Analise de Teorias expositivas sobre o Determinismo e Previsibilidade

por Priscila Gutierres

1. Resumo

Nesse texto discutiremos algumas das visões que seriam possíveis de ser adotadas e levariam a uma implicação determinista e os erros em que recaem.

2. Noções Preliminares

2.1 Computabilidade

Uma função é computável se existe ao menos uma regra explícita e definida segundo a qual, a seguindo, podemos em princípio calcular o seu valor para um número finito de argumentos. Uma definição rigorosa pode ser encontrada na Referência (1), onde é definida a noção de uma função computável em uma máquina de Turing.

2.2 Determinismo

A partir do dicionário de Filosofia de Cambridge, encontramos o seguinte verbete para determinismo.

“Contemporary determinists do not believe that Newtonian physics is the supreme theory. Some do not even believe that all theories will someday be integrated into a unified theory. They do believe that, for each event, no matter how precisely described, there is some theory or system of laws such that the occurrence of that event under that description is derivable from those laws together with information about the prior state of the system.Some determinists formulate the doctrine somewhat differently: (a) every event has a sufficient cause; (b) at any given time, given the past, only one future is possible; (c) given knowledge of all antecedent conditions and all laws of nature, an agent could predict at any given time the precise subsequent history of the universe.”

2.3 Problemas P e NP

“The P versus NP problem is to determine whether every language accepted by some nondeterministic algorithm in polynomial time is also accepted by some (deterministic) algorithm in polynomial time. To define the problem precisely it is necessary to give a formal model of a computer. The standard computer model in computability theory is the Turing machine, introduced by Alan Turing in 1936 [Tur36]. Although the model was introduced before physical computers were built, it nevertheless continues to be accepted as the proper computer model for the purpose of defining the notion of computable function.”

Ver referência (1)

2.4 Mecânica Quântica

” Quantum mechanics is a set of principles underlying the most fundamental known description of all physical systems at the submicroscopic scale (at the atomic level). Notable among these principles are both a dual wave-like and particle-like behavior of matter and radiation, and prediction of probabilities in situations where classical physics predicts certainties.”

Ver referência (2)

3. Abordagens Discutidas

Necessariamente o determinismo implica a presvisibilidade de um sistema?

3.1. Previsibilidade x Imprevisibilidade

Nesse texto tentarei destituir qualquer erro conceitual a respeito de determinismo que possivelmente poderia levar a sua não-aceitação, e as consequencias da Teoria do Caos à definição dada de Determinismo.

3.1.1. Concepção Laplaceana:

Citação de Laplace:

“ We may regard the present state of the universe as the effect of its past and the cause of its future. An intellect which at a certain moment would know all forces that set nature in motion, and all positions of all items of which nature is composed, if this intellect were also vast enough to submit these data to analysis, it would embrace in a single formula the movements of the greatest bodies of the universe and those of the tiniest atom; for such an intellect nothing would be uncertain and the future just like the past would be present before its eyes. “

Com base nisso, podemos dar a seguinte definição para solucionar o problema acima:

Definição:
Seja um sistema S cuja solução seja dada pelas condições iniciais do sistema S, para t > 0. O sistema S é necessariamente linear e o sistema de suas equações é possível e determinado.

Supondo que o sistema represente uma família de vetores em um Espaço Vetorial V, sabemos que que dadas as condições iniciais do sistema, existe apenas um vetor v pertencente a V que satisfaz as condições iniciais do sistema.

A linearidade do sistema é uma condição necessária para que haja previsibilidade, e mais a diante veremos o porquê.

3.1.2. Teoria do Caos

3.1.2.1 A teoria do caos descreve sistemas dinâmicos, muito sensíveis às condições iniciais do sistema. Como resultado, ele apresenta um nível de crescimento exponencial de perturbações em relação as condições iniciais o que faz com que os sistemas caóticos se pareçam com sistemas randômicos. Vejamos porquê.

