Incompetência política

Este é um assunto do qual me envergonho e que me incomoda, principalmente nas épocas das eleições, por razões óbvias.

O fato é que sou completamente ignorante sobre política, ainda que eu ainda tenha algumas poucas noções teóricas, sinto-me completamente perdido e despreparado em relação a votar, a opinar e interpretar acontecimentos políticos, quanto mais a discuti-los.

Resolvi escrever este post para expor o problema e pedir por sugestões a respeito de como resolvê-lo. Embora eu o faça por motivos pessoais, tenho a convicção de que compartilho a mesma situação com muitas outras pessoas, admitidamente ou não. No meu caso particular, fui criado num meio com uma orientação política específica (de esquerda), porém sem forte embasamento teórico ou prático, e sem grande discussão de correntes e opiniões opostas ou diferentes. Hoje julgo que seguir a mesma orientação seria insatisfatório, por ela não se apresentar justificada para mim, porém não tenho um conhecimento significativo dela nem de outras. Tenho votado em branco ou justificado, nas últimas 4 ou 5 votações. Para mim isto significa que me considero tão pouco apto a decidir que considero a opinião coletiva como melhor que a minha, qualquer que seja ela. Esta sensação de imensa ignorância me angustia, desejo sair deste estado de tábula rasa política. Ainda que eu possa pensar que minha participação possivelmente seja pouco relevante.

Como se não bastasse a minha ignorância sobre teoria política, economia, administração pública, estado, direito, constituição e legislação, e coisas afins, a ignorância sobre a história política brasileira, o cenário atual, as histórias dos candidatos e partidos, a situação do país hoje, seus problemas e perspectivas, que são, de certa forma, conhecimentos mais “objetivos”; percebo que o problema de competência política ainda traz questões mais pessoais como, valores políticos (qual o papel do estado, como deve ser organizada a sociedade, qual deve ser a atitude do país em relação aos outros, etc), valores morais (o que deve ser valorizado, promovido, tolerado e desvalorizado e reprimido na sociedade), quais são as fontes de informação confiáveis e quais são seus viéses e tendências e como identificá-los, e finalmente, como resolver o problema prático de se votar, de formar uma opinião, e de interpretar os acontecimentos políticos.

Olhando assim, parece uma tarefa gigantesca, o suficiente para um curso de graduação. É claro, não acredito que a maioria das pessoas de 16 ou 18 anos já tenham noções boas destas coisas, e também não acho que elas sejam todas necessárias; todos nós somos um tanto pragmáticos em nossas decisões, esta é só mais uma delas. Mas o problema não deixa de ser complicado, e não quero parar minha vida para resolvê-lo, de modo que peço ajuda para que possa resolvê-lo aos poucos, e de uma maneira menos tortuosa. Afinal, o problema é complicado a ponto de ser desanimador, de parecer não valer a pena, mas vou tentar persistir.

Dividi o problema da maneira como estruturo minha ignorância a respeito das coisas que julgo que sejam relevantes:

Conhecimentos teóricos relevantes
– Política
– Estado
– Administração pública
– Organização social
– Direito
– Economia
– Relações internacionais
– Noções de educação, saúde e saneamento, urbanização, segurança pública e nacional, indústrias, comércio, pesquisa e tecnologia, entre outros.

Conhecimentos concretos relevantes

– Sistema político brasileiro
– Estrutura do governo brasileiro
– Divisão de atribuições e poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, União, Estado e Município, Subprefeituras, etc.
– Constituição
– Legislação
– Principais instituições e empresas estatais e terceirizadas responsáveis por serviços essenciais.
– História política brasileira, principalmente os últimos 50 anos.
– Cenário político atual. Partidos, candidatos, governantes, suas relações, disputas, conflitos. Denúncias e suspeitas de corrupção.
– História e proposta dos atuais governantes e partidos (estatutos), seus rivais, e outros candidatos e partidos de interesse. As políticas propostas e implementadas por eles e seus rivais, seus sucessos, fracassos e críticas.
– Acontecimentos recentes relevantes.
– Situação do país, estado e cidade hoje. Seus problemas e possíveis causas, suas perspectivas futuras, possíveis soluções, propostas para o desenvolvimento. Políticas implantadas em cada setor, seus sucessos, problemas e críticas, etc.
– Cenários políticos e acontecimentos em países semelhantes ao Brasil, países de importância ao Brasil (vizinhos, importadores, exportadores, etc), países com modelos políticos de interesse.

Valores políticos e morais

– Qual deve ser o papel do estado, até que ponto ele deve intervir e garantir direitos individuais, bem-estar social, organização social, desenvolvimento econômico, etc.? Como deve ser organizada a sociedade? Qual deve ser nossa atitude em relação aos outros países?
– O que devemos valorizar e desvalorizar, promover, tolerar e reprimir, na sociedade, e nas políticas de cada setor, na educação, na saúde, na segurança pública, nos direitos e legislações, na atuação das indústrias, comércios, nos serviços públicos, etc.?
– Devemos decidir politicamente no interesse de quem? No nosso? No dos outros à medida que nos importamos com eles? Nos da população em questão?
– Devemos ser pragmáticos, racionais ou empíricos nos julgamentos políticos?
O problema da tendenciosidade e da informação confiável
– Onde obter informação relevante?
– Quais os meios mais confiáveis, seguros para se obter informação sobre acontecimentos de relevância política?
– A que viéses estão sujeitos? Quais críticas são feitas a eles?
– Que pessoas são úteis para se informar?

