Thor

Pra mim é claro como água que enquanto a comunicação torna opiniões (ou memes, idéias, etc) menos subjetivos, e se quiserem, mais verdadeiros (nessa direção), e que portanto quanto mais pessoas concordarem com algo mais universal uma opinião pode ser, esse processo é limitado simplesmente por estarmos falando de seres humanos. A lente que distorce a visão individual pode ser suprimida, mas aquela que é a própria visão geral, claramente não.

Cristãos podem ganhar muito ao se reunirem para discutir o melhor jeito de construirem o novo celeiro, mas se forem discutir secularismo ou religiões no plural, um milhão deles não teriam uma comunicação tão “verdadeira” quanto um padre e um ateu, ou um hindu e um voodu.

Com a diferença que a humanidade não é uma opção.

Quem Quer Dinheiro?

Atualização 26/05/10

Eu estava errado. Esse texto todo é fundado em uma série de idéias falsas e induz a conclusões ruins. Ele não leva em conta Outliers, que descreve a improbabilidade da milionariedade. Ele não leva em conta The How of Happiness, que mostra que felicidade nada tem que ver com milionariedade (90% dela com certeza nada).

Ele é simplesmente um brainstorm inteligente mas ignorante, que precisava se iluminar ao longo do tempo para se perceber idiota.
Isso mostra o outro lado. Acredito que qualquer pessoa repleta de motivação, seja ou não um inteligente audacioso (https://brainstormers.wordpress.com/2008/10/13/inteligente-e-audaciosos/), que tenha dinheiro o suficiente, deve dedicar-se exclusivamente aquilo que lhe dá maior prazer. Espero que, como eu, ele conclua que isto é ajudar os outros (https://brainstormers.wordpress.com/2008/11/18/anarco-individualismo-e-transhumanismo-social/).

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Estive assistindo a inúmeros TEDtalks esses dias. E cada vez mais a cultura americana me convence de uma coisa: É uma boa idéia ganhar um monte de dinheiro.

Em termos de poder de influência, a vida fica muito mais fácil quando você tem poder econômico para se expor, se manifestar, viajar para onde for necessário etc…

O conhecimento se torna mais acessível, e promovê-lo se torna mais fácil.

Se eu quero ajudar o mundo, em termos de tecnologia e conhecimento, a melhor maneira de fazer isso é empregando gente, fundando empresas, tendo dinheiro. Então afinal, porque negar a realidade do capitalismo e ficar fora da circunscrição do dinheiro?  Quem quer dinheiro?        Eu quero.

Estou pensando cada vez mais seriamente em ter alguma idéia boa  para criar valor.  http://www.paulgraham.com/wealth.html

Esse sujeito por exemplo, escreve ótimos ensaios, pensa o que quer, é um artista, tudo porque criou uma linguagem de computador e depois se tornou fundador de pequenas empresas de tecnologia.

Existem outros também  http://www.ted.com/talks/view/id/170

O criador do Ebay, que cria filmes em holywood que promovem mudanças sociais.

O dono da Virgin Records está indo pelo mesmo caminho. Bill Gates pretende eliminar a malária qualquer dia desses. Etc…

Mais um exemplo, Jeff Hawkings, o cara que está revolucionando a neurologia e como pensamos o Cérebro.

Após ser rejeitado como pesquisador em alguns lugares porque ele queria teorizar neurologia. Então ele virou um cara que trabalhava com design de computação. Enfim, o cara agora tem uma boa fundação que serve para pensar neurologia. Ficou milionário e agora ele financia as pesquisas que ele queria fazer, e as faz ao mesmo tempo.

http://www.ted.com/index.php/talks/view/id/125

Odeio tudo o que vejo na FFLCH, não aguento mais a lentidão mórbida, que estressa a qualquer um.

Afinal, porque caralhos fugimos tanto do dinheiro?

Para mim, isso soa a medo do fracasso. And you know what, eu estou ficando cansado de tudo isso. Para fazer coisas super legais para o mundo custa uma puta grana, e acho que se alguém aqui quiser empregar os cérebros em ganhar dinheiro. Sinta-se acompanhado. Gahhhh (Stress)

E aí, alguém está a fim de pensar nisso? Alguém quer ganhar montanhas de dinheiro, como o Google, de uma maneira “Not Evil” e depois utilizar ele para ajudar quaisquer coisas que acreditemos que precisam ser feitas nesse mundo?

