressão, irritabilidade e sonolência.

L-Tirosina

Aminoácido, precursor de dopamina. Aumenta as concentrações de dopamina levemente. Estudos revelam desempenho semelhante a anfetaminas em pessoas sem dormir.

Complexo B

As vitaminas B1, B6, B2 e o acido pantenóico são cofatores na produção de dopamina, mas o fator limitante é a tirosina. Vitamina B6 em doses altas pode causar neuropatia das raízes dorsais da medula. O máximo indicado é 100mg de B6 por dia.

Memória

Aricept/Donepezil

Inibe reversivelmente um catalisador da hidrolise da acetilcolina. Tem pelo menos 3 estudos em individuados saudáveis, todos mostrando efeitos positivos na memória e aprendizado.  Tem um estudo com pilotos que demonstrou uma maior habilidade de reter o aprendizado de procedimentos complexos do que o grupo controle após 1 mês de uso. Outro estudo com indivíduos saudáveis demonstrou um aumento da memória episódica visual e verbal, um dos indivíduos reportou fortes dores de cabeça. Há um aumento da incidência de sonhos lúcidos.

A acetilcolina é o neurotransmissor ligado a memória de longo prazo. Ela age primordialmente no striatum e no hipocampo. Aqui podemos observar as projeções dos neurônios colinergicos:

Projeções Colinergicas
Projeções Colinergicas

As teorias mais recentes sobre o seu funcionamentos dizem que ela tem um papel ativador na codificação e armazenamento da informação recebida e um papel inibitório no processamento de fundo:

Funcionamento da Acetilcolina (ACh)
Funcionamento da Acetilcolina (ACh)

A acetilcolinesterase é a enzima que quebra a aceilcolina a inabilitando, o aricept inibe a ação desta enzima:

Acetilcolinesterase - Enzima Inibida pela Aricept
Acetilcolinesterase - Enzima Inibida pela Aricept

Racetans

Os Racetans são uma classe de compostos que têm efeito sob a memória de longo prazo e a atenção. Seu membro mais conhecido é o Piracetam, que foi um dos primeiros nootrópicos a ser sintetizado na década de 60 e deu origem ao termo.

Piracetam: Não se sabe direito o mecanismo de funcionamento, possivelmente ele estabiliza a membrana celular e faz as bombas Na/K funcionar melhor, aumenta níveis de acetilcolina e aumenta a circulação de sangue para cérebro. É neuroprotetor e protege contra derrame, pois é um anticoagulante que atravessa a membrana hematocefalica. Tem 1 estudo antigo com 10 indivíduos saudáveis que mostrou aumento da memória verbal de longo prazo após 2 semanas de uso.

Oxiracetam: Semelhante ao piracetam, mas 4 vezes mais potente. O efeito dura cerca de 4-6h.

Pramiracetam: Até 30 vezes mais potente.

Outros exemplos: Phenylpiracetam, Etiracetam, Levetiracetam, Nefiracetam, Nicoracetam, Rolziracetam, Nebracetam, Fasoracetam, Imuracetam, Coluracetam, Dimiracetam e Rolipram.

n2og0y (1)

Anirecetam: Aumenta atividade do AMPA, receptor de glutamato. O efeito dura cerca de 2h. Cerca de 8 vezes mais potente que o piracetam. O glutamato está ligado a plasticidade cerebral, ao aprendizado e a memória e determina a formação de sinapse do desenvolvimento do cérebro. Ele é um dos neutroasmissores mais ambundantes.

Projeções glutaminergicas
Projeções glutaminergicas

O aniracetam inaugurou a pesquisa de compostos conhecidos como AMPAkines, agonistas do receptor AMPA. São compostos ainda experimentais mas que demonstram ter pouquíssimos efeitos colaterais. Alguns exemplos: CX-546, CX-516, CX-614, LY-392,098, LY-404,187, LY-451,646 e LY-503,430

Outros

Arcalion: Esta envolvido no sistema ativador reticular. Aumenta a densidade de receptores de dopamina e a densidade de glutamato. Tem um efeito, ainda pouco comprovado, na memória e na atenção

Vasopressina: Hormônio que melhora a circulação de sangue no cérebro. Também conhecido como hormônio antidiurético.

Vinpocetina: Vasodilatador cerebral, aumenta a circulação dos vasos sanguíneos cerebrais e a memória de médio prazo.

Nicotina: Aumenta o funcionamento dos receptores de Acetilcolina e a concentração. A substância mais letal já conhecida pela humanidade.

Lecitina/Colina: Precursor de acetilcolina. Aumenta a concentração de acetilcolina levemente. A colina pura é muito mais eficaz, pois está em maior concentração.

