O Mundo é GRANDE!

Pretendo sumarizar um conjunto de hipóteses metafísicas nas quais eu realmente acredito (Sim, de verdade, eu creio no que estou escrevendo), todas elas se referem ao mundo parecer um pouco maior do que imaginamos normalmente:

1 O solipsismo é falso: Existem outras pessoas.
Uma boa razão para acreditar nisso é que é mais simples que haja um universo regido por leis físicas simples do que somente uma mente sem nenhuma lei causal simples.

2 O Localismo é falso: Existem lugares como o Japão e o Acre.
Mesmo raciocínio.

3 A interpretação dos muitos mundos da física quântica é verdadeira:
A interpretação dos muitos mundos da física quântica é superior as demais por ser mais simples e preservar parcialmente o caráter determinista da realidade. Num resumo simples ela postula que sempre que a função de onda fosse entrar em mais de um estado possível, ela de fato entra em todos os estados possíveis. Essas ocorrências se dão em universos distintos, sem contato nenhum de nenhuma natureza. Noutras palavras, existe um outro você que não está lendo essas palavras agora num universo muito “distante” e inacessível.

4 O argumento da simulação é verdadeiro:
O argumento da simulação defende a hipótese da Matrix. Em suma ele demonstra que ou 1) Nunca vamos simular universos populados (super simcities), ou 2) Vamos criar leis super rígidas para simular muito poucos universos, ou 3) Devemos acreditar que há uma chance bem maior do que 99% de estarmos vivendo numa simulação.

5 O princípio antrópico é verdadeiro em relação as cordas:
Existem muitos universos concebíveis constituídos pelas cordas previstas pela teoria das cordas, estes universos podem estar em muitos estados (estimados em até 10 elevado a 500) de estabilidade energética. Dentre esses universos, o nosso tem as condições que tem porque, se não tivesse, não poderia comportar seres humanos. Ou seja, parte das leis da física são como são porque nós estamos aqui. Elas de fato são diferentes em outros lugares, mas lá ninguém está olhando.

6 A teoria dos universos bolha é verdadeira
Seja o que for que causa big bangs, pode ser que ocorram novos, e que o nosso tenha antecessores. O nosso big bang pode estar dentro de uma bolha que cresce muito mais rápido, gerada por outro big bang. Como o gás num refrigerante que parece surgir do nada. Só que uma bolha poderia surgir dentro de outra (essas bolhas poderiam variar no nível da energia das cordas, se as cordas forem parte de uma boa descrição da realidade, ou no nível do que quer que constitua o nível físico mais primordial). Novamente, nosso universo tem a cara que tem porque nós estamos nele, dentre as infindáveis bolhas.

7 O espaço é infinito em extensão
Se o espaço é infinito em extensão, e existe uma probabilidade maior do que 0 de que um universo seja criado numa quantidade finita de espaço, então existem infinitos universos. Mais especificamente, existem todos os universos possíveis fisicamente.
Uma consequência interessante é que se o número de configurações físicas possíveis num determinado espaço é finito, então existem infinitos universos iguais ao nosso.

8 O tempo é infinito em extensão
O mesmo que o de cima.

Note que a operação entre essas hipóteses (todas) é de multiplicação (porque uma não exclui a outra), o número que a anterior permite deve ser multiplicado ao próximo para obter o número de universos existentes. (Para quem não conhece, existe matemática dos infinitos, então o que eu disse não é absurdo).

7 A hipótese de surgimento espontâneo de mentes é verdadeira:
Se nossas concepções sobre flutuações de vácuo e buracos negros estiverem certas, dado suficiente tempo, um buraco negro pode gerar espontaneamente um cérebro num determinado estado, logo todas as observações são feitas não só por pessoas que estão de fato fazendo aquela observação, como também por cerebros flutuantes prestes a serem esmigalhados no vácuo que por um acaso raríssimo (imagine ganhar na loteria em todas as loterias da história ocidental, isso é fichinha perto do nível de raridade que estou falando). Devemos por tanto atribuir um percentual não nulo de crença a hipótese de que só existiremos por mais alguns microssegundos, sempre.

