Abominação

Peguei isso do Hermenauta, ele é bom nisso.

Mas veio do blog do Reinaldo Azevedo. Eu acho que nem merece comentários. É só ver os talentos e a crítica de tradução do homem para ter certeza que homem aqui é um eufemismo por falta de vocábulo melhor para forma de vida tão rastejante.

CHE GUEVARA, A VEJA E A ANATOMIA DE UMA FARSA ESQUERDOPATA

A canalha está em festa. No dia 3 de outubro, a revista VEJA publicou um excelente texto de Diogo Schelp, editor de Internacional, e Duda Teixeira por ocasião dos 40 anos da morte do Porco Fedorento e mito sexual das esquerdas Che Guevara — aquele do tal “endurecer sem perder a ternura”. Já que tudo em Che vira mercadoria barata — até seus biógrafos —. a frase deveria ser adotada como lema do Viagra. Uma das fontes usadas como referência no texto (íntegra aqui) foi o livro Che Guevara – Uma Biografia, do americano Jon Lee Anderson.

O link está aí, aberto a quem quiser ler. O nome de Anderson foi citado apenas duas vezes na reportagem. Schelp e Teixeira ouviram muitas outras pessoas. E, até onde se sabe, Anderson não se tornou dono do biografado. Mas ele não gostou da reportagem, que diz ter lido, e mandou a um grupo de jornalistas brasileiros um e-mail supostamente enviado a Schelp — nunca chegou — que é um monumento à prepotência e à vaidade ferida. Mas os adoradores de Che da imprensa brasileira foram tomados de ternura pela dureza do americano… Fizeram a festa em seus bloguinhos mixurucas, divulgando, ademais, uma tradução energúmena do texto de um vagabundo moral.

Esta mensagem que segue, em inglês, é a versão que está circulando por aí e que nunca entrou na caixa de mensagens do editor de VEJA. Na seqüência, leiam a tradução petralha e depois a do está, de fato, escrito. Ainda voltarei. Estamos no começo da revelação de uma impostura.

Dear Diogo,
I was intrigued as to why I never heard back from you when I replied to this email you sent me (see below). And then I saw the article you wrote in Veja, which was the most one-sided perspective on a contemporary political figure I have seen in a long time. It was precisely this kind of highly-editorialized reporting, either hagiographically in favor, or — as in your case — demonizingly against, that led me to write my biography. I sought to put some flesh and blood on Che’s overly-mythified bones in order to understand what kind of person he really was. What you have written is an OpEd piece camouflaged as a piece of accurate journalism, which, of course, it is not. Honest journalism, to my knowledge, involves incorporating different sources of information and perspectives, and attempting to place the person or situation you are writing about into context, so as to educate your readers with at least a semblance of objectivity. What you have done with Che is equivalent to writing about, say, George W. Bush, and relying almost entirely on quotes from Hugo Chavez and Mahmoud Ahmadinejad to bolster your own point of view. I am, glad, in the end, that you did not follow up with me for the interview, because I would have spoken to you in good faith, under the mistaken assumption that you were a serious journalist, and an honest colleague. And In that assumption, I would have been sadly mistaken. Please feel free to publish my letter in Veja if you wish.
Yours, Jon Lee Anderson

A VERSÃO PETRALHA QUE CIRCULA NA REDE

Caro Diogo,
Fiquei intrigado quando você não me procurou após eu responder seu email. Aí me passaram sua reportagem em Veja, que foi a mais parcial análise de uma figura política contemporânea que li em muito tempo. Foi justamente este tipo de reportagem hiper editorializada, ou uma hagiografia ou – como é o seu caso – uma demonização, que me fizeram escrever a biografia de Che. Tentei pôr pele e osso na figura super-mitificada de Che para compreender que tipo de pessoa ele foi. O que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é. Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever sobre George W. Bush utilizando apenas o que lhe disseram Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista. No fim das contas, estou feliz que você não tenha me entrevistado. Eu teria falado em boa fé imaginando, equivocadamente, que você se tratava de um jornalista sério, um companheiro de profissão honesto. Ao presumir isto, eu estaria errado. Esteja à vontade para publicar esta carta em Veja, se for seu desejo.