A equação logística é um simples exemplo de um sistema dinâmico. Matematicamente,

X_(t+1) = k X_t (1 – X_t), é a equação logística.

onde t pertence a N, X_o a condição inicial do sistema dada, k é um parâmetro dado e X_t é a condição do sistema anterior a X_(t+1).

Consideremos a evolução do sistemas ao longo de t= 1, … ,n:

X_1 = k X_o (1 – X_o)
X_2 = k (k X_o (1 – X_o)) (1 – (k X_0 (1 – X_o)))

…..

Observamos que com a evolução de t, a expressão fica muito grande, assim como a potência de k.

Três regimes são possíveis a dependem do valor que se atribua ao parâmetro k:

a) Ponto fixo

Um sistema está em regime de ponto fixo se, e somente se:
Se t -> mais infinito e lim t-> mais infinito X_t = L, L pertencente a R,para uma certa faixa de valores pequenos de k.

Ou seja, o valor de X(t) tenderá para um limite finito e permanescerá assim nas iterações ulteriores.

b) Bifurcação
Para k maiores, também em uma certa faixa, em iterações sucessivas temos uma oscilação entre 2 valores. Se o k for um pouco maior que isso, temos oscilação em 8, 16, .. , generalizando em 2^(i+3), i pertencente a N valores. É o regime das sucessivas bifurcações e duplicações de período.

c) Caos

Para valores extremamente grandes de k será completamente impossível prever o comportamento do sistema!
Tomemos k extremamente grande. Tomemos um sistema X_t e outro X_T’, com valores inicias respectivamente iguais a X_o e X_o’ e k iguais.Para um dado valor inicial X_o, se tomarmos X_o’ com apenas o último digito de precisão diferente, não poderemos inferir X_t a partir de X_t’. Por isso, dizemos que sistemas dinâmicos são muito sensíveis as condições iniciais do sistema.
No regime do caos, a imprevisibilidade é um dado de princípio para qualquer que seja o grau finito das condições iniciais.

1.2.2 Complexidade

Intuitivamente, podemos dizer a complexidade varia de acordo com a iteração das variáveis de um sistema, isto é, está diretamente ligada a ela. Ou seja, podemos dizer que quanto maior a flutuação das variáveis do sistema e o o grau de interconexão entre elas, o sistema em estudo será mais complexo. Em um sistema não linear a complexidade tende a crescer exponencialmente, dificultando qualquer tipo de previsão . Por isso a necessidade de linearidade para que necessariamente umsistema possa ser previsível em qualquer ponto de seu domínio.
Disto concluimos que a aparente aleatoriedade de um sistema dinâmico em regime de caos se dá pela imprevisibilidade do sistema, ainda que esta [a aleatoriedade] não exista.

3.2. Determinismo

Adotando a seguinte definição de determinismo (da Wikipédia):

Determinismo é a proposição filosófica de que todo evento, incluindo a consciência e comportamento humana, decisão ou ato, é casualmente determinada por uma corrente interminável de ocorrências anteriores. Descuidando-se das possíveis armadilhas semânticas que a definição acima pode ter, a partir do que foi desenvolvido anteriormente podemos concluir algumas coisas. Ora, na definição anterior excluímos a necessidade de previsibilidade do sistema, que faz parte do conceito intuitivo.

Se analisarmos 1.1 não é difícil encontrar um contra-exemplo, podemos citar mesmo casos particulares da Mecânica Quântica. Mas, já excluído o caráter de previsibilidade da condição de existência,em 1.2 encontramos um modelo que se adequa perfeitamente ao determinismo do modo como foi postulado.

Afirmada a consistência da Teoria do Caos no nosso mundo físico, é plausível conceber o determinismo com todos os fenômenos existentes e reduzíveis a ele. Portanto, não mais seria possível utilizar exemplos da Mecânica Quântica ou de qualquer outra área que a princípio parece ser um paradoxo ao determinismo.