8 A hipótese do universo matemático é verdadeira V O realismo modal é verdadeiro:
Não tenho certeza se essas duas posições são a mesma porque partem de perspectivas epistemológicas diferentes. Se não forem, acho que são incompatíveis, e minha tentação é pender para o lado do realismo modal, apesar de admitir que a hipótese do universo matemático parecer, segundo nosso conhecimento atual, mais simples.
A hipótese do universo matemático conjectura que o universo é constituído de entidades matemáticas. Entidades matemáticas somente possuem propriedades relacionais, e portanto elas existem simplesmente em virtude de sua própria existência. No apêndice eu dou um argumento técnico para isso. Pense que “2+3 =5” “dois mais três igual a cinco” e “two plus three equals five” dizem a mesma coisa, referem-se as mesmas entidades, que são propriedades que são unicamente relacionais, e não intrínsecas. Se ela for verdadeira o tempo não tem direção definida e podem existir universos, por assim dizer, virados para o outro lado em relação a nós, entre outras coisas interessantes.
O realismo modal é uma proposta filosófica de que todos os mundos possíveis são reais. Um bom argumento para isso é pensar que se existem infinitos mundos possíveis, porque só um deles é real. O que lhe atribui realidade? Ele tem algum princípio primordial de realidade? Não há razões para crer nisso, então todos os mundos possiveis devem ser reais.

Porque acredito nisso

Aceito o que eu chamo de postulado da simplicidade, que é a hipótese de que o que é mais simples é mais provável do que o que é mais complexo. Por mais que não pareça a primeira vista, uma análise minuciosa de todos esses argumentos de uma perspectiva simplificadora leva a crer em sua veracidade. Nosso conhecimento do mundo, em termos físicos e filosóficos (inclusive filosofia da matemática) começa a nos levar a lugares que nunca imaginamos antes, como esses que relatei acima. O fato de que essas hipóteses são contra-intuitivas não diz nada sobre o quão verdadeiras elas são, mas diz bastante sobre como a evolução darwiniana não necessita de nos dar intuições sobre a natureza última do mundo, mas simplesmente intuições sobre a natureza última da melhor estratégia para roubar a comida daquele lobo e comer com nossos filhos.

Que diferença isso faz

A maioria faz bastante. A que faz mais diferença é de longe o argumento da simulação. Se estamos vivendo numa simulação, podemos ser desligados a qualquer momento, alguns defendem que portanto devemos tentar fazer coisas importantes, ser mais egocêntricos, e ficar mais perto de pessoas importantes e sermos nós mesmos importantes, para não cair em uma área da simulação que os Criadores não estejam interessados em continuar simulando (por exemplo o acre) e sermos desligados. Esse argumento pressupõe que os criadores estão simulando sua história evolutiva e nós somos os simulacros ancestrais. Eles também poderiam estar simulando a produção de proteínas em fígado de pato, e portanto seria bom ficar perto de patos, mas isso parece pouco provável. Também devemos estar aterrorizados com o prospecto de que uma vez que criemos uma superinteligência computacional (o que deve acontecer ainda nesse século) a capacidade computacional dela pode exaurir a do computador no qual ela está sendo processada, obrigando o sistema a encerrar operações (ou seja, nas portas do transhumanismo que nos levaria ao paraíso, seremos sumariamente desligados e substituídos por uma tela azul da morte.)
A interpretação dos muitos mundos da quântica é divertida porque nos leva a pensar que temos uma escolha entre vários futuros possíveis, o que é legal. Evidente que essa escolha não é como o livre-arbítrio cristão, mas e daí, é legal mesmo assim.
Se o princípio antrópico valer para cordas e universos bolhas, tanto melhor, isso nos faz saber que tem toda uma galera por aí se perguntando as mesmas coisas que a gente, e deve ter uns universos icosadimensionais irados, que talvez faça com que os matemáticos possam falar “Claro que eu estudo uma coisa que existe!” O grave problema é que, por sermos uma dentre as milhões de civilizações do multiverso que sobreviveu até agora, não temos nenhuma capacidade intuitiva de prever e erradicar catástrofes que poderiam destruir a espécie inteira. Por exemplo, temos mais medo de aranhas, cobras e leões do que de carros, que matam muito mais, imagine então quão pouco medo temos de asteróides, aquecimento global, nanotecnologia devoradora de particulas auto-replicantes etc… quase nada. E no entanto esses são os maiores perigos do século que virá, fora sermos desligados.
Não quero deprimir ninguém, mas tem um lado negro na interpretação da quântica. Existem muito mais estados futuros possíveis em que o seu cérebro desagrega do que em que ele se mantém estável. Então de alguma maneira você está morrendo constantemente trilhões de vezes. Por outro lado, você não tem a menor idéia disso nenhuma vez. Então ou você fica triste por estar morrendo sempre, ou feliz porque o que você chama de morte final não é muito diferente do seu dia a dia. Por outro lado, você pode imaginar que está escolhendo o seu futuro, o que é legal.
Se cérebros podem surgir por aí no espaço infinito, por exemplo cuspidos por um buraco negro, então todas as observações possíveis são feitas. Segue que devemos parar de achar que as coisas são coisas, e passar a acreditar que existe uma chance enorme de que elas sejam coisas, alguma chance de que sejam coisas dentro de uma simulação (que por sua vez pode estar em outra etc…. ) e talvez não existam, sejam apenas ilusões que o buraco negro que cuspiu seu cérebro a dezesseis segundos está experienciando por acaso. Isso tem implicações interessantes para a epistemologia e filosofia da ciência.
Se a hipótese do universo matemático for verdadeira, o fato de que experienciamos o tempo em direção ao futuro só se deve ao fato de que os padrões de relação entre as particulas no espaço quadridimensional no qual estamos se torna menos complexo nessa direção (a famosa contra-entropia que as vezes é usada como definição de vida). Gosto de pensar que nesse caso todo o resto do universo é consciente ao contrário, na outra direção, na qual sua entropia está diminuindo, assim como está diminuindo a de nossas mentes, isso era algo que eu nunca tinha dito pra ninguém.
O realismo modal é muito louco, absolutamente tudo que não é logicamente contraditório ocorre, inclusive, evidente todas as hipóteses acima, a não ser que elas tenham uma contradição ainda não descoberta. O fato de que existimos é uma evidência interessante de que algo existe. E se algo existe, porque aquele algo e não outro algo?
Acho que nesse ponto o leitor deve estar pensando, e porque diabos você fica pensando nessas coisas? Acho que a melhor reposta para isso é que todas essas idéias são incrivelmente mais mágicas, interessantes, sofisticadas e maravilhosas que qualquer coisa que você veja na tevê, ou que seus amigos te digam, ou que você conseguisse pensar sozinho. Além do que, conseguir de fato conceber essas idéias e não ignorá-las, levá-las em conta, viver de acordo com suas consequências etc… é algo que exige pessoas extremamente inteligentes, que conseguem perceber o quanto as implicações disso fazem diferença em como devemos agir, e essas pessoas precisam impedir os desastres que podem acontecer a todos se ninguém se dedicar a isso. E no mais, é simplesmente muito legal.

