No filme “O declínio do império americano” somos apresentados a um grupo de intelectuais, nos anos 80, que discutem e preparam uma reunião do grupo´à mesa de um jantar . A ligação com o título é implicada, e a minha interpretação é que as tendências culturais como a hipersexualização e liberalização dos costumes deixou uma geração mal situada e desorientada, entre um pólo tradicionalista e outro liberal. O diagnóstico seria parecido com o que fizera Khomeini da sociedade ociental: essas tendências vão corroer a fibra social e a massa amorfa resultante não conseguirá se impor uma direção, resolver seus problemas, estará paralisada enquanto os interesses particulares consomem o estado, ou sociedade.

Na sequência do filme, 20 anos posterior, o diretor reúne o mesmo grupo e mata seu protagonista. Lentamente, para um câncer, ele sucumbe cercado de seus amigos lembrando de seus bons tempos de militância política e artística. O filme se chama As invasões bárbaras, e daí vemos que ele avança no seu diagnóstico em uma analogia com Roma. Mas o 9/11 é somente brevemente mencionado. É dessa vez a morte de uma geração de intelectuais, resignados na apatia ou isolação que marcaria o nosso periodo. Dos sonhos utópicos ou não dessa geração sobrou um pragmatismo amedrontado e uma incapacidade de sonhar na nova geração, ali representada pelos filhos dos personagens.

É no domínio virulento do coração do império (EUA) por uma burrice conceitual acompanhada por treinamento técnico, que ele mesmo realizou aquilo que Khomeini e outros tanto visaram: uma gama de engenheiros, cientistas, matemáticos, etc. sem no entanto o senso crítico que costumam ter as classes intelectuais. A tese de Denis Arcand (o diretor) a meu ver é de que se engendra a olhos vistos uma nação, e um sistema global, pois o sonho de Khomeini continua impossível. A destruição da verdade através da propaganda, da exacerbação dos signos, da polemica sofística em suma, tem consequências, e um país que tenha Sarah Palin em seu cargo supremo age contra seus interesses. E a verdade é que o governo por ali está cheio de aparelhamentos que fariam os sindicalistas catapultados ao nosso tupiniquim governo federal parecerem posdocs de Harvard em comparação. (Quem quiser exemplos basta ver os novos promotores federais e as escolas de origem, ou a Harriet Myers, que tentaram por na Suprema Corte).

Já é fácil ver como é difícil para eles tomarem uma decisão em conjunto, não importa quão vital seja. Uma série de elementos, como petty politics domina o espaço público cultural, e a própria percepção de tempo se acelera através dos bônus trimestrais para CEOs e as hipotecas renovadas a cada seis meses. Não conseguem dar um mínimo de assistência social à população e vivem na verdade sob um capitalismo excludente que só não se mostra assim porque prende os descontentes (a maior população carcerária do mundo em termos relativos e absolutos de longe!).

Vendo sob esse prisma, imagino um doente, que se afasta cada vez mais das possibilidades de cura. Uma mudança muito profunda no próprio centro da cultura americana, quanto a consumo, renda, mas principalmente política. E essa mudança é necessária em escala quase global. Mas é mais interessante ilustrar a imobilidade no coração da cultureconomia mundial.

Dois limites se impõe nessa espiral descendente: China e o meio ambiente.

O aquecimento global e a escassez de recursos forçarão uma maior internacionalização não só do Capital e da informação, como vem acontecendo, mas de poder efetivo governamental. Alguns minerais já vão começar a acabar, o petróleo está quase ou já passou de seu pico de produção e o “estoque de ár poluível” do mundo já está no negativo, por assim dizer. Medidas governamentais fortes serão tomadas após algum tipo de coordenação muito forte, talvez depois de algumas guerras. O importante da questão aqui é que essa distribuição exige uma certa paridade, ou talvez até algum peso em direção aos em desinvolvimento, caso contrario pode have uma possível guerra. Enfim, o que quero dizer aqui é a necessidade de RACIONALIDADE na tomada das decisões, que é facilmente desvirtuada em campanhas políticas e no processo político como nos o conhecemos.

É aqui que entra a China. A China passou séculos autocentrada e aperfeiçoando seu sistema de serviço civil. A forte tradição confucionista encontrou um grande revés em Mao, mas com esse por fora Deng Xiaoping o levou a perfeição. Os burocratas são incentivados fortemente a serem impecáveis, caso contrário podem simplesmente ser executados. Pelo lado dos incentivos, tem prometida uma carreira estável e promissora se apresentarem resultados, mas são compelidos a ficar somente um determinado tempo em cada cargo, especialmente nos do topo. Isso evita personalismos e ambição desenfreada.

Essa estrutura bem feita, com muito mais detalhes que eu sei e posso descrever, conseguiu feitos inigualados na história da humanidade, como tirar pessoas do nivel de pobreza as centenas, ter o maior numero de mestrandos do mundo e por uma universidade nos top 10 do mundo; tudo isso em bastante pouco tempo. Mas isso todos já sabem. A questão é que tudo isso foi feito exatamente por um governo racional, pelo menos numa medida maior que as nossas. Eles também conseguem limitar o número de filhos por mulher, algo necessário no mundo inteiro mas impedido por influências malignas como a igreja católica. O que me lembra, na China essas influências são mínimas! Ali a Igreja existe, mas sob a denominação de Igreja patriótica apostólica romana, e a cuidadosa supervisão governamental. Supervisão que, durante o periodo classico e moderno inteiro, o governo teve e que impediu a hipertrofia de crenças sobrenaturais em organismos desafiadores.

