O Segundo Maior Erro Econômico Que Você Vai Cometer Na Vida, E Como Corrigí-lo

“The right age to start having sex, according to South Park episode “Proper Condom Use”

Chef: “The right time to start having sex is 17.”
Sheila: “So you mean 17 as long as you’re in love?”
Chef: “Nope, just 17.”
Gerald: “But what if you’re not ready at 17?”
Chef: “17, you’re ready.”

Atualmente, a economia mundial é uma grande bagunça. Desde o fim do lastro em ouro, e até antes, é possível que uma moeda varie seu valor milhares de vezes em menos de um ano. No Zimbabwe, uma nota de 100 trilhões de dólares zimbabwanos chegou a ser impressa. Nossa mente no entanto não está adaptada a isso, e aqueles pouquissimos de nós que conseguem planejar a vida a longo prazo 2 + anos, costumam cometer o erro de se ater ao valor nominal do dinheiro.

Esse erro é também chamado de Money Bias. Quando as pessoas fazem isso, elas desconsideram o valor importante, que é o valor de paridade poder de compra. Pessoas mais inteligentes e aculturadas sabem desse fenômeno. Infelizmente, isso não lhes ajuda a resolver o problema. A razão se segue:

Inteligente: Ei, você não deveria pensar que deve ganhar 3000 reais por mês e que isso vai te dar uma vida boa, porque 3 mil reais vai valer algo diferente daqui a dez anos.


Ignorante: Como assim?

Inteligente: Seguinte, pensa só, o poder de compra dos brasileiros sempre aumenta e todo mundo está ganhando mais, então cada dinheiro vale menos, o estado imprime notas, e a economia global em geral gera dinheiro sem gerar o valor equivalente, segue que o dinheiro, assim como a sua casa, está depreciando….
cada 100 reais de hoje valem menos amanha……. porque tem outras pessoas investindo dinheiro, e se você não investe, o seu não valoriza como o delas etc…


Ignorante: Então eu devo investir meu dinheiro?


Inteligente: Não é bem assim, porque um investimento pode virar contra o feiticeiro e você pode perder tudo, dependendo do risco….


Ignorante: Então como as pessoas fazem? Se arriscam?


Inteligente: Não, o sistema capitalista tem normas de proteção aos ricos, que impedem que se perca investimento a partir de um certo tanto, isso é feito através de órgãos de roubo de pobres internacionais, como o FMI, o banco mundial e os próprios governos dos países. O sistema proteje o investidor e desvaloriza o dinheiro dos pobres.


Ignorante: Oh, que horror, como o capitalismo é cruel, devemos destruir as máquinas?


ahuahuhuuhahuauha ahuahau


Inteligente: Na verdade já tentaram isso, vocês não podem fazer nada porque não são inteligentes o suficiente para resolver o problema, se eu entrasse em detalhes, você simplesmente não entenderia, e é feito para que seja assim, é um problema sistêmico e sem solução.


Ignorante: Oh, que horror, e o que posso fazer em meu nível intelectual baixo para estar melhor que meus amigos.


ahuahuhuuhahuauha ahuahau


Inteligente: Aceite que o sistema vai continuar assim e use a seguinte fórmula para calcular quanto dinheiro você deve ganhar por mês para se sustentar e sustentar as pessoas mais inteligentes que você: Some o valor chamado “inflação” a 100%, por exemplo se a inflação foi 2% você chega a 102%.


ahuahuhuuhahuauha ahuahau


Inteligente: Se você achava que tinha que ganhar 1000, deve agora ganhar um número altamente complicado.


Ignorante: qual, 1020?


Inteligente: Sabia que você ia dizer isso… Não, não é assim que funciona, ou melhor, é, mas cuidado porque em outros casos porcentagens variam diferente pra cima e pra baixo, faz o seguinte, me manda um e-mail, e eu faço pra você sempre que você quiser, ok?


Ignorante: Ok.


Passam-se 9 anos, e o Inteligente e o ignorante se reencontram num parque ao sol das 3 da tarde.


Ignorante: Oh, que horror, estou pobre.


Inteligente: Não sei como isso aconteceu, eu também!


Ignorante: Ué, mas você não sabia todas aquelas fórmulas de cálculo de inflação?


Inteligente: Sim, mas…. mas……


Ignorante: Aliás, eu esqueci de te pedir ao longo desses anos para calcular pra mim, porque sempre estava fazendo outra coisa, e sabe como é, a taxa de desconto é hiperbólica……


Inteligente: Então, eu tinha todo aquele conhecimento teórico, mas como era muito complicado, eu simplesmente assumi que quando necessário podia fazer as contas….


