Sobre o sentido da vida

Há algum tempo que tenho pensado sobre este assunto e acho que já tenho algo a dizer, embora não tenha deixado de ser uma angústia existencial minha. Antes de mais nada, acho importante notar que há 3 diferentes (embora relacionados) “sentidos da vida”; o sentido da vida individual (“Por que e para que estou aqui?”), o sentido da existência humana ou dos seres vivos em geral (“Por que e para que estamos todos aqui?”) e o sentido da existência do universo em geral (“Por que e para que as coisas todas estão aqui?”). São questões diferentes e com tipos de resposta um tanto diferentes, na minha opinião.

Primeiramente, quero esclarecer o que entendo por “sentido”. Dizemos que algo faz sentido quando forma um todo coeso, significativo e coerente, com propósito. Assim, o sentido da vida seria algo que daria a ela um propósito ou pelo menos explicaria sua forma e razão de ser.

Pode parecer estranha a proposta de que as coisas tenham um sentido, afinal, por que teriam? Sentido parece ser uma construção tipicamente humana, uma abstração que criamos para entendermos e racionalizarmos as coisas, então por que as coisas não-humanas haveriam de ter algum sentido? É bem possível que não tenham. Mas é igualmente estranha a mera existência e forma das coisas, isto é, por que existem coisas, existem estas coisas e existem desta particular maneira? De forma que não há saída, ou nos contentamos com uma realidade dada sem explicação, ou inventamos uma. Esta é minha proposta.

É bastante difícil saber se a existência do universo e das coisas em geral faz algum sentido, principalmente diante do nosso enorme desconhecimento e insignificância nele. Acho que só podemos especular, nos contentando com o pouco que sabemos. E o que sabemos é bastante desanimador, o universo que vemos é espacialmente imenso (quiçá infinito), um vazio enorme com umas nuvenzinhas de matéria aqui e ali e parece ter surgido muito rapidamente há alguns bilhões de anos atrás de um estado quente e concentrado e desde então tem se espalhado e expandido, cada vez mais rápido, até que eventualmente tudo se encontre muito separado e frio (se nada de inusitado aparecer no caminho). E nós somos uma porção de sistemas organizados auto-replicantes que surgiu por acaso num planetinha e, até onde sabemos, intrigantemente só neste. Me parece uma visão muito parcial para tirarmos grandes conclusões, mas eu chutaria que qualquer que seja o sentido da existência do universo, ele não tem um papel importante para nós. Não vou especular mais sobre isto agora, mas me parece muito intrigante este sistema todo, e acho que cada elemento de estranhamento é um indício de algo que não conhecemos bem.

O sentido da existência humana parece algo um pouco mais paupável. Embora observando nossos hábitos e atividades não seja óbvio que estejamos manifestando ou seguindo uma tendência mais geral (recomendo este vídeo ótimo – Dance monkeys dance – para uma breve visão geral, e o filme “O sentido da Vida” do Monty Python). De fato, acho que esta é uma questão em aberto. Podemos dizer que há muito progresso na nossa civilização, à medida que experimentamos e acumulamos conhecimento as coisas vão ficando mais complexas; nosso entendimento da natureza, nosso entendimento de nós mesmos, nossos valores e crenças, nossos relacionamentos, nossas atividades, nossa tecnologia, nossa organização social, mas não é transparente a que fim nos direcionamos, a complexificação não é um fim em si. Poderia se sugerir que procuramos qualidade de vida, mas parece claro que enquanto possa haver um aumento paulatino neste sentido, não há uma preocupação geral direcionada a isto. Talvez tenhamos de pensar de que de fato não haja uma motivação maior, um objetivo implícito, um plano mestre; que a nossa civilização simplesmente segue uma dinâmica interna própria, e que seu rumo é determinado pela turbulenta sucessão de poderes, valores e idéias que nela emergem. Embora uma visão assim tão pouco estruturada da sociedade possa ser um pouco simplista, acho que ela mostra um aspecto importante, o da competição e propagação memética.

