Compulsão de Produzir

Os TED talks tem tido uma influência fabulosa na minha vida, me inspirando, dando caminhos para pensar e seguir, idéias produtivas e criando uma enorme quantidade de esperança na terra, no homem, na criatividade etc…

Eles têm no entanto um aspecto peculiar, que seria bom em pequenas doses, mas que começa a se tornar uma problemática séria.

Eles são inspiradores demais, e geram uma compulsão de produzir. Ver todas aquelas pessoas tentando loucamente fazer um mundo melhor e de fato conseguindo me leva além das minhas forças numa vontade de produzir, escrever, arrecadar dinheiro, encontrar as grandes causas etc… e com isso por vezes perco o norte e gasto tempo com coisas que não deveria. Fazer algo direito requer que pensemos muito sobre ele, mesmo que como eu já disse antes, o primeiro passo possa ser para qualquer lado, disse e repito:
“Because it is so natural to just keep walking, most people are unlikely to stop, think, and give the first step thinking about their plans.

No matter towards what a first step is, because what we should avoid is not going on the wrong direction, but not going on any direction whatsoever. The first step is a way to stablish a mindset, a way of thinking, and it matters for what it represents, not for what it is. After giving the first one, if might take a long time to go back to the old self minimalized thinking, giving us enough time to find that which might be the achievement we had always faintly foreseen, without ever giving real consideration to the possibility of doing it, or even of reasoning about it enough to shape it, define its borderlines and understand what it is.”

De qualquer maneira, essa super-inspiração por vezes desvia a possibilidade de estudar, de conhecer antes de explanar, de aprender antes de ensinar, de digerir antes de extrojetar.

E cá estou fazendo isso novamente, produzindo, ao invés de estudar. Ainda bem que existe uma maneira muito simples para corrigir isso.

4 opiniões sobre “Compulsão de Produzir”

  1. Post bem inspirador…

    Sobre conhecer versus explicar, meu pensamento é de que é melhor não receber o aprendizado, e sim descobrir e depois conferir para ver se está igual ao dos outros. Parece um caminho que leva a uma maior independência e originalidade. Pensar, afinal, é o mais importante. Às vezes, para entender uma coisa é preciso a pensar antes por si mesmo. Isso dito, estudar também é muito importante e parece uma grande falta minha não estudar muito.

    Dois fatos a considerar: a idade jovem é a mais produtiva e criativa, talvez por motivos hormonais; na idade jovem se tem mais inteligência que na senilidade. Dados esses fatos, pareceria talvez melhor que fosse o inverso, e a capacidade maior viesse mais tarde na vida, acompanhando o aumento de conhecimento. Mas não: o conhecimento tende a aumentar e a inteligência, produtividade e criatividade a diminuir. Quão significativa e relevante é essa diminuição, não saberia dizer ao certo. Olhemos para as histórias de vida de outros gênios.

  2. Peço ajuda na seguinte questão.

    ASSUMINDO (TOMANDO COMO VERDADEIRO E PRESUMIDO)
    que devemos:

    1 Preservar a vida
    2 Aumentar a longevidade
    3 Aumentar a felicidade das pessoas
    4 Tornar o mundo mais sábio/inteligente

    Quais são as ações mais importantes do nosso tempo? Quais são as maneiras mais eficientes de atingir esses fins. Quais são as coisas com menor custo pelo maior benefício nesse sentido.

    A partir das respostas aqui mais conhecimentos sobre o Global Catastrophic Risks e outras coisas mais vou escrever um texto eventualmente.

    Respondam suas opiniões, embasadas e bem formuladas.

  3. Respondendo à sua pergunta, primeiramente pensemos qual a maneira de atingir esses objetivos. Parece-me que a engenharia genética é a melhor maneira, visto que os grandes obstáculos para os objetivos mencionados são baseados sobretudo em genes inadequados. Maneiras alternativas seriam apenas paliativas, poderiam incluir fármacos, implantes artificiais, implantes de nanotecnologia, etc., e me parecem mais distantes em atingir esses objetivos que a própria engenharia genética.

    Como melhor acelerar o avanço da engenharia genética? Poderia-se pensar que construir inteligência superior seria uma boa estratégia. Talvez, no entanto, já há bastante gente voltada a isso, direta ou indiretamente (depende indiretamente de avanços na tecnologia de produção de computadores), e não é algo que podemos influenciar significativamente ou de que podemos depender atualmente. Além disso, inteligência não é o bastante, pois sem dados empíricos ela pode ser incapaz de resolver problemas. É verdade que a inteligência pode servir para encontrar melhores formas de conseguir dados empíricos, mas talvez a maior escassez seja de dados empíricos mesmo, de tecnologia, que é preciso trabalho e experimentação para conseguir.