Esse texto está tão desorganizado quanto minha cabeça. Mas é exatamente isso que deve ser um bom brainstorm, é um que não sai da nossa cabeça completado. Esse brainstorm é um Call for Arms. Estou cansado da putaria, se alguém mais quiser entrar nesse tal capitalismo selvagem, dê um toque.

A falsa oposição

Virou moda argumentar por ai que muitas vezes uma oposição é simplesmente parte do sistema e que visa nele dar legitimidade ao pólo dominante. Especialmente em uma era pretensamente democrática, essa dinâmica estaria bastante “disseminada”. No final tudo seria um teatrinho, uma “tragédia” onde nosso herói constantemente apanha, mas que sua presença ou sobrevivência nos anima para uma luta impossível, que desvia nossos olhares do running the show dos bastidores.

Bem, é uma análise de dinâmica interessante. Politicamente deixar uma válvula de escape para a insatisfação, mas que controlada o suficiente para nunca atingir a massa crítica necessária para mudar algo, parece bastante sábio.

Que o diga nosso genial Gobery do Couto e Silva. General ‘sombra’ do regime militar brasileiro que montou o sistema Arena-MDB e controlou a dissenção gradual do regime. O objetivo era justamente ter uma oposição incapaz mas existente que permite que os militares chamem até hoje o periodo de democrático. Cassaram parte do legislativo opositor, fecharam bases de sustentação dos ramos mais radicais da oposição (sindicatos, etc) deixaram pois uma mirrada oposição moderada que tinha sempre que tomar cuidado para não se exceder no seu papel.

Claro que alguns MDBistas eventualmente se cansaram de ser marionetes. Em uma eleição dos anos 70 quase chegaram a boicotar uma eleição completamente, o que teria dado todos os cargos ao Arena mas teria tirado essa sua relativa legitimidade. Felizmente não o fizeram, e naquela eleição conquistaram tudo o que podiam no legislativo e quase todos os governos estaduais. Um sério golpe até em um estrategista brilhante como Golbery. E preparou as bases futuras para um movimento democrático grande, gerou quadros capazes e conhecidos.

Enfim, digo isso porque algumas opiniões muito contra intuitivas começaram a ganhar lugar que direcionam à inação política ao declarar que “resistance is futile”. Oposição é parte do sistema, você é nada mais que parte do show, etc. As vezes é uma análise interessante, mas cega para dimensões do problema que são muito mais facilmente acessíveis através da prática política. Uma oposição latente é sempre uma oposição latente, um perigo, uma infecção do sistêma que, baixada a imunidade, pode virar uma doença letal. Enfim, a importância de se ater as particularidades.

Psicologia e Trabalho

Aí vai um texto simples, só pra levantar a questão… é uma resposta a uma questão  de verificação de existência dos alunos (tipo verificação de presença).

Quais são as potencialidades e problemas da psicologia para explicar e contribuir com a relação homem e trabalho? 

A primeira definição de trabalho do Dicionário Aurélio é: “Aplicação das forças e faculdades humanas para alcançar um determinado fim”. Ou seja, temos aí uma concepção muito ampla de trabalho, que abarca praticamente todo o movimento humano na direção de interação e modificação do ambiente que o cerca.

Nesta perspectiva, o trabalho assume um papel fundamental. Em primeiro lugar ele é o espaço de expressão das potencialidades e desejos humanos. É pelo trabalho – e só pelo trabalho – que o homem poderá buscar seus sonhos e torná-los realidades. É pelo trabalho, que sua vida tomará sentido.

Mas não só isso. O trabalho é também o espaço onde o próprio humano vai se constituir, pois é exatamente nesta relação com o outro, com o não-eu, que o homem tomará forma. Ao se deparar com a realidade, seja numa relação trespassada pelo prazer ou pela frustração, o homem será marcado por esta, ela lhe dará contornos e lhe exigirá movimentos; uma vez que a realidade nunca é plenamente satisfatória, resta ao humano transformar-se e transformá-la no sentido que lhe convier.

Há no dicionário, entretanto, uma outra definição, mais restrita: “Trabalho remunerado ou assalariado; serviço”. Neste caso, temos uma visão mais próxima do que corriqueiramente se chama de trabalho. Estamos falando do trabalho assalariado, de emprego, uma relação na qual alguém vende sua força de trabalho à outra pessoa em troca de dinheiro.