Podemos ver a sociedade em vez de como uma coleção de indivíduos, como uma coleção de idéias competindo para se propagar pelo maior número de mentes. Cada um de nós se identifica com um conjunto de valores, idéias, crenças, hábitos e sentimentos (memes) e, querendo ou não, nós os representamos ao exercermos nossas atividades e ao interagirmos com outros indivíduos, cada uma de nossas tentativas e sucessos é direta ou indiretamente feita em favor deles. E nossos memes não estão sozinhos, cada um deles tem parentes próximos em outros indivíduos. Nós não sobreviveremos, mas alguns de nossos memes sim. De maneira que embora muitas vezes de forma pouco consciente e socialmente organizada, nós propagamos parte daquilo que somos e representamos, e o fazemos coletivamente, sem nos apercebermos.

A existência humana não é a mera existência de seres humanos, é principalmente a existência de nossos memes, sem eles somos literalmente só um bando de primatas fazendo coisas sem significado. Nossos memes dão sentido a nossas ações, fazem com que procuremos e tentemos conseguir coisas. Assim, acho que o sentido da existência humana é dado por nossos memes, e o destino dela será determinado pelos memes que forem mais bem sucedidos. Se o destino da humanidade não estiver pré-determinado por nossa natureza ou condições, ele está aberto ao que fizermos dele, e assim aos memes que se fizerem mais realizados. Talvez seja difícil ver um sentido na nossa existência porque ele está sendo feito, ainda está em formação.

O sentido da vida individual me parece o problema mais interessante dos três. Todos nós que estamos vivos temos um problema a resolver: diante da nossa situação e perspectivas, o que fazer com nossas vidas? O sentido da vida individual é aquilo que faz com que fazer algumas coisas pareça ser melhor do que fazer outras. De uma perspectiva subjetiva, acho que a resposta não é tão difícil, temos uma oportunidade de tempo que podemos preencher da maneira que quisermos (e conseguirmos), e assim, devemos procurar viver da melhor maneira possível, fazer aquilo que mais pareça valer a pena, que torne a vida interessante e atraente; viver intensamente, o que quer que se entenda por isto. É uma concepção pessoal que pode ou não incluir fazer sexo, ouvir música, comer, usar drogas, apreciar coisas, crer em coisas, sentir, amar, interagir e se relacionar, fantasiar, jogar, meditar, refletir, viajar, conhecer coisas novas e qualquer outro tipo de sensações, concepções, sentimentos e estados mentais que tornem a experiência subjetiva mais agradável, diversa, intensa e/ou complexa. A vida subjetiva é aquela que de fato nós vivemos, e parece um tremendo desperdício viver uma vida que não é boa para você.

O problema da perspectiva subjetiva é que ela não precisa ter qualquer relação com o mundo, ela só depende de como o sujeito se sente, não importa se causado por um estilo de vida maravilhoso, por uma overdose de drogas ou por um eletrodo implantado no seu cérebro. Por esta insuficiência da subjetividade, acho que a vida individual deve ter também um sentido objetivo, deve-se querer fazer diferença no mundo, e com isto quero dizer propagar nossos memes. Acho que o sentido objetivo da vida individual é social, enquanto nosso corpo é mortal, nossos memes (e genes se você tiver filhos ou parentes) persistirão. Como somos aquilo com que nos identificamos, a maneira de se fazer existir no mundo é expressar seus memes, isto é, as coisas que nos fazem sermos o que somos, o que cremos, pensamos, sentimos, achamos. Expressamos nossos memes vivendo, atuando sobre o mundo, propagando-os sobre outros indivíduos. Assim, acho que o sentido objetivo da vida individual é este, atuar sobre o mundo de acordo com quem você é, modificar o mundo da maneira como acha que ele deve ser modificado, participar, contribuir. Há algumas coisas para se observar neste sentido; acho que para sermos eficazes em mudar o mundo devemos procurar certos tipos de atuação, em especial aquelas que a nós se apresentarem como de maior interesse e nas quais temos maior aptidão, as com melhores expectativas e menor risco, as de realização mais próxima e concreta, as menos exploradas, e de maior impacto e com efeitos mais duradouros. Se estamos querendo fazer diferenças, precisamos pensar em termos de consequências. É claro,o juízo do que é melhor a ser feito é pessoal.