FIM

Apêndice Técnico, intelectual, etc…. (não leia caso tudo isso aí em cima tenha te parecido absurdo, ou incompreensível):

Os filósofo David Lewis, Peter J Lewis, Papineau e outros discutem as muitas mortes da física quântica em uma série de artigos com títulos sobre o gato de schrodinger e quantas vidas ele tem, que podem ser encontrados digitando how many lives schrodinger no google.
O físico do MIT Max Tagmark, em textos fáceis de achar em seu site, defende a hipótese do universo matemático bem como interpretação de Hugh everett da física quântica contra as clássicas críticas de ausência de conteúdo empírico, etc…
De longe o principal filósofo a pensar esses assuntos é Nick Bostrom. O argumento da simulação é dele. E ele formalizou matematicamente o argumento do dia do juizo final (temos 95% de chance de sermos extintos em menos de 5 mil anos) Ele trabalha todas essas hipóteses, inclusive falando sobre éticas em mundos infinitos, o que devemos fazer, etc etc… tudo isso pode ser encontrado no site dele.
Os físicos John D Barrow, Martin Rees e Typler também discutem algumas hipóteses de grandes mundos.
O filósofo David Chalmers, com base no argumento da simulação de Nick Bostrom faz uma defesa de que a hipótese da Matrix não é uma hipótese cética (ou seja, nossas crenças não se tornam todas falsas se ela for verdadeira) similar ao argumento sobre o cérebro num vaso de Hilary Putnam.
A razão pela qual a natureza dos objetos matemáticos é puramente relacional é um pouco complicada. Se a estrutura deles é somente uma estrutua sintática, ou seja, uma estrutura de manipulação de símbolos, então cada elemento é constituído das relações que ele forma com os demais. O que o determina é justamente suas relações com os demais e a estrutura dessas relações. Wittgenstein argumenta que, assim sendo, não se pode pensar esses objetos sem suas relações, e não se pode falar sobre eles. Esse argumento me parece falso. Suponhamos que os objetos se constituam através de uma serie de relações, que formam uma estrutura, uma vez que a estrutura está montada, eu fixo um designador rígido (Kripke 1980) que designa aquele objeto em particular. Uma vez que esse designador rígido está fixado, ele pegara o mesmo objeto em todos os mundos, e isso independe dos demais objetos com os quais este tenha uma relação, que para Wittgenstein seria impossível. Se no entanto só existir uma intensão epistêmica (segundo a two-dimensional semantic framework) para cada objeto sintático, a crítica de Wittgenstein é verdadeira.
Se você entendeu esse parágrafo anterior, te pago um jantar. Ele serve, entretanto, para mostrar como é suja e hedionda a estratégia dos pós-modernos de escrever aquilo que não é inteligível. Escrevi em analitiquês, então é possível entender, e faz sentido, mas o fiz de maneira tão pouco limpa e clara que parece pós-modernês.

12 opiniões sobre “O Mundo é GRANDE!”

