A Consciência Inexplicável

A Consciência Inexplicável

O estudo da consciência se divide entre o Hard Problem e os Easy Problems, caracterizados por David Chalmers. Os easy problems dizem respeito a questões funcionais e estruturais, que podem ser explicados através de reducionismo científico, e que dependem apenas de teorias precisas e aparato empírico para se resolverem, esse problemas incluem o relato verbal, o acesso privilegiado a um dado, a atenção e concentração, a auto-consciência etc… O Hard problem por outro lado é conceitualmente distinto, a pergunta que lhe dá origem é qual é o mecanismo através do qual o mundo físico cria o mundo mental (no sentido de experiência). Ninguém parece compreender bem isso, e a proposta de Chalmers, em oposição a da maioria dos filósofos da mente, é a de que tomemos a experiência como uma propriedade básica, tal qual espaço-tempo ou massa. Não é algo que deve ser explicado em outros termos, mas um termo com o qual podemos explicar coisas (por exemplo como funciona o sistema dos estados mentais e suas relações etc.) um dos constituintes básicos do mundo. Chalmers chama essa posição de dualismo naturalista.

A posição que pretendo defender aqui é uma posição enfraquecida da idéia de Chalmers. Chamo-a de Dualismo Naturalista Inacessível. Descrevo-a: O Dualista Naturalista Inacessibilista considera que o mundo físico seja causalmente fechado. Assim sendo, dada uma sequência causal bem-formulada de eventos a,b,c,d,e etc… somente a,b,c e d podem ser responsáveis causalmente por e. Não existe interferência de nenhum evento não físico, não existe nenhuma causalidade de cima para baixo, todos os interagentes causalmente relevantes para um determinado evento físico futuro são, necessariamente, eventos físicos. O Dualista Naturalista Inacessibilista acredita também que exista um conjunto de elementos no mundo que não são descritíveis pelas leis físicas que regem a causalidade fechada do mundo físico como o concebemos hoje. Em outras palavras, sejam a,b,c,d,e etc… todos os eventos físicos inferíveis a respeito do universo. Mesmo se essa enumeração esgotar todos os eventos, presentes, passados e futuros que descrevem esse universo fechado, ainda assim existem outros elementos constituintes do universo, chamá-los-emos M1, M2,M3 …. onde M é um referente fraco ao conceito de mental. Nenhum elemento mental é causalmente efetivo, ou seja, M1, M2, M3 …. não agem sobre o mundo físico, de nenhuma maneira, são causalmente ineficazes.

Repare que até aqui, não caracterizei de forma alguma se existe, ou qual seja, a relação entre eventos mentais e eventos físicos, e retornarei a esse ponto mais tarde.

Um elemento do universo do Dualista Naturalista Inacessibilista é a informação, que não é o mesmo do que um evento físico. Um evento físico contêm, ou instancia, informação. A informação é instanciada num determinado evento físico. Ora, se é instanciada, ela existe, ela tem algum grau de existência no nosso universo em questão. Nenhuma informação é um evento físico, e nenhum evento físico é uma informação. Toda informação precisa de uma mídia para ser instanciada, ou seja, não existe informação “à deriva”, toda informação só o é se está sendo instanciada em uma mídia, ou seja, em um evento físico. Um evento físico, portanto implica uma determinada informação. Pode-se dizer que, já que um evento físico e outro evento físico igual sempre implicam a mesma informação, e no entanto a mesma informação pode ser instanciada em dois eventos físicos distintos, então é razoável (não é incoerente) dizer que o evento físico causa a informação. Ao optarmos por qualificar o universo físico como causalmente fechado (causalmente suficiente para explicar a si mesmo) libertamos o universo informacional de ter de ser causalmente efetivo no universo físico. Ele poderia ser apenas uma forma de projeção dos eventos físicos, sem jamais impor-se, ou modificar os mesmos.

Voltemos a caracterização dos eventos mentais. Os eventos mentais foram até agora caracterizados como não físicos, e não causalmente efetivos. Nada foi dito sobre sua constituição, matéria prima, natureza ou demais relações que possa ter com quaisquer outros objetos. Isso não se dá sem razão, vejamos: Se um determinado evento não é físico, e não possui qualquer efetividade causal sobre o que é físico, então não há nenhuma maneira de detectar sua existência, ou conhecer suas propriedades internas.

