E se fosse Possível ser Gay?

Nós filósofos tiramos boa parte do prazer que as pessoas comuns tiram de atividades como jogos e fofocas de um tipo muito particular de abstração. O experimento filosófico.

Esse texto tem como função pensar um experimento filosófico particular, no qual estamos em um mundo possível (ver Kripke “Naming and Necessity”) no qual ser gay ou não ser gay é uma escolha 100% determinada pela razão, ao menos para nós, objetos da experimentação.

Seria uma boa idéia ser gay? Vejamos, as principais diferenças entre ser ou não ser gay dizem respeito ao posicionamento social e a natureza dos nossos relacionamentos.

O aspecto social indica definitivamente para o lado positivo no sentido econômico, sendo uma vida compartilhada entre dois homens uma vida com muito mais dinheiro em média, devido as condições socio-econômicas da nossa sociedade. Por outro lado, ter filhos seria um problema. Ao que tudo indica no entanto, ter filhos é um problema, ao menos no que tange a felicidade, indica o psicólogo Daniel Gilbert, de Harvard. Como é de costume no ser humano, consideramo-nos especiais e diferentes, e não vamos aceitar que o fato de que a maioria esmagadora das pessoas que tem filhos é mais infeliz é fato suficiente para que nós o sejamos. Ainda assim, outros fatores se colocariam. Arranjar uma mamãe de aluguel e ter os genes de 1 dos parceiros, ou adotar? Ambas as opções deixam a desejar, pois a personalidade, as emoções e a inteligência das pessoas são majoritariamente determinados geneticamente. Aliás, majoritariamente mesmo! o que é um forte contra indicativo para adoção.

Quanto a natureza dos relacionamentos, salvo o fato de gostar do mesmo sexo, os demais traços evolutivos de comportamento sexual de homens continuam preservados nos gays, ou seja, eles têm excitação sexual ao ver outro homem nu (o que não ocorre em mulheres, como as demais caracteristicas que cito aqui) desejo constante de sexo com novos parceiros, em quantidades ilimitadas, pouco desejo de investimento grande num único relacionamento, facilidade de assentir em fazer sexo com outra pessoa, necessidade de pluralidade sexual.

Enfim, tudo o que sonhamos que as mulheres tenham. Prazer em sexo causal, tolerância a nossos demais relacionamentos, vontade de one night stands…

Considerando que os relacionamentos passaram por um processo de coevolução, ou seja, cada parte sendo beneficiada pelo que prejudica a outra, parece razoável pensar que é interessante gostarmos de uma parte com características semelhantes à nossa.

Mas será esse o caso?

Tendemos a acreditar que há um amor entre um homem e uma mulher que não pode haver entre dois homens, e essa crença reflete principalmente o fato de que observamos um regime de dedicação inter-sexos muito maior do que das pessoas com os próprios sexos….. A paixão fulminante, regada por ciúmes e complexidades instrínsecas e etc… No entanto, as relações de amizade entre homens (heterossexuais) costumam ser caracterizadas por uma cumplicidade e honestidade ímpares em relação a quaisquer relacionamentos que mulheres desenvolvam……

Alguns casais homossexuais, aqueles poucos dotados de real desejo de uma relação de longo prazo mais estável, podem por vezes exibir essa cumplicidade, no entanto esses são casos de exceção tais quais os casos de casamentos felizes após 8 anos…..

Para a maioria dos casos, pode-se conceder que o amor entre os sexos é maior do que no mesmo sexo. No entanto isso não necessariamente precisa refletir algo de bom, esse amor pode ser apenas o produto de disputas, pequenas hipocrisias, e alertas de ciúmes e anti-perda dos quais todos fomos dotados ao longo da coevolução do amor.

Eu, pessoalmente, se vivesse numa sociedade absolutamente livre do preconceito, estaria disposto a tentar a homossexualidade. O risco no entanto é grande, e creio que a maioria das pessoas sente mais medo de mudar do que de qualquer outra coisa, de ambos os lados…..

Talvez fosse o caso que aqueles que, por quaisquer razões de personalidade, tem problemas em lidar com o diferente preferissem tornar-se gays, enquanto aqueles que são extrovertidos e prezam mais a diversidade do que a cumplicidade tivessem razões para agir em contrário.

5 opiniões sobre “E se fosse Possível ser Gay?”

  1. Acho que vc tem razão aí na maioria das coisas.

    Eu não sei se estaria disposto a tentar a homossexualidade, independente do preconceito da sociedade, pois tenho uma certa aversão física a homens, ou no mínimo uma falta de atração.

    Claro que no seu experimento, “ser gay ou não ser gay é uma escolha 100% determinada pela razão”.

    Com o transhumanismo, acho que seria a idéia melhor deixar as mulheres com aquelas características que nos agradam nos homens. Talvez um pouco de diversidade possa ser bom (diversidade tanto para o caso de ter tanto parceiros homens como mulheres, se houver a possibilidade de ambas as atrações físicas, como para ter pessoas com características diferentes), mas é difícil dizer empiricamente. Com o transhumanismo, claro, as possibilidades vão muito além disso, como a de um amor duradouro, ou de uma paixão duradoura e sem efeitos colaterais, etc…

    Será mesmo que mulheres não têm excitação sexual ao ver um homem nu? Isto seria bastante frieza…

  2. Quanto a excitação sexual. Em verdade, elas se sentem até ameaçadas (pense, evolutivamente, no perigo do estupro).

    Em geral a resposta é bem diferente para homens e mulheres.

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