Em poucas palavras, acho que as coisas tem um sentido e razão de ser. O universo ainda é um grande mistério, a humanidade é uma pergunta em aberto e nós fazemos nossa razão de ser enquanto tentamos ser felizes e melhorar o mundo, cada um a sua maneira.

[the End Of The Film]
Lady Presenter: Well, that’s the end of the film. Now, here’s the meaning of life.
[Receives an envelope]
Lady Presenter: Thank you, Brigitte.
[Opens envelope, reads what’s inside]
Lady Presenter: M-hmm. Well, it’s nothing very special. Uh, try and be nice to people, avoid eating fat, read a good book every now and then, get some walking in, and try and live together in peace and harmony with people of all creeds and nations.

de Monty Python, The Meaning of Life

Adendo (8 de abril de 2009):

Convém mencionar que há pelo menos 3 usos diferentes de “sentido”:
– Atribuições normativas do tipo “você deve fazer X”, sejam elas determinadas por um sistema ético ou por um metafísico.
– Propensões materiais do tipo “você, em virtude do que é, acabará por fazer X”, mais ou menos como a noção de função em fisiologia, algo como “o sentido da existência das asas é propocionar o vôo”.
– Resultados históricos do tipo “você serviu para que X ocorresse”, assim como a extinção dos dinossauros serviu para a diversificação dos mamíferos e o consequente surgimento do homem.
Na ausência de evidências materiais claras da existência de sentidos do primeiro tipo, minha intenção foi falar do segundo, com alguma base no terceiro. Isto é, em função do que são o universo, a coletividade humana e o indivíduo, para onde eles tendem a ir? O que eles tendem a favorecer e realizar? A que propósitos parecem servir?

Acho que um dos “sentidos” deste texto foi dizer que para mim o sentido da vida não é algo externo a ela, o sentido faz parte dela, é integrado a ela, embora exercê-lo eficientemente possa demandar alguma atenção especial.

Não falei sobre o sentido dos seres vivos em geral. Talvez isto mereça uma discussão maior, mas acho que podemos dizer que a maioria dos seres vivos “serve ao propósito” de propagar seus genes, e ocasionalmente algum outro tipo de organização, como memes, o que cai na idéia de se propagar um pouco do que são e representam.

Acho que a idéia de tomar a propagação memética como uma competição casual possa ser pouco realista, tanto nossas mentes como nossa sociedade são bastante estruturadas, e claramente há memes mais eficazes em se reproduzir do que outros, muitas vezes aproveitando certas particularidades do nossos sistema cognitivo ou ambiente social. Além disso, temos uma autonomia considerável em escolher que memes adotamos, e esta escolha não é aleatória, escolhemos nossas idéias, crenças, etc, porque fazem mais sentido, são mais agradáveis ou frequentes e descartamos outras que não satisfazem a nossos critérios, de maneira que há uma forte interação entre as entidades físicas, biológicas, sociais e meméticas.

Talvez possamos tentar identificar algum sentido na existência humana observando o resultado líquido da atividade produtiva de nossa sociedade, isto é, desprezando-se toda a atividade humana voltada a manutenção do status quo, o que sobra? A que direção nossa atividade diferencial caminha, nos vários aspectos que possamos considerar? Alguma tendência é consistente? Estaríamos caminhando à mera exploração ou diversificação do espaço de possibilidades humanas? A seleção natural também não parece ter tendências muito claras, os seres vivos parecem ocupar todo nicho que pode ser explorado, estaríamos nós também fazendo um caminho aleatório?