Apesar de mais restrita, esta outra definição não exclui a primeira. Trata-se apenas de uma modalidade específica de relação com o meio ambiente, uma modalidade que ainda implica transformação de ambas a partes, mas que tem a peculiaridade de ser determinada não apenas pelo sujeito que trabalha, mas principalmente pelo sujeito que contrata.

Na sociedade atual, para a maior parte da população não resta outro tipo de trabalho que não este. As pessoas não nascem com dinheiro e precisam dele para subsistir. Chegamos assim a um ponto de conflito: o trabalho, esta dimensão fundamental para a vida de cada homem, fundamental para o desenvolvimento e para a significação da vida, está em função dos interesses de um outro homem. Dessa forma, no lugar do trabalho particular de cada um, do trabalho como expressão da subjetividade e como ferramenta necessária e pertencente à história do sujeito, encontramos um trabalho que lhe é extrinsecamente imposto, um trabalho que não necessariamente – e pouco provavelmente – se alinhará com as necessidades e demandas deste homem.

Isso não significa também que não seja possível alcançar-se a realização no trabalho e nem que não existam elementos gratificantes nele. Mas quando se pretende realizar uma análise da relação do indivíduo com o trabalho, faz-se fundamental atentar para o estatuto da posição deste na vida daquele; levando-se em conta, então, a sua centralidade na constituição subjetiva das pessoas e a gravidade de suas limitações para esta configuração. 

Neste ponto, chegamos a uma questão ética. Questão que circunda todas as relações e pessoas envolvidas no processo de trabalho, mas que sobressai na perspectiva da psicologia sobre o tema, pelo seu posicionamento.

A questão que se coloca é em que sentido os detentores do poder econômico e político determinarão as condições de trabalho daqueles que não tem o direito de escolha de se submeter ou não a esta ordem pré-estabelecida. Em outras palavras: até que ponto os detentores do poder vão submeter os desprovidos de poder a situações desumanizadoras para alcançar seus objetivos?

E esta é uma questão que salta aos olhos no campo da psicologia, pois neste campo (junto com outros campos das ciências humanas) pode-se ter uma das melhores visões das conseqüências deste processo. A partir da compreensão da importância do trabalho para a vida, não se pode permanecer indiferente frente a qualquer tipo de prática de exploração, as quais sabemos que muitas vezes irão desestruturar completamente seu objeto de exploração – o homem.

Obviamente, a psicologia ainda tem muito a contribuir para o pensamento da relação homem-trabalho. Entretanto, já se sabe que este não é um tema qualquer, e por isso ela deve ter claro para si a que interesses ela estará servindo. Pois quando for levada para a prática, ela pode tanto ser usada para uma mais eficiente manipulação do trabalhador, como para uma busca de melhores condições de vida para este, minorando assim as já suficientemente graves injustiças sociais.

Ou seja, deve-se pensar a psicologia levando-se em conta a realidade concreta (tanto a social como a psíquica) em que as relações de trabalho se inserem, e nunca se esquecendo que existe uma forte tendência dos discursos científicos a se alinharem a pontos de vista ideológicos, de modo a camuflar injustiças e perdendo de vista os verdadeiros objetivos de busca de um conhecimento útil para o homem – e não um conhecimento útil ao capital. 

Referências Dicionário Aurélio Eletrônico – Século XXI, versão 3.0, 1999.

O mundo pode acabar

Dentro em pouco pretendo postar um texto que escrevi já faz um tempo sobre Sabedoria e Inteligência, no qual argumento que ambas são movidas, de alguma maneira, pela capacidade de pensar no longo prazo.

Interessantemente, as vezes, coisas de longo prazo tem um efeito violento no nosso curto prazo, e sequer somos capazes de prevê-las.

Esse sujeito, por outro lado se dá ao trabalho de prevê-las, e propor soluções.

É realmente importante que as poucas mentes capazes de compreender essas questões se voltem para elas as vezes, and so, I give you:

About Being A Philosopher

This was written a while ago, far enough to be forgotten, yet near enough to be still true.