  1. 1) Provavelmente existem outras “pessoas” de qualquer forma, no entanto, isso não significa que as pessoas deste mundo sejam verdadeiras. A hipótese de simulação de realidade como que possibilita um tipo de solipsismo.

    2) Certo. Exceto pela simulação de realidade de uma única mente, em que os lugares não utilizados no momento poderiam não existir ou existir só temporariamente.

    3) Não achando uma evidência forte a favor de um ou outro lado, prefiro não acreditar na hipótese dos muitos mundos. Complexidade ou simplicidade depende às vezes do que você está analisando, da perspectiva. Muitos universos podem dar um atalho em termos de explicação, e complicar mais em outros sentidos. Não vejo claramente que essa seja uma teoria mais parsimônica à sua alternativa.

    Mas supondo que a hipótese seja verdadeira, para a analisar, acho que ela não significa que todos os estados possíveis de um universo existirão, ou que todas as configurações possíveis de universo existirão. Diferentes estados quânticos possíveis para uma mesma causa (algo em que eu prefiro não acreditar, mas aceitando aqui nesse cenário) não afetariam a causalidade macroscópica de forma muito significativa (o mundo macroscópico é determinado grandemente ou totalmente), de forma que um determinado experimento científico feito sob certas condições iniciais precisas daria somente um dado resultado, independentemente de variáveis quânticas, e não seria possível um universo que, dadas essas condições iniciais (causa) pudesse dar um resultado macroscópico diferente (efeito).

    Penso que, se as variações quânticas podem ter um efeito no mundo macroscópico, esse efeito não anula a causalidade grande ou total do mundo macroscópico, e não poderiam modificar o seu decorrer de maneira muito significativa, a gerar infinitos resultados a partir de uma certa causa. Isso significa que, nessa hipótese, parece que, antes que todas as configurações possíveis de universo, seria criado um conjunto relativamente pequeno de efeitos possíveis, com uma coerência causal interna em termos macroscópicos. Dado um Diego saudável, não serão flutuações quânticas que criarão universos em que ele está morrendo a todo instante.

    Agora analisando o argumento dos muitos mundos, ele parece precisar de uma exceção às leis que conhecemos, que possibilitaria a criação de matéria a partir do nada, mesmo que essa matéria não coexista no mesmo universo. A criação de um universo totalmente separado do universo atual também é uma possibilidade física sem precedente e estranha. Por isso digo que, se ele simplifica, ele complica também.

    4) Não conheço esse argumento. Mas acredito que o meu argumento da simulação tem uma chance considerável de ser verdadeiro, embora eu me pergunte qual o motivo possível de uma tal simulação para seres inteligentes. Isso se torna uma pergunta semelhante ao questionamento de Epícuro sobre deus (que muitos outros também devem ter feito independentemente): se deus quer corrigir os problemas do mundo mas não pode, não é onipotente, logo não é deus; se pode e não quer, é mau, logo é burro, logo não é deus. Isso se aplicaria também a uma simulação. Qual a utilidade, além de mera curiosidade, para seres avançados em uma tal simulação que envolva sofrimento, se esses seres já devem ter tudo de que precisam? O que uma tal simulação histórica poderia dar de bom, visto que precisaria de informações de um estado inicial desconhecido para gerar o estado simulado desejado?

    Não creio que haja o risco de sermos desligados por usar poder computacional demais ou por fazer certas coisas. Isso seria completamente arbitrário e um simulador que se proponha a simular algo deve ter poder computacional para isso. Sendo algo enorme como o mundo, ou o universo, coisas que pudermos fazer devem ter efeito desprezível na complexidade computacional. Além disso, assim como o universo poderia ser falso, o resultado do processamento de um computador poderia ser falso também.

    5) Acredito que de alguma forma as leis da física são um resultado que não poderia ser diferente de princípios internos mais parsimônicos. Mas posso estar errado pois não conheço muito de física. É verdade que estamos num universo possível à consciência por ele ser possível à consciência (não sei muito qual a utilidade em constatar isso).

    6) Talvez os big bangs sejam cíclicos, mas acho que precisam de uma quantidade de matéria ou energia equivalente à do universo inteiro, e por isso não aconteceriam dentro de um universo em expansão, mas só com uma contração de todo um universo ou algo de magnitude próxima.

    7) Que existem finitos universos pois o espaço é infinito é uma hipótese incerta. Não sabemos ao certo que o espaço é infinito e pode ser que haja apenas esse universo em termos de matéria. Acho que não se pode dizer que existam todos os universos possíveis fisicamente por esse motivo. Existe infinito dentro de variáveis finitas, por exemplo, [3333333…] pode se estender infinitamente sem apresentar um 4, da mesma forma podem haver universos infinitos sem que um mesmo universo seja repetido uma única vez.