O problema do sentido da existência humana parece ter uma natureza intrinsecamente motivacional, parece estar intimamente relacionado ao que nos move, ao que nos interessa, aos tipos de coisas que atendem ao sentido subjetivo da vida individual. Porém, é algo também bastante difícil de responder, uma vez que exceto pelas coisas mais inerentes a nossa natureza (por exemplo, o bem-estar) nossas motivações são também bastante dinâmicas e mudam a si mesmas recursivamente, um interesse levando a um outro, de maneira às vezes bastante não-linear, tornando sua previsão bastante difícil. O problema se agrava ainda mais conforme nos tornamos mais capazes de mudarmos nossa própria natureza. Seria possível conservar algum sentido ao sermos capazes de escolher livremente nosso próprio sentido? Seria desejável podermos escolher qualquer sentido? Todos os sentidos são igualmente arbitrários? Isto faz alguma diferença? Deveríamos nos preocupar com isto?

14 opiniões sobre “Sobre o sentido da vida”

  1. O sentido da vida pessoal é fazer o sentido da humaidade, que é criar a super inteligencia, chegar mais rapido, esta ultima por sua vez é o sentido do universo. (kurzweil 2005, Yudkowsky 2006)
    Ou ainda, o sentido da vida é trabalhar fisicamente e mentalmente para finalmente chegar num gozo evolutivo de reproduzir as unidades replicadores que constituem a ontologia do ser humano (memes e genes). (Caleiro, personal conversation, 2009)
    O primeiro sentido obliterara o segundo. (Eu, 2009)

  2. O propósito objetivo parece ser a melhora qualitativa da experiência consciente. A experiência consciente é tudo o que importa no universo, pois o universo só existe em função dela, para ela. Se estamos falando de ética ou objetivo, estamos falando em termos de melhora, e se estamos falando de melhora do universo, estamos falando de melhora da consciência, que é de natureza qualitativa. O propósito objetivo é, falando de uma maneira simples, mais felicidade, menos sofrimento, ou “a melhora qualitativa da experiência consciente”.

    Sentido da vida pessoal, embora cada um possa se enganar com seus sentidos subjetivos, seria objetivamente agir de modo a maximizar o objetivo já mencionado. Já a posse de um sentido naturalista para a sua vida é uma questão não tanto de propósito real e absoluto, é uma questão meramente psicológica e um tanto estética, um meio de atingir aquele propósito e não um fim em si.

    O sentido da vida das pessoas em geral parece uma extensão desse sentido pessoal, idêntico.

    Sentido, como compreensão do universo, é o objetivo da ciência e da filosofia. Não temos uma resposta detalhada, mas, excetuando cenários de realidade simulada, a imagem geral me parece bastante coesa.

  3. Bastante bonito o seu texto Leo.

    A respeito de escrever textos, quero colocar aqui alguns ensinamentos que Davi (Romão 2009 personal conversation) me expôs recentemente. [Se ele não achar que o texto merece sua nomeação, culpem a mim, fui eu que distorci o que ele disse]