Vitamina B5: Cofator de síntese de acetilcolina.

Creatina: Aumenta disponibilidade de energia no cérebro. É a principal fonte energética do mesmo.

Coenzima Q10: Aumenta disponibilidade de energia no cérebro, tem papel no ciclo de Krebs na mitocôndria (e faz bem pra um bando de outras coisas).

Aspectos Éticos

Cafeína, Nicotina e Ritalina desenvolvem dependência e aumentam o risco de infarto. Nicotina em especifico é o maior fator de risco de todas principais causas de morte conhecidas. Modafinil, Aricept, Piracetam e outros apresentam efeitos colaterais pouco graves com uma incidência baixa, não desenvolvem tolerância e não viciam. Piracetam em especifico é uma das substancias menos tóxicas conhecidas e é neuroprotetor. Apesar dessas informações serem largamente conhecidas no meio cientifico a população se recusa a uma mudança de habito por influencia do status quo bias e as drogas com maior incidência de efeitos colaterais e menos eficientes continuam a serem mais usadas em vez das com menos efeitos colaterais e mais eficientes. A população em geral tem uma grande dificuldade de comparar o custo/beneficio do que ja vem fazendo (uso de café e nicotina) comparados com o que poderia estar fazendo (modafinil, aricept, etc..).

Termino com uma citação do fundador do transhumanismo, Nick Bostrom (disponivel em audio):

“There are three ways to contribute to scientific progress. The direct way is to conduct a good scientific study and publish the results. The indirect way is to help others make a direct contribution. Journal editors, university administrators and philanthropists who fund research contribute to scientific progress in this second way. A third approach is to marry the first two and make a scientific advance that itself expedites scientific advances. The full significance of this third way is commonly overlooked.

It is, of course, widely appreciated that certain academic contributions lay the theoretical or empirical foundations for further work. One reason why a great scientist such as Einstein is celebrated is that his discoveries have enabled thousands of other scientists to tackle problems that they could not have solved without relativity theory. Yet even this deep and beautiful theory is, in one sense, very narrow. While relativity is of great help in cosmology and some other parts of physics, it is of little use to a geneticist, a palaeontologist, or a neuroscientist. General relativity theory is therefore a significant but not a vast contribution to the scientific enterprise as a whole.Some findings have wider applicability. The scientific method itself — the idea of creating hypotheses and subjecting them to stringent empirical tests — is one such.

Many of the basic results in statistics also have very wide applicability. And some scientific instruments, such as the thermometer, the microscope, and the computer, have proved enormously useful over a wide range of domains. Institutional innovations — such as the peer‐reviewed journal — should also be counted. Those who seek the advancement of human knowledge should focus more on these kinds of indirect contribution. A “superficial” contribution that facilitates work across a wide range of domains can be worth much more than a relatively “profound” contribution limited to one narrow field, just as a lake can contain a lot more water than a well, even if the well is deeper.

No contribution would be more generally applicable than one that improves the performance of the human brain. Much more effort ought to be devoted to the development of techniques for cognitive enhancement, be they drugs to improve concentration, mental energy, and memory, or nutritional enrichments of infant formula to optimize brain development. Society invests vast resources in education in an attempt to improve students’ cognitive abilities. Why does it spend so little on studying the biology of maximizing the performance of the human nervous system?

Imagine a researcher invented an inexpensive drug which was completely safe and which improved all‐round cognitive performance by just 1%. The gain would hardly be noticeable in a single individual. But if the 10 million scientists in the world all benefited from the drug the inventor would increase the rate of scientific progress by roughly the same amount as adding 100,000 new scientists. Each year the invention would amount to an indirect contribution equal to 100,000 times what the average scientist contributes. Even an Einstein or a Darwin at the peak of their powers could not make such a great impact. Meanwhile others too could benefit from being able to think better, including engineers, school children, accountants, and politicians.

This example illustrates the enormous potential of improving human cognition by even a tiny amount. Those who are serious about seeking the advancement of human knowledge and understanding need to crunch the numbers. Better academic institutions, methodologies, instrumentation, and especially cognitive enhancement are the fast tracks to scientific progress.” (Nick Bostrom)

Referencias:

Artigos em farmacologia (maioria pós-2002):

Activation of the reticulothalamic cholinergic pathway by the major metabolites of aniracetam

Aniracetam enhances cortical dopamine and serotonin release via cholinergic and glutamatergic mechanisms in SHRSP

Aniracetam in the treatment of senile dementia of Alzheimer type (SDAT) results of a placebo controlled multicentre clinical study

Aniracetam Reversed Learning and Memory Deficits Following Prenatal Ethanol Exposure by Modulating Functions of Synaptic AMPA Receptors