4. A Crítica

A crítica será direcionada ao segundo texto apresentado (abordagem utilizando sistemas dinâmicos), sabendo-se que a crítica a concepção laplaceana pode ser perfeitamente tirada como um corolário do que segue abaixo.
O texto tentou demonstrar que a realidade é estritamente determinada. Porém, a primeira coisa a salientar a respeito do desenvolvimento, é a natureza dos problemas estudados. Podemos em primeira instância classificar os problemas em três tipos: os problemas possíveis de serem resolvidos analiticamente ou numericamente e os não-solúveis. Na primeira categoria, temos os problemas a partir da qual podemos encontrar uma solução analítica e a partir dai ter uma idéia razoável de como ele irá se comportar. Já o segundo tipo de problema, precisamos calcular numericamente, frequentemente usando técnicas de integração numérica, a solução do problema para um dado número finito de argumentos. O terceiro problema se encaixa nos problemas indecidíveis, como por exemplo o problema da ‘halting machine’. Assim, conclui-se que há uma solução analítica e solúvel em tempo polinomial para todos os sistemas físicos.

Mais que isso, analisando o contexto do texto e supondo que P=NP, condição necessária para a validade da sugestão que ele faz,seria quase impraticável a análise experimental de um sistema dinâmico uma vez que supondo a variação do sistema se de em um intervalo de tempo dt e as condições iniciais variando em intervalos infinitesimais também, teríamos uma imprecisão muito grande o que faria com que uma análise experimental estivesse fadada ao fracasso. Uma sugestão para esse problema específico seria parametrizar o sistema em uma máquina de turing em função de outros parâmetros que não seja o tempo, que é exatamente o parâmetro utilizado para caracterizar um sistema dinâmico. Por exemplo, supondo S¹ um sistema que descreve o sistema em um intervalo dt real teríamos um número infinito de sucessivas interações, o que impossibilitaria uma análise experimental consistente e precisa.

Do que foi exposto até agora, podemos dizer que as duas visões apresentadas no textos estão erradas. A primeira, porque assume que o mundo físico é determinado por equações lineares, e assim computáveis. A segunda, porque assume disfarçadamente a mesma postura, mas desta vez postulando que P=NP.

Tangenciando a questão filosófica de determinismo, podemos afirmar que, de acordo com o verbete extraído do dicionário filosófico de Cambridge, a noção dada no texto assume a visão do item (b) e portanto está correta.

Já em relação à Mecânica Quântica, tudo o que temos do sistema é uma distribuição de probabilidades do estado do mesmo, o que a princípio não elimina a possibilidade desse ter um estado determinado.

5. Conclusão

O problema está em aberto. É impossível através da abordagem adotada anteriormente provar a determinação do mundo físico. Talvez alguma outra abordagem dê conta de encontrar argumentos a favor, ou quem sabe, contra.

5. Referências

(1) http://www.claymath.org/millennium/P_vs_NP/Official_Problem_Description.pdf
(2) http://en.wikipedia.org/wiki/Quantum_mechanics

16 opiniões sobre “Analise de Teorias expositivas sobre o Determinismo e Previsibilidade”

  1. Perspectiva interessante priscila.

    As conclusões não são impalatáveis, e por razões diferentes e talvez também com outra ênfase, eu concordaria com elas.

    Me parece entretanto que a mecânica quântica (e a eletrodinâmica quântica, e as demais variações quânticas) não são sistemas dinâmicos regidos pela teoria do caos de acordo com nossos conhecimentos atuais, mas sim sistemas indeterminístico de fato.

    Seja um universo que opera por equações sensíveis as condições iniciais, tudo o que você disse segue.

    Mas seria esse o nosso universo?

    de acordo com o que eu conheço de eletrodinâmica quântica (grau de atualização 1973) o que se pode determinar num evento é tão somente a probabilidade de um foton atravessar um vidro ou não. E isso não é suficiente para um determinismo, mesmo do tipo caótico.

    http://strangepaths.com/the-quantum-eraser-experiment/2007/03/20/en/
    Um experimento legal, que não joga mais luz a questão que meu exemplo do fóton, mas é legal.