    Quando nós, seres humanos, escrevemos, na maioria das vezes temos como objetivo expor alguns pontos de vista ou idéias, e por vezes também deixar fluir emoções. Em geral, não desejamos apenas ser lidos, mas também compreendidos e desejamos emocionar o leitor da mesma maneira que fomos emocionados e tocados quando primeiro pensamos a respeito daquele tema ou compreendemos aquela questão.
    Quando nós, seres humanos, escrevemos, na maioria das vezes temos como objetivo expor alguns pontos de vista ou idéias, e por vezes também deixar fluir emoções. Em geral, não desejamos apenas ser lidos, mas também compreendidos e desejamos emocionar o leitor da mesma maneira que fomos emocionados e tocados quando primeiro pensamos a respeito daquele tema ou compreendemos aquela questão.
    Quem se envereda pelo campo da escrita em geral inicia de uma maneira muito diferente daquela pela qual vem a terminar. Pensamos que estamos certos e que existe um outro, o leitor, que pensa o contrário e que está errado. É como se houvesse em jogo um duelo entre sua capacidade de demonstrar algo, de gerar uma emoção, e a capacidade do leitor de resistir. Isso gera um estilo de escrita típico de um campo de batalha, e não seria exagero dizer que escritores de primeira viagem são muitas vezes gladiadores. Há diversos problemas com o comportamento de gladiador (se não houvesse, os escritores maduros também o seriam) e talvez o mais importante deles é que o gladiador nunca para para experienciar uma vitória. Qualquer ponto de sua argumentação que seja concedido o leva imediatamente ao próximo ponto de controvérsia, pois ele é movido primordialmente pela emoção da luta. Com isso, ele perde a perspectiva de quando o ponto mais importante já foi compreendido, a perspectiva de quando um assunto tem que ser encerrado e também a memória daquilo no qual se concordou anteriormente. O escritor maduro é diplomático, ele não nomeia seus inimigos, e compreende que amigo-inimigo, principalmente num ambiente honesto, é muito mais uma gradualidade do que uma oposião.
    Reforçar os pontos em comum, gerar a certeza de que aquilo está realmente sendo concordado e conceder ao leitor a capacidade de pensamento e de sabedoria são uma obrigação da maturidade de escrita. O objetivo de medir, é medir com acurácia, o objetivo de produzir conhecimento, é produzir conhecimento preciso, e o objetivo de passar idéias é passar idéias de maneira eficiente.
    Se aquilo que realmente interessa ao escritor fosse apenas a tensão do campo de batalha, ele poderia escolher como objeto de discussão apenas aquilo que, decididamente, não pode ser decidido, por exemplo uma defesa metafísica de porque seu time de futebol é o melhor, isso lhe daria a possibilidade infinita de gladiar-se sem a terrível perspectiva de chegar a um acordo, mas sabemos que esse não é seu objetivo.
    Se a passagem de idéias, ou memes, é o objetivo do ato de escrever, e de dialogar, sabemos que tomar o mesmo norte do leitor e depois curvá-lo em direção ao leste será sempre mais eficiente do que tentar puxá-lo para o sul.
    O estilo de escrita do Leo é o estilo que o Davi prega, é o estilo que eu almejo e aquele que me parece representar bem a maturidade de escrita que, escrevendo textos como esse, eu pretendo atingir.

  4. João:
    “O sentido da vida pessoal é fazer o sentido da humaidade, que é criar a super inteligencia, chegar mais rapido, esta ultima por sua vez é o sentido do universo. (kurzweil 2005, Yudkowsky 2006)”
    Ainda que eu ache plausível que um dia sejamos substituídos/integrados à máquinas superinteligentes, não acho que isto seja um sentido para a existência da humanidade em si, o que faremos com esta inteligência?

    Jonatas:
    Embora eu concorde em termos gerais, não tenho tanta certeza que a experiência consciente seja a única coisa e a mais importante. Como mencionei, a experiência subjetiva é um tanto independente do resto do mundo… não sei se eu acho que por exemplo, vivermos todos numa realidade virtual que “maximizasse a qualidade da experiência consciente” seria algo assim tão pleno e satisfatório como destino ideal para a humanidade…

    Diego:
    Fiquei bastante surpreso com o elogio, e não concordo com a sua atribuição a mim, na verdade eu esperava diversas críticas suas hehehe… Mas acho que é uma perspectiva muito interessante e me faz pensar se não estou deixando de experenciar minhas vitórias para me concentrar nas lutas…

  5. O que faremos é uma pergunta mal formulada, esse é o ponto para o qual a vida humana caminha e o ponto no qual ela deixara de existir, ou seja é o sentido da vida. A maioria das vidas tem sentidos aleatorios de modo que a soma vetorial da algo proximo a nulo, a unica coisa que sobra é um restinho apontando para a superinteligencia. E é por isso que esse é o unico sentido relevante da vida, da perspectiva da historia do mundo. É ele que aponta para o que nós iremos deixar quando formos extintos.
    Eu discordo dos elogios do Diego. O grau de polemica de qualquer texto filosofico relevante é a evidencia em contrario.