Com os desafios populacionais e ambientais mundiais o modelo Chinês vai ser cada vez mais sedutor ao Ocidente, especialemente à medida que esse cultivar uma aparência mais democrática (mas com cuidado, afinal foi a reação, ou o esforço de tornar a democracia palatável para as elites que corroeu as inteligências nacionais). Com 10, 12 bilhões de pessoas, metais acabando, petróleo escasso como no mundo de Mad Max o petty politics como o ateísmo de alguns, a maconha de outros, enfim, tudo o que compõe uma pessoa inteligente e a impede de controlar as massas ingratas, terão de ser jogados fora, talvez eleitoralmente, talvez por meio de golpes leves, enfim, quando a merda atingir o ventilador, vai ser alguém com um paninho, e não uma cruz, que vai ter de limpar.

4 opiniões sobre “”

  1. A única solução eficiente para os problemas do mundo é aquela que foca na causa principal desses problemas, nossas limitações biológicas. Intervenções culturais pouco adiantam, pois a cultura é um produto da inteligência, e o nível daquela tende a acompanhar o nível dessa.

    A China tem mais de 1 bilhão e 300 milhões de pessoas com QI médio do mais alto do mundo (juntamente com Coréia do Sul e Japão, além dos poucos judeus-alemães “Ashkenazi”), e deve qualquer de parte de sua eficiência organizacional a isso, embora também tenha falhas, possivelmente também explicáveis por fatores genéticos evolutivos, como aspectos de personalidade que contam em inteligências específicas além do fator g.

    Ah sim, a Ásia teve a bênção de se encontrar com uma filosofia “religiosa” suficientemente evoluída para resistir à infestação das religiões Abraamicas.

  2. Jonatas, discordo absurdamente disso ai. Te concedo em primeiro lugar que se pouco se argumenta como você, e se estuda nessa direção; é porque há um tabu muito grande em qualquer coisa que possa parecer eugênica ou racista.

    Sua posição não deixa de ser racista, mas é bem intencionada, creio. Infelizmente já vimos isso antes, com os negros sendo classificados como moralmente e especulativamente inferiores (do séc. XIX até agora!) mas houve sim estudos sérios e não há diferença significativa racial de QI de negros puros americanos em comparação com os brancos. As diferenças genéticas no que se concerne a inteligência na raça humana, enquanto em âmbito étnico não mostram diferença constatável.
    Esse QI é com toda absoluta certeza educação, talvez uma cultura popular um pouco sofisticada. Mas tenho certeza que é cultural.

    Já houveram varias soluções culturais e politicas na história da humanidade. Revolução francesa, americana, governo Getúlio. Nenhuma delas fuçou no genoma do povo ou importou especimens mais avançados. Acho que dá sim pra solucionarmos nossos problemas racionalmente.

    Nem me darei ao trabalho de demonstrar que a humanidade não é agostiniana e agonizante na sua finitude a espera do Jeovah-genoma. A nossa era parece estúpida e imóvel, mas nem sempre foi assim.

    Outro problema, ter 1 bilhão e 300 milhões de habitantes dificulta tremendamente a vida deles, isso não ajuda nada.

    E principalmente, todos os obstáculos onde esbarram as soluções racionais (anticoncepcionais, abortos, redistribuição de recursos) são muito, mas muito menos polêmicas que interferência genética direta e coordenada como forma de aumentar a inteligência. E mesmo essa não se traduz em evolução política.
    Enfim presumo que antes de termos e acabarmos recorrendo a engenharia genética nessa escala e amplitude, o cocô já vai ter chego no ventilador.

    Isso é bom porque a situação política e cultural pode determinar o alcance e uso das novas tecnologias. Ninguém quer Gorilas serviçais semi-humanos fazendo trabalhos braçais como escravos, ou yotas(admirável novo mundo). E que haja uma abrangência na distribuição desses serviços.

  3. De genética, chineses e burocratas.

    O mundo será em breve pressionado a soluções políticas mais ou menos radicais, e nesse sentido, a uma racionalização chinesa. Concordo com o Thor.

    Mas acho que isso vai acontecer mais em países menos ricos, do que nos EUA e europa rica.

    Copiar o modelo chinês como um todo no entanto é uma péssima idéia se levarmos em conta que os outros países não tem bilhões de pessoas, e nem pessoas tão acostumadas a obedecer e trabalhar em condições bizarras.

    Acho que esse ted mostra coisas interessantes sobre a china, e a grandiosidade da população e do consumo do mundo, e encerro com um link.

    http://br.youtube.com/watch?v=f09lQ8Q1iKE

  4. Modelo chines de organização e gerência pega bem mal no resto do mundo. Ou eles contratam executivos americanos, no caso das empresas, ou estão se lixando, no caso da Africa. Em Angola sempre que eles tem a chance de fazer negócios com brasileiros ou europeus ao invés de chineses fazem.

    É um modelo que pressupõe uma cutura e mentalidade prévia. O japonês é um pouco assim.

    Mas que a racionalidade vai ter de ser copiada, nem que distorcida sobre um fascismo vai

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