    Lá embaixo tem vários padrões de cores, meu ponto é que mesmo nos dois de cima, que são mais determinados, ainda assim existe aleatoriedade real, já que aquilo é uma representação gráfica da curva probabilística de um foton atingir aqueles pontos, ou seja, ele pode atingir qualquer um deles.

    Nota: Mesmo com aleatoriedade verdadeira, como suponho que existe, não existe um sujeito que “escolhe” algo e não é físico, ou que determina para qual dos lados a aleatoriedade irá, é aleatório e ponto, no human required. Segue que o livre-arbítrio pode continuar recolhido no cantinho dele e ficar pianinho.

  2. Muito bom texto, bem claro.

    Acho que, assim como não pode existir um sujeito não-físico que escolhe o rumo da aleatoriedade, pois é algo ilógico e não constituiria livre-arbítrio, o indeterminismo é igualmente ilógico, pois supõe efeito sem causa. A probabilidade quântica parece indicar determinismo, devido a fatores desconhecidos, pois se fosse algo realmente aleatório não haveria probabilidade maior de um resultado sobre outro. Por exemplo, o resultado de dados é aleatório, mas se há uma chance maior de um resultado sobre outro, parece haver uma causa por trás disso. No entanto, posso muito bem estar errado pois conheço quase nada de física quântica.

    No entanto, o livre-arbítrio existe, pois é compatível com o determinismo, como argumenta Dennett. A complexidade cerebral possibilita uma fuga do determinismo, falando metaforicamente, estabelecendo dentro dele suas próprias decisões, e não sendo vítima delas, pois não existe “um sujeito que ‘escolhe’ algo e não é físico” extra-cerebral.

  3. Poderia-se talvez argumentar que a consciência passiva está disassociada do processo de decisão (mas isso não exclui o livre-arbítrio do processo decisório em si, e “ter livre-arbítrio” ou “ter um apêndice decisório com livre-arbítrio” é equivalente). Acho que questões como “de quem é o livre-arbítrio” não se aplicam, pois sujeito é algo um tanto vazio, pode ser definido simplesmente como o corpo no qual o livre-arbítrio se dá.

  4. Diego,

    O seu questionamento é pertinente. Porém, há atualmente algumas questões que, pessoalmente, considero que o mal estar, como o caso da Teoria da Relatividade Geral e a Mecânica Quantica. A Teoria da Relatividade Geral é estritamente determinista a Mecânica Quântica é probabilistica.Como tentei expor no meu texto, não há nenhuma contradição em afirmar que um sistema descrito por um conjunto probabilistico deixa de ser necessariamente determinado. Tanto a Mecânica Quântica quanto a Teoria Geral da Relatividade nos dão bons resultados experimentais, então o que se espera é que elas não sejam contraditórias entre si e portanto acredito que esse seja mais um ponto a favor do meu ponto de vista. A unificação da Mecânica Quântica com a Gravidade poderia nos dar uma noção muito mais exata sobre a verdadeira dinâmica do universo. Porém, não sei em que grau o avanço dessa questão está em curso atualmente, para ter uma opinião mais precisa formada.

    Jonatas, não entendo o porquê a complexibilidade do cérebro possibilitaria tal condição à mente humana, por favor, se possível explique ou indique a mim algum texto (dê preferencia um artigo, não um livro!) que possa exclarecer melhor a questão.

  5. Caros colegas,

    A teoria quântica diz respeito à nossa incapacidade de obter as condições iniciais mas ela não afirma, de modo algum, que o universo não é determinista (tenho um texto sobre esse tema em especifico a caminho). O que ela faz é introduzir a noção de probabilidade, logo ela não é um determinismo estrito, mas dentro desse novo paradigma ela funciona deterministicamente como qualquer outra teoria. Uma vez que se insere os dados das condições iniciais nas soluções da equação de Schrödinger os eventos, até o grau de certeza que a teoria permite, estão perfeitamente determinados e a equação irá descrever sua evolução no tempo e espaço.
    Na quântica se supõe que há uma perda de informação, se é o caso, então isso é um indício que a realidade opera num nivel mais fundamental, uma vez que ela tem acesso (ou é) a informação perdida.
    A interpretação muitos mundos da mecânica quântica é estritamente determinista, sendo essa a sua principal vantagem em relação ao padrão. A teoria das cordas e das supercordas também o é.