O QUE ELE DE FATO ESCREVEU

Caro Diogo,
Estava intrigado de não ter recebido notícias suas depois de ter respondido ao e-mail que você me enviou (segue abaixo). Aí eu vi a reportagem que você escreveu na VEJA, a mais unilateral perspectiva de uma figura política contemporânea que vi em muito tempo. Foi precisamente esse tipo de reportagem super-editorializada, ou uma hagiografia a favor ou – como é o seu caso – uma demonização contra, que me levou a escrever a minha biografia. Procurei pôr um pouco de humanidade na figura supermitificada de Che para entender que tipo de pessoa ele realmente foi. O que você escreveu foi um texto opinativo disfarçado de jornalismo cuidadoso, coisa que evidentemente não é. Jornalismo honesto, segundo meus critérios, implica incorporar diferentes perspectivas e fontes de informação, uma tentativa de pôr a pessoa ou situação sobre as quais se escreve em seu contexto com o objetivo de educar os leitores com um mínimo de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever, digamos, sobre George W. Bush confiando quase inteiramente nas aspas de Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista. Estou contente, por fim, que você não tenha insistido comigo para fazer a entrevista. Eu teria falado com você de boa fé, na suposição errada de que você fosse um jornalista sério, um companheiro honesto. E, nessa suposição, eu estaria tristemente errado. Esteja à vontade para publicar esta carta na VEJA se desejar.
Cordialmente,
Jon Lee Anderson.

A canalha
A canalha pôs na rede um e-mail sem nem mesmo tentar falar com Schelp para saber o que havia acontecido, se as coisas eram como relatava o outro. Ora, pra quê? Observem que negritei algumas palavras das duas versões. “Flesh and blood” vira “pele e osso”??? Não vira. A expressão quer dizer “humanidade”, “natureza humana”, no sentido de que é o oposto do mito — de que ele fala em seguida. “One-sided” quer dizer “unilateral”, não “parcial”. “Accurate journalism” é “jornalismo cuidadoso”, “acurado” — se quiserem uma palavra de mesma raiz. Ora, dirão, é a mesma coisa. NÃO!!! “Imparcialidade” é o mantra petista empregado para satanizar os veículos de imprensa que não fazem a vontade do partido. Anderson não afirma estar feliz por não ter sido entrevistado. Ao contrário. Ele está infelicíssimo. Ele finge estar contente — e a vaidade ferida fica evidente — é com o fato de o jornalista brasileiro não ter INSISTIDO na entrevista. Está na cara que se sentiu desprestigiado. Adiante, falo mais algumas coisas sobre este senhor.

Fiz o que a canalha não fez. Procurei Schelp. Só consegui falar com ele ontem à noite. Queria saber o que tinha acontecido na sua correspondência com Anderson e se havia respondido. Sim. Discreto, avesso a holofotes, ético, não queria me passar a resposta que mandou ao outro. Insisti. Eu o convenci de que estava sendo vítima de uma tentativa nojenta de linchamento, promovida por anões morais. Na conversa, ele me contou algumas outras coisas. Já chego lá. Seguem a resposta do editor da VEJA em português e em inglês. Ainda volto.

Caro Anderson,
Eu fiquei me perguntando, depois de lhe enviar um e-mail pedindo (educadamente) uma entrevista, por que nunca recebi uma resposta sua. Agora sei que a mensagem deve ter-se perdido devido a algum programa antispam ou por qualquer outra questão tecnológica. Também não recebi sua “carta” – talvez pelo mesmo problema. Tudo isso não tem a menor importância agora porque você resolveu o assunto valendo-se dos meios mais baixos – um e-mail circular. O que lhe fez pensar que tinha o direito de tornar pública nossa correspondência, incluindo a mensagem em que eu (educadamente) pedia uma entrevista? Isso, caro Anderson, é antiético. Vindo de alguém que se diz um jornalista, é surpreendente. Você pode não gostar da reportagem que escrevi; ela pode ser boa ou ruim, bem-escrita ou não, editorializada ou não – mas não foi feita com os métodos antiéticos que você usa. Eu respeito a relação entre jornalistas e fontes. Você não. E mais: parece-me agora que você é daquele tipo de jornalista que tem medo de fazer uma ligação telefônica (assim são os maus jornalistas), já que tem meu cartão de visita e conhece meu número de telefone. Se você tinha algo a dizer sobre a reportagem — e já que sua mensagem não estava chegando a seu destino — poderia ter me ligado.
Eu não sei que tipo de imagem de si mesmo você quer criar (ou proteger) negando os fatos que o seu próprio livro mostra, mas está claro agora que é a de alguém sem ética. Você pode ficar certo de que não aparecerá mais nas páginas desta revista.
Sem mais,
Diogo Schelp

Mr. Anderson,
I was wondering, after I sent you an email asking (kindly) for an interview, why I never got an answer from you. Now I know that the message must have been lost because of these anti-spam programs or any other technological reason. I also didn´t receive your “letter” – maybe because of the same problem. All this doesn´t matter anymore, because you decided to solve the issue through the lowest means – a circular email list. What in the world made you think that you had the right to make public our message exchange, including the message where I (kindly) asked for an interview with you? This, Mr. Anderson, is unethical. Coming from someone who calls himself a journalist, it´s astonishing. You may not like the article I wrote; it may be good or bad, well written or not, editorialized or not – but it was not made with the unethical means that you use. I respect the relationship between journalists and sources – you don´t. And more: it seams now to me that you are that kind of journalist that is afraid of making a phone call (I mean that kind of bad journalist), since you have my businesscard and know my phone number. If you had something to say about the article, and since your message was not arriving, you could have called.
I don´t know what kind of personal image you want to create (or protect) denying the facts that your own book shows, but it´s clear now that it is an unethical one.
You can relly on the fact that you are not going to appear in the pages of this magazine again.
Best,
Diogo Schelp