Problema práticos

– Como escolher um candidato? Que características são desejáveis? Que características são e quais não são relevantes?
 – Pesquisas de intenção de voto (popularidade)
 – Plano de governo
 – Experiência e habilidade política (negociação, retórica, diálogo, malícia, etc)
 – Relacionamentos políticos
 – Desempenho nos debates
 – Perfil dos eleitores
 – Patrocinadores da campanha
 – Eficiência, prudência, agilidade, organização.
 – Capacidade de ação diante de imprevistos e emergências
 – Inteligência
 – Interesses secundários
 – Coerência
 – Carisma e habilidades sociais, firmeza, ousadia, serenidade
 – Honestidade e moral
 – Princípios e fidelidade a princípios
 – Partido e compromisso com o partido
– Como avaliar o desempenho de um governante?
 – Plano de governo inicial
 – Desempenho, eficiência
 – Aprovação, críticas, popularidade
 – Melhora durante o mandato e após ele.
 – Aproveitamento de projetos de turnos anteriores.
 – Discursos e desempenho público
– Como interpretar acontecimentos políticos? No que se deve prestar atenção? Em quem se deve prestar atenção?
– Como votar? Votar é relevante? Que outros tipos de atuação política uma pessoa na minha posição pode exercer? Quando votar em branco?
– Como decidir sobre assuntos políticos? O que procurar? Quais os aspectos relevantes?

A pergunta fundamental: Como desenvolver competência política? Qual a maneira mais curta e eficiente?

 – Estudar teoria política e econômica, e todas as outras coisas que listei acima.
 – Ler planos de governo oficiais.
 – Se informar com “pessoas competentes”, de tendências políticas diversas.
 – Acompanhar notícias dos grandes jornais.
 – Se informar sobre a história de vida e o passado político dos candidatos principais, e à medida do possível de outros que possam vir a ser de interesse.

Enfim, listei uma quantidade enorme de aspectos e questões que acho relevantes às decisões políticas. Não sei quais são mais importantes, quais deixei de listar, quais são desimportantes, e muito menos quais são suas respostas. Peço por contribuições, opiniões, coisas afins.

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Inteligentes e Audaciosos

A grande maioria das pessoas está extremamente ocupada com seus afazeres para pensar. Pensar no que quer que seja. Como diria Russell: Most people would sooner die than think, in fact, they do so.

Dentre as restantes, a maioria procura ter uma vida razoavelmente feliz dentro da comunidade na qual nasceu, conquistar o respeito das pessoas mais próximas ao seu redor e regular uma vida de trabalho, construir uma família e ter uma filosofia de vida similar a dos vizinhos.

Dentre as restantes a maioria entra em algum tipo de grupo mais ou menos marginal dentro do esquema social vigente em sua região, e se identifica com essa pequena tribo, mantendo-se dentro de um código de costumes que chega a poder ser mais rígido do que o código vigente no mundo “normal”.

Dentre as restantes, é possível encontrar pessoas interessantes. A maioria das pessoas que já chegou até essa diminuta maioria é inteligente, alguns, como Bakunin, Dande, David Chalmers, Dalí, Einstein, Madonna, ficaram bastante famosos dentro de algum nicho particular da sociedade…

O que há em comum entre Dali, o filósofo Abelardo, o anarquista Bakunin, e John Lilly (O homem que na década de sessenta fez o que ele chamou de reprogramar o próprio cérebro com ajuda de tanques de golfinho e alucinógenos)? Eles não tinham medo de ser excêntricos. São pessoas que, além de inteligente, são audaciosas, são capazes de ultrapassar as barreiras de seu pequeno grupo geográfico e seu tempo, e se projetar com suas idéias no invólucro da realidade sem medo. Pessoas que ao escolher como levar a vida ignoravam absolutamente as mesquinhas necessidades do homem de se parecer com o outro homem. O próprio Russell nos dá a máxima desse grupo: “Do not fear to be eccentric in opinion, for every opinion now accepted was once eccentric.”

É desta sorte distinta, de inteligentes audaciosos, que quero falar um pouco. Em primeiro lugar, antes de pontuar o quanto essas são as mais importantes pessoas da história, passada e futura, quero dizer que não acho que essa forma de vida é acessível a todas as pessoas. Pelo contrário, acho que nem socialmente, nem psicológicamente seria possível uma sociedade apenas de inteligentes audaciosos. Digo mais, acho que pouquíssimas pessoas tem a predisposição biológica necessária para ser capaz de dar tão pouca importância aos caprichos e necessidades que o ser humano tem de normalizar o outro. O que quer que seja que faça dessas pessoas as que podem exercer essa forma de vida, claramente não é para todos, e claramente deveria ser contido, se fosse algo que todos tivessem.