Isso não torna a noção de um evento mental desinteressante, inescrutinável, metafísica e talvez até mesmo inconsistente? É possível. No entanto, não é tão fácil quanto parece garantir a certeza da frase em itálico. Utilizaremos o contra-exemplo da informação: Dada uma serie de informações (por exemplo a sequência de informações sendo processada por um computador) é possível inferir quais informações serão instanciadas em seguida. Isso em aparência violaria a caracterização de que a informação não é causalmente eficaz, afinal, como é possível que eu tenha acesso a ela, se ela não deixa nenhum rastro de sua passagem? O que ocorre é que a natureza da relação entre informação e eventos físicos é tal que os eventos físicos “contam a história” ao menos em parte, da informação que carregavam no passado. “Contar a história” é exibir marcas do passado, e essas marcas foram gravadas fisicamente, a gravação física em si não teve nenhuma interferência de cima para baixo, da informação agindo sobre a matéria, no entanto, conforme a operação se deu, a informação foi se modificando junto com a matéria, e por isso a história da informação pode ser retroativamente projetada a partir da matéria futura. Para um observador que só pudesse ver a informação, a história seria subdeterminada (ou seja, ela possibilitaria mais de um futuro, porque dois estados físicos podem conter a mesma informação) mas ela não seria “incompreensível”, apenas não totalmente determinista. Se a relação entre os eventos físicos e a informação fosse exatamente de 1 para 1, ou seja, biunívoca, seria apenas uma questão de escolha optarmos por um ou por outro na hora de descrever fenômenos, e seria incorreto dizer que há uma relação de causalidade entre uma e outra, sem ser entre ambas, ou há uma causalidade instantânea para os dois lados, ou (mais razoavelmente) o termo “causalidade” está mal colocado, e elas são apenas coisas interconectadas. O caso real, no entanto é que a informação é determinada pelo físico e o físico é subdeterminado pela informação. De qualquer maneira, como existe algum grau de deteminação inversa (mesmo que sem relação causal) isso implica que é possível algum grau de conhecimento a respeito do funcionamento da informação. Algum dado informacional pode ser recuperado, ou ao menos probabilisticamente distribuído (i.e. é 90% provável que a informação X tenha precedido a informação Y). Podemos então refrasear: Se um determinado evento não é físico, e não possui qualquer efetividade causal sobre o que é físico, então qualquer maneira de detectar sua existência, ou conhecer suas propriedades internas, será subdeterminada na medida X em que a relação entre os eventos físicos e esse evento for uma relação de X para 1.

Se a relação for 1 para 1, ela será equivalente a uma simulação perfeita, se for de 1,5 para 1, teremos um passado indeterminado no nível de análise daquele evento, mas não muito indeterminado. Se for de 10 para 1 (10 eventos físicos são capazes de gerar o mesmo 1 evento do tipo E) então um historiador de E estaria de fato com problemas ao tentar proceder sua análise. Um futurólogo teria o mesmo problema, considerando que lhe foram dados apenas peças de informação e não da própria realidade.

Assim sendo, resta-nos saber se os eventos mentais M1, M2, M3 são acessíveis a nós através desse método de análise, através do qual, como vimos, é possível inferir um passado informacional mesmo que esse não resguarde qualquer relação causal com o objeto a partir do qual estamos tentando inferir a história. Uma inferência, ou teoria, ou descrição são todos informações, em uma determinada linguagem. Assim sendo, em verdade, todo o conhecimento que temos é composto de informação, e portanto nosso acesso privilegiado é a informação, e não ao sistema físico no qual ela é instanciada. Qualquer outro efeito dos eventos físicos, qualquer outra coisa instanciada neles, seria acessível apenas através de 2 graus de subdeterminação, o primeiro deles fazendo o caminho entre a informação que temos, e os eventos físicos que poderiam tê-la gerado, e depois a causalidade entre os eventos físicos que o geraram e ele próprio (no caso da informação, nesse nível não há subdeterminação por definição, já que cada evento físico determina 1 e somente 1 informação).

Quando o Dualista Naturalista Inacessibilista fala sobre eventos mentais, ele não quer, ele não se compromete a dizer de que maneira os eventos físicos determinam os eventos mentais, porque compreende que o problema da subdeterminação é indecidível, ou em outras palavras: não há como, a partir de informações geradas por eventos físicos, saber a respeito de se ou como eventos físicos anteriores possam haver gerado outras coisas que não informação. Esse procedimento é consoante com a posição de um universo causalmente fechado, que produz informação.