Voltei
Eis aí. Se Anderson mandou mesmo a primeira resposta, ela não chegou. Assim como não chegou a segunda, o que é, para dizer pouco, estranho. De todo modo, ele tinha os telefones do jornalista brasileiro. Já haviam almoçado juntos na Editora Abril. Fosse para dar uma resposta, fosse para manifestar o seu desagrado, poderia ter telefonado. Não o fez. E não o fez porque não tinha nenhum direito de fazê-lo. E se Schelp tivesse desistido de falar com ele? Não poderia? Por que raios seria obrigado a ouvi-lo? Ele não queria conversar, mas expedir a sua fatwa.

Anderson é um canalha. Não pensem que ele mandou o e-mail a Schelp com cópia para todos os outros. Nada disso. Na versão aos “companheiros”, foi também enviada uma introdução, esta que segue: “Fyi, friends — see below my letter to Diogo Schelp of Veja, who published a scurrilous hatchet job on Che Guevara a couple of weeks ago, using the Miami crowd as his main sources. All best, jon lee” Ou: “Amigos, vejam abaixo minha carta a Diogo Schelp, da VEJA, que publicou uma difamação obscena sobre Che Guevara, há duas semanas, usando a turma de Miami como sua fonte principal”. Vangloria-se do malfeito, da grosseria, da estupidez, da arrogância.

Muita atenção agora
Respondam-me: por que este senhor Anderson se julga no direito de enviar uma carta malcriada a Diogo Schelp? Sentiu-se desprezado por não ter sido entrevistado? O texto dos jornalistas brasileiros não é uma resenha ou uma interpretação do seu livro. O “gancho”, como se diz, da reportagem é outro: os 40 anos da morte da besta, completados no dia 9 de outubro. Foram ouvidas na reportagem, diga-se, pessoas com as quais o próprio Anderson conversou. Por falar em Miami, muitas das fontes do americano são de… Miami!!! Aquela gente que ele trata com desprezo. Talvez prefira os humanistas de Fidel Castro.

O que se vê acima é a anatomia de uma empulhação protagonizada por um sujeito vaidoso e com medo do próprio livro e co-estrelada pelos esquerdopatas nativos, que viram no episódio uma chance de tentar se vingar de Diogo Schelp e da revista VEJA, inconformados que estavam com a revelação do berço de estrume em que repousa o seu herói. NOTEM QUE NÃO HÁ UMA SÓ INFORMAÇÃO DO TEXTO DOS JORNALISTAS DA VEJA QUE TENHA SIDO CONTESTADA POR ANDERSON. Nada! Os esquerdopatas exigem a neutralidade de frente para o crime.

Anderson é um caso lamentável em que o caráter do biografado contamina o do biógrafo. Quem quer que tenha lido, como li, o relato de Régis Debray sobre o assassino contumaz, que defendia que o homem se transformasse numa fria “máquina de matar”, movido pelo ódio, não se surpreendeu com o que conta Anderson sobre o Porco Fedorento.

A reação imoral de um sujeito que se julga dono de uma personagem histórica, amplificada pela canalha liberticida que ainda delira com a obra de assassinos contumazes, prova o acerto da abordagem dos jornalistas da VEJA. O mito guevarista, como se sabe, ganhou o mundo e seduz também a esquerda — a possível — dos EUA. Afinal, sabem como é?, ela gosta de ver os chimpanzés ideológicos latino-americanos a debater, ainda, as virtudes do socialismo.

Anderson fez coisa ainda pior. Tornou público o e-mail de Diogo Schelp, que passou a receber e-mails como o desta senhora:

“Caro senhor Diogo Schelp,
Se alguém respeitado me tratasse assim eu me suicidaria.
Cordialmente
XXX”

Eu não tenho dúvida de que é uma legítima guevarista, embora visivelmente lhe falte ternura. E também dureza… É, com efeito, uma esquerdista típica: quando essa gente não está praticando assassinatos, está justificando homicidas. Quando não está fazendo uma coisa ou outra, sugere aos outros o suicídio. Em qualquer dos casos e em qualquer dos tempos da história, as esquerdas têm um compromisso essencial com a morte.

Por isso adoram os cadáveres de seus heróis, que, quando vivos, triunfaram sobre uma montanha de outros cadáveres anônimos. É a forma que nelas tomou o amor pelo “povo”.”

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