5 Questões que quero descobrir a resposta

1 O que é mais simples é mais provável que o complexo? Se sim, porque, que lei rege isso?

2 O espaço é infinito em algum sentido? Seja espacialmente, seja em quantidade de universos etc?   Isso implicaria que existem infinitos mundos iguais ao nosso, etc….

3 Há razões para se agir moralmente?  Se houver, são razões para se agir moralmente em qualquer caso, ou razões para se agir moralmente quando isso for aumentar a felicidade do mundo?

4 Existe algo além da felicidade?  Se modificarmos a condição humana, e alterarmos nossos cérebros, será que existe no espaço do possível outro sentimento que não surge por seleção natural que também é um fim em si mesmo?

5  Relacionamento amoroso vale a pena? Darwin, antes de se casar, fez uma lista de prós e contras do casamento em relação a comprar um cachorro.  Se essa lista fosse feita, com uma enumeração extensiva, será que o resultado seria positivo para o lado do relacionamento? Ou esse tempo seria melhor dedicado a alguma outra atividade?

17 opiniões sobre “5 Questões que quero descobrir a resposta”

  1. 1. Um não é mais provável que o outro, exceto se tratando de metodologia científica, em que é uma melhor estratégia optar pela explicação mais simples. Que lei que rege isso? Navalha de Occam, “pluritas non est ponenda sine neccesitate”.

    2. Não sei, porém não tiro necessariamente a implicação.

    3. Depende de o que você considerar moral. Para mim a moral é o utilitarismo, ou seja, bom e mal correspondem a felicidade e sofrimento. Se moral for tomada como uma convenção de comportamento, e esta convenção for positiva a objetivos utilitaristas, pode ser válida a qualquer caso. Mas o que determina se a convenção é produtiva ou contraprodutiva é o utilitarismo.

    4. Creio que nada além da felicidade, compreendida de maneira bem ampla, porém o objetivo mais importante é a abolição do seu extremo negativo, o sofrimento.

    5. Não sei.

  2. 1 Não existe nenhuma razão para crer que um não seja mais provável que o outro. Aliás, considerando que existem infinitamente mais probabilidades entre 0 1 do que exatamente em 1/2, não vejo porque seria o caso que fossem igualmente prováveis.

    2 Digamos que haja uma probabilidade finita, ainda que infinitesimal, de que surja um planeta como o nosso. E dentro dessa probabilidade, ainda uma outra de que surja vida como a nossa, e assim por diante, até a probabilidade de que o estado atual do universo seja exatamente tal qual é, comigo escrevendo esse post. Se cada uma dessas probabilidades for finita, então seu produto sera também uma probabilidade finita entre 0 e 1. Se você tem um espaço amostral infinito, todas as possibilidades se manifestarão, inclusive, todas se manifestarão infinitas vezes.

    3 …

    4 O abolicionismo, especialmente no caso de um utilitarista como você, é de maneira inconteste uma idéia interessante. Mas suponhamos que exista um sentimento chamado frigicidade. A frigicidade nunca evoluiu na terra, mas evoluiu no planeta ziptron. Os habitantes de ziptron sempre querem mais frigicidade, e consideram a frigicidade um fim nele mesmo. Não querem frigicidade por causa de nenhuma outra coisa. Eles pensam exatamente o mesmo de felicidade, que também evoluiu em sua raça. Makes you wonder, doesn’t it?

  3. 1. Verdade!

    2. Infinito em espaço não quer dizer infinito em tudo, e.g. uma sequencia de números pares pode ser infinita mas esquece os ímpares; uma reta se estendendo em uma direção a partir de um ponto pode ser infinita mas ignora outras direções e dimensões. Algo pode ser infinito em quantidade mas não em qualidade, e.g. pode haver em um espaço infinito apenas um lugar e um tempo qualitativamente apropriados para um planeta como o nosso, com vida como a nossa. Digamos que eu não acredite a princípio que o universo de corpos celestes seja infinito qualitativamente, e não vejo motivos a princípio para acreditar na teoria dos múltiplos universos, embora reconheça que precise estudar mais física.