 

As far as things go, I’m getting used to the idea of being a philosopher. I see good company on the books, only scarcely worse than humans, but overwhelmingly more intelligent, complex and well articulated. Almost Everything a philosopher does seems to me as very interesting, complex, recompensating job. Giving classes about other philosophers, stating about the class of all philosophers. Reading, writing, giving council to the general population, writing good books for the elites, everything seems so much like me. People do not need to be a scientist or a mathematician to become humans, as I intend to learn during the coming years. (my Gosh, aint it hard!)

I do not see life in a mercadologic way, I take a look at life and I want to view it from that part of the outside where you can stand above it and judge it, try to comprehend it, the universe, and everything else. I want to be in front of the computer, blank screen waiting for me and let the infomation flux pass through, and present it to the world without ever regreting this choce. I would not die for my ideas, for they could all be wrong, but definately I would die without them being constantly scrambled in my mind. I do not require the ultimate god like universe tranhumanists pursue to make a philosopher life happy. The nature of the world is already enough fantastic without it, although maybe life isn’t.

I can look at things the way a philosopher does, I am a philosopher. I cannot, for a single second, sing better than I can think about the process of becoming a great singer. I do not want to sell a value that people want to buy. Making everything sellable was a very good thing for technology, but selling people like me is sacrificing civilization in the name of one of its ideals. It just doesn’t happen.

If am I going to earn money from it or not is a consequence that is not predictable in any sense. There is no way of tracing the life of a special person further since no specific group can be used as the pattern in which he will follow.

So, what do I do? I write, I think, I study philosophy for serious until I can’t take it anymore, and then I will se what happens, not before. I did not come to the world to give my body to the omnivorous starving market, I came to be happy, and happiness and knowledge seem to have become intrinsically entangled for me, oposing happiness and money which are intrinsically entangled for everyone else (or at least they think). Be within the sistem, but be out of its engine, that is what I feel. The whole sistem is constructed according to the simple principle of maintaining people like me in the top, so, let us test the sistem, and see what happens.

Perdão e religião.

O perdão fica pros dois posts que eu tinha mandado. eram projetos iniciais que não gostei e pensei em salvar para depois continuar mas  que sem querer publiquei. Um dia eles aparecem completos.

Sobre a religião:

O que você faria antes do fim do mundo?

LONDRES (Reuters) – Um asteróide está na rota de colisão da Terra e você tem uma hora de vida. O que você faria com seus últimos 60 minutos?

Sem grandes surpresas, a maioria dos britânicos questionados em uma pesquisa –54 por cento– disse que passaria seus últimos momentos com seus parentes e amigos queridos pessoalmente ou no telefone.

  • E você, o que faria em sua última hora de vida? Comente.

    A pesquisa, entretanto, revelou uma grande onda hedonista– 13 por cento dos entrevistados sentariam e esperariam o inevitável com uma taça de champanhe.

    Sexo seria a opção de apenas nove por cento, enquanto três por cento rezariam.

    Dois por cento disseram que comeriam algum alimento rico em gordura. Outros dois por cento decidiriam que é hora de começar a roubar.

    A pesquisa foi conduzida pela Ziji Publishing para marcar o lançamento do livro “Cloud Cuckoo Land”, estréia do escritor Steven Sivell, que “usa a clássica premissa de uma inevitável colisão de um meteoro como uma metáfora para ameaças à raça humana”.

    3% rezariam (eu sou com certeza um homem da champagne-Esse é meu Deus). 3%. Quase tanta gente correria pra igreja quanto pra um McDonalds.

  • Da unidade a contradição

    Escrevi esse texto tem algum tempo, depois de o ler recentemente achei algumas coisas obvias demais e outras de menos. Um problema básico para mim desde que comecei a pensar mais seriamente em filosofia é a necessidade de uma unificação entre ciências humanas e naturais, em algum momento do texto queria esboçar uma noção qualquer, que deve ter ficado bem vaga ao leitor, de que existe um mesmo movimento de aparição do sujeito e sua posterior problematização em todos os campos do conhecimento. Isto poderia ser o começo de um principio unificador.

    Não conheço quase nada de Hegel nem de Aristóteles, apenas li a Metafisica e a Fenomenologia do Espirito varias vezes.

