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Simplicidade

A questão é simples.

O que é mais simples é mais provável que o que é mais complexo?

Exemplos: É mais provável que o mundo seja governado por assembléias de gnomos um milhão de vezes menores que a escala de plank do que que seja governado pelas leis básicas da física?

É mais provável que o mundo tenha surgido do nada do que do Flying Spaghetti Monster?

Maus exemplos, exemplos errados: A teoria que diz que o mundo surgiu do nada é melhor do que a teoria do Flying Spaghetti monster?

Ganhamos mais descrevendo o mundo de uma perspectiva física do que de uma perspectiva dos nano-nano-nano-gnomos?

As perguntas de baixo tem uma resposta simples. Sim, é instrumentalmente melhor utilizar a teoria que dá a descrição simples do fenômeno.

Alguns argumentos nesse sentido estão aqui http://en.wikipedia.org/wiki/Occam%27s_razor

Não segue daí nada a respeito do fenômeno.

Na minha opinião isso tem de funcionar como um postulado matemático. Postularemos que sim, o que é mais simples é mais provável que o mais complexo, pois do contrário não podemos criar conhecimento. Da mesma maneira, postularemos que, se A implica B e A é verdadeiro, então B é verdadeiro. Da mesma maneira, postularemos que A é o mesmo que A.

Essas concessões são lógicamente injustificáveis, ou seja, não podem ser derivadas de outras, no entanto, precisamos fazer concessões para poder começar. Se duvidarmos cartesianamente de absolutamente tudo, teremos de parar nossos pensamentos na frase “Há pensamentos” sem sequer poder dizer que Penso, Existo, como falhadamente fez o pensador.

E como diria Bush. Quem não está comigo, está contra mim. Quero argumentos, e dos bons…

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Um sujeito de muito bom gosto que atende pelo nome de Paralelo alegou que:

“O que é mais simples é mais provável que o complexo? Se sim, porque, que lei rege isso?”

Eu penso que DADO UM CONJUNTO (feito de partes, é óbvio – e nosso Universo é um conjunto), haverá sempre mais modos de suas partes se distribuírem de modo caótico que de modo organizado…

Isso não é uma verdade lógica tão sólida e inegável quanto “é impossível existir um círculo quadrado”?

1-1-1-1-1 é um subconjunto do conjunto de todos os lances de 5 dados possíveis… e como é óbvio aí, poucos subconjuntos serão regulares, organizados, em relação aos caóticos como 1-6-3-2-4

meu ponto é que a probabilidade é justamente isso: o reflexo do universo de possibilidades lógicas… O fato de uma série regular como 1-1-1-1-1 ser dita “improvável” é apenas um modo de dizer que regularidades são, sempre, menos numerosas no universo de possibilidades lógicas e, por isso, são difíceis de acontecer aleatoriamente (sem nenhuma causa que as produza diretamente, positivamente, como um ímã no lado oposto do 1, por exemplo)… e, ademais, estou imaginando que as coisas complexas são como as coisas organizadas, e as coisas simples como as caóticas… ainda é intuitivo, mas está me parecendo óbvio… preciso pensar um pouco mais…

É difícil sustentar que 59347411 seja simples e 123456789 seja complexo.  Mas essa é a pretensão dele.  Respondi que O outcome (resultado) de uma série de lance de dados não é mais simples ou mais complexo. é o que é, ponto final. Complexo é aquilo que guarda relação entre as partes, e simples é o que não o faz ou não o faz tanto,  lances de dados são independentes, e portanto não podem ser usados como exemplo.

Paralelo: não estou afirmando que uma série de dados X é “simples” ou “complexa”, mas que é “regular” ou “caótica”… lembra que comecei todo este núcleo da conversa tentando defender que nem preciso usar os termos “simples” e “complexo”? E defendendo, sobretudo, que não cairia em circularidade se tentasse mostrar que disposições CAÓTICAS são mais prováveis? Não falei nada sobre “simples” e “complexo” nos meus últimos argumentos… meu ponto é esse que está escrito: regular=improvável; caótico=provável… pelos argumentos expostos.

Diego: Se e somente se, a distribuição das realizações atuais (realizações de fato dos eventos em questão) for a mais simples possível, que é que eles ocorram no mundo atual, real, na mesma frequência que ocorrem no espaço lógico.  Sem isso você não se sustenta.

O Rend aqui do blog disse o seguinte:

Mas de qualquer maneira, é outra propriedade de probabilidade que P(A e B) >= P(A) logo, eventos compostos são mais raros do que eventos simples. Como as coisas que nós costumamos chamar de complexas requerem uma certa coincidência de compatibilidade das coisas para que sejam estáveis e organizadas, o conjunto é naturalmente menor.

Entretanto, se vc quer uma resposta sobre se este raciocínio vale para metafísica, ou mesmo para eventos como o surgimento da vida e inteligência sob as leis do nosso universo, eu não faço a menor idéia, e me parece um tema difícil de se tratar, embora muito interessante.

Penso que o primeiro parágrafo, apesar de ter um argumento verdadeiro, tem um viés e uma conclusão falsos. Um viés de observação, para citar o próprio autor.

É verdadeiro que P {A e B} =< P{A}         Mas isso é uma simplificação do problema. Por exemplo:   P {A} =< P {A e B} + P {A e ~B} + P{~A e [B ou ~B]}

Ou seja, existem mais conjuntos complexos do que simples, contrariamente a impressão intuitiva que derivamos do primeiro parágrafo.  Ou seja, ainda que seja mais provavel que haja “cachorros” do que que haja “cachorros pretos”. Existem mais “Cachorros com alguma cor ou coisas com alguma cor que não são cachorros, ou cachorros sem cor, ou coisas sem cor que não são cachorros ” do que existem cachorros.

Em termos mais filosóficos, existem infinitamente mais classes de classes do que particulares. Ou ainda em outras palavras, existem infinitamente mais universais do que particulares.

Segue que existem infinitamente mais maneiras de descrever o mundo de forma complexa do que simples. E o argumento do Rend passa a não ser mais válido.

Quanto ao segundo parágrafo, a questão que quero é justamente saber se esse raciocínio, lembrando “O que é mais simples é mais provável do que o que é mais complexo” se aplica fora da instrumentalidade da ciência e da vida. Ou seja, se ele vale nos níveis estruturais da realidade. Se ele é algo do mundo, ou se é apenas uma invenção nossa para que possamos compreender o mundo.  Até o momento, eu defendo que esse seja o caso.

Talvez seja o caso de ser mais especifico. Minha questão não é se ele é parte da estrutura da realidade, a questão é: Podemos provar, justificar empírica ou racionalmente que ele parte da estrutura do mundo?

Empiricamente acho que concordamos que não, pois nossas interpretações das análises empíricas dependem dele. É racionalmente possível justificá-lo?