É então muito bom saber que não é, essa forma de vida jorra e goza do sado-masoquismo à matemática avançada, do narcótico putrefato jogado à calçada ao som de blues ao narcótico misticalista internalizando pontos de luz da realidade última da vida em seu peito de fogo. Onde se discute a hipótese da Matrix com maneiras vitorianas, ou escreve teses sobre oncogenes ao som de Pavarotti e Megadeath.

Sempre que me deparo com um inteligente audacioso tenho uma sensação imediata, recorrente. Sinto que é para essas pessoas que a história da humanidade está voltada. Milhares se não milhões de guerras, tecnologias, livros e pensamentos foram concatenados num passado sem fim ao longo da história para que os indivíduos do futuro pudessem ser finalmente livres, desfrutar ao mesmo tempo do poder de viverem loucuras, terem grandes prazeres, e não terem medo da opressão de outros homens, e pudessem se associar livremente. Festejar a história passada e viver a história presente sempre foi o sonho dos grandes homens que moldaram a história humana, aquilo que para eles seria a história do futuro.

A sensação que tenho é que os inteligentes audaciosos são as pessoas do “futuro”. De Marx a Bakunin, das diretas já ao sufrágio popular, todas as manifestações e conquistas políticas foram feitas tendo em vista garantir a prosperidade e a liberdade dos homens, principalmente aqueles que de fato as exerceriam (em oposição por exemplo aos evangélicos) e a grande maioria, promovida também por outros que também eles mesmos eram inteligentes e audaciosos, muitas vezes que foram tolhidos numa idade mais jovem das possibilidades de livre-pensar e livre-associação, pelas quais se dispuseram a lutar.

Há aqueles que dizem que um dia chegará (após a revolução talvez, ou após o enriquescimento da áfrica, não sei ao certo) em que todos os homens poderão finalmente ser livres e o paraíso será novamente atingido. Eu não acredito nisso, e acho que isso leva a péssimas conclusões. O principal equívoco é considerar que todos devem ascender juntos. Nunca na história algo foi feito para todos ao mesmo tempo. A história é gradual, e as idéias, mudanças e direcionamentos vão se configurando com o tempo, de uma pequena minoria, para eventualmente tornarem-se a palavra de ordem. Ora, já existem hoje milhões de pessoas que podem viver toda essa liberdade, onde estarão escondidas? O outro equívoco é realmente achar que a maioria das pessoas quer isso, a maioria das pessoas não tem capacidade mental para querer absolutamente nada. Desejar é complexo demasiado para elas. O fato de que vivemos num planeta de idiotas não é justificativa para que não permitamos que uma robusta minoria viva os sonhos políticos e individuais dos homens do passado.

E talvez seja isso mesmo o que mais me intriga. Se já há milhões de pessoas por aí que poderiam estar exercendo toda a liberdade que um dia já foi almejada por seus ancestrais, que não tem de se submeter a lógica da vida tribal, do trabalho, dos subgrupos marginais de organização fascista, porque elas não saem as ruas, a viver como na imaginação que temos de woodstock, da frança de 68, da paris arte do começo do século 20, da celebração da inteligência de um prêmio nobel, e diversas outras fantasias de nossa imaginação? E a sensação que tenho é que a resposta é “falta de compania”

Acho que a maioria dessas pessoas, como provavelmente o filósofo Abelardo, no séc treze, não costuma encontrar muitas outras pessoas do mesmo nível de livre-pensar que elas, e acaba por perder a possibilidade de de fato voar em gravidade zero, rolar em papel bolha, destruir móveis, escrever tratados sobre a beleza ou inovar o campo semiótico-sexual.

Me parece que o advento da internet, e em breve, da realidade virtual interativa, vão ser cruciais na criação real daquilo que Raul Seixas chamou de “Sociedade Alternativa”, e espero que muito mais pessoas tomem banho de chapéu uma vez que isso aconteça.

O futuro já está acontecendo, e as condições materiais da realidade já permitem o livre pensar, o livre caminhar e o livre viver. Os obstáculos que impedem o homem médio de chegar minimamente perto disso são em grande medida biológicos, e se manifestam no medo de ser diferente, que movimenta todos os bilhões que giram anualmente no mercado da moda, pessoas medíocres a parte, existe uma robusta, apesar de minúscula, minoria que deveria estar por aí a se esbaldar em arte, cozinha, banhos de chapéu, caminhadas de pijama pelas avenidas, monociclos, e conferências sobre flutuações de vácuo e suas influências na safra portuguesa de arroz.

O fato de que eu não vejo essas pessoas por aí pode indicar duas coisas, ou elas ainda não perceberam que já podem sair da toca e pulsar em público, ou nós somos bem menos do que é necessário para que a história humana não tenha sido em vão.