Uma pergunta se coloca: Ora, não havendo razão para saber sequer se os eventos físicos determinam outras coisas que não informação, porque não abandonar essa hipótese (por definição desnecessária, por exemplo à física) segundo a navalha de Ockham?

A resposta natural, que seria dada pela maioria das pessoas é a de que elas sentem, percebem e familiarizam-se com os eventos mentais, e que portanto eles não podem ser descartados. Versões dessa resposta podem ser encontradas em Searle e no próprio Chalmers. No entanto, relatos verbais, declarações de sensação e familiaridade são todos sentenças de linguagem, e portanto são informações. Se são informações, são determinados fisicamente, e não podem ser a respeito de nada não físico ou informacional, ao menos não podem ser privilegiadamente sobre algo não físico ou informacional, em outras palavras, não são melhores que uma tacada de golfe no escuro.

Mas então, se sabemos que nossos relatos verbais e teorias jamais serão capazes de atingir qualquer compreensão a respeito dos tais eventos mentais, se isso é completamente impossível, o que leva o Dualista Naturalista Inacessibilista a defender a existência dos tais complexos chamados estados mentais? A suposição de que seja mais provável que exista algo análogo ao que alegamos sentir como estados mentais do que que não.

Um filósofo, ao confrontar-se com a questão de se é ateu ou agnóstico reponde: Não posso provar a não existência de Deus, portanto, filosoficamente, sou agnóstico. No entanto, como sujeito com crenças, tenho para mim que é infinitamente mais provável que Deus não exista, e portanto, em crença, sou ateu.

Analogamente, o Dualista Naturalista Inacessibilista diria, ao ser questionado sobre se acredita em estados mentais: Não posso provar a existência de estados mentais, no entanto me considero capaz de provar que não se pode provar nem a existência, nem a não existência de estados mentais. Considero essa questão não metafísica, mas indecidível, e assim sendo, qualquer posição a respeito dela é artigo de fé. Além disso, tenho uma forte intuição da existência de estados mentais, e acredito (por artigo de fé, e não por um encadeamento lógico) que essa intuição possa estar correlacionada, de alguma maneira, a existência de fato de um elemento com propriedades similares ao objeto intuído. A esse elemento, que se parece (formal e imprecisamente) com a intuição que tenho do que seja um evento mental, dou o nome de “evento mental”. E por artigo de fé, considero sua existência mais provável do que sua não existência.

Essa é a caracterização do posicionamento do Dualista Naturalista Inacessibilista. Diferentemente de Chalmers, por exemplo, não posso crer que seja factível uma teorização do mental, porque não tenho acesso teórico a ele. Em verdade, uma teorização do mental seria até factível, no entanto nunca poderia ser comprovada, explico: Para obtermos uma informação a respeito de algo não físico, esse algo haveria de ser informação. Não caracterizamos a substância, constituição ou material do qual são feitos os eventos mentais. E pode ser o caso que eles sejam feitos de informação. Se esse for o caso, então é possível, como considera Chalmers, que façamos uma teorização interna do mental, com explicações e divisões, análises e heurísticas positivas e negativas, no sentido de Lakatos. No entanto, não existe nenhum procedimento verificacional que possa confirmar se esse é o caso. Seria interessante então postular tal hipótese para podermos obter uma teorização do mental? Sim, no entanto, essa teorização não seria sobre o mental, seria sobre as informações que geram em nós a disposição de versar sobre o mental. E não há razão para chamarmos isso de mental no sentido intuitivo ao qual nos estamos agarrando (já que não estamos agarrando a nenhum outro sentido pré-definido). Podemos chamar isso de uma teoria da percepção (já que a percepção é caracterizada cientificamente, falseavelmente) ou teoria da transcrição linguistica do input-informacional humano, ou, mais simples e eficazmente, podemos seguir Dennett e chamá-la de hetero-fenomenologia.

O Dualismo Naturalista Inacessível, dirão os críticos, não é capaz de estabelecer previsões a respeito do mundo, não auxilia o desenvolvimento da ciência cognitiva, e é uma hipótese desnecessária ao realista científico. De fato. No entanto, o Dualismo Naturalista Inacessível não objetiva tornar-se um paradigma científico, mas pretende tornar clara uma posição a respeito do mundo, uma forma de pensar a respeito dele. Numa palavra, uma crença. A caracterização dessa crença não é de maneira nenhuma contrária à um projeto de pesquisa sobre o caráter informacional do comportamento, a previsão do passado etc… Ela apenas serve para ilustrar uma crença que é a meu ver sustentada por mais pessoas do que se imagina, e que fica ofuscada por teorias mais “fortes” cujos poderes previsivos fazem com que seus proponentes por vezes postulem, ou finjam acreditar em, certos objetos para conduzir determinados programas de pesquisa.

