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Dois bias que podem acabar com a humanidade

Um bias cognitivo é uma tendência inerente que temos, ao pensarmos ou analisarmos certas situações,  de cometer desvios sistematicos da racionalidade. Existem dois bias não listados em nenhum livro sobre bias cognitivos que considero como os principais no que concerne a avaliação de potencias riscos catastroficos à raça humana.

Bias Observacional

Tratei de modo mais axiomático deste bias em outro post. Aqui tentarei expor ele de maneira mais concreta. Imagine um jogo de computador baseado na evolução com pequenas entidades auto replicadoras que geram algoritmos comportamentais nessas peculiares entidades e um ambiente virtual. A simulação reinicia periodicamente a cada T segundos e as populações são extintas sem deixar rastros. O evento só ocorre caso as entidades não tenham desenvolvido um conjunto muito especifico de algoritmos. O leitor poderia imaginar que essas nossas entidades teriam uma tendência a evoluir este certo algoritmo, pois de outro modo seriam extintas. Mas esta impressão está errada pois durante toda a historia de uma dessas populações de entidades virtuais muito provavelmente não há qualquer razão especifica para que esta população tenha desenvovido este algoritmo e caso, sem aviso, o programa se reinicie a população vive caso possua o algoritmo e é completamente devastada caso contrario: não há a chance de que as entidades que sofreram o holocausto passem as gerações futuras a informação de quem um cataclismo acontecerá e que só aquelas populações com o algoritmo sobreviverão; não há a chance de nossas pobres entidades aprenderem evolutivamente deste horrendo acontecimento pois cada vez que ele acontece o jogo é reiniciado do zero. Apesar de estar sob o risco de extinção essas ingênuas populações nunca ficam sabendo deste fato simplesmente porque as que sabem morrem e as que não são extintas por possuírem o algoritmo não estão sob este risco para se informarem dele. Se há uma pressão evolutiva agindo seria uma seleção por ignorância. Alem disso se assumirmos um crescimento populacional maior que zero, se você é uma dessas entidades, a maior probabilidade é que esteja mais próximo do tempo T de extinção do que mais longe. Isto é uma conclusão facilmente obtida a partir da SSA, se você um uma entidade aleatória que não sabe quando será extinta, mas sabe que a maioria das entidades esta mais próxima do fim do que do começo então você deve assumir que está mais próxima de ser extinta do que não. Uma população de entidades rudimentares, em seus começos, pode ter um futuro vasto a sua frente. Enquanto que uma população já extremamente evoluída e adaptada ao ambiente provavelmente esta no seu fim. É fácil constatar que nós partilhamos da mesma ignorância destas ingênuas e ledas entidades. Nós só estamos vivos, pois não fomos extintos, logo não podemos usar esse dado para calcular nossa probabilidade de extinção. O dado de ha quanto tempo não fomos extintos muito menos, pois o que se da é o inverso, quanto mais tempo permanecemos vivos maior a probabilidade de sermos extintos no instante seguinte. Temos, portanto de usar outros meios indiretos.

Bias da Intencionalidade

Durante a imensa maioria da historia da humanidade os eventos naturais eram em sua maior parte inevitáveis e matavam muitas menos pessoas do que os eventos humanos evitáveis. Naturalmente que aqueles que sabiam evitar a sua própria morte através de outro ser humano sobreviviam em oposição aos que não conseguiam e aqueles que desnecessariamente despreendiam energia em evitar eventos inevitáveis – mantendo o resto constante – tenderiam a não sobreviver frente a grande escassez energética. Esta situação criou um bias – até pouco tempo vantajoso – de se preocupar muito mais com perigos intencionais do que não intencionais. Esse é talvez o principal bias a desviar a atenção da humanidade para os principais eventos catastróficos. Só muito recentemente tem-se dado conta de um destes muitos perigos: o aquecimento global, – talvez as custas de identificar paises ou industrias como as culpadas – enquanto os outros inúmeros males permanecem na penumbra.