    Da unidade a contradição

    Num resumo pobre pode-se dizer que a dialética hegeliana apreende o ser em afirmação, negação e síntese, ou ainda mais precisamente, quando o ser imediato (consciência ou objeto) “… se aliena e depois retoma dessa alienação… ” (Fenomenologia do Espírito, p. 46)Criam-se assim três momentos: ser, não-ser e vir-a-ser (síntese). È necessário dividir-se o ser em 3 partes contraditórias para compreendê-lo. Há a presença do falso e do verdadeiro ambos afirmando-se e negando-se na constituição do ser.

    Aristóteles por seu turno afirma que “… [falsa] é a noção das coisas que não são, por isso toda noção è falsa quando referida a coisa diversa daquela acerca da qual é verdadeira” (Metafísica, p. 261). Falso e verdadeiro são necessariamente excludentes em Aristóteles, não é possível existir ao mesmo tempo, nem em processo, o ser e o não-ser, somente um tem de ser verdadeiro. Sua exposição contra o termo médio também deixa clara essa posição. (na p. 179) No caminho inverso afirma Hegel que a distinção entre falso e verdadeiro não é estaticamente binária:

    “O verdadeiro e o falso pertencem aos pensamentos determinados que, carentes-de-movimento, valem como essências próprias, as quais, sem ter nada em comum, permanecem isoladas, uma em cima, outra em baixo. Contra tal posição deve-se afirmar que a verdade não é uma moeda cunhada… “(Hegel, p. 48).

    Também ao falar sobre o contraditório Hegel diverge de Aristóteles:

    “Com a mesma rigidez com que a opinião comum se prende à entre o verdadeiro e o falso, costuma também cobrar, ante um sistema filosófico dado, uma atitude de aprovação ou rejeição. Acha que qualquer esclarecimento a respeito do sistema só pode ser uma ou outra. Não concebe a diversidade dos sistemas filosóficos como desenvolvimento progressivo da verdade, mas só vê na diversidade a contradição” (Hegel p. 26)

    O dualismo entre os primeiros termos sendo contraditório basta para por a tríade dialética hegeliana em cheque se levarmos em conta a afirmação aristotélica. Como um sistema se diz ele todo verdadeiro se na relação de seus termos existe a contradição? A argumentação de que tudo em Hegel é processo que se atualiza mediante a sua tendência à verdade universal absoluta, que é por si só coerente, perde o sentido, pois o próprio processo de mediação em Hegel é contraditório:

    “Com efeito, a mediação não é outra coisa senão a igualdade-consigo-mesmo semovente, ou a reflexão sobre si mesmo, o momento do Eu para-si-essente, a negatividade pura ou reduzida à sua pura abstração, o simples vir-a-ser” (Hegel, p. 36)

    Se a verdade absoluta é una e não contraditória, mas, no entanto nunca se chega a ela sendo, ela própria, um processo de atualização negativa, o absoluto é o contraditório.

    São inúmeras as citações que tornam evidente esse contraponto, no que se refere a contradição, entre as filosofias hegelianas e aristotélica. Não se quer aqui apenas evidenciar a distinção, pois é fato conhecido que sistemas filosóficos se distinguem. A questão a se fazer, no entanto é: Por que a contradição, a negação, a proposição de pares diversos (mesmo que dentro de uma tríade genuína) dentro da própria natureza do ser faz-se importante em Hegel e mal vista em Aristóteles? O que no desenvolvimento do pensamento fez necessária essa contradição?

    Hegel, ele mesmo, pode vir a esclarecer está questão: “A significação de tudo que existe estava no fio de luz que o unia ao céu [..,] o olhar deslizava além, rumo à essência divina, uma presença no além – se assim se pode dizer. […] Muito tempo se passou [ . .] para tomar o presente, como tal, digno do interesse e da atenção que levara o nome de experiência” (Hegel, p. 24) Este excerto de Hegel, em que ele comenta sobre filosofia antiga, aponta uma resposta ao dilema que se toma obvio à qualquer passadela de olhar sobre o título das obras centrais em questão, de cada um dos autores: Metafísica e Fenomenologia do Espírito.