O teorema de Gödel demonstrou, na axiomatização matemática, que dado um sistema lógico, sempre há uma proposição indecidível nesse sistema. Naqueles casos, se o único problema fosse aquela proposição em particular, era possível construir um sistema mais forte que provasse sua verdade. A posição do Dualista Naturalista Inacessibilista se encontra nesse momento intermediário. Acreditamos que seja indecidível a existência ou não existência de estados mentais, mas temos poucas esperanças que se possa construir um sistema de raciocínio mais “forte” que permita decidir essa questão de uma vez e livrar-se do problema da subdeterminação. O que nos define é a crença nessa existência e a suposição de que, o que que que sejam os estados mentais, eles são determinados por estados físicos, e não os determinam.

9 opiniões sobre “A Consciência Inexplicável”

  1. O que vc considera informação? Com ou sem a presença de uma mente ou programa de computador que a leve em consideração, a informação é uma parte causal entre a, b, c, d, etc. É uma parte causal não diferente das outras, interpretada por um cérebro ou similar (programa de computador, etc.) como tendo sentido (meaning) para sua análise, ela pode mudar a sequência causal conforme esse sentido (tudo ainda de forma fisicamente determinada). Tenho uma forte intuição de que esse tipo de informação não é em si correspondente a consciência, já que ele ocorre em computadores, possivelmente no cérebro inconsciente, e não é mais que uma corrente causal sendo analisada por, dependendo de, outra corrente causal.

    Por outro lado, a consciência parece depender, no cérebro, de um processo dedicado a ela, não necessariamente a ela como o que vc chama de evento mental (consciência), mas a ela como mente funcional (parte consciente do cérebro). Logo, o fato de sabermos da nossa consciência pode ser porque temos um análogo exato dos seus processos como o funcionamento da parte consciente do cérebro, que se identifica com um eu (self), e que percebe a si mesma. Ocorre que a isso corresponde de fato uma consciência (evento mental), embora possamos ver teoricamente a possibilidade de que isso não acontecesse (um zumbi ou cyborg que age perfeitamente como humano).

    Será que causalmente, quando o nosso cérebro percebe o fato de ser consciente, ele está na realidade percebendo que tem uma parte de funcionamento consciente, com um eu (self)? Ou ele está percebendo a consciência de fato, os “eventos mentais”?

    Se ele estivesse percebendo a consciência de fato, ela em si teria que interagir com o cérebro e com a causalidade física, o que não é tão impossível, já que supomos que ela é uma coisa física ainda não coberta pelas teorias físicas atuais, e já que ela de fato recebe input do cérebro, mas até onde iria a sua interferência? Claramente ela não tem relação com as decisões, ela é apenas “estar consciente” do que ocorre numa parte do cérebro. Talvez ela possa dar algum tipo de output ao cérebro, no sentido de que o cérebro pode perceber a existência dela.

  2. Esse texto foi de imensa importância para mim, pois ele caracterizou, tanto quanto pude, uma posição que eu sustentei desde sempre, e que, para meu espanto, modifiquei agora.

    A caracterização do Dualista Naturalista Inacessibilista é a caracterização de uma forma de pensar, e presumo que esta forma de pensar subsista ainda em muitas pessoas por aí.

    No entanto, eu mudei a minha perspectiva sobre o assunto. Não considero mais adequado tentar considerar o dualismo como uma possibilidade coerente, e tornei-me monista.

    A caracterização e a forma desse monismo virão posteriormente, mas ao que tudo indica, estou disposto a crer que abandonei meu ponto de vista anterior. E que meu novo ponto de vista deve ser condizente com o de Dennett.

    Esse fato no entanto não me deixou particularmente animado (pleasure of finding things out). Mas estou disposto a aceitar uma determinada “verdade” mesmo a custo de um pouco da minha satisfação…

  3. Bom texto, mas não acho que a posição seja sustentável. A posição original de Chalmers é bem mais aceitável no meu ponto de vista de que o universo é constituído por partículas físicas e de que elas constituem também os eventos mentais. Mas estes devem ser descritos em outro nível, o nível em que por assim dizer são “causados” pela matéria. Os eventos mentais existem porque têm correspondentes neurológicos e seus efeitos são consideráveis. Cabe ao sujeito epistemológico descrevê-los.