    O fato do cérebro ser complexo de modo algum implicaria que ele pode fugir as leis deterministicas.Isso seria incoerente, pois imaginem lá as particulas fundamentais evoluindo deterministicamente, dai zoom out e BUM aparece o live arbítrio, isso repugna o reducionismo.É claro que quando passamos para o alto nível a paisagem se altera, mas se as leis descrevem a evolução do nível fundamental deterministicamente e o nível fundamental determina o alto nível, este último tem de ser determinado também. Me parece que ou se adimite a incoerencia dessa linha de argumentação ou rejeitamos o reducionismo ou postulamos um outro principio explicativo para a mente humana que não seja determinista.
    Abraços

  6. “Schopenhauer claimed that the necessity of our actions can coexist with the feeling of freedom and responsibility in a way that was explained by Kant. In his Critique of Pure Reason (A533-558) and Critique of Practical Reason (Ch. III), Kant explained this coexistence. When a person has a mental picture of himself as a phenomenon existing in the experienced world, his acts appear to be strictly determined by motives that affect his character. This is empirical necessity. But when that person feels his inner being as a thing-in-itself, not phenomenon, he feels free. According to Schopenhauer, this is because the inner being or thing-in-itself is called will. This word “will” designates the closest analogy to that which is felt as the inner being and essence of a person. When we feel our freedom, we are feeling our inner essence and being, which is a transcendentally free will. The will is free, but only in itself and other than as its appearance in an observer’s mind. When it appears in an observer’s mind, as the experienced world, the will does not appear free. But because of this transcendental freedom, as opposed to empirical necessity, every act and deed is a person’s own responsibility. We have responsibility for our acts because what we are is a result of our inner essence and being, which is a transcendentally free will. We are what our own transcendental will has made us.

    [M]an does at all times only what he wills, and yet he does this necessarily. But this is because he already is what he wills.”

    http://en.wikipedia.org/wiki/On_the_Freedom_of_the_Will

    Não sei se essa explicação ajuda muito, nem sei se é exatamente a minha idéia. Basicamente o arbítrio do seu corpo é livre para vc (e não forçado para vc) pois ele é vc.

    Apesar do determinismo o poder de decisão do cérebro pode escapar das causas externas (embora não das internas, dentro de si). No entanto, as causas internas são ele mesmo, e por isso constituem sua decisão, e seu livre-arbítrio. São ainda determinadas, mas auto-determinadas, não externamente impostas. São auto-determinadas pela sua capacidade de decisão, que é determinada e só tem um resultado possível, mas esse resultado é a sua decisão livre.

  7. Quero aqui discordar do uso de um termo, e abro com um preâmbulo ao ato de discordar de usos de termos:

    É extremamente idiota da parte de um sujeito discordar do uso de um termo com um determinado significado por razões de intuição, por exemplo por achar que o conceito ao qual aquele termo remete é outro que não aquele que está criticando. É igualmente idiota tentar dizer que as palavras de fato significam aquilo que elas originalmente, ou etmologicamente, significavam. Ninguém está preocupado em pensar, experienciar ou utilizar uma pré-ocupação, quando está preocupado, as pessoas estão tão somente preocupadas. O termo designa aquilo que ele de fato designa em seu uso e na comunidade linguística na qual se insere. Evidente que existem alguns significados relativos, por exemplo da palavra “relativo” que tem um sentido diferente na linguagem comum e na linguagem dos físicos. Isso dito, é importante dizer que o único caso em que se jogar na luta contra o uso de um termo significando uma determinada coisa é aquele em que se afirma estar fazendo uma afirmação empírica, no qual se diz “Eu estou dizendo que eu acho que é assim, atualmente, que a maioria das pessoas usa essa palavra!”