    8) Concordo, mas acho que o tempo só é concebível em referência à matéria: é a velocidade que a matéria se comporta relativamente a outra coisa (um observador feito também de matéria). Se não existir matéria, não existe tempo. Além disso, o tempo como “demora longa” não faz sentido sem observadores conscientes (digamos que se todos os observadores conscientes de agora fossem desligados, e ligados novamente daqui 1 bilhão de anos, esse intervalo de tempo passaria instantaneamente pois não haveria quem observasse a “demora”).

    72) Não entendi o.O

    82) A hipótese do universo matemático parece errada, pois entidades matemáticas só existem para um observador, como uma constatação. Também não acredito no realismo modal pelos mesmos motivos que mencionei sobre a hipótese dos muitos mundos.

    Não sei o que é um designador rígido de Kripke, então não entendi essa parte.

  2. Sobre as posições Jonatanianas
    ” de forma que um determinado experimento científico feito sob certas condições iniciais precisas daria somente um dado resultado, independentemente de variáveis quânticas, e não seria possível um universo que, dadas essas condições iniciais (causa) pudesse dar um resultado macroscópico diferente (efeito).”

    Sob a suposição de um universo infinito, mesmo probabilidades de 1 em 10¹⁰⁰⁰⁰⁰⁰ se realizariam, logo existe uma probabilidade 1 de que ocorra qualquer evento com probabilidade finita.

    “Qual a utilidade, além de mera curiosidade, para seres avançados em uma tal simulação que envolva sofrimento, se esses seres já devem ter tudo de que precisam? O que uma tal simulação histórica poderia dar de bom, visto que precisaria de informações de um estado inicial desconhecido para gerar o estado simulado desejado?”

    A 1a questão é inteligente, a segunda é brilhante.
    R1: O problema do mal (a existência do sofrimento) só se coloca se você assumir a consciencia dos observadores sempre, o que lhe impede de dizer que a consciência é desligada durante os momentos de horror. Minha sugestão para resolver essa questão é, enquanto lê essa sentença, enfiar um afinete no braço, para testar essa hipótese 🙂
    R2: É bastante difícil assumir que uma civilização fosse ter acesso a informação inicial do universo, e de fato pesa que ela não poderia ressimulá-lo a seu bel prazer. Parece razoável entretanto que disponham de condições suficientemente similares para aprender sobre possíveis evoluções e desenvolvimentos, não extremamente iguais aos seus, mas suficientemente parecidos para os propósitos de análise (é o que já fazemos com algorítmos genéticos etc….)

    “coisas que pudermos fazer devem ter efeito desprezível na complexidade computacional. Além disso, assim como o universo poderia ser falso, o resultado do processamento de um computador poderia ser falso também.”

    Já esse pedaço é um monte de bobagem.
    1 Nós possivelmente podemos produzir uma super-inteligência capaz de improvement upon itself, e isso muito provavelmente consumiria uma quantidade exponencialmente maior de energia no tempo, eventualmente esgotando a materialidade do computador simulador.
    2 ‘Universo falso’ = abobrinha …… Ver o primeiro princípio de——> https://brainstormers.wordpress.com/2008/04/10/guioes-do-bom-pensador/

    “Existe infinito dentro de variáveis finitas, por exemplo, [3333333…] pode se estender infinitamente sem apresentar um 4, da mesma forma podem haver universos infinitos sem que um mesmo universo seja repetido uma única vez.”

    De fato você está certíssimo. Sem assumir previamente a hipótese de que o número de configurações possíveis de universos é finita (como faz por exemplo a teoria quântica e qualquer outra que dependa de espaço quantizado, e.g. Lim de Planck, e não contínuo) não temos como dizer que nosso universo se repete, uma vez que assumamos, aí é certeza.

    “8) Concordo, mas acho que o tempo só é concebível em referência à matéria: é a velocidade que a matéria se comporta relativamente a outra coisa (um observador feito também de matéria). Se não existir matéria, não existe tempo. “

    O tempo é uma dimensão na qual sabemos que a matéria varia, mas pode ser o caso que haja outros entes (coisas) que variam no tempo e que não sejam materiais, por exemplo as probabilidades de algo acontecer, nesse caso falar de tempo sem matéria faria sentido, só apresento a possibilidade, não a defendo.

  3. 3 A interpretação dos muitos mundos da física quântica é verdadeira.

    O que acontece quando você dorme ou toma uma anestesia? Você acorda e tem a urgência de tentar estabelecer uma conexão temporal entre duas sequências de eventos, duas memórias. Você faz isso e conclui que acordou da cirurgia ou do sono profundo. Essa ausência informacional nós daria a sensação de falta de experiência, não-identidade, não-existência, certo?

    Num outro mundo, que segue outras configurações , “eu” continua? Quem é o “eu”?