    Gosto também da posição de Dennett, apesar de que ele tem várias ressalvas sobre o assunto (eventos mentais).

  4. Gostei do texto, vários insights interessantes sobre informação e epifenômenos. Não tenho uma opinião suficientemente clara para saber se concordo, mas certamente me encontro próximo dessas idéias. Queria saber qual evento epifânico teria feito com que mudasse de idéia…

  5. Vejam o Dennett Massacrando essa visão (sustentada no vídeo por Robert Wright) A partir do minuto 36.

    http://meaningoflife.tv/video.php?speaker=dennett

    Notem como a visão que eu proponho aqui é insustentável quando alguém, no caso o Wright, tenta defendê-la por algo que não é um artigo de fé, mas uma convicção que ele crê ser fundamentada.

    O ponto é que a convicção não só não é fundamentada, como temos de aceitar que ela não é fundamentável em absoluto, em nenhum mundo possível. E é por isso que considero que alguém que defenda essa visão que expus, ao não perceber que ela é indefensável, apesar de expositável, é um completo idiota.

    Abraços

  6. Bom, o que eles disseram no vídeo é exatamente o que eu disse no meu primeiro comment ao seu post. Admito que o fato de vc ter postado um texto afirmando exatamente o contrário foi importante para mim descobrir isso (é o valor da contradição na obtenção de conhecimento).

    Robert Wright: So, in this view, in the epiphenomenalist view, consciousness cannot be detected, by any scientific means.

    Daniel Dennett: By… by any means at all.

    R.W.: Right. You’ve gotta understand.. No! it’s detected by the person who is conscious

    D.D.: No, no

    R.W.: Trust me, I’m conscious.

    D.D.: No, that’s, that’s the mistake, because if that were true, then you wouldn’t be an epiphenomenalist, because if the fact you’re now telling me that you do detect your consciousness is an effect of your detecting it, then your detecting it is an effect of the epiphenomenon and that’s ruled out by definition, that’s the trouble.

    No entanto, mesmo num dualismo naturalista a consciência é física, o que não exclui a possibilidade dela influenciar o meio físico do paradigma atual. O dualismo naturalista é um monismo diferenciado, como vc sabe…

    O que te fez abandonar o pensamento anterior, de que a consciência qualitativa é incompatível com as regras físicas do paradigma atual?

  7. Eu vou responder essa pergunta num outro texto, que vai definir a minha nova posição, essa posição está sendo formulada. e tem todo um “o melhor livro sobre filosofia da mente já publicado” do meu lado que vai servir de base para isso “Philosophy of mind, classical and contemporary readings, David Chalmers”

    Quero só pontuar uma série de erros do meu texto.

    Primeiro, essa posição NÃO É uma subposição do Dualismo de Propriedades de Chalmers. Essa posição é um Dualismo de substâncias. Ela é, mais especificamente, um epifenomenalismo de substâncias. E eu errei em tentar me colocar do lado de Chalmers.

    Além de ser um epifenomenalismo, ela é nomologica, que é o antônimo de anômala, que significa que não é descritivel em nenhum conjunto de enunciados de nenhuma linguagem.

    Então, “Epifenomenalismo Nomológico Dualista de Substâncias por artigo de fé” seria um nome genial (no sentido de engraçado e terrível) para a posição descrita no texto.

  8. Epifenomenalismo Nomológico Dualista de Substância é um nome de fato genial, e estou rindo sozinho da minha própria idéia de utilizá-lo.

    Em defesa do dualismo de propriedades (de Chalmers) quero pontuar que é conceitualmente concebível que os Qualias azuis sejam Qualias laranjas, e no entanto os eventos neurológicos correspondentes sejam iguais. Assim sendo, podemos entender que não existe uma determinação a priori do físico sobre o mental.
    O conhecimento de todos os fatos físicos não implicaria o conhecimento de todos os fatos mentais.

    Segue que mesmo que o mental seja o físico, ele o será por uma propriedade distinta daquela que faz do físico o físico. A conexão entre os dois será Necessária a posteriori (no nosso mundo) e não a priori (consequÊncia lógica das definições). Segue que, se os estados mentais só podem ser determinados, epistemologicamente a posteriori, há ao menos dois tipos de propriedades da substância física. O monismo é portanto falso, e o dualismo de propriedades, o seu substituto adequado.

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