    4. Idéia interessante. Acho que a definição nesse caso teria que ser extendida para incluir felicidade e frigicidade, ou ser sintetizada num conceito ou palavra que inclua as duas, mas na prática não muda muito, pois as duas são semelhantes em sentido e significação. Acho que é uma verdade universal que o único objetivo é aumentar o positivo e diminuir o negativo subjetivos (felicidade compreendida de maneira bem ampla, incluindo a frigicidade e coisas semelhantes que sejam subjetivamente positivas), encontrada dessa forma independentemente por diversos pensadores ao longo de épocas bastante distantes. No entanto, se você continuar a pensar sobre isso e achar uma resposta melhor, gostaria que me ensinasse. : )

    5. Voltando ao 5, provavelmente é uma escolha que depende mais da pessoa em particular com a qual ter uma relação, do caso específico. Acho que quanto à produção intelectual isso não influencia muito, tenho exemplos muito bons dos dois lados.

  4. 2 Sim, infinito em espaço não quer dizer infinito em tudo. Mas sua análise lógica não se estendeu o suficiente.
    Em primeiro lugar, o espaço não é definido como tendo mundos, então ele é diferente do que se está tentando encontrar. Uma analogia com números teria de ser assim. Sejam infinitos quadradinhos de quarta série, sendo que todos estão preenchidos por um número par entre 2 e 49.
    Esse exemplo é melhor por várias razões. Nele é possível atribuir uma probabilidade finita a cada numero de estar no quadradinho (que é o dado mais importante do problema) e a coisa que vocÊ está procurando (numero) e o definidor do espaço amostral (quadradinho) são diferentes. Nesse caso, todos os números pares entre 2 e 49 seriam representados, e cada um deles infinitas vezes. Números impares no entanto não seriam.
    O caso do nosso universo no entanto não é como o dos números impares no exemplo acima. Pelo princípio antrópico, sabemos que existe uma probabilidade finita de que o nosso planeta exista num universo (afinal, ele existe) Se existem infinitos universos, e a probabilidade é finita, existem infinitos planetas como o nosso CQD.
    O planeta Kridkon seria o análogo dos números impares, sendo um planeta que tem probabilidade 0 de surgir em qualquer universo, e assim sendo 0 mesmo no caso de um conjunto infinito.

  5. Encontrei uma resposta pessoal a pergunta 4.

    Existe algo de profundo e de contato com o universo que, apesar de acompanhado por sofrimento, o sofrimento de constatar a realidade do mundo e se sentir um ser solitário num universo sem sentido, envolve um contato particular com um pedaço da existência que não se deve perder. E para mim, isso pode contar como a frigicidade.

    Não é feliz, não é bonitinho, mas é importante, é a percepção de si mesmo como entidade, é a noção da realidade do absurdo que é existir no cosmos. E essa percepção merece ser preservada, mesmo não sendo feliz. Algo de fundamental seria perdido, se não pudessemos gritar surdamente a um universo que não responde as nossas angústias, e a revolta de ser o que somos. E isso me parece uma boa frigicidade.

  6. 1 Não. O que é simples é o que precisa ser separado em menos partes. Não vejo a relação com o que você quer dizer. Se for a matemática é por que o que é simples depende de menos fatores e portanto logicamente estes influem menos uns nos outros e captam menos influências exterrnas.
    2 =s como? Não há duas coisas iguais. Se existissem seria impossível detectá-las. E a física ainda está longe demais de uma conclusão a esta especulação na minha opinião.
    4 Esqueceram do orgasmo. Frigicidade, por que não se contenta com frigidez? Concordo com o que disseram mas, felicidade é um termo genérico e subjetivo. Sempre é positivo tb. Difere do sentimento provocado por um pensamento positivo como o anterior apenas em uma única coisa: Duração.
    5 Acho que usar lógica demais vai fazer você pensar se vale a pena amar ou não.
    Cada vida tem seu sentido. A minha é ser um psicopata. Brincadeira. Talvez a de ser um web doidão.