Meus palpites sobre inteligência

Em  Crime e Castigo, numa das melhores cenas, Raskonikov(o assassíno) e um interlocutor estão conversando. Raskolnikov frio e resoluto começa a expressar suas teorias, até ali só aludidas no livro. Diz ele que enquanto a maioria das pessoas está submetida aos costumes e leis, uma categoria de homens não muito abrangente pode se agarrar a uma legalidade superior, derivada de fins maiores, e simplesmente quebrar a lei. Napoleão é o exemplo áureo do livro inteiro.

Mas quero me prender aqui principalmente à discussão da produção dessa categoria de homem. Raslkonikov postula uma lei da natureza que garantisse a raridade e dispersão desse tipo de homem, e que talvez no futuro se poderia encontrar o mecanismo exato dessa produção.

Esse homem é definido um pouco de modo um pouco abrangente, mas o principal é que tem características de liderança, vontade firme e inteligência.

Pois bem, hoje me parece (pois não tenho a base pra comentar mas peço que os cientistas do blog o façam) que há como ao menos aceitar como possível tal teoria, e elucidar até certo ponto esses mecanismos. Afinal Dostoiévsky escreve quase um século antes da descoberta do DNA.

Além disso, os fundamentos parecem melhor explicáveis, com a teoria da evolução e o conhecimento do estado “”normal”” do homem, o 99% de tempo de sua existência que passou como coletor-caçador, em bandos de 25-50 homens e normalmente nômades.

É que as características de inteligência, liderança e descaso as regras, que tem uma função importante para a comunidade, tem uma importância que atinge um pico em um determinado número de indivíduos, e depois decaí, chegando a ficar negativa.

Afinal um indivíduo mais inteligente e rebelde é importante para ultrapassar a tradição quando essa ficou obsoleta, para criar novas, para codificar mitologias, enfim, para contribuir com a inteligência para a comunidade. Talvez 2 o ganho seja ainda maior. Mas a partir de um número n, o ganho estanca, e começa a abaixar. Afinal a falta de uma liderança clara, excesso de sectarismo e disputa, a falta de solidez, choque de egos; tudo o que parece advir inevitavelmente de uma produção excessiva de Raskolnikovs.

Aquelas figuras maximizadas de brócolis, que são fractais; a teoria de expressão de genes (eles estão lá mas podem ser engatilhados ou não) e o fato de que uma célula tronco espera estímulos complexos do ambiente antes de se determinar; tudo isso me diz que existem regras complexas entroncadas na nossa natureza que regulam um complexo jogo de surgimento e articulação não só destas, mas também das outras características análogas. Dando um exemplo vulgar: se na comunidade já há um inteligente, sua liderança e outros efeitos suprimem a aparição da mesma característica nos outros indivíduos. Esses poderiam ter o gene por exemplo, mas que não se expressasse por falta de um gatilho necessário.

É claro que imagino a coisa ser muito mais complexa. Mas é interessante visualizar.
Outro problema é a questão da cultura. Pois com a ultrapassagem desses exemplos a-históricos e a consideração das sociedades agrícolas e urbanas, ou seja, dos aglomerados atípicos (para a genética); e principalmente a cultura, a coisa muda de figura. Podemos até dizer que a cultura foi em parte um remendo a uma espécie vivendo além de seus meios (genéticos) e que visava dinamizar os estímulos de maneira a manipular essas condições genéticas puras. Mesmo ambiente rural continua mais gente que os pequenos bandos da idade da pedra. Mas ali a necessidade de inteligentes audaciosos talvez fosse menor, proporcionalmente, que a dos bandos. Em compensação em uma cidade a necessidade de artesões, magistrados, etc é maior e portanto talvez seja interessante separar a inteligência da audaciosidade. Tudo isso exigiria uma espécie de “ilusão”(se pensarmos a idade pré-histórica como a norma de realidade), uma inversão de sinais e potencias dos estímulos e suas apreensões que “apertando os botões certos” efetuasse a mágica cega da maniupulação dos genes.

Ora, e se a memética tem alguma verdade; se idéias boas são as que sobrevivem e fazem seu hospedeiro sobreviver é altamente inteligível esse cenário anterior. É claro que ainda há outros papéis para a cultura (as lendas sobre o terrível lobo, ou a idéia de que os que perderem a vida terão prazer ao lado da divindade), não acho que ela é redutível a essa ilusão mas é fútil dizer que parte dela não está envolvida nessa operação. Somos análogos àqueles animais que criaram proto-patas e sairam da água, não inteiramente adaptados a nenhum dos dois. Nossa genética é muito mal equipada para lidar com as condições de vida pós revolução agrícola, e esse é um processo que vem se acentuando. Paralelamente avança a parte da cultura.

Fico por aqui, só com um apêndice. Se esse modo de raciocinar está correto, legitima-se a forma de pensar patologias psiquiátricas como tendo uma raiz mais que significativa na cultura, e não ser só uma instância individual e particular. Isso ajudaria a explicar, como fazem alguns psicanalistas, o absoluto surto de doenças psiquiátricas, que vem aumentando ano a ano.

Israel

Esse post é um adendo do anterior.