    Na Metafísica se discute a filosofia enquanto saber, é a sapiência a ciência divina que “… tem por seu objeto as coisas divinas” (Aristóteles, p. 13) Em Aristóteles não é discutido se a coisa-em-si é a coisa mesma, de fato a coisa-em-sí não entra em questão, somente o ser, a substância, o princípio, a causa, o um, o necessário… – vide Metafísica Livro A, quinto – pois, não há a separação sujeito e objeto no entendimento do real. A experiência em Aristóteles é o que leva a sapiência, mas uma vez galgado o monte e se assentado sobre as causas primeiras a experiência raramente desempenha seu papel no ulterior desenvolvimento filosófico de seu sistema metafísico. O saber para Hegel num primeiro momento pertence ao ser (seja ele o homem ou não) e deve percorrer o caminho de “… demorar-se e esquecer a si mesmo […] estar na coisa e abandonar-se a ela”.(Hegel, p, 27). O sujeito se faz importante: “… tudo decorre de entender e exprimir o verdadeiro não como substância, mas também, precisamente, como sujeito”.(Hegel, p.34)

    A resposta à pergunta formulada é a mesma dada A Esfinge por Édipo: é o homem

    Talvez como confirmação da tese da existência de um espirito universal hegeliano uma citação de Jung, por mais atópica, mostra que esse processo ocorreu tanto no desenvolvimento filosófico como no psicológico-religioso: “Por esta razão o uno precisa ser substituído por um outro. O mundo do Pai é, pois, mudado, em principio, e sucedido pelo mundo do filho” (Jung. Analise Psicologica do dogma da trindade) Uma mera explicação psicológica reduzida a si mesma ou filosófica dela (filosofia) reduzida a si mesma não pode dar conta de entender a semelhança que é evidente aos olhos, pois qualquer uma delas reduziria a outra a objeto. A bem verdade discussões deste tipo costumam recair em problemas metodológicos que a tudo se assemelham com a querela do farmacêutico Homais com o padre Boumisien de Madame Bovary que citavam Voltaire e Nicolau na noite da morte de Ema Bovary para saber se ela havia morrido com graça ou sem graça – entre outras picuinhas – e que no entanto não fizeram de fato nada por ela enquanto viva. (Madame Bovary de Flaubert Capitulo 9).

    Na física o processo não se fez diferente. A rígida separação sujeito e objeto exigida pelo positivismo é o desenvolvimento deste processo. O que o positivismo reivindica é a separação entre o homem que pensa e a realidade, mas a separação entre duas coisas que antes eram uma nada mais é que a criação de ambas. Como já se falava em natureza, na verdade se criou o sujeito. O homem já existia dentro do pensamento desde os primórdios, mas nunca foi considerado como categoria primordial ao próprio pensamento que pretende entender o real. No entanto, tal separação não é tão bem firmada, resultado esperado de um processo dialético. Como se pode observar pelo fato dos filósofos da ciência, como K. Popper, preferirem o termo intersubjetivo para definir o objetivo: “Ora, eu sustento que as teorias cientificas nunca são inteiramente justificáveis ou verificáveis, mas que, não obstante, são suscetíveis de se verem submetidas à prova. Direi, conseqüentemente, que a objetividade dos enunciados científicos reside na circunstancia de eles poderem ser intersubjetivamente submetidos a teste ” (Lógica da Pesquisa Científica, p. ?)

    A derrocada da ciência puramente objetiva não ficou restrita a discussões dos filósofos da ciência, os próprios escritos de físicos da teoria quântica observam o fato:

    “The probably function combines objective and subjective elements. It contains statements about possibilities or better tendencies (‘potentia’ in Aristoteíian philosophy), and these statements are completely objective, they do not depend on any observer; and it contains statements about our knowledge of the system, which ofcourse are subjective in so far as they may be different for different observers.”

    “…the probability function contains the objective element of tendency and the subjective element of incomplete knowledge.”

    (Heisenberg, Physics and Philosophy)

    Adorno e Popper

    T. W. Adorno observa este anuviamento entre sujeito e objeto nas ciências sociais. Na teoria quântica, quanto mais o sistema se toma microscópico mais este anuviamento aumenta, e na mesma proporção o conhecimento subjetivo – assim o problema do particular também o faz. No entanto “…não há acréscimo, mas desfigurações das ciências, quando se confundem os seus limites” (Kant, prefacio a CRP). Nas ciências sociais o método é reflexo da própria situação do objeto e por isso ele também deve ser posto em questão. “Ela é ao mesmo tempo também crítica do objeto, da qual dependem todos os momentos localizados no lado subjetivo, que é o dos sujeitos subordinados a uma ciência do objeto, do qual afinal dependem todos os momentos localizados no lado subjetivo, que é o dos sujeitos subordinados a uma ciência organizada” (Adorno, em um debate sobre sociologia com o Popper, acho que isso ta naquele volume Adorno da coleção Sociologia)