    Acho estranho porque é preciso definir o que é o “eu”, o que é essa identificação. A cada instante, tirando uma foto de toda configuração de partículas, meu cérebro muda e eu perco identidade. Toda hora, num processo de re-organização, perco um bit informacional, seja ele clássico ou quântico. Mas, ainda sim, meu cérebro teima em estabelecer uma identidade, uma sequência, que configura uma personalidade ou modo de operar peculiar (a menos que alguém aqui seja esquizofrênico ou tenha mal de alzheimer).

    Outra coisa, se o espaço é tudo que há de existir e ele realmente for quantizado, então todas configurações a cerca da nossa bolha podem se repetir em OUTRAS BOLHAS. Ou seja, um universo igual ao nosso?

    Nas teorias de multi-verso onde entram branas e tudo o mais que desconheço, existiram infinitas configuraçoes e possibilidades?

  4. Under the Many-Worlds interpretation, every choice a person makes results in the creation of two or more ‘new’ universes: one for each ‘option’ in a given choice. Question: is it possible that all of the universes necessary to accommodate every possible choice (most likely an infinite amount of universes) were already created at the same instant as our own? Does the existence of any single universe necessitate the existence of an infinite number of others? Price gives evidence for both sides to the speculation. On the one hand he says that quantum effects rarely or never affect human decisions. On the other hand he says that all possible decisions are realized in some worlds.

    In quantum terms each neuron is an essentially classical object. Consequently quantum noise in the brain is at such a low level that it probably doesn’t often alter, except very rarely, the critical mechanistic behaviour of sufficient neurons to cause a decision to be different than we might otherwise expect. (…) If both sides of a choice are selected in different worlds why bother to spend time weighing the evidence before selecting? The answer is that whilst all decisions are realised, some are realised more often than others – or to put to more precisely each branch of a decision has its own weighting or measure which enforces the usual laws of quantum statistics.[44]

    existe operação quântica no cérebro? se há condições para o colapso da onda dentro dos microtubulos dos neurônuos, então todo resultado comportamental exprimido pelas redes neurais pode ser previsto se tirarmos um ‘snapshot’ de todo sistema nervoso. sendo assim, não existiria livre arbítrio como conhecemos?

    é necessária a “consciencia quântica” dentro dos neuronios para sustentar a teoria dos muitos mundos?

  5. Francisco, bom ver sangue novo e de qualidade no blog.
    Qualidade é algo que falta no mundo, e encontrá-la é sempre um prazer.

    A questão da identidade pessoal, dessa preservação da conexão entre eu agora e eu daqui a pouco é um dos temas mais interessantes da filosofia analítica. Acho que o tratamento desse problema não é mais complexo com hipóteses de muitos mundos da quantica do que já é no dia a dia, pelo fato de termos diferentes graus de conexão com diferentes momentos no tempo. Acho que Derek Parfit estabeleceu definitivamente a visão atual em seu Reasons and Persons (1986) . No qual defende que a identidade pessoal não pode ser o que interessa, mas sim O grau de conectividade psicológica entre os indivíduos. Isso porque passado suficiente tempo não temos mais identidade alguma com o sujeito que ocupou esse corpo. Mas em cada etapa temos conectividade com o sujeito intermediário, e os que estão próximos. Ou seja, quanto maior o percentual de conectividade psicológica, mais essa pessoa é “você”. E não existe a identidade pessoal no sentido metafísico, do eu que se mantém no tempo.

    Sim, universos iguais ao nosso também ocorrem caso o número de configurações de bolhas seja finito.

    2 comment:
    “every choice a person makes results in the creation of two or more ‘new’ universes: one for each ‘option’ in a given choice.”

    Isso aqui é uma interpretação equivocada da teoria quântica. Mesmo nas interpretações que são observer-relative da física quântica, não é o processo de escolha que gera a divisão quântica entre mundos, ou entre possibilidades de colapso da função de onda. Não é a escolha, é a observação, nada a ver com vontade humana, livre arbítrio ou algo assim, é o ato de observar.

    Existe operação quântica no cérebro: Sim.
    Existe operação quântica relevante que modifique os processos cerebrais? O consenso científico é que não, ver por exemplo “The importance of quantum decoherence in brain processes”
    Authors: Max Tegmark

    Stuart Hameroff e Penrose são os defensores do contrário.

    Quanto ao livre arbítrio, ele tem uma pletóra de razões para não existir, nenhuma delas precisa de micro-tubúlos.

    O conceito de livre arbítrio é inconsistente em milhões de níveis, nem com um pluralismo de substâncias ele se sustenta.