Sábio: Já eu, inventei uma unidade de dinheiro chamada Diêgar. Um Diêgar é a média de preço entre uma promoção do número um do big mac e a meia entrada no cinema. Usei Diêgares como método de cálculo do meu poder desejado de aquisição, e agora continuo rico!


Inteligente: Mas segundo a escola de Frankfurt e o prêmio nobel X esse índice tem uma correlação apenas indireta com ………………… ……………. whiskas sachê………..


Sábio: Você ainda não tem muita sabedoria, my young padawan, você pode saber muito sobre a realidade objetiva, mas não conhece a natureza humana. Nós, primatas da savana, não fomos feitos para aplicar fórmulas, se você usa um indicador simples mas emocionalmente catchy, você tem muito mais chances de lembrar o que quer que seja, e inserí-lo de fato em sua vida pessoal.


Inteligente e ignorante: Oh, que horror, como pudemos ser tão inteligentes e tão ignorantes ao mesmo tempo…… e Diga-nos, ó grande sábio, quantos Diêgares, isso é, quantas vezes a média entre o preço do big mac e o preço da meia entrada do cinema são necessários para viver?


Sábio: 300.


ahuahuhuuhahuauha ahuahau ahuahuhuuhahuauha


Inteligente e ignorante: Como assim 300? isso não depende de vários fatores, educação, moradia, juventude, gênero.


Sábio: Não, apenas 300.



Ética, Herança, Propriedade, Há Alternativa?

Faz uns anos que a seguinte questão me intriga: O que seria bom em termos de herança e propriedade.

Uma questão para mim é bastante relacionada: Se tenho uma moeda, e digo que apenas se ela der cara vou usar meu dinheiro para comprar piscinas de plástico, e se der coroa não, deve haver um regulamento diferente para os impostos sobre as escolhas caso dê cara e caso dê coroa?

Em geral as pessoas estão dispostas a dizer que é absurdo condicionar impostos sobre se uma decisão financeira foi ou não feita porque uma moeda deu cara… Uma piscina custa 10000, seja porque deu cara ou porque deu coroa, o imposto sobre ela será 300, digamos….. Não parece fazer sentido nenhum pensar que devemos taxar apenas as caras.

Uma intuição contraditória a essa rege o seguinte princípio: Quando uma pessoa morre ela deve ter grande parte de sua herança adquirida pelo Estado, já que ela era parte da sociedade e isso funciona como distribuição de renda etc…

A razão da contraditoriedade: Digamos que eu tenha meu milhão de reais. Meu amigo Alfredo tem o dele. Eu decido condicionar meu uso de dinheiro segundo a moeda…. Ele decide escrever um testamento em favor de sua filha. Mal sabíamos nós, mas um terrorista maluco estava a distância, e nos moldes de um filme do irmão Cohen, decidira que a vida de Alfredo estava para ser decidida naquela moeda. A moeda dá cara, e após o funeral de meu pobre amigo, que recebera um tiro de sniper, eu compro minhas piscinas.

Ambos os eventos foram condicionados na mesma coisa, mas eu pago impostos normais, e o patrimônio dele é tomado pelo Estado, que diz que é justo e razoável que um dinheiro que não foi ganho pela filha fique com ela, pelo menos não tanto. Em geral é assim que ocorre, principalmente em países mais ricos.

Há uma grande diferença entre dizer que alguém não merece um patrimônio porque não ganhou ele, e dizer que uma pessoa pode gastar o próprio dinheiro com o que bem entender. É estranho que, de todas as coisas do mundo, é quando uma pessoa escolhe gastar seu dinheiro com aquele que criou, ama, compartilha genes e mais quer garantir, que surge uma lei dizendo: Não. Você pode gastar seu dinheiro com BMW, Diesel e Dolce Gabbana, mas jamais, ouça bem, jamais, deixaremos que você gaste (uma parte d)ele com sua querida e amada filha, que saiu de seu ventre, que você viu falar pela primeira vez, ensinou boa parte do que sabe, ama de paixão etc….

Vivemos em uma sociedade que é menos favorável ao gasto de dinheiro com nossos filhos do que, digamos, com prostitutas.

Isso soa doentio.

Por outro lado, não é doentio que não tenhamos um sistema de correção de todas as mazelas sofridas por aqueles que nascem pobres? O mínimo que se espera de uma sociedade não Nietzscheniana é que haja uma tentativa de igualdade de condições de criação. É absolutamente revoltante que alguém nasça com direito a fortuna de um califa árabe enquanto milhares de sauditas famintos não tem acesso a educação por falta de dinheiro.

As duas intuições são importantes, e é bem difícil decidir entre elas.

A questão que se coloca é em parte: Como decidir sobre o direito a patrimônio. Em favor dos seres que virão a existir, ou em de acordo com quem produziu o valor?