  7. Não é o prazer de viver nem o de não estar morto. Pode ser a vontade individual de reclamar ao mundo a existência. Se for verdade somos um bando bebês chorões. O que para mim faz algum sentido, quando penso nas pessoas por aí. Essa vontade se não existe em você significa que vc não precisa pertencer a este mundo. Mas se você gosta dele então é melhor juntar as forças que lhe restam pra continuar a reclamar. Por que tem de ser assim? Acho que nisso a física está bem mais próxima do q sobre universos paralelos e vida ET.

  8. Overpala

    1 Eu quis dizer, no mundo real. Esse em que vivemos, existe qualquer razão para acreditarmos que o que é mais simples é mais provável do que o complexo? Por exemplo, é possível que o mundo seja controlado por um genio maligno, que cria em todos nos a impressão de um mundo real. E essa opção é mais complexa do que leis simples e tal que guiaram o big bang. Mas salvo por questões metodológicas, há qualquer razão para sustentar que o mais simples seja, de fato, mais provavel que o mais complexo? existe algum princípio universalmente válido a esse respeito?

    2 Se o universo for de fato infinito, pelos argumentos que eu dei na meu comment, segue que existem sim duas coisas iguais, e elas precedem de necessidade de detecção, sabe-se delas por inferência lógica a partir de outras detecções (a detecção de um universo finito, com um universo particular que existe, o nosso)

    4 ???

    5 Concordo, usar a lógica demais nos leva a pensar isso, entre outras coisas.

  9. Sobre o ponto 1:

    “O que é mais simples é mais provável que o complexo? Se sim, porque, que lei rege isso?”

    Eu penso que DADO UM CONJUNTO (feito de partes, é óbvio – e nosso Universo é um conjunto), haverá sempre mais modos de suas partes se distribuírem de modo caótico que de modo organizado…

    Isso não é uma verdade lógica tão sólida e inegável quanto “é impossível existir um círculo quadrado”?

    1-1-1-1-1 é um subconjunto do conjunto de todos os lances de 5 dados possíveis… e como é óbvio aí, poucos subconjuntos serão regulares, organizados, em relação aos caóticos como 1-6-3-2-4

    meu ponto é que a probabilidade é justamente isso: o reflexo do universo de possibilidades lógicas… O fato de uma série regular como 1-1-1-1-1 ser dita “improvável” é apenas um modo de dizer que regularidades são, sempre, menos numerosas no universo de possibilidades lógicas e, por isso, são difíceis de acontecer aleatoriamente (sem nenhuma causa que as produza diretamente, positivamente, como um ímã no lado oposto do 1, por exemplo)… e, ademais, estou imaginando que as coisas complexas são como as coisas organizadas, e as coisas simples como as caóticas… ainda é intuitivo, mas está me parecendo óbvio… preciso pensar um pouco mais…

  10. Diego, em relação à primeira pergunta:

    Algumas noções de probabilidade:
    O fato de vc ter sorteado um número (ou seja, de a Terra existir) não implica que a probabilidade disto seja diferente de zero (p.e. a probabilidade de vc sortear qualquer número real particular em [0,1] é zero, e no entanto nada impede que vc o faça). Tampouco, como foi mencionado, um conjunto infinito de coisas precisa ter de tudo, posso ter um conjunto infinito só de imagens pornográficas, por exemplo.

    Se vc está procurando por alguma fundamentação para a navalha de Ockham, li num prefácio de um livro que existe um teorema em Teoria da informação que pode ser interpretado como uma versão dela. Mas como eu não conheço o assunto eu não sei dizer se isso é plausível.

    Mas de qualquer maneira, é outra propriedade de probabilidade que P(A e B) <= P(A) logo, eventos compostos são mais raros do que eventos simples. Como as coisas que nós costumamos chamar de complexas requerem uma certa coincidência de compatibilidade das coisas para que sejam estáveis e organizadas, o conjunto é naturalmente menor.

    Entretanto, se vc quer uma resposta sobre se este raciocínio vale para metafísica, ou mesmo para eventos como o surgimento da vida e inteligência sob as leis do nosso universo, eu não faço a menor idéia, e me parece um tema difícil de se tratar, embora muito interessante.