  6. Concordo sobre a questão quântica.

    Tenho que discordar sobre o livre-arbítrio, acho que ele existe… heheh

    O livre-arbítrio é um processo decisório que ocorre dentro da causalidade natural, e nem por isso deixa de ser decisório e livre. O sujeito não é algo além do cérebro; é o próprio cérebro, e por isso as decisões do cérebro só podem ser atribuídas a ele. Sua capacidade de decisão inteligente é naturalmente limitada, mas isso não nega o livre-arbítrio dentro dessa capacidade: o arbítrio é definido simplesmente como a decisão, não como a melhor decisão, nem como conhecer a melhor decisão.

  7. Bom, devo dizer que acho diversas dessas hipóteses especulativas demais para meu gosto, mas acho que em metafísica cada um pensa o que quer…
    Não sei se já mencionei, mas escolhi ciência porque gosto de coisas testáveis, isto já define um pouco as minhas posições, inclusive a de achar que estas teorias são uma tremenda masturbação mental.

    1 e 2) Acho que podemos tomar como verdade, a não ser é claro que vivamos na Matrix, no show de Truman ou em algum outro tipo de grande conspiração manipuladora.

    3) Acho uma interpretação interessante, mas não acredito muito na realidade dos outros mundos, e também acho que simplicidade metafísica é relativo.

    4) Podemos estar numa matrix, pessoalmente não acredito, mas como seria a sensação de “não estar numa matrix” para se saber?

    5) OK (independentemente das cordas)

    6) Não conheço a teoria.

    7) A idéia é bem legal, mas pessoalmente não acredito que o universo seja infinito, apenas monstruosamente grande, talvez ele seja circular, embora também não haja evidências disso.

    8 ) Tampouco.

    7 de novo) Sim, podemos ter sido cuspidos do buraco negro… assim qualquer outra coisa improvável que se pensar.

    8 de novo) Acho bonitinho, mas acho que é só uma teoria para os matemáticos se sentirem melhor. Não acho que todas as teorias matemáticas ocorram, e assim acho pouco plausível dizer que o nosso universo seja uma, por mais isomórfico a uma que ele seja.

    “Existem muito mais estados futuros possíveis em que o seu cérebro desagrega do que em que ele se mantém estável. Então de alguma maneira você está morrendo constantemente trilhões de vezes.”
    Depende do que você define e conta os estados, mas teoricamente isto não é verdade, se o seu cérebro se mantém estável é porque existem mais estados futuros em que ele se mantém mais ou menos como é do que o contrário.

    Talvez de fato existam outros universos, mas acho isto tão irrelevante e inverificável que não vejo muita utilidade, a não ser em explicar porque as coisas são como são (porque por acaso estamos neste universo).

    Acho que mesmo que a interpretação dos muitos mundos seja verdadeira, isto não ajuda em nada, eu só tenho consciência de experenciar este mundo…

    Concordo com o Jonatas que se por acaso vivemos numa simulação eles não devem estar muito preocupados com o que estamos fazendo para termos de ficar entretendo os simuladores para aumentar nossas chances de sobrevivência.

    Não entendi porque o resto do universo seria consciente se a hipótese do universo matemático for verdadeira.

    Enfim, minha posição é bastante convencional e conservadora, exceto por dar uma probabilidade significativa para a simulação e achar que o universo é finito.

  8. 1.O universo pode ser só a sua mente tendo ilusões a respeito de fenômenos de um mundo exterior e sobre a sua própria natureza. A mente nesse caso seria maior e mais complexa do que a idéia que fazemos dela. Acho que essa hipótese, ou a da realidade do mundo exterior geram as mesmas conclusões sobre o mundo, a diferença é que adimitir o mundo exterior é mais legal.
    2 Mesmo raciocínio.
    3 A interpretação dos muitos mundos da física quântica tem mais entidades ontológicas, ela não é mais simples.
    4 O argumento da simulação é verdadeiro mas não implica nada, a não ser que se adimita causação anômala.
    5 O princípio antrópico é verdadeiro em relação ao multiverso e a teoria das cordas é um toy model infinitamente mais pesado e complexo que o modelo padrão.
    6 A teoria dos universos bolha é possivel
    7 O espaço é infinito em extensão e a constantes físicas assumem valores constantes, logo só um universo é atual e existente.
    8 O tempo, provavelmente, é infinito em extensão. O big crunch é possível e é um dos jeitos de explicar o fine tunning.
    7 A hipótese de surgimento espontâneo de mentes é possível. Mas é possível também que os processos não sejam aleatórios num grau suficiente para que se torne possível produzir observadores complexos.
    8 Diria mais, se o universo matemático (MU) é verdadeiro é razoável afirmar que a estrutura do universo só pode ser dada fazendo uso de números no mínimo tão fortes quanto os transfinitos. Logo, dadas as suficientes restrições que essa estrutura imponha a atualidade, tudo o que é possível na teoria que modela a estrutura é possível. Se a estrutura é tão simples a ponto de se igualar a lei da não contradição, isso implica o realismo modal (MR). Por outro lado se o realismo modal é verdadeiro o universo de possibilidade é determinado por um enunciado matemático (o de consistência) e isso implica o universo matemático. Assim (P, possível. N, necessário):
    P (UM –> MR) ^ N (MR–> UM)
    Logo P (UM MR)

    De qualquer maneira, aprovo a ousadia. A sorte favorece os ousados e é assim que o conhecimento avança. A ciencia normal, no sentino kuhniano, tem o mesmo papel que Nietzsche da oração, manter as mentes menos elevadas ocupadas em silencio para que os espiritos elevados possam pensar com calma.