E aqui quero tratar de duas questões distintas mas interligadas. A primeira é o standing moral de Israel. De sua orígem, de suas ações,de sua própria existência.

Em segundo lugar quero tratar de sua capacidade de existir continuada.

Começo com a primeira falando que sou um convicto anti-zionista. A idéia de pegar um povo mutilado e massacrado e enxertar em uma terra com donos e especialmente disputada e valiosa, é nada menos que imbecil. Dou um desconto para aqueles judeus que saídos de campos e da Europa em geral viram a necessidade de um estado próprio. Realmente os ventos ainda não eram favoráveis em lugar algum. É por isso que o mundo inteiro devia ter vetado essa empreitada estúpida, assim como fariamos no mais que fabular cenário de levar os pobres sudaneses afligidos por uma guerra étnica terrível e metermo-los em Manhattan, deixando o Brooklin para os nativos.

Mesmo assim, até hoje discordava de uma resolução da ONU que esteve em vigor por muito tempo e que equacionava o zionismo ao racismo. Em meus argumentos anteriores constava o fato de que Israel deu cidadania a muitos palestinos, em Jerusalem por exemplo, nas colinas de Golã, etc. Além disso tem 20% de árabes em seu parlamento. Não é como se a África do Sul tivesse negros no parlamento ou ministérios.

Alguns fatos já perturbavam essa opinião, como o fato de que árabes de facto não podem renovar suas construções em Jerusalem, e caso se mudem de Jerusalem, perdem o direito de ir morar ali. Há sim, portanto, cidadãos de segunda classe. Varias outras instituições garantem que a posse de terras, entre outros, sejam cuidadosamente alocados em mãos judias.

Mas foi a leitura do livro do Chomsky, chamado Piratas e Emperadores, que me fez concordar com a tal resolução. Não há racional possível para o estado de Israel hoje que não precise se utilizar de alguma diferença qualitativa entre os estados Israelense e árabes, que não tenha um fundo racista. Elas são das mais variadas, e a mais leve é:

Israel é um estado democrático (pelas razões que já elenquei acima) de direito, ao contrário da pletora de estados ditatoriais e brutais que o cercam.-as vezes com o adendo: deixado à mão dos palestinos essa terra reverteria a um país atrasado.

-Um estado democrático não mantém regiões trancadas, sem direito a voto, de passagem, de protesto, de consciência e expressão. Pois essa é a paisagem nas desoladoras Gaza e Cisjordânia. Além disso, essa afirmação implica que uma etnia-árabe- é por natureza mais bruta ou selvagem, e/ou sua religião inferior, selvagem ou bárbara.(um rapido olhar sobre as praticas haredis judaicas já anula esse tipo de olhar superior)

-Além disso a falta de democracia ao seu redor foi Israel que ajudou a criar: O Libano, numa ação direta, alguns outros como reação indireta àquele corpo estranho.

Daí pra frente os argumentos só pioram, com teores religiosos- normalmente o velho Deus nos prometeu essa terra, ou explicitamente racistas.

A segunda parte dessa questão complicada da situação moral de Israel passa por um inventário relativizado de suas ações. Sobre isso indico a mesma leitura acima(só para estômagos fortes) e afirmo somente que deve ser incrivelmente triste para um sobrevivente do holocausto ver seus filhos se tornarem os algozes. E para Moisés, se esse ainda vê, ver a idolatria de uma faixa de terra se elevar acima de preceitos básicos como não matarás.

Sobre a questão imensamente mais complicada da existência continuada de Israel, acho aqui que essa nação não é viável a longo prazo. Falo isso sem considerar se é justa ou não a existência de Israel exceto onde a percepção do mundo ajude ou atrapalhe, pois em grande parte ele concorda comigo.

Na verdade as opiniões do mundo são as mais variadas. Os EUA tem uma devoção forte, fruto de décadas de propaganda favorável (consultar Chomsky sobre isso também), um alinhamento da teologia cristã com o apoio  incondicional de Israel, e principalmente um forte apoio e influência política da enorme colonia judaica americana (~5 milhões). A Europa ocidental é defensora dos moldes clássicos do estado, pré 67, mas sua opinião pública guarda um razoável desagrado pelo desprezo Israelense a considerações humanitárias. Também odeiam a continua quebra de suas soberanias por agentes do Mossad. Já para o Leste, a partir da Austria, o anti-semitismo é forte, e na Russia, enorme. O resto dos países tende a se alinhar como a Europa ocidental (Brasil é especialmente vocal ai, mas Chile, Argentina, etc seguem).

Ponto de consenso é que brusca ou suavemente a participação dos EUA no mundo em todos os sentidos tende a diminuir. Em 46 os EUA detinham metade da economia mundial. Desde então essa proporção vem baixando, mesmo que eles mantém um crescimento saudável. Uma nova configuração do cenário internacional vai se montar, com o poder de barganha da Russia bastante aumentado, um EUA tentando lidar com sua decadência relativa, aumento do poder de Brasil e do cone sul em geral, com vozes de esquerda. O mundo árabe terá aumentado um pouco, concentradamente nos microestados da Arábia. Mas o petróleo continuará a ser uma grande peça de troca.