    Uma maneira de conseguir essa tecnologia pode ser aumentar o número de cientistas que pesquisam o assunto, ou se tornando um, ou influenciando outros, de diversas maneiras, a trabalharem isso. Se tornar um cientista que pesquisa o assunto é algo que não preciso explicar como fazer, então vejamos como influenciar outros a trabalharem isso. Presumivelmente, influenciar duas pessoas a trabalharem nisso é mais eficiente do que somente trabalhar nisso pessoalmente. Talvez uma maneira de inspirar pessoas a fazer isso seja aumentar o conhecimento público do transhumanismo, focando particularmente na promessa de satisfação dos grandes desejos humanos, e na necessidade de pesquisar isso.

    Acredito que as pessoas em geral recebem principalmente publicidade negativa sobre o assunto, de alarmistas e mentirosos, como o livro patético de Aldous Huxley, ou o recente seriado Fringe. Embora a publicidade negativa possa ser útil para criar suporte a legislações que nos protejam dos possíveis perigos e riscos de abuso de futuras tecnologias, temo que ela possa ser tão ou mais prejudicial que útil, ao incitar a estagnação tecnológica e a paranóica aversão ao risco. Há o risco de que a imagem do transhumanismo seja tão estigmatizada quanto a imagem de Hitler, que atualmente é um extremo de distorção da realidade. E tentativas de associar as duas coisas são usadas, por mais que a associação seja falsa.

    Dada a publicidade negativa, poderia ser bom passar às pessoas comuns uma publicidade positiva, tomando o devido cuidado para não incitar opositores a tomar medidas extremas, como aconteceu com as drogas nos EUA em 1960, dando início ao seu injusto banimento no mundo todo. Talvez a publicidade positiva do transhumanismo possa ser direcionada precisamente a convencer ou apaziguar os seus opositores.

    Eu vou tentar me dedicar a pesquisar engenharia genética pessoalmente. Mesmo que não seja possível, acho que é o melhor que posso fazer, e fazer isso não exclui a possibilidade de fazer outras coisas também.

  4. Estou tendo exatamente este problema nas últimas semanas.

    Não acho que haja muita dúvida aqui.

    Um trade-off bizarro se impõe: quando mais você faz o ideal, menos prazer a curto prazo você tem. E quanto menos prazer a curto prazo você tem, mais fácil é se deixar seduzir por todo tipo de desvio – sobretudo desvios sedutores intelectuais, que são uma ótima forma de auto-ilusão: “estou adiando meus planos intelectuais por algo intelectual magnífico! É um bom negócio!”

    Só que o “algo intelectual magnífico” só seria mesmo magnífico se você, em vez de apenas sonhar em levá-lo até as últimas conseqüências (o que dá um prazer do caralho a princípio), realmente o fizesse – mas pra fazer isso, cai-se no mesmo problema de abandonar o prazer a curto prazo.

    No fim, o risco sério é passar a vida distraído por esses “inícios arrebatadores e estimulantes” de planos geniais.

    Os que realmente são gênios devem ser, meramente, os capazes de enfrentar o dissabor do trabalho árduo e sem graça inicial. Trabalho e suor antes do sucesso, falando classicamente.

    *****

    Agora a questão levantada no comentário:

    Penso que a resposta é francamente individual, caso a caso, digo. Pois depende da força, índole e interesse de cada um.

    Então, lá vai meu “pessoalmente”…

    Meu interesse é sobre as grandes questões. Meus desejos mais profundos consistem em viver abraçado, afundado na areia movediça dos enigmas físicos e metafísicos. É a única coisa que sei fazer com paixão – e paixão no que se faz é um requisito para conseguir algo grande, seja em que área for (vi no TED, rsrsrs).

    Pra comparar, sei que o CD consegue se apaixonar por descobertas mais específicas, sem essa minha necessidade de abraçar o geral, o grandioso. Pra mim, a tarefa é mais difícil (é mais difícil contribuir para o problema do livre-arbítrio do que para algum problema sobre a enzima X) mas, em caso de sucesso, bem mais significativa.

    Minha força é uns 40% do que eu desejaria (e acho necessário) para a tarefa. Estou constantemente tentando aumentá-la e, francamente, conseguindo – mas perigosamente menos do que seria necessário.

    Minha índole é a de alguém sinceramente devotado a ser íntegro, no sentido de dar expressão máxima ao meu potencial, seja qual for.

    Então, penso que cada um deveria pensar fortemente sobre seu potencial, suas paixões e o quanto está disposto a lutar por eles – afinal, é normal que entremos em portas já abertas, e fáceis, deixando pra lá aquilo que poderíamos fazer com paixão, e que é mais difícil.

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