  9. Respostas interessantes, Rend e João.

    Na hipótese dos multiple-words da quântica você só acha que seu cérebro permanece estável porque só tem um você no universo em que permanece Leo.

    João
    , 4 A simulação admite causação anômala.

    7 Mais de um universo infinito podem coexistir. Infinita extensão não determina a totalidade do existente. Pense em como dois planos infinitos podem coexistir num espaço tridimensional, o mesmo vale para o espaço, tenha ele quantas dimensões tiver.

    8 Boa análise, já havia comentado sobre o brilhantismo dela antes.

    Devido ao largo número de respostas a esse post, não vou mais comentá-lo ou responder comentários, obrigado aos comentadores.

  10. Você ta querendo dizer que pode ser um caso que exista algo como um único universo mas com x+n dimensões, sendo x as dimensões espaço-temporais e n as dimensões que descrevem os graus de liberdade das variáveis livres da teoria unificada? Ou esta apenas dizendo que a infinitude do espaço tempo se da em mais de 1 dimensão?
    De qualquer maneira, seja la a cardinalidade da infinitude, se existem certas leis que limitam a aleatoriedade máxima dos processos, pode ser o caso que elas limitam suficientemente bastante para que mesmo em cardinalidades muito altas eventos como cérebros brotando de buracos negros não aconteçam.
    Pense num exemplo em termos estritamente matemáticos. Se você fizer o conjunto de todos os subconjuntos do infinito enumerável você obtém um conjunto de infinitude maior e assim sucessivamente. O seu conjunto inicial pode ser tanto todos os naturais, como só um subconjunto infinito dos naturais, tal como os pares. É o caso que esses pares limitam suficientemente as propriedades dos números que não importa quantas operações de power set (a operação de pegar os subconjuntos de um conjunto) você faça no final você sempre vai obter só conjuntos com números pares e que nunca irão ter nenhuma das propriedades dos impares. Pode ser o caso que por mais infinito que seja o universo nunca haverá processos aleatórios que gerem observadores, por exemplo. O universo pode ter infinitos graus de liberdade e finitas constantes ‘fixas’ e pode ser o caso que as constantes fixas impeçam processos suficientemente aleatórios parar gerar os freak-observers do Bostrom.
    Aproveitando pra emendar no tema de multiverso. O Bostrom argumenta que a teoria com variáveis livres é mais simples que a teoria com variáveis livres + fixação das constantes. Mas parece possível construir teorias em que as variáveis não são livres e são fixadas desde o inicio. Por exemplo em vez de dar as equações gerais de relatividade você pode ja dar a equação de uma das suas soluções como sendo a fundamental. Isso é mais uma duvida de porque essa saída não é possível do que propriamente uma objeção.

  11. Eu que fico feliz de ter encontrado um blog tão rico, mantido por alguém que se move por aspirações e estudos parecidos. É sempre bom encontrar qualidade e alguém interessado em questões tão intrigantes (para nós).

    diegocaleiro:
    O consenso científico é que não, ver por exemplo “The importance of quantum decoherence in brain processes”
    Authors: Max Tegmark
    Stuart Hameroff e Penrose são os defensores do contrário.

    Talvez Hammeroff ou o Penrose sofram de alguma influência cognitiva que os fazem insistir nesse modelo. Ou será um julgamento ruim de minha parte? Quantum Quackery.

    Essas questões sobre livre-arbítrio sofrem de problemas de comunicação entre as partes, problemas epistemológicos, linguísticos, etc. É preciso reduzir o número de conceitos, padronizá-los parra que ocorra entendimento das mesmas percepções, associações, sensações.

    diego:
    O conceito de livre arbítrio é inconsistente em milhões de níveis, nem com um pluralismo de substâncias ele se sustenta.

    concordo.

  12. Acho que negar o livre-arbítrio por causa do determinismo é supor que o sujeito seja algo externo ao cérebro. Se o livre-arbítrio pode ser concebido de alguma forma, é dentro do determinismo, pois o indeterminismo impossibilita o livre-arbítrio. O que faz o livre-arbítrio inconsistente? Se importam em discutir isso?

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