    Sobre a questão 5, como já disse antes, é uma pergunta que não tem uma resposta simples, depende do que vc quer fazer da vida, depende das suas ofertas de relacionamento, e depende de quão bem vc pode conciliar as duas coisas.

    Sobre a questão 3, entendendo por ‘agir moralmente’ agir segundo um conjunto de princípios estipulados, acho que isto depende do quanto vc estima que este conjunto vá favorecer a sua noção de bem (seja esta noção a sua felicidade, a felicidade universal, a extinção da raça humana, ou qualquer outra coisa). Ou seja, é preciso primeiro definir o que se quer para se poder julgar se agir de determinada forma favorece isto ou não. Se quer motivos “racionais”, vc sabe que não tenho muito a dizer, mas acho melhor preferir favorecer a continuidade da sua própria existência e das experiências boas que ela pode trazer do que optar por ser uma pedra.
    Caso entenda por agir moralmente agir segundo a moral dominante no seu meio social, acho que o corolário da minha resposta é, aja assim quando isso for conveniente para sua noção de bem.

    Enfim, dei respostas genéricas e sem me comprometer como vc já devia estar esperando de mim.

    —–
    Correção (11/02/08):
    P(A e B) <= P(A)

  11. 1 Salvo aquilo no que acho que você se comprometeu, e que respondi no mais novo post do blog, adentro-me nas demais coisas.

    A questão da terra existir não ter de ser uma probabilidade finítia é discutível. Se existem infinitos locus com potencial de terra e uma terra, necessariamente existem infinitas terras. A probabilidade não é 0, é tende a zero. O que só é igual a zero para aproximações matemáticas. Existe um lim que tende a zero vindo de cima e um de baixo, deve haver alguma diferença entre eles.

    De qualquer maneira, divisões com números transfinitos não são um problema resolvido e solucionado. Principalmente quando tentamos dividir números de cardinalidades diferentes, nem sei se o conceito se aplica.

    Me parece, ainda assim que, se eu sortear infinitas vezes um número real [0,1] eu vou tirar todos eles infinitas vezes. Regardless de qual a probabilidade de tirar cada um. Como demonstra o exemplo da pornografia, eu nunca tirarei 4.

    3 Gostei dessa definição, que não é a que eu buscava, mas é a que me interessa de agora em diante “entendendo por ‘agir moralmente’ agir segundo um conjunto de princípios estipulados”
    Isso é basicamente aprisionar-se no passado. Ou seja, agir moralmente é estipular uma série de regras e seguí-las, em oposição a seguir a cada momento o desejo que nos governa naquele momento.
    Minha questão é a seguinte. Considerando que você ganha coisas quando se coloca nessa prisão cronológica, ela vale a pena? Você ganha por exemplo, a confiança da sua namorada de que você não vai traí-la, a confiança de quem te emprestou dinheiro de que você vai pagar etc…. Perde a liberdade da escolha do momento presente sempre.

    Essa prisão vale a pena?

  12. O problema é que sem estabilidade você não tem direção, e corre o risco se se perder ou andar em círculos.

    Pessoalmente acho que viver seguindo desejos imediatos é algo que limita bastante suas possibilidades, é difícil fazer grandes coisas e manter as coisas que constrói numa modalidade destas, não há compromisso. Mas não deixa de ser uma opção.

    Além disso, eu vejo esta prisão com bons olhos, e vc sempre pode modificar a prisão para acomodar uma nova perspectiva de vida.

  13. Sobre a 3: que tal “Der Mensch kann was er will; er kann aber nicht wollen was er will.” (o homem pode fazer o que ele quer, mas ele não pode querer o que ele quer — Arthur Schopenhauer)

    Entendo que não há valor na liberdade exceto na medida em que ela contribua àquilo que é objetivamente de valor: felicidade (entendida como “sentimentos subjetivos positivos”).

    Não concordo que hajam outras coisas passíveis de valor como objetivo da moral, exceto em visões incorretas. O oposto seria como argumentar que todas as visões de mundo são iguais, a religiosa e a científica no mesmo patamar de valor.

    As vontades pessoais humanas não interferem nesse valor (“o objeto da visão”), apenas contribuem para visões mais ou menos distorcidas do que está lá.

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