  6. Meu texto é a respeito do que é bom no que tange a escrever textos, minha conclusão é que o que é bom é alinhar-se ao leitor de modo a persuadí-lo a pensar de certa maneira posteriormente, e que a maneira mais eficiente de fazê-lo não é afrontando-o, mas iniciando pela evidência em comum.

    O estilo de escrita do Leo, que talvez com efeito tenha sido um pouco idealizado por mim, é um estilo que não está sustentado na idéia do inimigo, então ele permite que vejamos um pouco do que pensamos no que ele escreve, antes que ele aponte coisas das quais discordemos.

    (Eu por exemplo gostei da divisão do sentido em diferentes sentidos, e achei que houve muito privilégio aos memes, que a meu ver não são donos do sentido, são apenas o centro de gravitação dos objetos que são capazes de sentido)

    Pesssoas como o João e o Jonatas, a meu ver, não estão escrevendo de maneira a persuadir o leitor. Existem pressupostos perigosos em seu estilo de escrita (que é o meu 40% do tempo). Pressupõe-se que o leitor tem o mesmo interesse no tema que você, que ele conhece seu estilo de pensamento o suficiente para preencher as lacunas, que ele tem a mesma energia para mostrar que você está errado que você tem para estar certo.

    Em suma, padece de todo tipo de enfermidade psicanalítica, na medida em que supõe que o ônus da compreensão está no outro, e não no que ensina, é um aspecto de infantilidade na minha opinião, reminiscência do prazer de triunfo sobre as crianças menos inteligentes da escola.

    Quando se trata da realidade, em particular da realidade não obviamente decidida (Moral, estética, metafísica etc…) é particularmente ruim expressar-se dessa maneira.

  7. Concordo com o que o Diego disse sobre a escrita, e achei o texto citado bastante certo. Isso é algo que já dizia o Tao Te Ching em 500 a.C. e parece ter sido a base do estilo retórico de Sócrates, no mesmo período.

    “If you are aggressive and stiff, you won’t win.”
    “The way of the sage is to act but not to struggle.”
    “The good does not debate; the debater is not good.” (“bom” sendo compreendido de uma maneira utilitária)
    – Tao Te Ching

    No entanto, é algo que eu geralmente não consigo por em prática. Será que tenho algum déficit cerebral de espectro autista que me dificulta tomar o ponto de vista de outras pessoas? Provavelmente isso não é condição para ter retórica ruim, pois esta parece antes a regra que a excessão, então a razão talvez seja simplesmente falta de experiência.

    Esse é um erro cometido por muitos autores notáveis, que pensam apenas no conteúdo do que escrevem sem se preocupar com a eficiência do texto como comunicação, como o texto surtirá efeito. Coisa difícil. Não somos máquinas trocando informação, mas pessoas com egos e motivações subjetivas. Às vezes eu penso que ter uma boa retórica é complicado demais e simplesmente foco no conteúdo (má escolha).

    Concordo que o estilo do Leo serve de “bom exemplo”.

    Voltando ao tópico discutido: Leo: “Embora eu concorde em termos gerais, não tenho tanta certeza que a experiência consciente seja a única coisa e a mais importante. Como mencionei, a experiência subjetiva é um tanto independente do resto do mundo…”

    Parece um questionamento que eu também tenho de vez em quando, como uma autocrítica, mas sempre chego à resposta de que a experiência consciente é a única coisa importante, e o resto do mundo só existe de maneira relevante -para ela-. No que estaremos divergindo?

  8. Jonatas, não sei se estamos divergindo, só me parece estranha a idéia de se reduzir, seja teoricamente, seja concretamente a existência humana às experiências conscientes sem que estas modifiquem o mundo de alguma forma. A não ser que estejamos numa simulação, parece-me relevante modificar o mundo físico, se não por outra razão pela mera experimentação… Enfim, não acho que devamos parar de brincar de lego quando aprendermos a jogar videogame, só isso. Não tenho um argumento fundamental.