O importante é a ascenção da China e Rússia aqui, além da reversão da unipolaridade. Essas mudanças de que falo são lentas, e mesmo sem qualquer ameaça de bomba trocada, vão se operando nos varios foros de debate internacional, nas influências, nos programas de ajuda, intercâmbio. Ora, para qualquer país que considere somente relações comerciais, o pragmatismo chinês por excelência, o 1 bilhão de muçulmanos supera os dispersos, embora ricos, judeus, especialmente na questão do petróleo. Essa é uma posição que será gradualmente exercida pelo Japão, a medida que esse começar a ter opiniões mais próprias. Os árabes não são pragmáticos e são exclusivistas, e se tiverem mais poder de barganha (e com o óleo mais escasso, terão)usarão. Rússia, como disse, é provavelmente o país mais anti-semita e não se incomodaria em ver os chechenos perderem um de seus principais argumentos de revolta. A China tem um problema parecido com os Uigures. Uma consideração especial para a Igreja Católica, essa é fragmentária, mas tem lados flagrantemente anti-semitas. O papado, que importa no entendo, é de neutro para europeu.

Mesmo assim Israel ainda é uma economia dinâmica, com apoios bilionários ao redor do globo e o exercito de longe mais bem equipado da região. Além de bombas atômicas, que só o distante Paquistão pode rivalizar. E parte de sua população, boa parte, é fanática e não sairia dali a não ser morta. E o apoio dos EUA ainda serão massivos, mesmo que em 20 anos sua proporção da economia mundial baixe significativamente.

Por isso mesmo só pelo soft power se consumirá lentamente a economia e instituições do país. Mas internamente há dois grandes problemas.

-O primeiro é a polarização cada vez maior em torno dos assentamentos. Uma pequena parte dos israelenses vive nos assentamentos, que são enclaves em território além do de Israel (em busca de uma grande Israel, ou um Lebensraum. Qualquer semelhança é mera…), mas que geram a maior parte da confusão. Os Israelenses modernos e conscientes não acha certo servir em um exercito massacrando palestinos por causa de alguns fanáticos religiosos cuja idéia de constituição civil é o velho testamento. A polarização começou a chegar a tal ponto que a organização dos assentados agora retalia qualquer ataque palestino a um assentamento tanto nos palestinos como em organizações de paz. E a verdade é que essas organizações de paz e os israelenses modernos em geral são a cobertura e álibi de Israel no seu marketing internacional de Europa cravada no meio dos bárbaros. Quem se compadeceria dos radicais? Com os desafios externos aumentando, tanto econômicos quanto militares, essas tendências tendem a se exacerbar, e vislumbro até uma parte do movimento de paz e dos cosmopolitas israelenses emigrando. As duas israeis só coexistem na irmandade militar exigida de todos, e no sonho obsoleto de seus avós visionários. A visão parece cada vez menos realidade e talvez os netos e bisnetos desistam se a condição for a guerra incessante.

-Outro ponto fundamental são os árabes internos. Israel já tem 20% de árabes e uma proporção igual em seu parlamento, que no fundo acabaria com o estado, se tivesse o poder. A verdade é que as projeções demográficas projetam que essa proporção vá a 30% até 2020, o que inviabiliza um governo sem a participação deles quase, e torna um terço da população do estado inimigos deste. Com uma demografia assim, o país parece menos viável, e foi exatamente o que Ariel Sharon percebeu quando saiu de Gaza e tirou os assentamentos dali: seria inevitável dar direitos políticos dentro do estado de Israel aos habitantes daquele território, e eles só ajudariam a compor uma maioria de palestinos.

Ora, você poderia me dizer, e no caso de um processo de paz bem sucedido. muito do que eu disse não faria sentido.

Não acredito em um processo de paz  por uma série de razões. A primeira é que a direita está muito forte em Israel, e tende a continuar e se radicalizar. Afora isso, os Palestinos ja perceberam essas tendências e advogam cada vez mais a saída do estado único, sabendo que se for concedido em poucos anos eles terão maioria e liberarão o direito de retorno, efetivamente acabando com Israel. Além disso  Gaza e a Cisjordania estão divididas, e não há sequer um lider de centro em Israel com a mínima vontade política. O clima não é para paz em lugar nenhum. E o Hezbollah vai atirar misseis não importa o que.

Mas comentem por favor, que acham

No filme “O declínio do império americano” somos apresentados a um grupo de intelectuais, nos anos 80, que discutem e preparam uma reunião do grupo´à mesa de um jantar . A ligação com o título é implicada, e a minha interpretação é que as tendências culturais como a hipersexualização e liberalização dos costumes deixou uma geração mal situada e desorientada, entre um pólo tradicionalista e outro liberal. O diagnóstico seria parecido com o que fizera Khomeini da sociedade ociental: essas tendências vão corroer a fibra social e a massa amorfa resultante não conseguirá se impor uma direção, resolver seus problemas, estará paralisada enquanto os interesses particulares consomem o estado, ou sociedade.