    Dito isso, acho que o uso de “deterministico” para descrever o comportamento da matéria uma vez que ele esteja sob ação de eventos aleatórios não é como se usa a palavra deterministico, nada tem a ver com o significado intuitivo dela, desafia nossas concepções etc….

    Ou seja, mesmo que no nível da equação a descrição seja de todas as informações presentes na realidade, o fato de que essas informações são aleatoriamente distribuídas num determinado campo as faz não-deterministicas, segundo o uso corrente.

    Assim sendo, a mecânica quântica não é determinista (conforme o uso do termo) e portanto a questão continua em aberto.

  8. A filosofia e a ciencia constroem o seu proprio vocabulario e acho que nem você e nenhum filosofo serio jamais fez uso das palavras tal como a comunidade linguistica as empregava usualmente e você sabe disso tão bem quanto a minha avó e quanto eu.
    Mesmo assim você ainda está duplamente errado pois mesmo que adimitirmos a sua premissa absurda, qualquer pesquisador da area ira prontamente adimitr que a mecanica quantica é deterministica e qualquer pessoa que entenda mecanica quantica e saiba o significado da palavra deterministico ira dizer que esta palavra se aplica. Quem quer que use o conceito de deterministico como sendo algo 100% determinado realmente se encontra de posse de um conceito inutil uma vez que quase nada está determinado absolutamente, sendo a coisa que está o mais proximo do 100 as leis da fisica. Se você diz que ela é não deterministica então, nada mais pode ser deterministico e o conceito perde razão de existir.
    Se você tivesse aplicado seu proprio metodo de aferir o significado de palavras a nossa discussão ficaria claro que quem quer atender a uma intuição subjetiva do que o conceito de determinismo deve ser é você uma vez que o resto dos debatedores faz o outro uso da palavra.

  9. Mantenho, sem por ou tirar, minha tese de que a maioria das pessoas acha que um sistema determinístico é um sistema que dadas suas condições iniciais está 100% determinado em qualquer ponto de seu desenvolvimento.

    A comunidade linguística da filosofia e boa parte da da física também se utilizam dessa maneira do termo deterministico. Utilizando termos especiais para designar o tipo de determinação probabilística que a mecânica quântica professa.
    Termos como “Determinativo” “Determinação probabilistica” “Distribuição determinada” etc…

    No artigo da wikipedia, pode-se ver bem como o autor translada entre diferentes usos da palavra deterministico ao falar sobre quântica. http://en.wikipedia.org/wiki/Determinism#Determinism.2C_quantum_mechanics.2C_and_classical_physics

    No mais, tenho o hábito intelectual de ouvir delírios profanos de filósofos, como por exemplo achar que há uma coincidência cósmica que faz com que nossas crenças sejam adequadas causalmente ao mundo fisico, e não adaptações graduais. Mas dizer que é inútil um conceito que se refira ao que está 100% determinado é fascinantemente delirante, e chega a nos dar algum desejo de compreender mais profundamente o ramo da psiquiatria….

    Talvez só uma afirmação pudesse ser mais louca =) a afirmação de que as coisas mais determinadas do mundo são as leis da física.

    Primeiro um sistema determinado 100%

    http://www.bitstorm.org/gameoflife/

    Há, evidente, muitos outros exemplos possíveis, de sucessões de eventos que ocorreram no passado até fractais de mandelbrot, mas esse é o mais interessante, por poder gerar replicadores e, com suficiente poder computacional, simular uma máquina de turing.

    Quanto as leis da física: Em primeiro lugar ninguém faz idéia das leis da física, e de se elas existem como leis ou simplesmente variam dentro do escopo de nossa incerteza atual. Segundo que elas podem não ser nada determinadas, e não fixas, podem ser grue and bleen
    http://en.wikipedia.org/wiki/Grue_and_Bleen
    e podem ser variáveis ao longo do tempo.