    Acho que se poderia argumentar que eticamente talvez seja interessante sair por aí “salvando” seres conscientes que tenham menos condições de terem experiências positivas, ou tentar garantir mais segurança para suas próprias condições de manter estas experiências. Mas esta não é uma objeção tão fundamental. Por exemplo, num estágio de tecnologia avançada provavelmente haveria máquinas que enviamos para fazerem isto muito mais eficientemente que nós e nossa participação não seria mais necessária. Assim como a garantir a própria segurança da infraestrutura que nos proporcionariam as tais boas experiências conscientes.

    Acho que não devemos abandonar a realidade física pela realidade virtual/espiritual. Acho que devemos continuar querendo e pretendendo interagir com a realidade física mesmo se ou quando isto não for relevante para nossa sobrevivência e bem-estar. Talvez isto seja só um “conservadorismo mundano” meu…

    Isaías:
    De fato, não é justo, assim como quase tudo no mundo.

  9. Diego,
    Eu escrevo textos para pessoas inteligentes, que tem interesse no assunto e estão dispostas a perder seu tempo entendendo o que escrevo. Se eu quisesse que as mais variadas pessoas lessem e entendessem o meu texto eu escreveria de outra forma, mas eu não quero. Na verdade essa idéia me tras mais desprazer do que prazer. Isso vem em parte de um medo que alguém pouco inteligente ou com memes muito diferentes dos meus pegue o que escrevi e transforme em algo tão absurdamente diferente do que queria que eu, ao ver o que ele fez, me arrependa de ter se quer pensado em escrever um texto sobre aquele assunto.
    Todos os pressupostos que eu tenho ao escrever o que escrevo, são pressupostos de qualquer livro denso sobre algum assunto, ou um artigo mais ‘pesado’ de filosofia analítica (seja la o grau de ‘fodisse’ do autor). Eu diria que o seu objetivo com um texto é mais o de um jornalista do que um filosofo. Eu não quero formar opinião, eu quero chegar na verdade, e ocorre que discutir com pessoas e expor suas ideias é bom para isso. Seria perda de tempo convencer alguem das minhas ideias caso a discussão não ajudasse minhas ideias a crescer e evoluir.
    Do mesmo jeito que você acha ruim o estilo do Jonatas e o meu, eu acho que alguns dos seus textos buscam uma clareza e insistem tanto em ‘me’ convencer que chega a ser irritante, ao ponto de as vezes eu não ler alguns dos seus textos. Nós, simplesmente temos objetivos diferentes, seria pouco cauteloso da sua parte achar que eu ou o Jonatas não pensamos na melhor forma de escrever ao escrever, nós o fazemos, mas ao menos para mim o publico alvo é diferente do seu.
    Eu vejo muito mais prazer do triunfo em sair por ai convencendo (triunfando sobre) um bando de gente que nem tem muito interesse no que você tem a dizer do que simplesmente ter vontade de discutir suas idéias com, e somente com, alguém que esteja disposto a ouvi-las.

    Abraços

  10. Why should we want the universe to last forever, anyway? Look—either the universe has a purpose or it doesn’t. If it doesn’t, then it is absurd. If it does have a purpose, then there are two possibilities: Either this purpose is eventually achieved, or it is never achieved. If it is never achieved, then the universe is futile. But if it is eventually achieved, then any further existence of the universe is pointless. So, no matter how you slice it, an eternal universe is either a) absurd, b) futile, or c) eventually pointless.

  11. Quando você busca um sentido para a vida, você não está entendendo o que é a vida. Buscar um sentido é uma forma de escapar dos fatos e eventos naturais que “caem sobre você ou “você vivência”.