Na sequência do filme, 20 anos posterior, o diretor reúne o mesmo grupo e mata seu protagonista. Lentamente, para um câncer, ele sucumbe cercado de seus amigos lembrando de seus bons tempos de militância política e artística. O filme se chama As invasões bárbaras, e daí vemos que ele avança no seu diagnóstico em uma analogia com Roma. Mas o 9/11 é somente brevemente mencionado. É dessa vez a morte de uma geração de intelectuais, resignados na apatia ou isolação que marcaria o nosso periodo. Dos sonhos utópicos ou não dessa geração sobrou um pragmatismo amedrontado e uma incapacidade de sonhar na nova geração, ali representada pelos filhos dos personagens.

É no domínio virulento do coração do império (EUA) por uma burrice conceitual acompanhada por treinamento técnico, que ele mesmo realizou aquilo que Khomeini e outros tanto visaram: uma gama de engenheiros, cientistas, matemáticos, etc. sem no entanto o senso crítico que costumam ter as classes intelectuais. A tese de Denis Arcand (o diretor) a meu ver é de que se engendra a olhos vistos uma nação, e um sistema global, pois o sonho de Khomeini continua impossível. A destruição da verdade através da propaganda, da exacerbação dos signos, da polemica sofística em suma, tem consequências, e um país que tenha Sarah Palin em seu cargo supremo age contra seus interesses. E a verdade é que o governo por ali está cheio de aparelhamentos que fariam os sindicalistas catapultados ao nosso tupiniquim governo federal parecerem posdocs de Harvard em comparação. (Quem quiser exemplos basta ver os novos promotores federais e as escolas de origem, ou a Harriet Myers, que tentaram por na Suprema Corte).

Já é fácil ver como é difícil para eles tomarem uma decisão em conjunto, não importa quão vital seja. Uma série de elementos, como petty politics domina o espaço público cultural, e a própria percepção de tempo se acelera através dos bônus trimestrais para CEOs e as hipotecas renovadas a cada seis meses. Não conseguem dar um mínimo de assistência social à população e vivem na verdade sob um capitalismo excludente que só não se mostra assim porque prende os descontentes (a maior população carcerária do mundo em termos relativos e absolutos de longe!).

Vendo sob esse prisma, imagino um doente, que se afasta cada vez mais das possibilidades de cura. Uma mudança muito profunda no próprio centro da cultura americana, quanto a consumo, renda, mas principalmente política. E essa mudança é necessária em escala quase global. Mas é mais interessante ilustrar a imobilidade no coração da cultureconomia mundial.

Dois limites se impõe nessa espiral descendente: China e o meio ambiente.

O aquecimento global e a escassez de recursos forçarão uma maior internacionalização não só do Capital e da informação, como vem acontecendo, mas de poder efetivo governamental. Alguns minerais já vão começar a acabar, o petróleo está quase ou já passou de seu pico de produção e o “estoque de ár poluível” do mundo já está no negativo, por assim dizer. Medidas governamentais fortes serão tomadas após algum tipo de coordenação muito forte, talvez depois de algumas guerras. O importante da questão aqui é que essa distribuição exige uma certa paridade, ou talvez até algum peso em direção aos em desinvolvimento, caso contrario pode have uma possível guerra. Enfim, o que quero dizer aqui é a necessidade de RACIONALIDADE na tomada das decisões, que é facilmente desvirtuada em campanhas políticas e no processo político como nos o conhecemos.

É aqui que entra a China. A China passou séculos autocentrada e aperfeiçoando seu sistema de serviço civil. A forte tradição confucionista encontrou um grande revés em Mao, mas com esse por fora Deng Xiaoping o levou a perfeição. Os burocratas são incentivados fortemente a serem impecáveis, caso contrário podem simplesmente ser executados. Pelo lado dos incentivos, tem prometida uma carreira estável e promissora se apresentarem resultados, mas são compelidos a ficar somente um determinado tempo em cada cargo, especialmente nos do topo. Isso evita personalismos e ambição desenfreada.

Essa estrutura bem feita, com muito mais detalhes que eu sei e posso descrever, conseguiu feitos inigualados na história da humanidade, como tirar pessoas do nivel de pobreza as centenas, ter o maior numero de mestrandos do mundo e por uma universidade nos top 10 do mundo; tudo isso em bastante pouco tempo. Mas isso todos já sabem. A questão é que tudo isso foi feito exatamente por um governo racional, pelo menos numa medida maior que as nossas. Eles também conseguem limitar o número de filhos por mulher, algo necessário no mundo inteiro mas impedido por influências malignas como a igreja católica. O que me lembra, na China essas influências são mínimas! Ali a Igreja existe, mas sob a denominação de Igreja patriótica apostólica romana, e a cuidadosa supervisão governamental. Supervisão que, durante o periodo classico e moderno inteiro, o governo teve e que impediu a hipertrofia de crenças sobrenaturais em organismos desafiadores.