Antidepressant-like effects of aniracetam in aged rats an tis mode of action

Cholinergic enhancement of episodic memory in healthy young adults

Cognitive enhancing effects of modafinil in healthy volunteers

Deprenyl (Selegiline), a Selective MAO-B Inhibitor with Active Metabolites; Effects on Locomotor Activity, Dopaminergic Neurotransmission and Firing Rate

Donepezil and flight simulator performance Effects on retention of complex skills

Donepezil and Related Cholinesterase Inhibitors as Mood and Behavioral Controlling Agents

Donepezil for dementia due to Alzheimer’s disease (Review)

Donepezil Improves Cognitive Performance in Healthy Pilots

EEG-tomographic studies with LORETA on vigilance differences between narcolepsy patients and controls and subsequent double-blind,placebocontrolled studies

Effect of repeated treatment with high doses of selegiline on behaviour, striatal dopaminergic transmission and tyrosine hydroxylase mRNA levels

Effect of selegiline on dopamine concentration in the striatum of a primate

Effects of aniracetamn term on delayed matching-to-sample performance of monkeys and pigeon

Effects of modafinil on cognitive and meta-cognitive performance

Effects of modafinil on vestibular function during 24 hour sleep deprivation

Effects of modafinil on working memory processes in humans

Effects of selegiline alone or with donepezil on memory impairment in rats

L-Methamphetamine and selective MAO inhibitors decrease morphinereinforced and non-reinforced behavior in rats; Insights towards selegiline’s mechanism of

Mania associated with donepezil

Modafinil improves rapid shifts of attention

Modafinil Improves Symptoms of Attention-DeficitHyperactivity Disorder across Subtypes in Children and Adolescents

Donepezil and related cholinesterase inhibitors as mood and behavioral controlling agents

Enantioselective determination of modafinil in pharmaceutical formulations by capillary electrophoresis, and computational calculation of their inclusion complexes

Pharmacokinetic study of aniracetam in elderly patients with cerebrovascular disease

Psychoactive Drugs and Pilot Performance A Comparison of Nicotine, Donepezil, and Alcohol Effects

Pyrrolidone derivatives

Reinforcing effects of modafinil influence of dose and behavioral demands following drug administration

Relevance of Donepezil in Enhancing Learning and Memory in Special Populations A Review of the Literature

Selegiline’s neuroprotective capacity revisited

Site-specific activation of dopamine and serotonin transmission by aniracetam in the mesocorticolimbic pathway of rats

Synergistic effects of selegiline and donepezil on cognitive impairment induced by amyloid beta (25-35)

The effects of Modafinil on Aviator Performance during 40 hours of continuous wakefulness A UH-60 helicopter simulator study

The efficacy of modafinil for sustaining alertness and simulator flight performance in F-117 pilots during 37 hours of continuous wakefulness

The Glutamate Receptors

Trophic effects of selegiline on cultured dopaminergic neurons

NCAM in Long-Term Potentiation and Learning (Hartz, forthcoming)

Reversal of cognitive deficits by an ampakine (CX516) and sertindole in two animal models of schizophrenia—sub-chronic and early postnatal PCP treatment in attentional set-shifting (Broberg, forthcoming)

Enantioselective determination of modafinil in pharmaceutical formulations by capillary electrophoresis, and computational calculation of their inclusion complexes (Azzam, forthcoming)

Livros de Neurociência:

Foundations in Evolutionary Cognitive Neuroscience (Platek, 2009)

From Molecules to Networks, Second Edition: An Introduction to Cellular and Molecular Neuroscience (Byrne, 2009)

Fundamental Neuroscience, Third Edition (Squire, 2008)

Neurotransmitters and Neuromodulators – Handbook of Receptors and Biological Effects (Wiley, 2006)

Acetylcholine in the Cerebral Cortex, Progress in brain research (Descarries, 2004)

Neurotransmitters, Drugs and Brain Function (Webster, 2001)

Artigos em Neuroética:

Cognitive Enhancement, Lifestyle Choice or Misuse of Prescription Drugs? (Racine, forthcoming)

Smart Policy: Cognitive Enhancement and the public interest (Bostrom, forthcoming)

Cognitive Enhancement: Methods, Ethics, Regulatory Challenges (Bostrom and Sandberg, 2009)

Human Enhancement Ethics: The State of the Debate (Bostrom and Savulescu, 2009)

The Wisdom of Nature: An Evolutionary Heuristic for Human Enhancement (Bostrom and Sandberg, 2009)

The Normativity of Memory Modification (Sandberg, 2008)

Converging Cognitive Enhancements (Bostrom and Sandbeg, 2006)

‘Smart Drugs’ do they work Are they ethical Will they be legal (Rose, 2002)