    Por que você faz essa pergunta? Qual a definição de vida, o sentido da vida? A vida tem um significado, um sentido? Não seria a vida em si mesma o seu próprio propósito? Por que queremos mais? Porque esstamos tão insatisfeitos com a nossa vida, tão monótona, caótica, aleatória, fazendo as mesmas coisas sempre, que passamos a querer algo mais. Esse algo mais seria uma tensão por prazer, por experimentar aquele estado corriqueiro de esquecimento do “eu”, dos problemas, da tranquilidade atemporal, etc.

    Já que a vida corriqueira é tão vazia, enfadonha, tão estúpida, talvez desmedidamente injusta. Tudo por causa dos anseios pessoais de cada um. Um sistema inteligente deveria estar satisfeito em se considerar responsável pelas expectativas sustentadas pela própria mente.

    É mais do que óbvio que um homem que vive intensamente, plenamente e inteligentemente, um homem, um amontoado de sabe-se-lá-o-que de interações neurobiofísicas, está contente com o que ele vive, recebe, possui. Para ele não existe confusão, está tudo muito claro.

    Para ele a própria vida é o começo e o fim. O problema é que a vida da maioria das pessoas é confusa, então querem achar um sentido para vida.

    Se o sentido da existência é a vida/existência encerradas em si, então devemos observar de maneira inteligente as informações que surgem. A informação mais emergente da existência, humana, biológica, no caso, é de que certamente não buscarás se jogar de baixo de um caminhão. Não colocará a mão no fogão quente. Assim, há de seguir analisando as necessidades humanas pessoais e impessoais. No fim há de se concluir que, fundamentalmente, o sentido da vida pessoal tem como background o sentido da humanidade: todos nós choramos pelos mesmos motivos, porque não somos amados, porque somos impedidos, rejeitados, não compreendidos. A fome na África é igual a fome nos EUA.

    Como Kurzweil disse: O sentido da vida pessoal é fazer o sentido da humaidade, que é criar a super inteligencia, chegar mais rapido, esta ultima por sua vez é o sentido do universo. (kurzweil 2005)

    Eu aplico a mesma visão (trans)humanista e digo: o sentido da vida é transcender a atividade egocêntrica da mente/cérebro, de todo aparato biológico que somos e que delimita (por enquanto) nosso leque de possibilidades sensoriais.

    O próposito total da sociedade humana é aumentar a quantidade de prazer total, prazer fruto do estado de contentamento, satisfação, engajamento, realização,.

    Você aumenta a quantidade de prazer total quando permite integração dos sistemas neurológicos dos seres humanos, que são definidos por todos os memes, toda plasticidade do cérebro em moldar comportamentos em tempo real através do tempo, todas estruturas genéticas fixas, permanentes, semi-fixas, etc, etc.

    A confusão e a disparidade, embora sejamos frutos de uma arquitetura que se molda através do tempo, é clara. O objetivo do ser humano é o prazer, é o guia e o prazer só pode ser atingido com entendimento.

    O mundo, a sociedade, pode te dar um tapa na cara e você ficar feliz com isso. Mas se a capacidade de entendimento dos fenômenos, se os processos cognitivos falham, há de se dizer que o sistema neurológico vai sofrer de patologias mentais, psicopatias.

    Revendo a imagem histológica tecido nervoso e sua semelhança com uma visão mais estrutural do universo, arrisco a dizer que existe uma simetria entre as leis da física e o comportamento do nosso sistema neurológico.

    Entre galáxias, temos um gradiente iônico e toda uma troca de campos de informação. Entre neurônios, temos as sinapses. Ambos querem trocar informação, querem se aproximar. Ambos querem estar perto um do outro.

    Nesse sentido, nada mais natural que nós, pequenos universos, não tenhamos o mesmo destino que a matéria que nós compõe. Nosso objetivo é a consciência coletiva, uma trans-inteligência.

    Enfim, se alguém leu até aqui, isso é só minha expressão dos fatos, é algo tão subjetivo que eu peço que não exista desentendimentos porque como já expressei, todos queremos o mesmo.

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