Com os desafios populacionais e ambientais mundiais o modelo Chinês vai ser cada vez mais sedutor ao Ocidente, especialemente à medida que esse cultivar uma aparência mais democrática (mas com cuidado, afinal foi a reação, ou o esforço de tornar a democracia palatável para as elites que corroeu as inteligências nacionais). Com 10, 12 bilhões de pessoas, metais acabando, petróleo escasso como no mundo de Mad Max o petty politics como o ateísmo de alguns, a maconha de outros, enfim, tudo o que compõe uma pessoa inteligente e a impede de controlar as massas ingratas, terão de ser jogados fora, talvez eleitoralmente, talvez por meio de golpes leves, enfim, quando a merda atingir o ventilador, vai ser alguém com um paninho, e não uma cruz, que vai ter de limpar.

Words That Don’t Exist in English

The limits of my language mean the limits of my world. Wittgenstein

Everyone who speaks english as a second language is overwhelmingly bothered by the words he think are essencial for a good life, but that do not exist in that language. (Overwhelming by the way does not exist in my mother tongue portuguese). Here I will talk about the ones I think that cannot be missing no longer. That make life worth living. If you have another first language, I suggest you comment adding your own words to the list.

1 Carinho: (Other languages, Spanish: cariño) Best english equivalent: caress.

Carinho is a noun. It is something you do to people. I’m going to do carinho on Yannik means that I will do something involving physical contact and affection to Yannik. Like put him on my lap and stroke his head, or hug him, or in some way demonstrate love and affection in a physical way.

Carinhoso is the adjective that denotes the person who is usually full of physical affection towards others. The typical cookies-cooking grandma is a person who is carinhosa. When you shake hands or hug with a carinhoso sometimes you feel your body hair go up, because it is just good.

2 Saudade: (Spanish: sodades) Best english equivalent: The feeling you have when you miss someone.

Saudades is a noun as well. It is something you have of people. I have saudades of Petra means that I miss Petra, not only in the sense that I want her to be with me, but in the sense that there is something in my heart that reminds me of the affection I have for her. In fact, you can have saudades of someone even if they are not coming back. The relation of saudade refers to the past, meaning that you miss not the actual Jessie, but the Jessie you have met a long time ago, with whom you have spent great times. You can have saudades of someone that you hate now, because the feeling you have is directed towards the past.

Saudades is a persistent feeling, in the sense that you feel it even when you don’t know it is there, and that you may have saudades of something that you don’t remember, it is a state of mind independent of the thing you miss, in a sense, but usually you can remember.

You can have saudades of situations, places, years, persons, animals etc… like missing. When you have saudades of someone you are declaring a good feeling, not like nostalgia, or missing as in lacking, but as if you were throwing some energy in that person. Saudades is something that may make you cry, but you are more likely to smile in retrospect.

3 Ficante: No equivalent in any language.

Ficante hasn’t made it into portuguese dictionaries yet, but it sure will. It is a new word invented to describe a relashionship, like the words “dating, seeing, married”. It is an adjective, and the use is like “Joel is Marion’s ficante” or “This is Joel, my ficante” said by Marion. I must introduce a Brazilian notion of sexuality before I proceed:

Brazilians like kissing, for us, kissing is not just the thing that happens prior to sex, the way towards sex with girl, or something like that. Kissing is worth it in itself. Kissing is something you do because you want to kiss, not because you want to have sex. Of course one doesn’ exclude the other. In fact some people like kissing while they are having sex, and think that this makes the experience twice as absorbing, commiting and pleasant. I have heard people talking about kisses that were better than sex, and I myself have done comparisons in that sense. Enough about kissing.

When you kiss someone, here, it does not automatically mean neither that you will have sex, nor that you are now in a relashionship. It could be that you have just kissed, and that is all.

Now suppose that you have kissed more than once (you may or may not have had sex), Joel and Marion have kissed each other a few times, they are beggining to like each other, what is the nature of that relashionship? First, they are not girlfriend and boyfriend, for none asked the other to get into a formal relashionship. Second, they are not obliged to only kiss one another. Third they may like each other, like a lot, love, or love a lot.

Now, most cultures do not have the Second one, if people are kissing, there is tacit moral obligation of not kissing other people. The word ficando means exactly a relashionship in which this does not happen. Both sides know that they can kiss other people. Two people may be in terrible love, passion, or just liking each other, they can be ficando. Ficando (the name of the relashionship between two “ficantes”) is independent of how much you like someone, it describes only that you kiss each other (having sex or not) and that no one has been tyranic enough to ask if the other one want to be “namorando” (A girlfriend is “namorando” her boyfriend, a boyfrend is “namorando” his girlfriend, that is what it means) in the sense that you are not allowed to have relations with others. Of course that some people have formal open relashioships, the difference is that here, if you are in an informal relashionship, by definition you are in an open relashioship. Furthermore, that does not mean that you do not love someone, it just means that the relashioship you have has not been formalized in any way.

Ficante, Carinhoso and Saudades are the words that I think are essential in the portuguese language, and that restrict the world of thought of people who do not know it. I would like to see them in english someday, for I think they make the world a better place.