Guiões do Bom Pensador

A idéia desse post é juntar uma série de idéias que por quaiquer razões nós (eu e quem responder) achamos que são de grande interesse para se pensar o que é necessário para ser um bom pensador. Peço que respostas a esse post sejam EXCLUSIVAMENTE continuações da listagem, sem comentários a respeito, sem discussões, apenas adições devidamente numeradas, que cada um filtrará como bem entender. Se for emergencialmente necessário comentar, far-se-á sem problemas outro post.

Aqui vão as minhas

1 Compreender que a verdade é uma propriedade de sentenças e não das coisas

2 Tentar observar os problemas do ângulo no qual nos são expostos E de outro ângulo

3 Compreender que não se pode falar sobre o mundo sem uma epistemologia (teoria do conhecimento, e de como ele se relaciona com o mundo), e compreender a epistemologia por trás de um pensamento.

4 Pensar graficamente ao considerar uma relação entre eventos

5 Modelar níveis hierárquicos de divisão de um evento analisado e ponderar sobre os melhores e piores níveis para discutir em termos de   A) Causalidade  B) O nosso interesse no assunto  C) Facilidade de análise (por exemplo semelhança com os termos da linguagem comum)

6 Reducionismo metodológico: Tentar construir explicações o mais simples possíveis, mas não mais simples que isso.

7 Postulado da Simplicidade: O que é mais simples é mais provável que o que é mais complexo.

8 Ter algum nível de honestidade intelectual, não a ponto de suspender julgamento a respeito do que não temos certeza, mas sem inventar conhecimentos arcanos de áreas desconhecidas para soarmos como autoridades.

9 Abandonar o antropocentrismo tanto quanto possível. Perceber e fazer o possível para tornar inócuas todas as nossas tendências egóicas de dar uma explicação porque ela nos torna belos, e não porque ela em si é bela.

10 Compatibilidade inter-conhecimentos. Se o universo é somente um. Então todas as teorias a respeito de coisas do universo podem ser compatíveis, é interessante procurar encontrar essa alternativa sempre que possível.

11 Filtrar com quem discutir um assunto. Socrates tinha razões muito particulares ao sair fazendo perguntas para um escravo, na falta dessas razões, é fundamental procurar discutir com pessoas que tenham  A) Um nível mínimo de inteligência B) Um nível bastante significativo de noções em comum a respeito de como tratar o conhecimento que você.

12 Aprender mais do que ensinar. Ao menos antes dos 50 anos, e enquanto temos plasticidade no cérebro, me parece mais importante assistir aulas do MITworld e ler livros de autores consagrados do que pegar um megafone e sair na rua dizendo o que já aprendi. No entanto, existe uma razão ideal entre ambos que é aquela que permite que o pensamento continue ativo, e não mergulhe ou numa passividade de aceitação paraconsistente, ou numa preconceituação não crítica.

13 Reconsiderar, por vezes, aquelas concepções que já tomamos como estabilizadas, sempre que nos vier a cabeça uma nova forma de olhar para o mundo.

14 Perceber a sutil distinção entre um problema a respeito de fatos e um problema a respeito de nomes, e saber lidar com um interlocutor que esteja cometendo o erro de misturá-los.

15 Subservir ao máximo uma explicação com conteúdos empíricos (histórias reais ou fictícias, experimentos, estatísticas, enfim, tudo que pareça ser um dado, ao menos em forma)

16 Fazer notas mentais de todo tipo de falácia que aprendemos, para tentar checar nossos pensamentos contra elas (da Composição, Naturalista etc…)

17 Ter um mínimo de noção de como a linguagem opera, para perceber que seu escopo de acesso é limitado e que isso por vezes pode deixar oblíquos ou elípticos alguns problemas de uma determinada teoria. (Por exemplo, o que quer que eu quisesse dizer com oblíquos ou elípticos aqui, tentei fazê-lo usando uma linguagem natural, para traduzir símbolos de uma linguagem geométrica, que por sua vez representam metaforicamente alguma nuance formal de relação entre o escopo de acesso e os problemas de uma teoria. Fazer a tarefa da engenharia reversa de procurar a nuance a partir das palavras não é algo simples, nesse caso, talvez não seja sequer possível)

18 Fazer a engenharia reversa de tudo que nos aparece na frente. Dado um conjunto de dados (empíricos, formais, teóricos) tentar observar como aqueles dados chegaram a estar daquela maneira e por que processos passaram. Principalmente os dados da experiência que requerem treinamento em psicologia.

