Casas em São Paulo, Preço X Felicidade

Andei pensando sobre mudar de casa (moro num apartamento em moema). Antes de mais nada avaliei os lugares que achei mais interessante, tendo em vista que pretendo maximizar o uso de bicicleta em minha vida (endorfina). Basicamente aqueles que ficam entre USP (dopamina-cérebro), Paulista (serotonina-cultura) e parque Ibirapuera (endorfina-social). O melhor de todos aparentava ser um tal de Jardim América. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que outras pessoas já tinham feito a mesma reflexão, por volta de 1940, e que desde então elas só foram tiradas de lá pela força inexorável dos sete dígitos… O custo das casas alí ronda os 2 a 3 milhões de reais... A reportagem desse último link mostra algumas regiões de altíssimo valor em São Paulo. Mais especificamente, mostra 10 ruas caríssimas em 2002.

Dois fatos me surpreenderam igualmente, 1) Como são caros esses lugares. 2)Conheço ao menos um morador do círculo de 200 metros ao redor de 8 dos 10 endereços.

Now, let’s face it. Suponhamos que se pretenda comprar uma dessas casas de 200 mil diêgares, e que, por reductio ad absurdum absurdum bagaraium, se esteja disposto a passar sete anos da vida trabalhando loucamente para esse fim. Isso implica uma renda anual de cerca de 30 mil diêgares, ou seja, uma renda mensal de 2500 diêgares, fora os 300 diêgares que realmente são necessários para a vida. Isso totaliza 2800 diêgares mensais, ou, em moeda de maio de 2010, cerca de 33 mil reais por mês.

Pois bem, vejamos quantas pessoas ganham mais do que isso aí:  No Global Rich List, o fantástico site que faz você ver quão rico é de verdade, em relação a toda a humanidade, ao contrário das páginas da revista caras.
You are the 107,565 richest person in the world! You’re in the TOP 0.001% richest people in the world!

É necessário ser uma pessoa de muita fé para acreditar que você é, de cada 100 mil pessoas, aquela capacitada/predestinada a ganhar mais dinheiro de todas. Dizem que a fé move montanhas, e é mentira. Se você acreditava, de alguma maneira esdrúchula, que pudesse ser o futuro morador do Jardim América, em menos de sete anos, com o fruto de seu próprio trabalho, eu tenho uma notícia para você.  Nessa hora você me interrompe e diz, “Você vai dizer que é impossível que eu seja essa pessoa, mas só é altamente improvável” ao que eu responderei: Não, é absolutamente impossível, a pessoa que fará isso não estaria, jamais, lendo esse artigo, tanto por suas prioridades pessoais, quanto porque espero que ao fim do artigo qualquer ânsia doentia pela milionariedade esteja ao menos abatida no meu leitor.

A maior falha cometida pelas pessoas que fazem a engrenagem continuar a girar, numa sede obcecada pelo pote de ouro que cresce mais e mais conforme se convive com outros do nível atingido, é a falha de não calcular o que poderiam fazer se não estivessem gastando todo o seu tempo para ganhar dinheiro.

É até difícil citar o que se pode fazer em sete anos, 4 horas por dia (digamos que para tentar ganhar 2800 diêgares, nosso obcecado de plantão se dispusesse a trabalhar 10 horas, e para ganhar 350, apenas 6 horas por dia, gerando uma diferença de 4 horas).

Estamos falando de 8500 horas. Tempo o suficiente para tornar-se exímio violinista, para assistir todas as temporadas de Friends cento e seis vezes. Para ir ao cinema (contando o tempo de estacionar) duas mil e quatrocentas vezes. Para, conversando, abraçando, e convivendo 4 horas por semana, em média, ter seis amigos a mais.

Isso me levou a velha conclusão, já muitas e muitas vezes tida por mim (irrelevante) e confirmada por todos os estudos a respeito de felicidade (relevante) e dinheiro que há disponíveis à qualquer conhecedor do Google, não faz o menor sentido, de jeito nenhum, sob nenhuma circunstância, sem exceção, sem sombra de dúvida, tentar tornar-se o dono de uma casa na região nobre de São Paulo. Mais genericamente, quase nunca é o caso que enriquecer vale a pena a partir de um certo nível de renda (provavelmente esse nível é o que lhe vem intuitivamente à mente dividido por 3, o que resultará em 300 diêgares aproximadamente).

Laura Rowley dá um resumo de o que se deve fazer para obter felicidade financeira:

1. Stop comparing.

2. Be grateful.

3. Don’t make money a top priority.

4. Be conscious of how you talk about money.(por esse critério, esse artigo está banido em seu início)

5. Focus on essential psychological needs… people with five or more close friends (excluding family members) are 50 percent more likely to describe themselves as “very happy” than respondents with fewer friends.

6. Help others.

Então, em conclusão da minha madrugada, concluo que se você é uma pessoa que mora no quadrilátero de vértices  “Vila Leopoldina, Parque Burlemarx, Parque do Estado, Brás”        não faz o menor sentido tentar se deslocar mais para o centro desse quadrilátero…

a não ser que você queira se tornar uma pessoa assim:

E agora com licença, que eu vou ver uma temporada de south park enquanto deixo de ter uma chance em dez mil de ter uma casa no Jardim América um dia no qual eu já esteja tão velho que nem a deseje mais……


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