    A alusão a Kant ganha força na mesma medida em que o olhar se volta sobre o texto adorniano. Não são possíveis tais analogias simplistas. O objeto parece conter mais do que contem. É o problema de sua apreensão. O que se depreende da citação feita é que esta analise leva a considerar não somente o aumento da porção subjetiva nas ciências sociais, mas”… os momentos localizados no lado subjetivo, que é o dos sujeitos subordinados a uma ciência organizada”. Esta subordinação toma corpo em ‘O conceito de Esclarecimento’ assim como o seu reverso. Pela própria situação no caso em que foi escrito o primeiro texto, o seu conteúdo não faz jus a analise feita por Adorno destas conseqüências.

    “O conceito de esclarecimento” não se furtaria a dizer que tal tipo de analise fatalista acaba por desfavorecer todo o projeto que se tinha. A Dialética do Esclarecimento não é a contemplação da situação do objeto da situação do objeto, ela è o próprio método aplicado a si mesmo. Ela não é um dos “… inúmeros projetos simplesmente desenvolvidos para a carreira acadêmica nos quais a irrelevância do objeto combina perfeitamente com a obtusidade das técnicas de pesquisa” (Adorno). Também não é mera figura da filosofia especulativa que paira sobre a realidade, esta imbuída também de um empirismo, sem o qual nunca daria conta da tensão, que é não somente um substituto da verdade, mas o processo de se obter a verdade e mesmo como processo, não se define, é, pois, o conflito mesmo manifesto, a critica imanente.

    Existem ainda certas semelhanças, identificadas por Adorno, entre seu método e o de Popper: “A partir do instante em que ele identifica a objetividade da ciência com a do método critico, ele eleva este a condição de órgão da verdade. Nenhum dialético poderia exigir mais atualmente” ou ainda “Parece-me digno de menção que um estudioso para o qual a dialética é anátema veja-se compelido a formulações próprias do raciocínio dialético” O distanciamento de Popper em relação ao positivismo, no entanto, é prova do distanciamento entre este ultimo e a crítica imanente. Mas a reflexão positivista pode ser considerada ou seu contexto próprio das ciências naturais também como falso, pois o puro determinismo não mais da conta de entender a realidade como tal.

    Entre Popper e Adorno, vemo-nos em torno do estado das coisas que se instala na discussão entre o padre e o farmacêutico de Madame Bovary. Meramente acompanhar o pensamento de autores acaba por tomar a leitura totalitária, deve-se por mais incipiente a analise, tentar por a cara a tapa. Um pensamento que contenha em si a possibilidade da libertação como meta, é o mais totalitário de todos, se refere à possibilidade, trata justamente daquela categoria kantiana que “è o principio supremo de todo o conhecimento humano”; “O principio da unidade sintética da apercepção de todo o uso do entendimento”. É necessário o cuidado que o esforço tenso, a critica imanente, não se converta num sistema.

    Brainstormers, O início

    Este é o Post Número 1 do Brainstormers.

    Como tal, ele não deve ter nenhum conteúdo, grande questão ou evocação.

    Espero que essa iniciativa nos ajude e divirta bastante, e ressalvo que a principal função do blog será a de promover uma interação entre diversas áreas e tópicos do conhecimento. Criei um monte de Categorias, e se vocês quiserem podem criar mais, esses tópicos me pareceram coisas que sem dúvida acabariam por aparecer por aqui.

    Algumas sugestões minhas para o bem utilizar do Blog:

    Postar sob categorias e colocar Tags indicativos, evitar textos maiores do que 7 páginas em word, evitar comentare  acusar coisas idiotas (erros ortográficos, citações levemente incorreta), conceder a primazia a falar claro e não a falar corretamente.

    Expor sempre que possível o texto ou comentário sem pressupor que o leitor sabe muito sobre o assunto. Encará-lo como um intermediário entre o leigo e o conhecedor.

    Evitar palavras que descrevam algo muito específico (Jargões) sem explicar o que é.

    Finalmente, posts somente em Português, Inglês, e citações em demais idiomas traduzido para um desses dois.

    Abraço e boa sorte para nós, que esse experimento se revele não apenas frutífero como de muito bom gosto.