19 Conhecer um mínimo de psicologia. Para conhecer as imprecisões oriundas da psicologia humana, tal qual as da linguagem.

20 Construir Intuition Pumps, é fundamental conceituar qualquer discussão em termos macaco-inteligíveis e mais do que isso macaco-emocionáveis. Quanto mais analogias, quanto mais abundância de exemplos e hipóteses emocionalmente marcantes tivermos, mais temos chance de memorizar, e melhor, o processo em questão.

5 opiniões sobre “Guiões do Bom Pensador”

  1. (Eu tenho comentários a fazer, mas seguindo a norma, vou apenas postar um princípio:)

    21: Sempre que houver opção entre formas equivalentes de dizer uma coisa, usar a linguagem mais simples, isto é, as palavras mais comuns e menos difíceis. Isso torna o texto mais fácil de ser compreendido.

    (Teria também um longo comentário a fazer sobre esse princípio…)

  2. 22: Gostar de pensar, ter um compromisso honesto com a verdade e capacidade cognitiva elevada. Se as 3 coisas não acontecerem, parta para outra atividade.

  3. 24: Estudar ativamente, tomando notas, trovejando idéias no papel e rearranjando os símbolos da mente para criar os anagramas de memes que são as idéias novas e brilhantes que popularão o mundo futuro.

  4. 25: Eliezer Yudkowsky nos trás uma virtude muito importante para o bom pensador, que eu reproduzo, apesar do tamanho:
    http://yudkowsky.net/rational/virtues
    “Before these eleven virtues is a virtue which is nameless.

    Miyamoto Musashi wrote, in The Book of Five Rings:

    “The primary thing when you take a sword in your hands is your intention to cut the enemy, whatever the means. Whenever you parry, hit, spring, strike or touch the enemy’s cutting sword, you must cut the enemy in the same movement. It is essential to attain this. If you think only of hitting, springing, striking or touching the enemy, you will not be able actually to cut him. More than anything, you must be thinking of carrying your movement through to cutting him.”

    Every step of your reasoning must cut through to the correct answer in the same movement. More than anything, you must think of carrying your map through to reflecting the territory.

    If you fail to achieve a correct answer, it is futile to protest that you acted with propriety.

    How can you improve your conception of rationality? Not by saying to yourself, “It is my duty to be rational.” By this you only enshrine your mistaken conception. Perhaps your conception of rationality is that it is rational to believe the words of the Great Teacher, and the Great Teacher says, “The sky is green,” and you look up at the sky and see blue. If you think: “It may look like the sky is blue, but rationality is to believe the words of the Great Teacher,” you lose a chance to discover your mistake.

    Do not ask whether it is “the Way” to do this or that. Ask whether the sky is blue or green. If you speak overmuch of the Way you will not attain it.

    You may try to name the highest principle with names such as “the map that reflects the territory” or “experience of success and failure” or “Bayesian decision theory”. But perhaps you describe incorrectly the nameless virtue. How will you discover your mistake? Not by comparing your description to itself, but by comparing it to that which you did not name.

    If for many years you practice the techniques and submit yourself to strict constraints, it may be that you will glimpse the center. Then you will see how all techniques are one technique, and you will move correctly without feeling constrained. Musashi wrote: “When you appreciate the power of nature, knowing the rhythm of any situation, you will be able to hit the enemy naturally and strike naturally. All this is the Way of the Void.””

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