    Eventos de ordem mais alta, como as operações matemáticas que governam fractais e computadores são muito mais reliable do que aqueles que dependem da ordem microcósmica, é por isso que usamos a física classica para coisas de tamanho médio e a quântica para as de tamanho pequeno, e não o contrário.

  10. Eu me referia as teorias candidatas a explicar a realidade no seu nivel fundamental.
    Dificilmente um sistema deterministico simula uma maquina de turing já que elas não são necessariamente deterministicas.
    Seja lá como for o nosso mundo o nosso melhor chute até agora é o modelo padrão e suas diversas interpretações, logo quando vamos nos referir a como o mundo é devemos adotar essa teoria a não ser que se apresente outra melhor.

    Talvez você devesse se dedicar a lançar uma enquete por ai para ver o que a media das pessoas considera ser a definição de determistico, ai, e somente ai, você teria um bom argumento a seu favor, caso a hipotese hilariante de que é conforme essa media que devemos usar nossos conceitos fosse razoavel.

    Esse ponto eu não discuto mais, por achar infrutifero.

  11. A questão do determinismo dentro da realidade da mente analítica não passa apenas de uma questão de poder de processamento computacional e armazenamento de informações necessárias?

    Dentro do cérebro humano, há de se verificar a incapacidade de um processamento imediato e a falta de uma grande quantidade de informação (o sistema S com condições iniciais definidas que crescem seguindo paramêtros caóticos-exponenciais ou não)

    O que constitui para nosso amigo Jonatam uma espécie de livre-arbítrio em si, porque o cérebro está condicionado em sua própria realidade de processamento informacional.

    Ora, livre-arbítrio por definição, o que é? Toda essa questão epistemiológica em volta de conceitos e palavras nos leva a questionar o que realmente entendemos por ALEATÓRIEDADE.

    Algo aleatório de fato seria uma ação cuja interação não temos observação. Tudo que interage dentro do sistema há de ser conhecido, portanto observado, portanto fazendo parte uma série de regras fixas ou não, leis naturais que envolvem em uma linha de tempo.

  12. http://en.wikipedia.org/wiki/Grue_and_Bleen

    Esse conceito eu sempre imaginei intuitivamente. Nosso escopo pode ser somente uma parte, como nos estudos de Boltzmann sobre o universo inflacionário e a variabilidade termodinâmica. Podemos estar experienciado uma determinada realidade que parece fixa, com leis bem definidas, o que não impede que no futuro entremos em contato com outros escopos diferenciados.

  13. Francisco,

    Quanto ao fato de tudo o que interage dentro do sistema ser conhecido, é fácil achar um contra-exemplo. Em um sistema quântico, se podemos determinar a velocidade, perdemos a posição e vice-versa. A sua definição de “realidade” (de acordo com o dicionário de Filosofia de Stanford, a realidade é única, em oposição a sua) é bem peculiar. Talvez se existisse alguma entidade superior brincalhona que estivesse a fim de se divertir com nós acredito que seria mais provavel que algo semelhante ao que você sugeriu aconteca. Além do que ‘entrar em contato’ sugere que a realidade é a realidade aparente que temos do que existe, como se ela fosse uma construção subjetiva. Se fosse assim, a realidade seria outra para um daltônico e para uma pessoa normal, o que não o caso.

  14. Acho que só é possível nesta realidade vermos as cores como as vemos, pois sua percepção subjetiva é resultado completo de parâmetros informacionais… como é relatada em termos de informação a cor azul ou vermelha eu não sei, mas eu sei que isso ocorre fisicamente e portanto de maneira determinada. Isso ocorre com todos os sentidos, todos parecem igualmente difíceis de exprimir em informação, no entanto são isso, informação interpretada.

    Achei legal este vídeo do Dennett sobre o livre-arbítrio:

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