Ninguém tem culpa de existir. “Existirmos a que será que se destina?”

Os pais não tem culpa de preferirem seus filhos a roupas da Diesel.

Nesse ponto você já deve ter decidido de que lado está, isso se deve ao fato de que, como todos os humanos, você está sujeito aos bias cognitivos, inclusive:

Need for Closure – the need to reach a verdict in important matters; to have an answer and to escape the feeling of doubt and uncertainty. The personal context (time or social pressure) might increase this bias.

E você acha que tem de estar de algum lado porque sofre do que Dawkins chama de “tragedy of the bicameral mind” a tragédia que é que nossa cognição divide tudo em dois grupos e acha que tem de ser “sim ou não”, “preto ou branco”, “certo ou errado”, etc…. More often than not, você deveria procurar uma Terceira Alternativa

Saíram uns papers sobre pensar em grupo, que dizem que um grupo acha uma solução melhor do que seu melhor membro: “We found that groups of size three, four, and five outperformed the best individuals and attribute this performance to the ability of people to work together to generate and adopt correct responses, reject erroneous responses, and effectively process information,” said lead author Patrick Laughlin, PhD., of the University of Illinois at Urbana-Champaign.

Então, mesmo que você se ache a pessa mais genial do mundo, deixe os outros ajudarem você a pensar para encontrar uma terceira opção.

Para o caso das heranças por exemplo, estou fazendo isso. Não tenho idéia. Me ajudem a pensar!

We need you!

We need you!

No fim do ano passado me lembro de ter assistido a propaganda do Singularity Summit 2009 e ela ter me passado um sentimento de “Transhumanists of the World, rise!”. Claro que na verdade a conferencia foi sobre singularidade, que é apenas uma subtopico do transhumanismo. Visitando o site da associação mundial transhumanista (agora Humanity Plus) é possível constatar que não existem muitos transhumanistas por ai, pelo o que me lembro a contagem estava em torno de 5.000. Que de fato praticam e escrevem a respeito, com certeza existem talvez menos que centenas. Mas esses poucos tem feito barulho recentemente! Surpreendentemente no Brasil também. Nos meses passados tem aparecido um crescente numero de reportagens de capa a respeito:

Capa da Superinteressante de Novembro de 2009: A pílula da inteligência

Capa da Scientific American edição 90, de Novembro de 2009: A pílula da inteligência

Capa da Superinteressante de Janeiro de 2010: Imortalidade

Capa da Filosofia edição 43, de Fevereiro de 2010:  Transhumanismo

Entrevista com Nick Bostrom, Revista Filosofia No. 48

Matéria sobre o Paradoxo de Fermi e o Futuro da Humanidade, Revista Filosofia No. 47

Nos paises desenvolvidos a exposição na mídia de temas tranhumanistas é ainda maior. Só o fundador da associação transhumanista, Nick Bostrom, já participou de quase 400 entrevistas para revistas como a Times e canais como a CNN. Se com tão poucos transhumanistas ativos já temos feito tanto barulho imagino quando aqueles outros milhares começarem também a se envolver.

O fato é que querendo ou não, você racionalista e amigo da tecnologia terá um papel fundamental no futuro próximo. Cada vez mais esses temas estão sendo divulgados e cada vez mais eles irão parar na discussão da mesa de jantar da pequena elite intelectual que controla a opinião das massas. Por isso não se sinta surpreso de se encontrar cada vez mais freqüentemente na posição de defensor das “loucuras” tecnológicas e acima de tudo nunca tema se colocar ativamente nesse papel. São aqueles que se dispuserem a energicamente causar uma mudança de opinião que serão os primeiros e principais responsáveis pela implementação dos avanços tecnológicos.

Alem dessas situações domesticas também não se acanhe em participar nos meios públicos de divulgação da informação como blogs, sites, revistas, emissoras de TV e rádio. Você tem uma responsabilidade e um papel fundamental no futuro das pessoas com quem você se importa e no futuro da humanidade como um todo, exerça essa responsabilidade.

Dois bias que podem acabar com a humanidade

Um bias cognitivo é uma tendência inerente que temos, ao pensarmos ou analisarmos certas situações,  de cometer desvios sistematicos da racionalidade. Existem dois bias não listados em nenhum livro sobre bias cognitivos que considero como os principais no que concerne a avaliação de potencias riscos catastroficos à raça humana.

Bias Observacional

Tratei de modo mais axiomático deste bias em outro post. Aqui tentarei expor ele de maneira mais concreta. Imagine um jogo de computador baseado na evolução com pequenas entidades auto replicadoras que geram algoritmos comportamentais nessas peculiares entidades e um ambiente virtual. A simulação reinicia periodicamente a cada T segundos e as populações são extintas sem deixar rastros. O evento só ocorre caso as entidades não tenham desenvolvido um conjunto muito especifico de algoritmos. O leitor poderia imaginar que essas nossas entidades teriam uma tendência a evoluir este certo algoritmo, pois de outro modo seriam extintas. Mas esta impressão está errada pois durante toda a historia de uma dessas populações de entidades virtuais muito provavelmente não há qualquer razão especifica para que esta população tenha desenvovido este algoritmo e caso, sem aviso, o programa se reinicie a população vive caso possua o algoritmo e é completamente devastada caso contrario: não há a chance de que as entidades que sofreram o holocausto passem as gerações futuras a informação de quem um cataclismo acontecerá e que só aquelas populações com o algoritmo sobreviverão; não há a chance de nossas pobres entidades aprenderem evolutivamente deste horrendo acontecimento pois cada vez que ele acontece o jogo é reiniciado do zero. Apesar de estar sob o risco de extinção essas ingênuas populações nunca ficam sabendo deste fato simplesmente porque as que sabem morrem e as que não são extintas por possuírem o algoritmo não estão sob este risco para se informarem dele. Se há uma pressão evolutiva agindo seria uma seleção por ignorância. Alem disso se assumirmos um crescimento populacional maior que zero, se você é uma dessas entidades, a maior probabilidade é que esteja mais próximo do tempo T de extinção do que mais longe. Isto é uma conclusão facilmente obtida a partir da SSA, se você um uma entidade aleatória que não sabe quando será extinta, mas sabe que a maioria das entidades esta mais próxima do fim do que do começo então você deve assumir que está mais próxima de ser extinta do que não. Uma população de entidades rudimentares, em seus começos, pode ter um futuro vasto a sua frente. Enquanto que uma população já extremamente evoluída e adaptada ao ambiente provavelmente esta no seu fim. É fácil constatar que nós partilhamos da mesma ignorância destas ingênuas e ledas entidades. Nós só estamos vivos, pois não fomos extintos, logo não podemos usar esse dado para calcular nossa probabilidade de extinção. O dado de ha quanto tempo não fomos extintos muito menos, pois o que se da é o inverso, quanto mais tempo permanecemos vivos maior a probabilidade de sermos extintos no instante seguinte. Temos, portanto de usar outros meios indiretos.

Bias da Intencionalidade

Durante a imensa maioria da historia da humanidade os eventos naturais eram em sua maior parte inevitáveis e matavam muitas menos pessoas do que os eventos humanos evitáveis. Naturalmente que aqueles que sabiam evitar a sua própria morte através de outro ser humano sobreviviam em oposição aos que não conseguiam e aqueles que desnecessariamente despreendiam energia em evitar eventos inevitáveis – mantendo o resto constante – tenderiam a não sobreviver frente a grande escassez energética. Esta situação criou um bias – até pouco tempo vantajoso – de se preocupar muito mais com perigos intencionais do que não intencionais. Esse é talvez o principal bias a desviar a atenção da humanidade para os principais eventos catastróficos. Só muito recentemente tem-se dado conta de um destes muitos perigos: o aquecimento global, – talvez as custas de identificar paises ou industrias como as culpadas – enquanto os outros inúmeros males permanecem na penumbra.

Sobre ler os Clássicos -On Reading Classics

By Peter Gerdes

Absolutely signed below by Diego C

In my view one of the most glaring indictments of the way philosophy and other humanities are taught and practiced is the senseless insistence on reading original works by the great masters. This is most apparent in the continued consumption of Plato, Hobbes, Aristotle and the like in philosophy but can be equally well be seen in the reverance for Chaucer, Shakespeare or other literary classics. To my horror this reverence for the original works is even being promoted in economics. So even though I gave a short reply in the comments at overcoming bias when this issue came up I’ve been meaning to discuss the question in more detail.

For the moment I’d like to set aside the issue of literature for another post and focus on subjects like philosophy and economics where (at least in theory) the aim is to genuinely progress towards a (more) accurate/useful understanding. Since I find it genuienly perplexing why one would ever feel the need to read the originals rather than the digested and improved material found in modern expositions as one does in math of physics I’ll quote Tyler Cowen’s justifications for returning to the original thinkers. Obviously these don’t represent every possible justification but they are the best justifications I’ve ever heard.

First though I’d like to be perfectly clear that the issue under consideration is whether there is some pedagogical benefit to reading original thinkers as opposed to modern summaries (of either the original thinker or simply the current state of the discipline). There is no accounting for taste so if you simply have some Plato fetish or like the way reading Plato makes you feel sophisticated you might find it more enjoyable to read Plato rather than more modern work just as someone else might prefer to have their philosophical arguments interspersed in Harry Potter slash. Also if your interest is in original…..  (Continues Here)